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Resenha: Genesis - Selling England by the Pound (1973)

Por: Tiago Meneses

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Magistral e mostra uma banda em seu pico criativo.
5
28/09/2017

Em 1973 o Genesis estava em uma sequência de três discos de qualidade elevadíssima, sendo o anterior, Foxtrot, uma verdadeira obra-prima. Será que eles conseguiriam se manter em alto nível a ponto que lançar outra obra-prima apenas um ano depois? Não preciso responder, basta ouvir a beleza que é Selling England By The Pound pra ter a certeza de que sim. Aqui a banda cria o que considero um mundo fictício em termos sonoros povoado com vinhetas musicais, sejam elas às vezes épicas em termos de impacto, sejam elas mais intimistas soando como uma música de campo. Traz uma sonoridade mais amena por parte de todos os instrumentos. Teclados suaves e sutis com uma presença maior de piano, guitarras menos agressivas e mais românticas, a bateria sempre bem encaixada, cadencia-se moderadamente dando ao álbum uma tendência suave, o baixo é limpo e com ótimas variações ainda que menos aparente que em trabalhos anteriores. Quanto ao vocal de Peter Gabriel, sempre marcante e nunca maçante, além de possuir uma carga pesada de sentimentos.

O disco começa através da faixa “Dancing With The Moonlit Knight” e que fala sobre a decadência da Inglaterra. “Você pode me dizer onde está o meu país?”, pergunta Peter Gabriel. Uma bela guitarra e um piano apaixonado começam a dar as primeiras roupagens à canção. Então que Steve Hackett começa o tema de guitarra recorrente e que carrega mais adrenalina. Às vozes sintetizadas, a bateria e os riffs de guitarra elétrica bastante rápidos são perfeitos. A faixa surpreende em determinado momento com mudança de tempo dos teclados, novas melodias montando um rock progressivo de excelência. Peter Gabriel canta como se estivesse falando com duas pessoas diferentes e lhes dando instruções, mostrando porque pode ser considerado um mestre na mudança de tom enquanto canta. Os riffs repetidos tanto da guitarra quanto do teclado deixam a peça fantástica na visão de todo e qualquer amante de rock progressivo. A faixa termina com o mesmo humor melancólico que começou em um clima sonhador e meio pastoral.

“I Know What I Like (In Your Wardrobe)” é uma música mais curta e menos séria, baseada na capa do álbum, com o cortador de grama e todas as pessoas correndo para o campo. A música é cantada do ponto de vista de um cortador de grama, e as letras são bastante enigmáticas. Gosto da maneira como o álbum é apresentado, com faixas mais curtas em meio a peças mais longas. Musicalmente é bastante simples, mas não deixar de ter trabalhos interessantes principalmente de flauta, bateria e baixo além dos vocais de teatrais.

“Firth Of Fifth” é um dos clássicos absolutos da história do rock progressivo. O piano inicia a faixa quase instrumental de uma maneira bastante bonita. Os vocais, guitarra elétrica e teclado entram muito de repente e seguem a progressão do piano, mas fazem com que a música se mova um pouco mais animada. Tudo é muito simpático e feliz, até o piano e a flauta fazer um dueto, com isso uma melodia mais melancólica e deprimente atinge nossos ouvidos. Por quase dez minutos, somos transportados para um mundo fantástico, alternando entre os vocais magníficos de Peter Gabriel, o virtuosismo do teclado de Tony Banks e sem deixar de esquecer Steve Hackett, puxando talvez o seu solo mais emblemático de guitarra. “Firth Of Fifth” é uma faixa que flui de maneira boa e má humorada, como "um rio de mudança" constante, última frase dita por Peter Gabriel antes de chegar ao seu final.

“More Fool Me” é considerada por muitos uma mancha negra no álbum se comparada com tudo o que ele oferece nas demais. Cantada por Phil Collins, aqui não se trata de um rock progressivo, mas uma música pop acústica de sonoridade suave. Phil Collins canta sobre sua namorada que parece tê-lo abandonado. Ao contrário de muitas pessoas eu não a desconsidero completamente e a acho uma canção de amor muito bonita e que funciona bem como um descanso entre as duas músicas épicas que a cercam.

“The Battle of Epping Forest” é uma canção muito intrincada com muitas emoções e um tema extraído de uma crônica sobre uma batalha de gangues que brigavam constantemente em Londres. A princípio remete a uma marcha militar sobe rufos de tambores, então que após ir silenciando, de fato a canção começa. A quantidade de mudanças no tempo faz a alegria dos mais exigentes fãs de rock progressivo. É interessante se atentar um pouco mais a letra pra perceberem como eles criam uma imagem clara do que está acontecendo. Em relação a isso o maior crédito vai para Peter Gabriel e suas fantásticas características interpretativas. Hackett com sua guitarra também tem um bom momento quando Gabriel fala sobre um encontro de um padre com uma striper ou algo assim e ele apresenta uma linha de apoio fascinante e misteriosa. Uma faixa complexa de vocal difícil, ótimos teclados, guitarras elegantes e mais enérgicas como no caso do solo final, linhas de baixos discretas, mas bem executadas e excelentes frases de bateria.

“After The Ordeal” é novamente mais um ponto de descanso entre duas faixas épicas. Trabalho instrumental de uma beleza incrível, mantem a rica atmosfera do álbum perfeitamente em uma variante de melodias soberba. Steve Hackett é o destaque e delicia o ouvinte com exímia instrumentação acústica e elétrica. Enganadoramente simples é extremamente gratificante.

Talvez tirando “The Musical Box”, “Aisle of Plenty” seja a música mais emocionalmente e sentida que Peter Gabriel já escreveu no Genesis. Tem sintetizadores maravilhosamente bonitos e melodias de guitarra entretidas juntamente com uma das melhores interpretações vocais de Gabriel. Por volta de três minutos existe sonoridade onírica e belíssima que segue até o retorno vocal e musical. A parte final é a mais progressiva com destaque para os teclados de Tony Banks. Um momento que necessita de plena atenção e respeito pra que o ouvinte entre de fato na ideia da banda a ponto de sentir-se deslocado pra uma espécie de outra dimensão. 

Um disco de beleza rara, sensibilidade musical ímpar e do tipo que assombra a Terra somente uma vez a cada muitos anos. Umas das bíblias sagradas do rock progressivo. Tony Banks esteve excepcional, sendo definitivamente o seu melhor trabalho com a banda, às vezes sutil outra hora mostrando grande habilidade nas teclas. Steve Hackett foi excelente na criação de atmosferas com a assinatura Genesis que somente ele seria e é capaz de fazer, inclusive, já havia apresentado um grande desempenho nos dois discos anteriores do grupo, mas aqui ele além de maneira individual, trabalha bastante em prol da banda. Os vocais de Peter Gabriel brilham, sendo que a produção de sua voz nunca esteve tão boa, belas performances teatrais, emotivas e únicas que o fazem ser considerado o dono de uma das vozes mais marcantes da história do rock progressivo e que influenciou uma leva de infinitas bandas décadas seguintes. Mike Rutherford não ocupa o mesmo espaço de álbuns anteriores, talvez até mesmo por conta do destaque dos teclados de Banks, mas trabalhou com linhas sólidas, criativas e bastante eficazes sempre que acionado. Phil Collins na bateria é bastante impressionante, não necessariamente espetacular, mas muito meticuloso com linhas e movimentos que edificam sempre as músicas do disco.

A produção deste álbum é melhor do que a qualquer um dos anteriores do Genesis. É magistral e mostra uma banda em seu pico criativo. Capaz de enfeitiçar o ouvinte através de passagens instrumentais que entram na alma e traz lágrimas aos olhos. Um registro atemporal que nasceu, se tornou e será eternamente um dos maiores clássicos da história do rock progressivo e mesmo da música em geral. Um disco que mais do que merecer uma resenha, merece uma declaração de amor.

Magistral e mostra uma banda em seu pico criativo.
5
28/09/2017

Em 1973 o Genesis estava em uma sequência de três discos de qualidade elevadíssima, sendo o anterior, Foxtrot, uma verdadeira obra-prima. Será que eles conseguiriam se manter em alto nível a ponto que lançar outra obra-prima apenas um ano depois? Não preciso responder, basta ouvir a beleza que é Selling England By The Pound pra ter a certeza de que sim. Aqui a banda cria o que considero um mundo fictício em termos sonoros povoado com vinhetas musicais, sejam elas às vezes épicas em termos de impacto, sejam elas mais intimistas soando como uma música de campo. Traz uma sonoridade mais amena por parte de todos os instrumentos. Teclados suaves e sutis com uma presença maior de piano, guitarras menos agressivas e mais românticas, a bateria sempre bem encaixada, cadencia-se moderadamente dando ao álbum uma tendência suave, o baixo é limpo e com ótimas variações ainda que menos aparente que em trabalhos anteriores. Quanto ao vocal de Peter Gabriel, sempre marcante e nunca maçante, além de possuir uma carga pesada de sentimentos.

O disco começa através da faixa “Dancing With The Moonlit Knight” e que fala sobre a decadência da Inglaterra. “Você pode me dizer onde está o meu país?”, pergunta Peter Gabriel. Uma bela guitarra e um piano apaixonado começam a dar as primeiras roupagens à canção. Então que Steve Hackett começa o tema de guitarra recorrente e que carrega mais adrenalina. Às vozes sintetizadas, a bateria e os riffs de guitarra elétrica bastante rápidos são perfeitos. A faixa surpreende em determinado momento com mudança de tempo dos teclados, novas melodias montando um rock progressivo de excelência. Peter Gabriel canta como se estivesse falando com duas pessoas diferentes e lhes dando instruções, mostrando porque pode ser considerado um mestre na mudança de tom enquanto canta. Os riffs repetidos tanto da guitarra quanto do teclado deixam a peça fantástica na visão de todo e qualquer amante de rock progressivo. A faixa termina com o mesmo humor melancólico que começou em um clima sonhador e meio pastoral.

“I Know What I Like (In Your Wardrobe)” é uma música mais curta e menos séria, baseada na capa do álbum, com o cortador de grama e todas as pessoas correndo para o campo. A música é cantada do ponto de vista de um cortador de grama, e as letras são bastante enigmáticas. Gosto da maneira como o álbum é apresentado, com faixas mais curtas em meio a peças mais longas. Musicalmente é bastante simples, mas não deixar de ter trabalhos interessantes principalmente de flauta, bateria e baixo além dos vocais de teatrais.

“Firth Of Fifth” é um dos clássicos absolutos da história do rock progressivo. O piano inicia a faixa quase instrumental de uma maneira bastante bonita. Os vocais, guitarra elétrica e teclado entram muito de repente e seguem a progressão do piano, mas fazem com que a música se mova um pouco mais animada. Tudo é muito simpático e feliz, até o piano e a flauta fazer um dueto, com isso uma melodia mais melancólica e deprimente atinge nossos ouvidos. Por quase dez minutos, somos transportados para um mundo fantástico, alternando entre os vocais magníficos de Peter Gabriel, o virtuosismo do teclado de Tony Banks e sem deixar de esquecer Steve Hackett, puxando talvez o seu solo mais emblemático de guitarra. “Firth Of Fifth” é uma faixa que flui de maneira boa e má humorada, como "um rio de mudança" constante, última frase dita por Peter Gabriel antes de chegar ao seu final.

“More Fool Me” é considerada por muitos uma mancha negra no álbum se comparada com tudo o que ele oferece nas demais. Cantada por Phil Collins, aqui não se trata de um rock progressivo, mas uma música pop acústica de sonoridade suave. Phil Collins canta sobre sua namorada que parece tê-lo abandonado. Ao contrário de muitas pessoas eu não a desconsidero completamente e a acho uma canção de amor muito bonita e que funciona bem como um descanso entre as duas músicas épicas que a cercam.

“The Battle of Epping Forest” é uma canção muito intrincada com muitas emoções e um tema extraído de uma crônica sobre uma batalha de gangues que brigavam constantemente em Londres. A princípio remete a uma marcha militar sobe rufos de tambores, então que após ir silenciando, de fato a canção começa. A quantidade de mudanças no tempo faz a alegria dos mais exigentes fãs de rock progressivo. É interessante se atentar um pouco mais a letra pra perceberem como eles criam uma imagem clara do que está acontecendo. Em relação a isso o maior crédito vai para Peter Gabriel e suas fantásticas características interpretativas. Hackett com sua guitarra também tem um bom momento quando Gabriel fala sobre um encontro de um padre com uma striper ou algo assim e ele apresenta uma linha de apoio fascinante e misteriosa. Uma faixa complexa de vocal difícil, ótimos teclados, guitarras elegantes e mais enérgicas como no caso do solo final, linhas de baixos discretas, mas bem executadas e excelentes frases de bateria.

“After The Ordeal” é novamente mais um ponto de descanso entre duas faixas épicas. Trabalho instrumental de uma beleza incrível, mantem a rica atmosfera do álbum perfeitamente em uma variante de melodias soberba. Steve Hackett é o destaque e delicia o ouvinte com exímia instrumentação acústica e elétrica. Enganadoramente simples é extremamente gratificante.

Talvez tirando “The Musical Box”, “Aisle of Plenty” seja a música mais emocionalmente e sentida que Peter Gabriel já escreveu no Genesis. Tem sintetizadores maravilhosamente bonitos e melodias de guitarra entretidas juntamente com uma das melhores interpretações vocais de Gabriel. Por volta de três minutos existe sonoridade onírica e belíssima que segue até o retorno vocal e musical. A parte final é a mais progressiva com destaque para os teclados de Tony Banks. Um momento que necessita de plena atenção e respeito pra que o ouvinte entre de fato na ideia da banda a ponto de sentir-se deslocado pra uma espécie de outra dimensão. 

Um disco de beleza rara, sensibilidade musical ímpar e do tipo que assombra a Terra somente uma vez a cada muitos anos. Umas das bíblias sagradas do rock progressivo. Tony Banks esteve excepcional, sendo definitivamente o seu melhor trabalho com a banda, às vezes sutil outra hora mostrando grande habilidade nas teclas. Steve Hackett foi excelente na criação de atmosferas com a assinatura Genesis que somente ele seria e é capaz de fazer, inclusive, já havia apresentado um grande desempenho nos dois discos anteriores do grupo, mas aqui ele além de maneira individual, trabalha bastante em prol da banda. Os vocais de Peter Gabriel brilham, sendo que a produção de sua voz nunca esteve tão boa, belas performances teatrais, emotivas e únicas que o fazem ser considerado o dono de uma das vozes mais marcantes da história do rock progressivo e que influenciou uma leva de infinitas bandas décadas seguintes. Mike Rutherford não ocupa o mesmo espaço de álbuns anteriores, talvez até mesmo por conta do destaque dos teclados de Banks, mas trabalhou com linhas sólidas, criativas e bastante eficazes sempre que acionado. Phil Collins na bateria é bastante impressionante, não necessariamente espetacular, mas muito meticuloso com linhas e movimentos que edificam sempre as músicas do disco.

A produção deste álbum é melhor do que a qualquer um dos anteriores do Genesis. É magistral e mostra uma banda em seu pico criativo. Capaz de enfeitiçar o ouvinte através de passagens instrumentais que entram na alma e traz lágrimas aos olhos. Um registro atemporal que nasceu, se tornou e será eternamente um dos maiores clássicos da história do rock progressivo e mesmo da música em geral. Um disco que mais do que merecer uma resenha, merece uma declaração de amor.

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