Bem-vindo ao 80 Minutos

Nós amamos música e adoramos compartilhar nossas avaliações sobre os álbuns de nossas bandas favoritas.

Resenha: Steve Hackett - Voyage Of The Acolyte (1975)

Por: Tiago Meneses

Acessos: 136

Compartilhar:

Facebook Twitter Google +
User Photo
Album Cover
Uma musicalidade fina, requintada e de extremo bom gosto
5
28/09/2017

Steve Hackett é o tipo de guitarrista que agrada qualquer pessoa que goste de um estilo refinado e elegante de se tocar guitarra. Muito mais do que lembrar ou principalmente conhecê-lo como o ex-guitarrista do Genesis, todos deveriam tentar se aprofundar na obra solo do músico que construiu uma carreira de trabalhos de extrema qualidade e versatilidade, nunca se prendendo a rótulos, mas sempre soando de forma única, não importando com qual gênero esteja flertando, se com o jazz-rock, pop, rock progressivo, música brasileira, blues, violão clássico ou música erudita. O que acontece de fato é que pra Steve Hackett pouco importa qual seja o campo musical que esteja pisando, no fim ele sempre vai fazer brotar música de extremo bom gosto sobre ele. 

Voyage of the Acolyte fez com que o mundo de fato conhecesse aquele músico que trabalhava muito bem no Genesis, mas que devido a sua sempre timidez, passava despercebido. Com o lançamento do seu primeiro álbum solo, foi oficialmente apresentado um dos guitarristas mais talentosos e clássicos da história do rock progressivo. 

Algumas pessoas enxergam em Voyage of the Acolyte como um álbum perdido do Genesis, pois seus antigos companheiros de banda, Mike Rutherford e Phil Collins fizeram parte do grupo formado por Steve, de certa forma isso faz sentido e compreendo, afinal é uma grande parcela do Genesis juntos, mas Steve Hackett também soube usar de um tempero próprio.  

O álbum começa com "Ace of Wands, uma faixa de tirar o fôlego já desde os seus primeiros segundos, onde a guitarra extremamente complexa é o selo, apoiada pela incrível bateria de Phil Collins e seu irmão John Hackett tocando flauta de forma muito mais agressiva, digamos assim, do que seu antigo parceiro Peter Gabriel fazia no Genesis. Mudanças radicais de andamento, sinos, passagens de guitarra incríveis são apenas parte dessa música notável, a primeira música do primeiro álbum de uma longa e sólida carreira que estava prestes a começar em 1975 e ainda se mantém em curso no século XXI.

"Hands of the Priestess Part I" é liderada por uma bela flauta, possui também uma guitarra em tom misterioso e assombrado, lembra o que ele desenvolveu durante sua carreira no Genesis, mas com uma abordagem totalmente nova, simplesmente deliciosa de ouvir.

“A Tower Struck Down" é outra faixa agressiva do álbum, onde Mike Rutherford faz uma estrutura de baixo absolutamente poderosa, apoiada por Percy Jones em um baixo extra. Novamente guitarras incríveis de Steve misturado com multidão gritando (não tenho certeza se eles dizem Sieg Heil ou Steve Hackett), explosões e outros sons anunciam a seção final, onde o mellotron faz o encerramento da música. 

"Hands of the Priestess Part II", é ainda mais suave do que a parte um, teclados ajudam a dar um pouco de luz no humor melancólico e sombrio do álbum, mas sem perder o mistério e tristeza, apenas 1:34 minutos de duração, mas o suficiente para fechar e complementar a música que começou duas faixas antes. Uma menção especial para John Hackett que novamente toca sua flauta com habilidades singulares.

"The Hermit", é outra música suave e melancólica, mas desta vez com um vocal muito competente por parte de Steve que casa muito bem com sua incrível guitarra, este título me lembra o som que seria proeminente em  A Trick of the Tail com uma atmosfera de tristes contos de fadas. 

"Star of Sirius" é uma faixa muito complexa onde os vocais de Phil Collins soam melhor do que nunca, provavelmente porque ele estava soando como a si mesmo e não tentando copiar o estilo de Peter Gabriel. Inicia suave, mas de repente o teclado de John Acock anuncia uma mudança total em uma seção Jazzy e violenta, onde a guitarra que faz a parede de fundo é simplesmente perfeita. A música sofre novamente mudanças, indo para um estilo suave em que teclados e flautas fazem um casamento perfeito pra em seguida levar o ouvinte a uma complexa passagem de bateria, mellotron, teclados, além, claro, da guitarra de Steve tocando no estilo acústico sem deixar para trás sua marca atmosférica. Um verdadeiro exemplo dado na prática do significado de rock progressivo. 

"The Lovers" é uma faixa acústica, curta e que dá um descanso depois de toda a complexidade da faixa anterior e faz uma preparação para a música de encerramento. 

O álbum encerra com "Shadow of the Hierophant", um verdadeiro épico. Começa com Sally Oldfield e seus vocais cristalinos e característicos (mesmo que às vezes cheguem a intervalos muito elevados) que faz com que o ouvinte viaje em variações complexas e suaves. Uma passagem instrumental dramática interrompe a voz de Sally pela primeira vez por alguns segundos. Isso se repete mais outras vezes, até um momento quase psicodélico onde toda a banda toca junta. Chegando a mais uma mudança de andamento, Steve introduz o ouvinte para a seção final da faixa, a partir deste momento até o seu término é uma sequência de mudanças e atmosferas diferentes que se complementam, com um final requintado e incrivelmente dramático com Steve tocando em seu estilo único apoiado pelo mellotron, sinos e do resto da banda. Um dos finais de música mais espetaculares que já ouvi na vida. Simplesmente sensacional.

Muitos foram os bons álbuns lançados por Steve Hackett nesses mais de quarenta anos de carreira solo, mas nenhum ainda hoje conseguiu ser tão perfeito como o seu álbum de estreia. Uma musicalidade fina, requintada e de extremo bom gosto executada por verdadeiros profissionais. Exímio trabalho do mais produtivo músico solo vindo de uma grande banda de rock progressivo da década de 70.  

Uma musicalidade fina, requintada e de extremo bom gosto
5
28/09/2017

Steve Hackett é o tipo de guitarrista que agrada qualquer pessoa que goste de um estilo refinado e elegante de se tocar guitarra. Muito mais do que lembrar ou principalmente conhecê-lo como o ex-guitarrista do Genesis, todos deveriam tentar se aprofundar na obra solo do músico que construiu uma carreira de trabalhos de extrema qualidade e versatilidade, nunca se prendendo a rótulos, mas sempre soando de forma única, não importando com qual gênero esteja flertando, se com o jazz-rock, pop, rock progressivo, música brasileira, blues, violão clássico ou música erudita. O que acontece de fato é que pra Steve Hackett pouco importa qual seja o campo musical que esteja pisando, no fim ele sempre vai fazer brotar música de extremo bom gosto sobre ele. 

Voyage of the Acolyte fez com que o mundo de fato conhecesse aquele músico que trabalhava muito bem no Genesis, mas que devido a sua sempre timidez, passava despercebido. Com o lançamento do seu primeiro álbum solo, foi oficialmente apresentado um dos guitarristas mais talentosos e clássicos da história do rock progressivo. 

Algumas pessoas enxergam em Voyage of the Acolyte como um álbum perdido do Genesis, pois seus antigos companheiros de banda, Mike Rutherford e Phil Collins fizeram parte do grupo formado por Steve, de certa forma isso faz sentido e compreendo, afinal é uma grande parcela do Genesis juntos, mas Steve Hackett também soube usar de um tempero próprio.  

O álbum começa com "Ace of Wands, uma faixa de tirar o fôlego já desde os seus primeiros segundos, onde a guitarra extremamente complexa é o selo, apoiada pela incrível bateria de Phil Collins e seu irmão John Hackett tocando flauta de forma muito mais agressiva, digamos assim, do que seu antigo parceiro Peter Gabriel fazia no Genesis. Mudanças radicais de andamento, sinos, passagens de guitarra incríveis são apenas parte dessa música notável, a primeira música do primeiro álbum de uma longa e sólida carreira que estava prestes a começar em 1975 e ainda se mantém em curso no século XXI.

"Hands of the Priestess Part I" é liderada por uma bela flauta, possui também uma guitarra em tom misterioso e assombrado, lembra o que ele desenvolveu durante sua carreira no Genesis, mas com uma abordagem totalmente nova, simplesmente deliciosa de ouvir.

“A Tower Struck Down" é outra faixa agressiva do álbum, onde Mike Rutherford faz uma estrutura de baixo absolutamente poderosa, apoiada por Percy Jones em um baixo extra. Novamente guitarras incríveis de Steve misturado com multidão gritando (não tenho certeza se eles dizem Sieg Heil ou Steve Hackett), explosões e outros sons anunciam a seção final, onde o mellotron faz o encerramento da música. 

"Hands of the Priestess Part II", é ainda mais suave do que a parte um, teclados ajudam a dar um pouco de luz no humor melancólico e sombrio do álbum, mas sem perder o mistério e tristeza, apenas 1:34 minutos de duração, mas o suficiente para fechar e complementar a música que começou duas faixas antes. Uma menção especial para John Hackett que novamente toca sua flauta com habilidades singulares.

"The Hermit", é outra música suave e melancólica, mas desta vez com um vocal muito competente por parte de Steve que casa muito bem com sua incrível guitarra, este título me lembra o som que seria proeminente em  A Trick of the Tail com uma atmosfera de tristes contos de fadas. 

"Star of Sirius" é uma faixa muito complexa onde os vocais de Phil Collins soam melhor do que nunca, provavelmente porque ele estava soando como a si mesmo e não tentando copiar o estilo de Peter Gabriel. Inicia suave, mas de repente o teclado de John Acock anuncia uma mudança total em uma seção Jazzy e violenta, onde a guitarra que faz a parede de fundo é simplesmente perfeita. A música sofre novamente mudanças, indo para um estilo suave em que teclados e flautas fazem um casamento perfeito pra em seguida levar o ouvinte a uma complexa passagem de bateria, mellotron, teclados, além, claro, da guitarra de Steve tocando no estilo acústico sem deixar para trás sua marca atmosférica. Um verdadeiro exemplo dado na prática do significado de rock progressivo. 

"The Lovers" é uma faixa acústica, curta e que dá um descanso depois de toda a complexidade da faixa anterior e faz uma preparação para a música de encerramento. 

O álbum encerra com "Shadow of the Hierophant", um verdadeiro épico. Começa com Sally Oldfield e seus vocais cristalinos e característicos (mesmo que às vezes cheguem a intervalos muito elevados) que faz com que o ouvinte viaje em variações complexas e suaves. Uma passagem instrumental dramática interrompe a voz de Sally pela primeira vez por alguns segundos. Isso se repete mais outras vezes, até um momento quase psicodélico onde toda a banda toca junta. Chegando a mais uma mudança de andamento, Steve introduz o ouvinte para a seção final da faixa, a partir deste momento até o seu término é uma sequência de mudanças e atmosferas diferentes que se complementam, com um final requintado e incrivelmente dramático com Steve tocando em seu estilo único apoiado pelo mellotron, sinos e do resto da banda. Um dos finais de música mais espetaculares que já ouvi na vida. Simplesmente sensacional.

Muitos foram os bons álbuns lançados por Steve Hackett nesses mais de quarenta anos de carreira solo, mas nenhum ainda hoje conseguiu ser tão perfeito como o seu álbum de estreia. Uma musicalidade fina, requintada e de extremo bom gosto executada por verdadeiros profissionais. Exímio trabalho do mais produtivo músico solo vindo de uma grande banda de rock progressivo da década de 70.  

Sample photo

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Mais Resenhas de Steve Hackett

Album Cover

Steve Hackett - Please Don't Touch! (1978)

Uma coleção dos seus diversos gostos musicais.
3.5
Por: Tiago Meneses
31/01/2018
Album Cover

Steve Hackett - Spectral Mornings (1979)

Composições maravilhosas, atmosfera e diversidade constantemente interessantes
5
Por: Tiago Meneses
30/01/2018
Album Cover

Steve Hackett - Defector (1980)

Não é o seu melhor, porém, se não existisse você sentiria falta de algo.
3.5
Por: Tiago Meneses
31/01/2018

Quer Mais?

Veja as nossas recomendações:

Album Cover

Miles Davis - Kind of Blue (1959)

Uma obra perfeita e imortal!
4.5
Por: Tarcisio Lucas
17/10/2017
Album Cover

Frank Zappa - You Can't Do That On Stage Anymore, Vol. 2 (1988)

Zappa ao vivo: Helsinque a 40 graus!
4.5
Por: Márcio Chagas
10/11/2018
Album Cover

King Crimson - In The Court Of The Crimson King (1969)

Histórico por diversos motivos
5
Por: André Luiz Paiz
24/02/2018