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    Welcome To The Real World (1985)

    4.5 Por: Marcel Z. Dio

Resenha: Mr. Mister - Welcome To The Real World (1985)

Por: Marcel Z. Dio

Acessos: 184

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O casamento perfeito entre o pop e o rock
4.5
20/10/2018

Se engana quem acha o Mr Mister é uma one-hit wonder ancorada apenas pelo sucesso de Broken Wings. É claro que o grupo nunca foi estouro radiofônico, mas a qualidade musical deles era acima da média, independente do nível de exposição.
O começo com o Wear The Faces não empolgou, o que deixou os executivos da RCA com a pulga atrás da orelha. E mesmo sendo um trabalho sem norte, via-se talento nos músicos e no alicerce das canções de apelo pop/ new wave, uma espécie de Level 42 de segunda linhagem. A segunda chance, que poderia ser a última, acabou sendo o grande marco da carreira da banda, na expressão ideal entre o pop e o rock puxado para o AOR.
Apesar do preconceito roqueiro com a balada "Broken Wings", o disco não destoa por esse caminho açucarado, contendo melodias sofisticadas, mas que soam de maneira simples.
A abertura com "Black/White" impressionada pela estética arrojada, com o teclado fazendo parte da melódia central, e um vocal potente de Richard Page, dividindo também a função de baixista.

"Uniform of Youth" tem um peso fora dos padrões pop, abrindo brechas para um riff repetitivo e viciante. Pat Mastelotto (futuro membro do King Crimson) tinha uma pegada mais energética, e descia o braço sem dó, como um Cozy Powell do pop.

O techno pop aparece em "Don't Slow Down", cujo as vozes dobradas de destacam sobre as sutis modulações e o linear baixo sintetizado.
Como o sintetizador estava em alta, as notas progressivas de Steve George em "Into My Own Hands" guarneciam a vigorosa melodia. Os solos de Steve Farris mergulham na linha de Rush e Marillion, e assim como as duas bandas, o Mr Mister sabia complicar sem perder a direção.

Como é bom ouvirmos o pop suingado de "Is It Love" !, o tipo de som que flui livremente, passando tão rápido por nossos ouvidos, que a vontade de repeti-la torna-se imediata. A arte de capturar os ouvintes por um refrão contagiante sumiu da música moderna, e esse é o grande segredo de Welcome to The Real World.

Impossível escapar dela né ? ... a tal "Broken Wings", tida por muitos radicais como uma porcaria pop. Mas quer saber? danem-se os radicais !. Tirando a cafonérrima letra, a canção tem momentos memoráveis, especialmente na parte final, com a contra melodia de grave sintetizado sobre um riff devastador, e esse baixo é um dos trechos mais criativos feitos no pop oitentista, passando a barreira do consciente e martelando nosso inconsciente por décadas. Basta ouvir uma mísera vez e carregar isso para sempre, como um verdadeiro mantra.

Para não me alongar, fecho o álbum com a faixa homônima, outra pérola do Mr Mister, dosando perfeitamente a carga roqueira com o aprimoramento pop. Pela minha compreensão, a letra dá as boas vindas a uma criança recém chegada ao mundo ...
"Bem-vinda pequenina, nesse lugar de terra e pedra
Bem-vinda pequenina e todos os olhos azuis e
Inocentes, o mundo é muito mais frio que o seu olhar

Ei, essa é uma corrida humana
Ei, agora você está no portão
Bem-vindo ao mundo real, há muito o que aprender, bem-vindo ao mundo real
Bem-vindo ao mundo real, há muito o que aprender, bem-vindo ao mundo real"

É uma pena que o Mr Mister tenha ficado preso a Welcome ... o posterior Go On...(1987) foi decepcionante em todos os sentidos. Tanto que em 1989, eles tentaram outra cartada com um álbum mais complexo e foram categoricamente vetados pela RCA, o que culminou com o fim das atividades. A volta se deu com Pull (2010) esse, tão ruim quanto Go On..., jogando de vez, uma pá de cal sobre o destino da banda.

O casamento perfeito entre o pop e o rock
4.5
20/10/2018

Se engana quem acha o Mr Mister é uma one-hit wonder ancorada apenas pelo sucesso de Broken Wings. É claro que o grupo nunca foi estouro radiofônico, mas a qualidade musical deles era acima da média, independente do nível de exposição.
O começo com o Wear The Faces não empolgou, o que deixou os executivos da RCA com a pulga atrás da orelha. E mesmo sendo um trabalho sem norte, via-se talento nos músicos e no alicerce das canções de apelo pop/ new wave, uma espécie de Level 42 de segunda linhagem. A segunda chance, que poderia ser a última, acabou sendo o grande marco da carreira da banda, na expressão ideal entre o pop e o rock puxado para o AOR.
Apesar do preconceito roqueiro com a balada "Broken Wings", o disco não destoa por esse caminho açucarado, contendo melodias sofisticadas, mas que soam de maneira simples.
A abertura com "Black/White" impressionada pela estética arrojada, com o teclado fazendo parte da melódia central, e um vocal potente de Richard Page, dividindo também a função de baixista.

"Uniform of Youth" tem um peso fora dos padrões pop, abrindo brechas para um riff repetitivo e viciante. Pat Mastelotto (futuro membro do King Crimson) tinha uma pegada mais energética, e descia o braço sem dó, como um Cozy Powell do pop.

O techno pop aparece em "Don't Slow Down", cujo as vozes dobradas de destacam sobre as sutis modulações e o linear baixo sintetizado.
Como o sintetizador estava em alta, as notas progressivas de Steve George em "Into My Own Hands" guarneciam a vigorosa melodia. Os solos de Steve Farris mergulham na linha de Rush e Marillion, e assim como as duas bandas, o Mr Mister sabia complicar sem perder a direção.

Como é bom ouvirmos o pop suingado de "Is It Love" !, o tipo de som que flui livremente, passando tão rápido por nossos ouvidos, que a vontade de repeti-la torna-se imediata. A arte de capturar os ouvintes por um refrão contagiante sumiu da música moderna, e esse é o grande segredo de Welcome to The Real World.

Impossível escapar dela né ? ... a tal "Broken Wings", tida por muitos radicais como uma porcaria pop. Mas quer saber? danem-se os radicais !. Tirando a cafonérrima letra, a canção tem momentos memoráveis, especialmente na parte final, com a contra melodia de grave sintetizado sobre um riff devastador, e esse baixo é um dos trechos mais criativos feitos no pop oitentista, passando a barreira do consciente e martelando nosso inconsciente por décadas. Basta ouvir uma mísera vez e carregar isso para sempre, como um verdadeiro mantra.

Para não me alongar, fecho o álbum com a faixa homônima, outra pérola do Mr Mister, dosando perfeitamente a carga roqueira com o aprimoramento pop. Pela minha compreensão, a letra dá as boas vindas a uma criança recém chegada ao mundo ...
"Bem-vinda pequenina, nesse lugar de terra e pedra
Bem-vinda pequenina e todos os olhos azuis e
Inocentes, o mundo é muito mais frio que o seu olhar

Ei, essa é uma corrida humana
Ei, agora você está no portão
Bem-vindo ao mundo real, há muito o que aprender, bem-vindo ao mundo real
Bem-vindo ao mundo real, há muito o que aprender, bem-vindo ao mundo real"

É uma pena que o Mr Mister tenha ficado preso a Welcome ... o posterior Go On...(1987) foi decepcionante em todos os sentidos. Tanto que em 1989, eles tentaram outra cartada com um álbum mais complexo e foram categoricamente vetados pela RCA, o que culminou com o fim das atividades. A volta se deu com Pull (2010) esse, tão ruim quanto Go On..., jogando de vez, uma pá de cal sobre o destino da banda.

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