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Resenha: Metallica - ...And Justice For All (1988)

Por: Fábio Arthur

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...E Mudança para Todos!
5
07/10/2018

Sem o baixista Cliff Burton (R.I.P.) e com a fama crescente, o Metallica, em 1986, concluía a tour de Master e ainda manteve a rotina de shows por um período do ano de 1987, mas, mediante a tudo, o grupo tentava se concentrar em seus passos. 

O baterista Lars Ulrich queria algo diferente, mudar e ampliar os caminhos, sem soar muito distante de seus discos antecessores. James Hetfield ainda nutria os sentimentos de angústia e ódio pela perda do amigo e parceiro de banda, e também tentava lidar com seus dramas familiares. Kirk Hammett foi em meio a tudo sendo passivo e esperando a situação se ajeitar. 

A banda estava em um momento realmente importante. Mesmo com a perda de Cliff, a máquina não poderia parar, eles estavam vivendo o começo de um auge promissor e que os colocaria como uma das melhores bandas de metal da história. 

Com um contrato para seguir e turnês pela frente, acabaram começando a compor entre shows e ensaios. Jason Newsted, o novato, da banda estava em meio à confusão daquele momento. Apesar de ter entrado no grupo, ainda assim não era tão bem-aceito pelos fãs e banda. 

...And Justice for All, nasceu em meio uma vertente de Master of Puppets - disco anterior -, e o novo Metallica. O álbum veio como um progressivo com a junção de Thrash Metal e a influência de Mercyful Fate - que vinha desde o começo de carreira - ficou mais latente nessa fase.

A produção em baixa qualidade, dando a impressão de uma demo tape, em conjunto com a grande falta de respeito com Newsted, encobrindo o seu baixo com guitarras distorcidas e cruas em volume superior, deixaram algo no vazio e sem a mesma qualidade da sonoridade de outrora. Mas, nem mesmo isso impediu o grupo de ficar na trilha do sucesso e ainda mais aclamada. A tour de ...And Justice passou pelo Brasil em 1989, sendo que estavam terminando realmente as datas naquele momento, eu mesmo fui ao concerto do sábado no Ibirapuera em São Paulo e me deparei com um megaconcerto de metal, com muita energia e um repertório surpreendente. 

A faixa com a intro tocada ao contrário “Blackened”, que chega como uma avalanche em um estouro fantástico é uma das melhores do álbum e os riffs e as alternâncias de andamento da música, a torna muito forte e clássica. A música título “...And Justice for All”, prima por um clima progressivo já citado antes e vem com melodias, letra bem elaborada e um clima de thrash cadenciado; tudo em uma faixa bem longa com seus 09:47. O álbum veio em LP duplo na época, isso para poder deixar o som mais apurado, já que estendendo as mesmas dentro do espaço no vinil a qualidade acaba se tornando mais audível - o que veio a ser importante devido a baixa produção daquele momento. “Eye of the Beholder”, com sua levada de dois bumbos e ritmo palhetado é uma canção forte do disco, seu refrão também é bem contagiante. As letras de ...And Justice for All são bem imponentes, um amadurecimento consistente e que combina com a banda naquele momento, e a faixa “One” que virou single, videoclipe e um dos motivos do sucesso extremo da banda, essa a balada primordial e que segue a linha de melodia, arranjos e o final explosivo na pegada speed. Vale ressaltar que a letra de “One” foi baseada no filme Jhonny Vai à Guerra de 1971, sobre um drama vivido por um soldado que lutou na Primeira Guerra Mundial. Com “One”, o Metallica também iria para no Grammy e tocando a mesma ao vivo para uma audiência enorme. “The Shortest Straw”, o grupo mantém o nível thrash com progressivo e sem a vertente speed. Em “Harvest of Sorrow”, a letra amarga embalada em uma canção pesada e cadenciada é um outro momento imponente e essa muito tocada ao vivo, inclusive. “The Frayed Ends of Sanity” com sua intro calcada na canção do filme Alice no País das Maravilhas (em uma parte específica do filme), traz uma das mais belas peças do disco, a bateria de Lars soa muito empolgante e a voz de Hetfield casa perfeitamente com clima entre seus drives, já menos gritados nesse disco, mais muito coesos. “To Live is To Die” a semi-instrumental já que tem uma citação de Burton e a mesma dedicada ao companheiro, é um momento épico, melancólico e pesado. A faixa traz algo em que estava latente desde os discos antecessores, ou seja, algo instrumental entre as músicas cantadas. “Dyers Eve”, essa entra no contexto speed de discos passados do grupo e vem como um final do que seria o Metallica clássico, essa realmente denota um adeus aos tempos oitentistas e o final de uma era para os fãs e banda. Daqui em diante o grupo inovaria novamente, agradando uns e deixando tantos outros insatisfeitos. 

...And Justice For All é um disco cru, muito bem elaborado em que a banda estava realmente perdida em seus conflitos internos e pessoais, e em que a forma musical que é conduzida é muito bem realizada. A bateria aqui alterna tempos e dobras de bumbos muito acima de média, em termos de voz, Hetfield traz a crueza e um drive ríspido em tons mais baixos, Kirk trouxe arranjos e solos bem melhores em que os discos passado. Esse é um disco que denota um divisor para muitos, pois já nesse período eles estavam trazendo algo imponente e diferenciado e em suma ainda assim, é uma obra de ótima qualidade. 

...E Mudança para Todos!
5
07/10/2018

Sem o baixista Cliff Burton (R.I.P.) e com a fama crescente, o Metallica, em 1986, concluía a tour de Master e ainda manteve a rotina de shows por um período do ano de 1987, mas, mediante a tudo, o grupo tentava se concentrar em seus passos. 

O baterista Lars Ulrich queria algo diferente, mudar e ampliar os caminhos, sem soar muito distante de seus discos antecessores. James Hetfield ainda nutria os sentimentos de angústia e ódio pela perda do amigo e parceiro de banda, e também tentava lidar com seus dramas familiares. Kirk Hammett foi em meio a tudo sendo passivo e esperando a situação se ajeitar. 

A banda estava em um momento realmente importante. Mesmo com a perda de Cliff, a máquina não poderia parar, eles estavam vivendo o começo de um auge promissor e que os colocaria como uma das melhores bandas de metal da história. 

Com um contrato para seguir e turnês pela frente, acabaram começando a compor entre shows e ensaios. Jason Newsted, o novato, da banda estava em meio à confusão daquele momento. Apesar de ter entrado no grupo, ainda assim não era tão bem-aceito pelos fãs e banda. 

...And Justice for All, nasceu em meio uma vertente de Master of Puppets - disco anterior -, e o novo Metallica. O álbum veio como um progressivo com a junção de Thrash Metal e a influência de Mercyful Fate - que vinha desde o começo de carreira - ficou mais latente nessa fase.

A produção em baixa qualidade, dando a impressão de uma demo tape, em conjunto com a grande falta de respeito com Newsted, encobrindo o seu baixo com guitarras distorcidas e cruas em volume superior, deixaram algo no vazio e sem a mesma qualidade da sonoridade de outrora. Mas, nem mesmo isso impediu o grupo de ficar na trilha do sucesso e ainda mais aclamada. A tour de ...And Justice passou pelo Brasil em 1989, sendo que estavam terminando realmente as datas naquele momento, eu mesmo fui ao concerto do sábado no Ibirapuera em São Paulo e me deparei com um megaconcerto de metal, com muita energia e um repertório surpreendente. 

A faixa com a intro tocada ao contrário “Blackened”, que chega como uma avalanche em um estouro fantástico é uma das melhores do álbum e os riffs e as alternâncias de andamento da música, a torna muito forte e clássica. A música título “...And Justice for All”, prima por um clima progressivo já citado antes e vem com melodias, letra bem elaborada e um clima de thrash cadenciado; tudo em uma faixa bem longa com seus 09:47. O álbum veio em LP duplo na época, isso para poder deixar o som mais apurado, já que estendendo as mesmas dentro do espaço no vinil a qualidade acaba se tornando mais audível - o que veio a ser importante devido a baixa produção daquele momento. “Eye of the Beholder”, com sua levada de dois bumbos e ritmo palhetado é uma canção forte do disco, seu refrão também é bem contagiante. As letras de ...And Justice for All são bem imponentes, um amadurecimento consistente e que combina com a banda naquele momento, e a faixa “One” que virou single, videoclipe e um dos motivos do sucesso extremo da banda, essa a balada primordial e que segue a linha de melodia, arranjos e o final explosivo na pegada speed. Vale ressaltar que a letra de “One” foi baseada no filme Jhonny Vai à Guerra de 1971, sobre um drama vivido por um soldado que lutou na Primeira Guerra Mundial. Com “One”, o Metallica também iria para no Grammy e tocando a mesma ao vivo para uma audiência enorme. “The Shortest Straw”, o grupo mantém o nível thrash com progressivo e sem a vertente speed. Em “Harvest of Sorrow”, a letra amarga embalada em uma canção pesada e cadenciada é um outro momento imponente e essa muito tocada ao vivo, inclusive. “The Frayed Ends of Sanity” com sua intro calcada na canção do filme Alice no País das Maravilhas (em uma parte específica do filme), traz uma das mais belas peças do disco, a bateria de Lars soa muito empolgante e a voz de Hetfield casa perfeitamente com clima entre seus drives, já menos gritados nesse disco, mais muito coesos. “To Live is To Die” a semi-instrumental já que tem uma citação de Burton e a mesma dedicada ao companheiro, é um momento épico, melancólico e pesado. A faixa traz algo em que estava latente desde os discos antecessores, ou seja, algo instrumental entre as músicas cantadas. “Dyers Eve”, essa entra no contexto speed de discos passados do grupo e vem como um final do que seria o Metallica clássico, essa realmente denota um adeus aos tempos oitentistas e o final de uma era para os fãs e banda. Daqui em diante o grupo inovaria novamente, agradando uns e deixando tantos outros insatisfeitos. 

...And Justice For All é um disco cru, muito bem elaborado em que a banda estava realmente perdida em seus conflitos internos e pessoais, e em que a forma musical que é conduzida é muito bem realizada. A bateria aqui alterna tempos e dobras de bumbos muito acima de média, em termos de voz, Hetfield traz a crueza e um drive ríspido em tons mais baixos, Kirk trouxe arranjos e solos bem melhores em que os discos passado. Esse é um disco que denota um divisor para muitos, pois já nesse período eles estavam trazendo algo imponente e diferenciado e em suma ainda assim, é uma obra de ótima qualidade. 

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