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Resenha: After Forever - Decipher (2001)

Por: Tarcisio Lucas

Acessos: 100

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Album Cover
Menos gótico, porém mais abrangente!
5
06/10/2018

"Decipher" foi o segundo trabalho da banda holandesa After Forever, que, dentre uma série de outras qualidades, possui em seu currículo o diferencial de ter sido o grupo que gestou nada mais nada menos que Floor Jansen, atual vocalista da famosa banda finlandesa Nightwish.
Mas dizer que o mérito do After Forever se resume a ter apresentado ao mundo o talento de Floor seria uma injustiça tremenda, levando-se em conta a qualidade absurda de toda a discografia da banda.
Verdade que o conjunto mostrou-se oscilante quanto a própria identidade ao londo de sua curta existência - se compararmos o primeiro lançamento, "Prison of Desire" com o derradeiro album auto intitulado, pouca semelhança estilística pode ser percebida - mas a qualidade e o alto nível de composição e execução estão lá, intactos.

O que mais pode impressionar em relação a este segundo álbum é saber que as musicas foram compostas e executadas por um grupo de jovens cuja idade média não passava dos 20 anos de idade! Todas as canções mostram um nível de maturidade musical impressionante se levarmos em conta a faixa etária de seus compositores. 
"Decipher" é, de maneira geral, similar e ao mesmo tempo bastante diferente do seu predecessor. Ao passo que o debut "Prison of Desire" mantinha-se firmemente enraizado no gothic metal mais sombrio e no clima vampiresco, Decipher não esconde o desejo da banda de expandir seu som, encontrando no symphonic metal e até mesmo no power metal uma inspiração diferente. 
Também temos aqui um acréscimo de elementos clássicos, tanto na instrumentação quanto na própria estrutura das musicas apresentadas.

A intro "Ex Cathedra" apresenta o mesmo tom obscuro e sombrio do álbum anterior, mas não se engane; este clima é interrompido bruscamente com a energia da musica inicial, a quase "speed" "Monolith of Doubt", com melodias de violino acompanhadas de riffs galopantes e uma cozinha - baixo e bateria - que poderiam estar em discos de bandas como Hammerfall ou mesmo um  Blind Guardian.
O trabalho vocal desse disco merece ser citado.
 A fórmula "Beauty and the Beast" que fazia bastante sucesso na época, e que se caracterizava pela utilização de vocais masculinos guturais em contraste com vocais femininos angelicais aqui atinge um novo significado; a fórmula ainda está aqui, mas a voz de Floor Jansen possui uma energia e uma pegada incomum para esse tipo de som. Não é a toa que a partir do terceiro álbum a banda investiria cada vez mais no heavy metal pura e simplesmente, obtendo excelentes resultados, a despeito do distanciamento da proposta original do grupo.
Além dos estilos já citados, podemos encontrar influências de prog metal em certas passagens mais complexas rítmica e harmonicamente falando. Também estão presentes em maior ou menor grau o doom metal - uma das tônicas do disco anterior - o gótico, logicamente, e até mesmo alguns elementos de black metal.
A mesma composição pode apresentar coros eruditos, passagens viajantes e trechos agressivos, e o mais curioso de tudo é que isso soa completamente natural.
Tudo isso produz um som difícil de ser classificado.
Eu não sei se esse disco ainda pode ser considerado um tipico álbum de metal gótico, e na verdade, isso pouco importa.

Ao mesmo tempo em que nesse álbum o After Forever possui elementos similares que o identificam com outras bandas do gênero que faziam sucesso na época , como o Tristania, Theatre of Tragedy, Trail of Tears, muitas coisas aqui apresentadas são completamente novas e identitárias, conferindo a banda a rara qualidade, ao menos dentro do gothic metal, de ser facilmente reconhecível logo nos primeiros acordes de uma de suas canções.
Apesar de sempre citarmos a cantora Floor Jansen quando o assunto é After Forever, verdade é que a mente criativa por trás do grupo era na verdade o guitarrista e vocalista  Mark jansen (que apesar do sobrenome, não possui nenhum parentesco com Floor), que pouco tempo depois formaria outra banda de sucesso, o Épica, ao lado da cantora Simone Simons.
Acredito que o único momento em que a banda demonstra uma certa insegurança e imaturidade é em certas letras, que parecem repetir sem muita criatividade todos os clichês que pipocavam nos álbuns de gótico do período. Mas nada que estraga a audição, as letras ainda assim são boas, apenas não acompanham o elevado nível de todo restante das composições.

Em resumo: "Decipher" é um álbum capaz de agradar tanto os fãs que a banda havia cativado no primeiro disco, calcado no lado sombrio e melancólico do metal, quanto fãs de outras vertentes, como os já citados estilos symphonic e power metal, e até mesmo fãs de metal mais tradicional deveriam dar a este disco uma chance, visto ser totalmente possível que estes venham a aproveitar grandemente o que se escuta aqui.
Mesmo com uma curta vida útil, o After Forever criou uma discografia interessante e de qualidade inegável, ainda que marcada por uma certa indefinição estilística. 
Seja gótico, seja power, seja symphonic, o que importa é que isso aqui é bom, e muito bom por sinal!

Menos gótico, porém mais abrangente!
5
06/10/2018

"Decipher" foi o segundo trabalho da banda holandesa After Forever, que, dentre uma série de outras qualidades, possui em seu currículo o diferencial de ter sido o grupo que gestou nada mais nada menos que Floor Jansen, atual vocalista da famosa banda finlandesa Nightwish.
Mas dizer que o mérito do After Forever se resume a ter apresentado ao mundo o talento de Floor seria uma injustiça tremenda, levando-se em conta a qualidade absurda de toda a discografia da banda.
Verdade que o conjunto mostrou-se oscilante quanto a própria identidade ao londo de sua curta existência - se compararmos o primeiro lançamento, "Prison of Desire" com o derradeiro album auto intitulado, pouca semelhança estilística pode ser percebida - mas a qualidade e o alto nível de composição e execução estão lá, intactos.

O que mais pode impressionar em relação a este segundo álbum é saber que as musicas foram compostas e executadas por um grupo de jovens cuja idade média não passava dos 20 anos de idade! Todas as canções mostram um nível de maturidade musical impressionante se levarmos em conta a faixa etária de seus compositores. 
"Decipher" é, de maneira geral, similar e ao mesmo tempo bastante diferente do seu predecessor. Ao passo que o debut "Prison of Desire" mantinha-se firmemente enraizado no gothic metal mais sombrio e no clima vampiresco, Decipher não esconde o desejo da banda de expandir seu som, encontrando no symphonic metal e até mesmo no power metal uma inspiração diferente. 
Também temos aqui um acréscimo de elementos clássicos, tanto na instrumentação quanto na própria estrutura das musicas apresentadas.

A intro "Ex Cathedra" apresenta o mesmo tom obscuro e sombrio do álbum anterior, mas não se engane; este clima é interrompido bruscamente com a energia da musica inicial, a quase "speed" "Monolith of Doubt", com melodias de violino acompanhadas de riffs galopantes e uma cozinha - baixo e bateria - que poderiam estar em discos de bandas como Hammerfall ou mesmo um  Blind Guardian.
O trabalho vocal desse disco merece ser citado.
 A fórmula "Beauty and the Beast" que fazia bastante sucesso na época, e que se caracterizava pela utilização de vocais masculinos guturais em contraste com vocais femininos angelicais aqui atinge um novo significado; a fórmula ainda está aqui, mas a voz de Floor Jansen possui uma energia e uma pegada incomum para esse tipo de som. Não é a toa que a partir do terceiro álbum a banda investiria cada vez mais no heavy metal pura e simplesmente, obtendo excelentes resultados, a despeito do distanciamento da proposta original do grupo.
Além dos estilos já citados, podemos encontrar influências de prog metal em certas passagens mais complexas rítmica e harmonicamente falando. Também estão presentes em maior ou menor grau o doom metal - uma das tônicas do disco anterior - o gótico, logicamente, e até mesmo alguns elementos de black metal.
A mesma composição pode apresentar coros eruditos, passagens viajantes e trechos agressivos, e o mais curioso de tudo é que isso soa completamente natural.
Tudo isso produz um som difícil de ser classificado.
Eu não sei se esse disco ainda pode ser considerado um tipico álbum de metal gótico, e na verdade, isso pouco importa.

Ao mesmo tempo em que nesse álbum o After Forever possui elementos similares que o identificam com outras bandas do gênero que faziam sucesso na época , como o Tristania, Theatre of Tragedy, Trail of Tears, muitas coisas aqui apresentadas são completamente novas e identitárias, conferindo a banda a rara qualidade, ao menos dentro do gothic metal, de ser facilmente reconhecível logo nos primeiros acordes de uma de suas canções.
Apesar de sempre citarmos a cantora Floor Jansen quando o assunto é After Forever, verdade é que a mente criativa por trás do grupo era na verdade o guitarrista e vocalista  Mark jansen (que apesar do sobrenome, não possui nenhum parentesco com Floor), que pouco tempo depois formaria outra banda de sucesso, o Épica, ao lado da cantora Simone Simons.
Acredito que o único momento em que a banda demonstra uma certa insegurança e imaturidade é em certas letras, que parecem repetir sem muita criatividade todos os clichês que pipocavam nos álbuns de gótico do período. Mas nada que estraga a audição, as letras ainda assim são boas, apenas não acompanham o elevado nível de todo restante das composições.

Em resumo: "Decipher" é um álbum capaz de agradar tanto os fãs que a banda havia cativado no primeiro disco, calcado no lado sombrio e melancólico do metal, quanto fãs de outras vertentes, como os já citados estilos symphonic e power metal, e até mesmo fãs de metal mais tradicional deveriam dar a este disco uma chance, visto ser totalmente possível que estes venham a aproveitar grandemente o que se escuta aqui.
Mesmo com uma curta vida útil, o After Forever criou uma discografia interessante e de qualidade inegável, ainda que marcada por uma certa indefinição estilística. 
Seja gótico, seja power, seja symphonic, o que importa é que isso aqui é bom, e muito bom por sinal!

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