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Resenha: The Cult - Dreamtime (1984)

Por: Tarcisio Lucas

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Identidade e competência!
4
17/10/2018

Todas as grandes bandas possuem algo que as diferencia do restante. Muitas vezes elas se destacam pela força de suas composições, outras pelas performances ao vivo, algumas pelo posicionamento engajado de seus integrantes. Outras se destacam pela técnica apurada, muitas ainda pela qualidade de suas letras.
Mas e quando uma banda consegue juntar tudo isso? Esse é justamente o caso do The Cult.
"Dreamtime" é o primeiro lançamento da banda, e é totalmente possível encontrar nesse Debut todas as características que fariam da banda uma referência dentro do Rock. 
Claro, é imprescindível dizer aqui que a banda ainda não havia encontrado o hard rock que a tornou mundialmente famosa. O que temos aqui é um gothic rock, extremamente bem feito e cheio de energia ( o que por si só a diferencia das outras bandas que apostavam no gênero). 
A banda vinha das cinzas do Death  Cult, esse grupo sim tendo abraçado o som gótico com todas as forças. Tanto é que muitas músicas apresentadas aqui já faziam parte do repertório da banda anterior, como as canções "Horse Nation", "Butterflies" e "A Flower in the Desert".
Apesar de rechear seu som dark com tons mais coloridos que apontavam para o hard rock que se gestaria no futuro, e olhar as vezes para a psicodelia dos anos 70, o que temos aqui é um disco tipicamente gótico, especialmente nos timbres escolhidos para cada instrumento. 
Junto com o disco "Love", "Dreamtime" faz parte da primeira fase da banda, um pouco obscura e ás vezes esquecida, mas de fundamental importância para o desenvolvimento do grupo.

A música "Horse Nation" que abre o disco introduz perfeitamente a sonoridade geral do álbum, com um ótimo trabalho de guitarras,   bem como as letras com forte inspiração da cultura nativa americana, que seria característica do vocalista Ian Astbury ao longo de toda sua carreira.
"Spiritwalker", com uma letra totalmente "hiponga" segue perfeitamente alinhada com a introdução, e aí fica claro a primeira coisa que diferenciaria o The Cult de outras bandas de gothic rock da época: ao passo que a maioria das bandas da cena apostavam em musicas mais minimalistas, com ritmos quase militares (se duvida, confira os discos de bandas como Sisters of Mercy, Bauhaus e Joy Division), o The Cult abusava de mudanças de andamento e viradas de bateria, bem como arranjos vocais muito bem colocados. Ao contrário das vozes graves de seus colegas trevosos, o conjunto, na figura de seu vocalista, apostava em melodias vocais que atingiam notas bem altas, agudas, e uma impostação vocal bem mais "roqueira" que a grande maioria.
"83rd Dream" começa de uma forma gótica mas tradicional, mas basta alguns versos para sacarmos que o que temos aqui é outra coisa. Apostando e abusando dos reverbs e delays, essa canção é a perfeita união da musica post punk dos anos 80 com a psicodelia dos anos 70. Aliás, a capacidade que a banda tem de conciliar 2 movimentos tão distintos dentro da mesma estética - o movimento hippie e o movimento gótico - chega a ser primoroso e surpreendente.
"Butterflies", uma das canções remanescentes do Death Cult, já se enquadra melhor na definição de musica gótica, e pode fazer a alegria dos fãs do estilo, bem como as musicas seguintes, "Go West", "Gimmick" (essa gótica até o osso) e "A Flower in the Desert" ( cujo instrumental chega a lembrar uma curiosa mistura de The Smiths com Sisters of Mercy).
A faixa título, "Dreamtime", retoma a pegada hippie, com uma letra que fala sobre liberdade, cabelos compridos e prováveis viagens de ácido capazes de expandir os horizontes. É possível ver aqui - forçando um pouquinho a barra - um pouco do punk que fez esse movimento ser conhecido também como "post punk".
Verdade é que, enquanto algumas bandas parecem evoluir lentamente suas qualidades, outras já nascem mais ou menos prontas; se você pegar os grandes álbuns que a banda lançaria futuramente e compara-los com esse debut, verá que a qualidade já estava toda aqui, a despeito das marcantes mudanças de estilo que se seguiram e o abandono progressivo do rock gótico (que viria a dar as caras no disco "The Cult", de 1994, e no aclamado "Beyond Good and Evil").
Chego a dizer sem medo que o The Cult é uma das bandas de maior personalidade dentro da história do rock/metal, e "Dreamtime" confirma isso de forma muito concisa.
Como se não bastasse a qualidade deste disco em si, a banda soube trabalhar todos os elementos apresentados aqui para gestar o disco seguinte, "Love", que certamente figura (ou DEVERIA figurar) como um dos discos mais emblemáticos do rock nos anos 80.
"Rider in the Snow" recupera o cinza que havia dado lugar ao colorido em Dreamtime. Trata-se de uma música sóbria, séria, cinza e gelada.
E por fim temos "Bad Medicine Waltz", que realmente parece uma valsa. Uma valsa meio macabra, torta, densa e pesada, mas ainda sim uma valsa. 

E assim foi a estréia dessa grande banda! 

Identidade e competência!
4
17/10/2018

Todas as grandes bandas possuem algo que as diferencia do restante. Muitas vezes elas se destacam pela força de suas composições, outras pelas performances ao vivo, algumas pelo posicionamento engajado de seus integrantes. Outras se destacam pela técnica apurada, muitas ainda pela qualidade de suas letras.
Mas e quando uma banda consegue juntar tudo isso? Esse é justamente o caso do The Cult.
"Dreamtime" é o primeiro lançamento da banda, e é totalmente possível encontrar nesse Debut todas as características que fariam da banda uma referência dentro do Rock. 
Claro, é imprescindível dizer aqui que a banda ainda não havia encontrado o hard rock que a tornou mundialmente famosa. O que temos aqui é um gothic rock, extremamente bem feito e cheio de energia ( o que por si só a diferencia das outras bandas que apostavam no gênero). 
A banda vinha das cinzas do Death  Cult, esse grupo sim tendo abraçado o som gótico com todas as forças. Tanto é que muitas músicas apresentadas aqui já faziam parte do repertório da banda anterior, como as canções "Horse Nation", "Butterflies" e "A Flower in the Desert".
Apesar de rechear seu som dark com tons mais coloridos que apontavam para o hard rock que se gestaria no futuro, e olhar as vezes para a psicodelia dos anos 70, o que temos aqui é um disco tipicamente gótico, especialmente nos timbres escolhidos para cada instrumento. 
Junto com o disco "Love", "Dreamtime" faz parte da primeira fase da banda, um pouco obscura e ás vezes esquecida, mas de fundamental importância para o desenvolvimento do grupo.

A música "Horse Nation" que abre o disco introduz perfeitamente a sonoridade geral do álbum, com um ótimo trabalho de guitarras,   bem como as letras com forte inspiração da cultura nativa americana, que seria característica do vocalista Ian Astbury ao longo de toda sua carreira.
"Spiritwalker", com uma letra totalmente "hiponga" segue perfeitamente alinhada com a introdução, e aí fica claro a primeira coisa que diferenciaria o The Cult de outras bandas de gothic rock da época: ao passo que a maioria das bandas da cena apostavam em musicas mais minimalistas, com ritmos quase militares (se duvida, confira os discos de bandas como Sisters of Mercy, Bauhaus e Joy Division), o The Cult abusava de mudanças de andamento e viradas de bateria, bem como arranjos vocais muito bem colocados. Ao contrário das vozes graves de seus colegas trevosos, o conjunto, na figura de seu vocalista, apostava em melodias vocais que atingiam notas bem altas, agudas, e uma impostação vocal bem mais "roqueira" que a grande maioria.
"83rd Dream" começa de uma forma gótica mas tradicional, mas basta alguns versos para sacarmos que o que temos aqui é outra coisa. Apostando e abusando dos reverbs e delays, essa canção é a perfeita união da musica post punk dos anos 80 com a psicodelia dos anos 70. Aliás, a capacidade que a banda tem de conciliar 2 movimentos tão distintos dentro da mesma estética - o movimento hippie e o movimento gótico - chega a ser primoroso e surpreendente.
"Butterflies", uma das canções remanescentes do Death Cult, já se enquadra melhor na definição de musica gótica, e pode fazer a alegria dos fãs do estilo, bem como as musicas seguintes, "Go West", "Gimmick" (essa gótica até o osso) e "A Flower in the Desert" ( cujo instrumental chega a lembrar uma curiosa mistura de The Smiths com Sisters of Mercy).
A faixa título, "Dreamtime", retoma a pegada hippie, com uma letra que fala sobre liberdade, cabelos compridos e prováveis viagens de ácido capazes de expandir os horizontes. É possível ver aqui - forçando um pouquinho a barra - um pouco do punk que fez esse movimento ser conhecido também como "post punk".
Verdade é que, enquanto algumas bandas parecem evoluir lentamente suas qualidades, outras já nascem mais ou menos prontas; se você pegar os grandes álbuns que a banda lançaria futuramente e compara-los com esse debut, verá que a qualidade já estava toda aqui, a despeito das marcantes mudanças de estilo que se seguiram e o abandono progressivo do rock gótico (que viria a dar as caras no disco "The Cult", de 1994, e no aclamado "Beyond Good and Evil").
Chego a dizer sem medo que o The Cult é uma das bandas de maior personalidade dentro da história do rock/metal, e "Dreamtime" confirma isso de forma muito concisa.
Como se não bastasse a qualidade deste disco em si, a banda soube trabalhar todos os elementos apresentados aqui para gestar o disco seguinte, "Love", que certamente figura (ou DEVERIA figurar) como um dos discos mais emblemáticos do rock nos anos 80.
"Rider in the Snow" recupera o cinza que havia dado lugar ao colorido em Dreamtime. Trata-se de uma música sóbria, séria, cinza e gelada.
E por fim temos "Bad Medicine Waltz", que realmente parece uma valsa. Uma valsa meio macabra, torta, densa e pesada, mas ainda sim uma valsa. 

E assim foi a estréia dessa grande banda! 

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