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Resenha: Dream Theater - Octavarium (2005)

Por: Tiago Meneses

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Album Cover
Entre falhas e um épico grandioso, boas músicas e integridade artística
3.5
30/10/2018

Por muito tempo Octavarium foi pra mim um disco de uma música só, onde tirando a faixa título, nada mais me impressionava ou simplesmente cativava o suficiente, porém, com o tempo fui me desarmando um pouco dessa rigidez e passei a aceitar com um pouco mais de bom grado outros momentos que o compõem. Lembro que dois anos antes com Train of Thought eu havia passado por algo parecido, achei um disco de metal sem nada de progressivo e com linhas musicais que pareciam não ter um objetivo, hoje, porém, simplesmente escuto as suas músicas sem pretensão, as deixo fluírem e sigo a maré.  

O disco começa através de “The Root Of All Evil” que é a terceira parte das cinco do que podemos chamar popularmente de “a saga da cachaça”. Apesar de eu achar que as músicas da saga vão perdendo o brilho conforme ela se desenvolve, todas não deixam de ter também os seus méritos. “The Root Of All Evil” apesar de não impressionar é uma música legal, tem uma veia obscura, boa continuidade e riffs (embora alguns deles sejam já conhecidos pelas duas partes anteriores da saga) e refrão bacana. Um começo de disco que na época me frustrou e que hoje me diverte. 

Ao contrário do que aconteceu em muitas músicas do álbum, com "The Answer Lies Between" não houve um gosto adquirido com o tempo e ainda hoje é apenas uma balada que não me diz nada. Simples, repetitiva e absolutamente chata.

A introdução de “These Walls” é através de um riff pesado de guitarra e depois um excelente de teclado enquanto que baixo e bateria preenchem a cozinha de maneira cativante. Mas não posso deixar de registrar também que vejo traços de Muse nessa música, mas longe de ser algo a ponto de estraga-la (entendam isso no sentido de Muse ser uma banda que não me desce). Os teclados em geral são um deleite e a guitarra tem ótimas melodias, e o melhor, sem que Petrucci pareça querer mostrar que está apenas querendo ser o guitarrista mais veloz do progressivo. Muito boa música. 

“I Walk Beside You” é tudo menos aquilo que eu espero ouvir em um álbum deste. Deve até ficar parecendo que estou de marcação com as baladas, mas não é isso, a banda tem sim boas baladas, mas acontece que as desse disco são um poço sem uma gota de inspiração que seja. As coisas já não andam bem na primeira parte de versos, mas quando chega o refrão vemos que nada é tão ruim que não possa piorar. Ouvir Dream Theater e na mesma música pensar em U2, Radiohead e Coldplay? Eu acho que é demais pra mim. 

“Panic Attack" é mais um dos grandes momentos do disco, sendo a mais pesada e truculenta de todas. Possui aquilo que seria ótimo se todo o álbum tivesse, ou seja, originalidade, bons riffs, senso de musicalidade, bateria incrível e até mesmo a voz do Labrie e da qual eu nunca fui de fazer muitos elogios está soando bem aqui. Uma faixa onde tudo está em perfeita ordem. 

"Never Enough" é mais uma música bastante forte a compor o álbum. Os teclados são de tirar o fôlego e Portnoy (como sempre) nos brinda com sua precisão cirúrgica na arte de dominar uma bateria. Também possui uma veia eletrônica e com isso novamente me remetendo a Muse, mas novamente também sem se comprometerem. A passagem central instrumental de propriedade da dupla Petrucci/Rudess também merece menção. 

“Sacrificed Sons” é uma música que eu considero que começa somente depois dos quatro minutos, pois até então é arrastada de uma maneira extremamente insossa. Porém o que vai sendo feito a diante é um som classicamente da banda, bastante técnica e musicalidade, bons riffs e solo de guitarra, bons solos e atmosferas de teclados e uma cozinha extremamente segura. É a segunda música mais longa do álbum, ficando atrás apenas da faixa título. 

Falando nela, o disco encerra através da faixa título. Começa de maneira bastante atmosférica com Rudess se divertindo no continuum e criando uma excelente ambientação (que lembra bastante Shine on You Crazy Diamond do Pink Floyd), até que o restante da banda também entra pela primeira vez na música, dando uma energizada que logo é acalmada novamente ficando apenas violão e uma flauta linda. Labrie então introduz seu vocal na triste e suave melodia que se segue em uma preparação até que enfim tem todos os instrumentos trabalhando junto. Essa parte lembra um pouco as baladas da Alan Parsons Project. A próxima parte da música começa com um baixo extremamente sólido de Myung e muito bem apoiado pela bateria de Portnoy e segue em um ritmo mais suave, mas que notamos está se intensificando cada vez mais até que chega a parte seguinte, agora muito mais frenética e claramente influenciada pela escola progressiva 70’s como Yes e Emerson, Lake & Palmer. Passada essa primeira tempestade instrumental, agora os vocais de Labrie se encontram sobre uma melodia mais intrincada, enérgica e pulsante. Energia por sinal é o que a banda vai ganhando ao entrar novamente em uma linha instrumental, minha cabeça quando ouvi isso pela primeira vez quase entrou em curto, a interação dos quatro músicos é algo extremamente surreal, até que eles “pisam” no freio e Labrie retorna com seu vocal. Um vocal e melodia sombrios vão se intensificando, Labrie que começou a música em uma linha tão serena já está cantando de forma rosnada até que “Octavarium” se prepara pra entrar no seu clímax. O tema lá do início e executado por uma flauta é repetido agora de maneira orquestral, antes que, “Razor's Edge”, último capítulo da faixa seja executado. O final é de uma grandiosidade tremenda e se torna apoteótico após Labrie cantar seus últimos versos e em seguida Petrucci fazer o que pra muitos é o seu melhor solo de guitarra da carreira. O disco passa longe de ser o meu preferido, mas a faixa “Octavarium” em si é sem dúvida alguma a minha preferida da banda. 

Em resumo, o álbum pode ter as suas falhas e momentos sem muito brilho, mas também possui boas músicas e integridade artística, além de um épico que considero a obra mais audaciosa da banda. 

Entre falhas e um épico grandioso, boas músicas e integridade artística
3.5
30/10/2018

Por muito tempo Octavarium foi pra mim um disco de uma música só, onde tirando a faixa título, nada mais me impressionava ou simplesmente cativava o suficiente, porém, com o tempo fui me desarmando um pouco dessa rigidez e passei a aceitar com um pouco mais de bom grado outros momentos que o compõem. Lembro que dois anos antes com Train of Thought eu havia passado por algo parecido, achei um disco de metal sem nada de progressivo e com linhas musicais que pareciam não ter um objetivo, hoje, porém, simplesmente escuto as suas músicas sem pretensão, as deixo fluírem e sigo a maré.  

O disco começa através de “The Root Of All Evil” que é a terceira parte das cinco do que podemos chamar popularmente de “a saga da cachaça”. Apesar de eu achar que as músicas da saga vão perdendo o brilho conforme ela se desenvolve, todas não deixam de ter também os seus méritos. “The Root Of All Evil” apesar de não impressionar é uma música legal, tem uma veia obscura, boa continuidade e riffs (embora alguns deles sejam já conhecidos pelas duas partes anteriores da saga) e refrão bacana. Um começo de disco que na época me frustrou e que hoje me diverte. 

Ao contrário do que aconteceu em muitas músicas do álbum, com "The Answer Lies Between" não houve um gosto adquirido com o tempo e ainda hoje é apenas uma balada que não me diz nada. Simples, repetitiva e absolutamente chata.

A introdução de “These Walls” é através de um riff pesado de guitarra e depois um excelente de teclado enquanto que baixo e bateria preenchem a cozinha de maneira cativante. Mas não posso deixar de registrar também que vejo traços de Muse nessa música, mas longe de ser algo a ponto de estraga-la (entendam isso no sentido de Muse ser uma banda que não me desce). Os teclados em geral são um deleite e a guitarra tem ótimas melodias, e o melhor, sem que Petrucci pareça querer mostrar que está apenas querendo ser o guitarrista mais veloz do progressivo. Muito boa música. 

“I Walk Beside You” é tudo menos aquilo que eu espero ouvir em um álbum deste. Deve até ficar parecendo que estou de marcação com as baladas, mas não é isso, a banda tem sim boas baladas, mas acontece que as desse disco são um poço sem uma gota de inspiração que seja. As coisas já não andam bem na primeira parte de versos, mas quando chega o refrão vemos que nada é tão ruim que não possa piorar. Ouvir Dream Theater e na mesma música pensar em U2, Radiohead e Coldplay? Eu acho que é demais pra mim. 

“Panic Attack" é mais um dos grandes momentos do disco, sendo a mais pesada e truculenta de todas. Possui aquilo que seria ótimo se todo o álbum tivesse, ou seja, originalidade, bons riffs, senso de musicalidade, bateria incrível e até mesmo a voz do Labrie e da qual eu nunca fui de fazer muitos elogios está soando bem aqui. Uma faixa onde tudo está em perfeita ordem. 

"Never Enough" é mais uma música bastante forte a compor o álbum. Os teclados são de tirar o fôlego e Portnoy (como sempre) nos brinda com sua precisão cirúrgica na arte de dominar uma bateria. Também possui uma veia eletrônica e com isso novamente me remetendo a Muse, mas novamente também sem se comprometerem. A passagem central instrumental de propriedade da dupla Petrucci/Rudess também merece menção. 

“Sacrificed Sons” é uma música que eu considero que começa somente depois dos quatro minutos, pois até então é arrastada de uma maneira extremamente insossa. Porém o que vai sendo feito a diante é um som classicamente da banda, bastante técnica e musicalidade, bons riffs e solo de guitarra, bons solos e atmosferas de teclados e uma cozinha extremamente segura. É a segunda música mais longa do álbum, ficando atrás apenas da faixa título. 

Falando nela, o disco encerra através da faixa título. Começa de maneira bastante atmosférica com Rudess se divertindo no continuum e criando uma excelente ambientação (que lembra bastante Shine on You Crazy Diamond do Pink Floyd), até que o restante da banda também entra pela primeira vez na música, dando uma energizada que logo é acalmada novamente ficando apenas violão e uma flauta linda. Labrie então introduz seu vocal na triste e suave melodia que se segue em uma preparação até que enfim tem todos os instrumentos trabalhando junto. Essa parte lembra um pouco as baladas da Alan Parsons Project. A próxima parte da música começa com um baixo extremamente sólido de Myung e muito bem apoiado pela bateria de Portnoy e segue em um ritmo mais suave, mas que notamos está se intensificando cada vez mais até que chega a parte seguinte, agora muito mais frenética e claramente influenciada pela escola progressiva 70’s como Yes e Emerson, Lake & Palmer. Passada essa primeira tempestade instrumental, agora os vocais de Labrie se encontram sobre uma melodia mais intrincada, enérgica e pulsante. Energia por sinal é o que a banda vai ganhando ao entrar novamente em uma linha instrumental, minha cabeça quando ouvi isso pela primeira vez quase entrou em curto, a interação dos quatro músicos é algo extremamente surreal, até que eles “pisam” no freio e Labrie retorna com seu vocal. Um vocal e melodia sombrios vão se intensificando, Labrie que começou a música em uma linha tão serena já está cantando de forma rosnada até que “Octavarium” se prepara pra entrar no seu clímax. O tema lá do início e executado por uma flauta é repetido agora de maneira orquestral, antes que, “Razor's Edge”, último capítulo da faixa seja executado. O final é de uma grandiosidade tremenda e se torna apoteótico após Labrie cantar seus últimos versos e em seguida Petrucci fazer o que pra muitos é o seu melhor solo de guitarra da carreira. O disco passa longe de ser o meu preferido, mas a faixa “Octavarium” em si é sem dúvida alguma a minha preferida da banda. 

Em resumo, o álbum pode ter as suas falhas e momentos sem muito brilho, mas também possui boas músicas e integridade artística, além de um épico que considero a obra mais audaciosa da banda. 

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