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    Offramp (1981)

    5 Por: Márcio Chagas

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Resenha: Pat Metheny - Offramp (1981)

Por: Márcio Chagas

Acessos: 193

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O melhor do universo sonoro do homem jazz!
5
02/10/2018

No meio da década de 80, o guitarrista Pat Metheny já era um nome consolidado dentro do cenário jazzístico internacional. O músico, que ganhou notoriedade integrando o combo do vibrafonista Gary Burton e o grupo jazzy de Joni Mitchell, havia iniciado uma prolifica carreira solo na década anterior, sendo contratado pelo prestigiado selo norueguês ECM de Manfred Eitcher;
A carreira solo de Metheny até então vinha sendo calcada em jazz tradicional com forte influência do folk e pitadas de rock. Porém o músico nunca tinha imergido no fusion com tanta propriedade quanto fez neste álbum, redefinindo a sonoridade da guitarra dentro do estilo.
O guitarrista reformou seu Grupo, deixando apenas seu fiel escudeiro, o tecladista Lile Mays e o baterista Danny Gottlieb.  Para o baixo veio Steve Rodby, que havia integrado as fileiras dos grupos de Milt Jackson e Joe Henderson. De estilo comedido e versátil, Rodby utilizava bem baixos elétricos e acústicos, além de ser um excelente produtor. Mas a cereja do bolo estava na adesão de um brasileiro, o percussionista pernambucano Naná Vasconcelos, que ajudou a forjar no grupo a sonoridade que mais tarde se chamaria World Music, utilizando além da percussão, o berimbau e sua voz como tempero musical.

A abertura com “Bacarole / Are You Going With Me?” é um verdadeiro clássico da música contemporânea, com sua entrada em ostinado, ou seja, o padrão ritmo da base sendo repetido incessantemente até a entrada do músico com sua guitarra sintetizada solando com som de trompete!  O solo é ao mesmo tempo lírico e atonal, como se Miles Davis e David Gilmour fossem a mesma pessoa. Trabalho de gênio!
“Au Lait” é uma composição emblemática, suave e cheia de nuances. É calcada no piano de Lile Mays e vocalizações do percussionista Naná, que sem a menor cerimônia recita frases em português como “você é linda”. A guitarra econômica de Metheny durante o tema só demonstra o quão maduro estava o músico aos 28 anos, evitando exercícios desnecessários de auto-indulgência e trabalhando em prol da canção;
Em “Eighteen" o guitarrista exterioriza suas influências de rock progressivo, com um agradável e sincopado tema. O musico utiliza sua guitarra jazzy sobre uma base mais direta, característica das canções de rock, realizando um trabalho primoroso. A facilidade que Pat possuía em fazer misturas homogênias de jazz, folk, progressivo, rock e world music é surpreendente;
A faixa-título destoa do restante do álbum. É um tema de free jazz completamente sincopado e atonal, onde o músico extravasa suas influências de Ornette Coleman e Archie Shepp, em um trabalho bem similar ao seu projeto denominado Song X lançado anos depois. Eu particularmente prefiro um som mais “redondo”, mas é inegável a qualidade da canção;
  A sonoridade retorna a sua origem com "James", um tema eminentemente jazzístico, onde o guitarrista volta às origens de seus primeiros trabalhos, demonstrando todo seu potencial no instrumento. Destaque para a bateria bem encaixada de Gottlieb, fazendo um interessante contraponto com o piano;
"The Bat Part II" encerra o trabalho.  Um tema soturno, que começa com teclados nebulosos e pequenas inserções de percussão por parte de Naná. Guitarra e baixo fazem papéis de coadjuvantes, apenas contribuindo para o andamento do tema.  Na verdade a canção funciona como um poslúdio, encerrando o disco de maneira magistral.

Offramp foi lançado no ano de 1982 e consolidou o nome do guitarrista no mercado fonográfico mundial, ultrapassando inclusive o universo do jazz. Prova disso é que o disco esteve no Top 50 da Billboard na lista dos melhores pop álbuns, um feito e tanto para um lançamento de jazz. Ah! E claro, foi o nº 1 no na categoria jazz álbum, angariando inclusive um Grammy da categoria como melhor performance em jazz fusion.

O melhor do universo sonoro do homem jazz!
5
02/10/2018

No meio da década de 80, o guitarrista Pat Metheny já era um nome consolidado dentro do cenário jazzístico internacional. O músico, que ganhou notoriedade integrando o combo do vibrafonista Gary Burton e o grupo jazzy de Joni Mitchell, havia iniciado uma prolifica carreira solo na década anterior, sendo contratado pelo prestigiado selo norueguês ECM de Manfred Eitcher;
A carreira solo de Metheny até então vinha sendo calcada em jazz tradicional com forte influência do folk e pitadas de rock. Porém o músico nunca tinha imergido no fusion com tanta propriedade quanto fez neste álbum, redefinindo a sonoridade da guitarra dentro do estilo.
O guitarrista reformou seu Grupo, deixando apenas seu fiel escudeiro, o tecladista Lile Mays e o baterista Danny Gottlieb.  Para o baixo veio Steve Rodby, que havia integrado as fileiras dos grupos de Milt Jackson e Joe Henderson. De estilo comedido e versátil, Rodby utilizava bem baixos elétricos e acústicos, além de ser um excelente produtor. Mas a cereja do bolo estava na adesão de um brasileiro, o percussionista pernambucano Naná Vasconcelos, que ajudou a forjar no grupo a sonoridade que mais tarde se chamaria World Music, utilizando além da percussão, o berimbau e sua voz como tempero musical.

A abertura com “Bacarole / Are You Going With Me?” é um verdadeiro clássico da música contemporânea, com sua entrada em ostinado, ou seja, o padrão ritmo da base sendo repetido incessantemente até a entrada do músico com sua guitarra sintetizada solando com som de trompete!  O solo é ao mesmo tempo lírico e atonal, como se Miles Davis e David Gilmour fossem a mesma pessoa. Trabalho de gênio!
“Au Lait” é uma composição emblemática, suave e cheia de nuances. É calcada no piano de Lile Mays e vocalizações do percussionista Naná, que sem a menor cerimônia recita frases em português como “você é linda”. A guitarra econômica de Metheny durante o tema só demonstra o quão maduro estava o músico aos 28 anos, evitando exercícios desnecessários de auto-indulgência e trabalhando em prol da canção;
Em “Eighteen" o guitarrista exterioriza suas influências de rock progressivo, com um agradável e sincopado tema. O musico utiliza sua guitarra jazzy sobre uma base mais direta, característica das canções de rock, realizando um trabalho primoroso. A facilidade que Pat possuía em fazer misturas homogênias de jazz, folk, progressivo, rock e world music é surpreendente;
A faixa-título destoa do restante do álbum. É um tema de free jazz completamente sincopado e atonal, onde o músico extravasa suas influências de Ornette Coleman e Archie Shepp, em um trabalho bem similar ao seu projeto denominado Song X lançado anos depois. Eu particularmente prefiro um som mais “redondo”, mas é inegável a qualidade da canção;
  A sonoridade retorna a sua origem com "James", um tema eminentemente jazzístico, onde o guitarrista volta às origens de seus primeiros trabalhos, demonstrando todo seu potencial no instrumento. Destaque para a bateria bem encaixada de Gottlieb, fazendo um interessante contraponto com o piano;
"The Bat Part II" encerra o trabalho.  Um tema soturno, que começa com teclados nebulosos e pequenas inserções de percussão por parte de Naná. Guitarra e baixo fazem papéis de coadjuvantes, apenas contribuindo para o andamento do tema.  Na verdade a canção funciona como um poslúdio, encerrando o disco de maneira magistral.

Offramp foi lançado no ano de 1982 e consolidou o nome do guitarrista no mercado fonográfico mundial, ultrapassando inclusive o universo do jazz. Prova disso é que o disco esteve no Top 50 da Billboard na lista dos melhores pop álbuns, um feito e tanto para um lançamento de jazz. Ah! E claro, foi o nº 1 no na categoria jazz álbum, angariando inclusive um Grammy da categoria como melhor performance em jazz fusion.

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