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    Heavenly Bodies (1993)

    4.5 Por: Tarcisio Lucas

Resenha: Gene Loves Jezebel - Heavenly Bodies (1993)

Por: Tarcisio Lucas

Acessos: 73

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O perfeito equilíbrio!
4.5
08/10/2018

Sempre afirmo que o mundo da música, apesar de estar atrelado ao mercado econômico e financeiro como qualquer outro negócio, muitas vezes comporta-se de forma totalmente  imprevisível e difícil de se entender plenamente.
Digo isso pois nada pode explicar o por que da banda Gene Loves Jezebel não ter alcançado o mesmo grau de reconhecimento que bandas similares na época de seu surgimento - como The Cure, The Smiths - obtiveram. A banda possui qualidades mais que suficientes para ostentar esse nível de reconhecimento, e é dona de uma discografia variada e extremamente consistente. Sim, a banda possui uma base de fãs significativa, mas ainda sim restrita.
Certamente, o tumultuado trajeto pessoal da banda pode ser elencado como um dos fatores que afastou muitos possíveis ouvintes das musicas do conjunto. Afinal, acompanhar um banda formada por 2 irmãos gêmeos que se separaram e chegaram ao ponto de cada um montar o seu próprio "Gene Loves Jezebel" - ao mesmo tempo - não é uma tarefa para qualquer um.
Mas aqui, especificamente, vou me ater apenas ao aspecto puramente sonoro e musical do disco.
"Heavenly Bodies" marca o equilíbrio perfeito entre o som cinza do post punk/rock gótico dos anos 80 com uma sonoridade mais pop, acessível e radiofônica, retirando de cada um dos lados aquilo que cada um tem de melhor à apresentar.

A primeira música do disco, "American Dreamer" já entrega essa proposta, de forma simplesmente brilhante. 
Os timbres dos instrumentos e a produção também beiram a perfeição (considerando o estilo e proposta), remetendo-nos ao som gótico e chuvoso de outrora (como no disco "Promise"), ao mesmo tempo em que também aposta em sons mais populares e de fácil digestão.
Aqui temos o melhor que o Gene Loves Gezebel já produziu (a polêmica foi lançada, comentem caso não concordem, será muito bom conversar sobre isso!), tanto musicalmente quanto liricamente.
Apesar do álbum ter sido lançado na década de 90 - 1993 - tudo aqui remete aos anos 80.
Um lado mais rock and roll, que podemos ouvir enfatizado em discos como "Kiss of Life", lançado 3 anos antes desse aqui, também é perceptível.
A música "Josephina" é ao mesmo tempo gótica e hit. O instrumental lembra um pouco algumas canções do U2, e eu falo das realmente boas canções do U2.
Além das canções já citadas, poderíamos citar "Any Anxious Color", que parece ser um estranha mistura de rock gótico com Roger Waters do Pink Floyd, "Break the Chains", cuja melodia principal é citada descaradamente no inicio do mais recente álbum da banda, "Sweet Sweet Rain", com um trabalho de guitarras simplesmente incrível, além de uma letra absurdamente legal, e a musica "quase" título, "Heavenly Body", com uma das melodias vocais mais marcantes dentro daquilo que podemos chamar de "gótico".
"Down" tem fortes influências de The Cult, com uma pegada rock and roll simplesmente maravilhosa, sendo aquele tipo de música capaz de fazer você gostar dela antes do primeiro minuto de música. E correndo o risco de soar repetitivo, isso aqui é anos 80 puro!
"In a Lonely Place" parte para um lance mais atmosférico, mas nem por isso menos interessante.
"Heavenly Bodies" trata-se de um disco injustiçado. Muitos fãs consideram um disco sem definição, enquanto outros costumam dizer que o álbum não é capaz de agradar nem os góticos nem os fãs de pop-rock.
Eu chego a concluir exatamente o oposto: "Heavenly Bodies" é o disco que confere unidade à discografia da banda.
E o disco se encerra com a arrastada "Tomorrow's Colours", conduzida apenas pelas vozes e violão, em um arranjo muito bonito.
Como ponto negativo, gostaria de pontuar que em algumas musicas eles exageram um pouco na quantidade de reverb e delay que os vocais apresentam, o que sei que pode incomodar alguns de vocês (não me incomodou nem um pouco).
Um disco para aqueles que gostam de dias de chuva, mas que também as vezes decidem fazem caminhadas por aí.

"Heavenly Bodies" é um disco equilibrado, que entrega, de forma honesta e bem executada, tudo áquilo a que se propõem.

O perfeito equilíbrio!
4.5
08/10/2018

Sempre afirmo que o mundo da música, apesar de estar atrelado ao mercado econômico e financeiro como qualquer outro negócio, muitas vezes comporta-se de forma totalmente  imprevisível e difícil de se entender plenamente.
Digo isso pois nada pode explicar o por que da banda Gene Loves Jezebel não ter alcançado o mesmo grau de reconhecimento que bandas similares na época de seu surgimento - como The Cure, The Smiths - obtiveram. A banda possui qualidades mais que suficientes para ostentar esse nível de reconhecimento, e é dona de uma discografia variada e extremamente consistente. Sim, a banda possui uma base de fãs significativa, mas ainda sim restrita.
Certamente, o tumultuado trajeto pessoal da banda pode ser elencado como um dos fatores que afastou muitos possíveis ouvintes das musicas do conjunto. Afinal, acompanhar um banda formada por 2 irmãos gêmeos que se separaram e chegaram ao ponto de cada um montar o seu próprio "Gene Loves Jezebel" - ao mesmo tempo - não é uma tarefa para qualquer um.
Mas aqui, especificamente, vou me ater apenas ao aspecto puramente sonoro e musical do disco.
"Heavenly Bodies" marca o equilíbrio perfeito entre o som cinza do post punk/rock gótico dos anos 80 com uma sonoridade mais pop, acessível e radiofônica, retirando de cada um dos lados aquilo que cada um tem de melhor à apresentar.

A primeira música do disco, "American Dreamer" já entrega essa proposta, de forma simplesmente brilhante. 
Os timbres dos instrumentos e a produção também beiram a perfeição (considerando o estilo e proposta), remetendo-nos ao som gótico e chuvoso de outrora (como no disco "Promise"), ao mesmo tempo em que também aposta em sons mais populares e de fácil digestão.
Aqui temos o melhor que o Gene Loves Gezebel já produziu (a polêmica foi lançada, comentem caso não concordem, será muito bom conversar sobre isso!), tanto musicalmente quanto liricamente.
Apesar do álbum ter sido lançado na década de 90 - 1993 - tudo aqui remete aos anos 80.
Um lado mais rock and roll, que podemos ouvir enfatizado em discos como "Kiss of Life", lançado 3 anos antes desse aqui, também é perceptível.
A música "Josephina" é ao mesmo tempo gótica e hit. O instrumental lembra um pouco algumas canções do U2, e eu falo das realmente boas canções do U2.
Além das canções já citadas, poderíamos citar "Any Anxious Color", que parece ser um estranha mistura de rock gótico com Roger Waters do Pink Floyd, "Break the Chains", cuja melodia principal é citada descaradamente no inicio do mais recente álbum da banda, "Sweet Sweet Rain", com um trabalho de guitarras simplesmente incrível, além de uma letra absurdamente legal, e a musica "quase" título, "Heavenly Body", com uma das melodias vocais mais marcantes dentro daquilo que podemos chamar de "gótico".
"Down" tem fortes influências de The Cult, com uma pegada rock and roll simplesmente maravilhosa, sendo aquele tipo de música capaz de fazer você gostar dela antes do primeiro minuto de música. E correndo o risco de soar repetitivo, isso aqui é anos 80 puro!
"In a Lonely Place" parte para um lance mais atmosférico, mas nem por isso menos interessante.
"Heavenly Bodies" trata-se de um disco injustiçado. Muitos fãs consideram um disco sem definição, enquanto outros costumam dizer que o álbum não é capaz de agradar nem os góticos nem os fãs de pop-rock.
Eu chego a concluir exatamente o oposto: "Heavenly Bodies" é o disco que confere unidade à discografia da banda.
E o disco se encerra com a arrastada "Tomorrow's Colours", conduzida apenas pelas vozes e violão, em um arranjo muito bonito.
Como ponto negativo, gostaria de pontuar que em algumas musicas eles exageram um pouco na quantidade de reverb e delay que os vocais apresentam, o que sei que pode incomodar alguns de vocês (não me incomodou nem um pouco).
Um disco para aqueles que gostam de dias de chuva, mas que também as vezes decidem fazem caminhadas por aí.

"Heavenly Bodies" é um disco equilibrado, que entrega, de forma honesta e bem executada, tudo áquilo a que se propõem.

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