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Resenha: Van Der Graaf Generator - H To He Who Am The Only One (1970)

Por: Tiago Meneses

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Um disco com fortes influências no jazz
5
28/09/2017

O ano de 1970 foi decisivo para a o rock progressivo. Aquela música recém-nascida na forma de bandas como Genesis, Yes, e Gentle Giant, ganha força e convicção, explorando e explodindo conscientemente os “limites” do rock, com um espirito puro e experimentação sem restrição.

H To He Who Am The Only One é um disco com fortes influências no jazz em grande parte expresso pelo saxofone dinâmico de David Jackson. Um exemplo clássico de álbum “difícil”, que pode ser em primeira análise algo desafiador e de complicada assimilação, mas que depois tende a ser uma gratificante experiência auditiva. Eu mesmo, confesso que após ouvi-lo pela primeira vez, no relativamente longínquo ano de 1999 (acho), demorou até que não apenas esse disco, mas a banda de fato me tocasse. Mas hoje, posso dizer que é uma das minhas preferidas do rock progressivo, sendo Peter Hammill, de longe, o meu letrista favorito do gênero.

A morte, amor, dor interior, auto aversão, arrependimento e a necessidade de solidão são temas recorrentes no disco e que o tornam catártico e também perturbador. Peter Hammill muitas vezes tem a sua capacidade vocal questionada, mas é inegável o quanto ele consegue ser enérgico e emotivo. Às vezes ele quase sussurra, outras vezes ele quase grita “cuspindo” suas linhas vocais, também canta um falsete que de certa forma ajudou a moldar acrobacias vocais até em bandas tecnicamente superiores nessa área, como por exemplo, Gentle Giant. 

O álbum começa de maneira fantástica através da faixa “Killer”, e que lembra "21st Century Schizoid Man”, mesmo que não haja uma semelhança real, provavelmente David Jackson no seu sax poderoso é a chave para esse meu pensamento. Mas isso não é tudo, Peter Hammill soa mais ou menos como David Bowie no seu tempo de Ziggy Stardust misturado a uma sonoridade tipo jazzy psicodélico de grande complexidade. Faixa de melodia forte e que é agradável do seu começo ao fim.

"House with no Door" começa com um piano e Peter no vocal de maneira que parece David Bowie cantando Elton John. Essa cadencia segue até a entrada de uma bela flauta. Não é uma música muito complexa, mas é extremamente bonita e com grande sentido melódico.

"The Emperor in his War Room" é simplesmente brilhante trazendo todos os elementos pra ser considerada um ícone do rock progressivo (inclusive Robert Fripp como convidado). A interação entre órgão e flauta é impressionante, as mudanças radicais são surpreendentes, mas sempre respeitando a melodia. O desempenho de Fripp é bom como de costume. Uma música única em tudo e uma das melhores da discografia da banda.

“Lost” é uma música meio estranha, um tipo de hard rock misturado a piscodelia e dramatismo, mantendo o ouvinte em um constante suspense perguntando o que vem depois, mas o bom disso é que ela nunca decepciona.

“Pioneers Over C.” igualmente a faixa anterior, também apresenta muitos temas juntos. Começa com uma atmosfera espacial. Possui algumas seções mais rápidas e de groove pra agitar o fluxo. Peter Hammill tira todos os seus truques vocais (seja para o bem ou para o mal) em harmonias bem assustadoras, mas em falsetes que deixam um pouco a desejar. Bastante experimental e variável, a banda caminha por várias direções até terminar o álbum de maneira espacial.

Não tem como terminar dizendo algo diferente de que se trata de um disco essencial e que qualquer coleção de rock progressivo clássico estará mais pobre se não o tê-lo no meio. Sensacional define. 

Um disco com fortes influências no jazz
5
28/09/2017

O ano de 1970 foi decisivo para a o rock progressivo. Aquela música recém-nascida na forma de bandas como Genesis, Yes, e Gentle Giant, ganha força e convicção, explorando e explodindo conscientemente os “limites” do rock, com um espirito puro e experimentação sem restrição.

H To He Who Am The Only One é um disco com fortes influências no jazz em grande parte expresso pelo saxofone dinâmico de David Jackson. Um exemplo clássico de álbum “difícil”, que pode ser em primeira análise algo desafiador e de complicada assimilação, mas que depois tende a ser uma gratificante experiência auditiva. Eu mesmo, confesso que após ouvi-lo pela primeira vez, no relativamente longínquo ano de 1999 (acho), demorou até que não apenas esse disco, mas a banda de fato me tocasse. Mas hoje, posso dizer que é uma das minhas preferidas do rock progressivo, sendo Peter Hammill, de longe, o meu letrista favorito do gênero.

A morte, amor, dor interior, auto aversão, arrependimento e a necessidade de solidão são temas recorrentes no disco e que o tornam catártico e também perturbador. Peter Hammill muitas vezes tem a sua capacidade vocal questionada, mas é inegável o quanto ele consegue ser enérgico e emotivo. Às vezes ele quase sussurra, outras vezes ele quase grita “cuspindo” suas linhas vocais, também canta um falsete que de certa forma ajudou a moldar acrobacias vocais até em bandas tecnicamente superiores nessa área, como por exemplo, Gentle Giant. 

O álbum começa de maneira fantástica através da faixa “Killer”, e que lembra "21st Century Schizoid Man”, mesmo que não haja uma semelhança real, provavelmente David Jackson no seu sax poderoso é a chave para esse meu pensamento. Mas isso não é tudo, Peter Hammill soa mais ou menos como David Bowie no seu tempo de Ziggy Stardust misturado a uma sonoridade tipo jazzy psicodélico de grande complexidade. Faixa de melodia forte e que é agradável do seu começo ao fim.

"House with no Door" começa com um piano e Peter no vocal de maneira que parece David Bowie cantando Elton John. Essa cadencia segue até a entrada de uma bela flauta. Não é uma música muito complexa, mas é extremamente bonita e com grande sentido melódico.

"The Emperor in his War Room" é simplesmente brilhante trazendo todos os elementos pra ser considerada um ícone do rock progressivo (inclusive Robert Fripp como convidado). A interação entre órgão e flauta é impressionante, as mudanças radicais são surpreendentes, mas sempre respeitando a melodia. O desempenho de Fripp é bom como de costume. Uma música única em tudo e uma das melhores da discografia da banda.

“Lost” é uma música meio estranha, um tipo de hard rock misturado a piscodelia e dramatismo, mantendo o ouvinte em um constante suspense perguntando o que vem depois, mas o bom disso é que ela nunca decepciona.

“Pioneers Over C.” igualmente a faixa anterior, também apresenta muitos temas juntos. Começa com uma atmosfera espacial. Possui algumas seções mais rápidas e de groove pra agitar o fluxo. Peter Hammill tira todos os seus truques vocais (seja para o bem ou para o mal) em harmonias bem assustadoras, mas em falsetes que deixam um pouco a desejar. Bastante experimental e variável, a banda caminha por várias direções até terminar o álbum de maneira espacial.

Não tem como terminar dizendo algo diferente de que se trata de um disco essencial e que qualquer coleção de rock progressivo clássico estará mais pobre se não o tê-lo no meio. Sensacional define. 

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