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Resenha: Iron Maiden - No Prayer For The Dying (1990)

Por: Fábio Arthur

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Album Cover
Um trabalho mal aproveitado
2.5
19/10/2018

Talvez fosse o cansaço e/ou apenas realmente o desejo de mudanças, mas o Iron Maiden trouxe em "No Prayer For the Dying", uma nova direção com um pouco da vertente calcada em seus primórdios com Paul Di´Anno, e assim faria um disco totalmente diferenciado dos antecessores. 

Após um sucesso estrondoso desde "The Number of the Beast" e vindo de uma auge notado de concertos estupendos e discos dos quais você não pularia nenhuma faixa, o grupo finalmente caiu em contradições. O fato é que, "No Prayer For the Dying" prima por um som mais cru, produzido na fazenda de Steve Harris - e mesmo com a ajuda de Martin Birch - o grupo não expôs sua melhor veia musical. 

Em outubro de 1990 se deu o lançamento via EMI e na primeira audição o que se tem impressão é que a banda queria se distanciar dos épicos como "Somewhere in Time" e "Seventh Son of a Seventh Son", fazendo assim um álbum de canções mais diretas, sem o conteúdo elevado de notas ou mudanças de andamentos significativas. O maior problema é que, dentro desse patamar, fãs e mídia não entenderam como uma volta ao início dos 80 e sim como uma falta de vontade ou criatividade. 

A arte do disco nos dá a impressão de de que a banda traria um som muito pesado e envolvido em contos de horror com as veias épicas já marcadas do estilo do grupo e realmente até o visual dos integrantes apontava para essa direção, mas infelizmente tudo era como se estivessem fechando um ciclo e já mostrando um novo. 

Outro ponto para se discutir nessa fase foi a saída de Adrian Smith. O guitarrista/compositor queria algo novo, mais na linha hard, tanto que sua contribuição mesmo estar na banda acabou sendo uma faixa intitulada de "Hooks in You" em parceria com Dickinson, em que a mesma resulta em um hard/glam com refrão grudento e simples. Para o lugar de Adrian, a banda trouxe Janick Gers, que havia tocado com Ian Gilan Band e na carreira solo de Bruce Dickinson. Gers prima por usar menos efeitos, por ter uma veia mais hard e ao mesmo tempo agressiva e essa junção colaborou para o disco naquele período, mas ao longo do tempo tudo provou que Adrian iria fazer falta. 

A tour seria agora em locais menores. As vendagens do disco seriam frustrantes perto de seus antecessores e Dickinson mudaria seu estilo vocal, primando por algo mais com drives e misturados em melodias por vezes. Foram realizados singles e videos para MTV e para um VHS de clipes do grupo, e mesmo assim tudo não ia tão adiante quanto a banda queria. 

Ouvindo o álbum, você percebe que até mesmo Nicko McBrain está desempenhando uma bateria mais regrada e assim mantendo somente a linha do disco. Para ajudar, a música de Dickinson para o filme A Hora do Pesadelo V entrou no álbum com consentimento de Harris, a faixa intitulada de "Bring Your Daugther... To the Slaughter" trouxe o ódio dos religiosos, acusando a banda de estarem novamente envolvida com cultos macabros e, para completar a fase toda, Bruce teria que passar por uma simples cirurgia de garganta para corrigir um problema de desgaste nas cordas; assim o Maiden foi em frente, mesmo sendo alvo de todos os lados.

A canção "Tailgunner" é uma das mais agradáveis do álbum, sendo sua letra uma continuação de "Aces High", já "Holy Smoke", com seu video clipe caseiro, soa como uma faixa hard ao estilo britânico e sem muito conteúdo. Em outros momentos temos "The Assassin", fantástica, e "Mother Russia", que tenta soar como o Maiden clássico. Camadas de teclados suaves compõem o álbum mais sem comprometer tanto. 

Acima de tudo o Maiden se manteve na estrada, trouxe esse disco diferenciado, mudou de formação e fechou uma década ainda sob os holofotes do auge. Tem fãs que adoram esse disco, outros preferem dizer que algumas faixas são boas e tantos outros odeiam. É um disco, creio eu, mal aproveitado e sem uma direção mais trabalhada. Cada qual tem que ouvir e deixar sua opinião e sentimento sobre ele. 

Um trabalho mal aproveitado
2.5
19/10/2018

Talvez fosse o cansaço e/ou apenas realmente o desejo de mudanças, mas o Iron Maiden trouxe em "No Prayer For the Dying", uma nova direção com um pouco da vertente calcada em seus primórdios com Paul Di´Anno, e assim faria um disco totalmente diferenciado dos antecessores. 

Após um sucesso estrondoso desde "The Number of the Beast" e vindo de uma auge notado de concertos estupendos e discos dos quais você não pularia nenhuma faixa, o grupo finalmente caiu em contradições. O fato é que, "No Prayer For the Dying" prima por um som mais cru, produzido na fazenda de Steve Harris - e mesmo com a ajuda de Martin Birch - o grupo não expôs sua melhor veia musical. 

Em outubro de 1990 se deu o lançamento via EMI e na primeira audição o que se tem impressão é que a banda queria se distanciar dos épicos como "Somewhere in Time" e "Seventh Son of a Seventh Son", fazendo assim um álbum de canções mais diretas, sem o conteúdo elevado de notas ou mudanças de andamentos significativas. O maior problema é que, dentro desse patamar, fãs e mídia não entenderam como uma volta ao início dos 80 e sim como uma falta de vontade ou criatividade. 

A arte do disco nos dá a impressão de de que a banda traria um som muito pesado e envolvido em contos de horror com as veias épicas já marcadas do estilo do grupo e realmente até o visual dos integrantes apontava para essa direção, mas infelizmente tudo era como se estivessem fechando um ciclo e já mostrando um novo. 

Outro ponto para se discutir nessa fase foi a saída de Adrian Smith. O guitarrista/compositor queria algo novo, mais na linha hard, tanto que sua contribuição mesmo estar na banda acabou sendo uma faixa intitulada de "Hooks in You" em parceria com Dickinson, em que a mesma resulta em um hard/glam com refrão grudento e simples. Para o lugar de Adrian, a banda trouxe Janick Gers, que havia tocado com Ian Gilan Band e na carreira solo de Bruce Dickinson. Gers prima por usar menos efeitos, por ter uma veia mais hard e ao mesmo tempo agressiva e essa junção colaborou para o disco naquele período, mas ao longo do tempo tudo provou que Adrian iria fazer falta. 

A tour seria agora em locais menores. As vendagens do disco seriam frustrantes perto de seus antecessores e Dickinson mudaria seu estilo vocal, primando por algo mais com drives e misturados em melodias por vezes. Foram realizados singles e videos para MTV e para um VHS de clipes do grupo, e mesmo assim tudo não ia tão adiante quanto a banda queria. 

Ouvindo o álbum, você percebe que até mesmo Nicko McBrain está desempenhando uma bateria mais regrada e assim mantendo somente a linha do disco. Para ajudar, a música de Dickinson para o filme A Hora do Pesadelo V entrou no álbum com consentimento de Harris, a faixa intitulada de "Bring Your Daugther... To the Slaughter" trouxe o ódio dos religiosos, acusando a banda de estarem novamente envolvida com cultos macabros e, para completar a fase toda, Bruce teria que passar por uma simples cirurgia de garganta para corrigir um problema de desgaste nas cordas; assim o Maiden foi em frente, mesmo sendo alvo de todos os lados.

A canção "Tailgunner" é uma das mais agradáveis do álbum, sendo sua letra uma continuação de "Aces High", já "Holy Smoke", com seu video clipe caseiro, soa como uma faixa hard ao estilo britânico e sem muito conteúdo. Em outros momentos temos "The Assassin", fantástica, e "Mother Russia", que tenta soar como o Maiden clássico. Camadas de teclados suaves compõem o álbum mais sem comprometer tanto. 

Acima de tudo o Maiden se manteve na estrada, trouxe esse disco diferenciado, mudou de formação e fechou uma década ainda sob os holofotes do auge. Tem fãs que adoram esse disco, outros preferem dizer que algumas faixas são boas e tantos outros odeiam. É um disco, creio eu, mal aproveitado e sem uma direção mais trabalhada. Cada qual tem que ouvir e deixar sua opinião e sentimento sobre ele. 

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