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Resenha: Gentle Giant - The Power And The glory (1974)

Por: Marcel Z. Dio

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A perfeição tem nome : The Power and the Glory
5
18/09/2018

O culto ao rock progressivo torna-se mais forte a cada dia, com os jovens redescobrindo o estilo muito em voga nos anos 70. Pois é na década dourada da música que encontramos o que há de melhor no art rock, isso pra não citar outras vertentes sonoras. Dentro desse rico universo, o nosso Gigante Gentil pode passar batido em termos de popularidade, jamais em admiração. Até quem não é músico, porém com percepção musical, tira o chapéu para o grupo. Sua obra sobrepuja o progressivo clássico, no uso de complexas mudanças de acordes, com leve inclinação ao soul, funk, pop, jazz e evidentemente o gênero barroco. Tudo envolto em vocalizações de canto gregoriano e estilos medievais. Não existem fronteiras para uma banda como Gentle Giant !!.
No que se refere aos músicos, o buraco é mais embaixo, não basta simplesmente ter uma tablatura ou partitura na mão, para reproduzir o som dos ingleses. Tocar Gentle Giant é uma arte que poucos dominam, tem que ter conhecimento de causa para não passar vergonha. Basta ver quantas bandas tributo de Gentle Giant existem por ai ... tudo bem que muitas não o fazem por apelo comercial, ai é outra conversa.
De minha parte não consigo desabonar nenhum trabalho do grupo, todos estão em níveis acima da média, até mesmo os últimos e "malhados" Giant For A Day (1978) e Civilian (1980).
No entanto minha preferência recai sobre The Power And The Glory e Free Hand.

The Power and the Glory é bem diversificado, e apesar da linguagem musical sofisticada, torna-se assimilável a cada audição. Eles conseguem fazer o complexo ser palatável aos ouvidos, sem deixar remendos sonoros como certos grupos virtuosos, tudo flui naturalmente aqui.

A fantástica abertura com "Proclamation", ganha contornos singulares na forma de tocar do tecladista Kerry Minnear, e quem dá a liga a "massa" são os graves de Ray Shulman. Um som cheio de reviravoltas, nuances e grooves na parte intermediaria, que só encontra o caminho da normalidade no segundo e ultimo refrão.

"So Sincere" causa estranheza a primeira vista, nos arranjos iniciais de Violoncelo . A quebradeira rítmica atira para todos os lados, cada instrumento com uma função diferente, que por obra da genialidade, se encaixam. Quem não está familiarizado com esse tipo de arranjo experimental, tem o cérebro "bugado" ao primeiro instante.

Até em clima de balada o Gentle Giant soa diferente, a flutuante "Aspirations" é quase um exercício espiritual, um relaxamento completo de corpo e mente, na voz celestial de Kerry Minnear e os amenos acordes de teclados. Acompanhando o instrumental, a letra também expõe a espiritualidade...
"Seja nosso guia, nossa luz e nosso modo de vida
E deixe o mundo ver o modo
Como conduzimos nosso caminho
Esperanças, sonhos, esperanças
Sonhando que todas as nossas tristezas se foram"

"Playing the Game" - preferida da maioria e minha também, progride de forma surpreendente. Em certa parte percebo uma certa influência de Jon Lord em Minnear. A linha funk de baixo confunde-se as partes graves do sintetizador, gerando um ritmo bem agradável.

"No God's a Man" apresenta o caminho tomado no posterior Free Hand (1975), deixando as malucas vocalizações em destaque, ultrapassando até mesmo o Yes nesse conceito. O "duelo" é conduzido pela guitarra e teclado. Gary Green não é um virtuoso na criação de solos, só que as notas são bem encaixadas e isso é o que basta.

Outro destaque para fechar a resenha, fica com "The Face", disparada a melhor canção do álbum, junto com "Playing the Game". Violinos e outros instrumentos não "convencionais" roubam a cena em parceria com a voz de Derek Shulman. 
The Face é o típico rock progressivo quebra costela (se é que isso existe) onde as mudanças de andamentos são constantes. Um prato cheio pra quem ama os americanos do Yezda Urfa e afins.

The Power and the Glory explora a individualidade de cada membro sem ficar apenas no virtuosismo raso. Sons diferentes que se unem na mesma harmonia, afinal, música é a arte de combinar.

A perfeição tem nome : The Power and the Glory
5
18/09/2018

O culto ao rock progressivo torna-se mais forte a cada dia, com os jovens redescobrindo o estilo muito em voga nos anos 70. Pois é na década dourada da música que encontramos o que há de melhor no art rock, isso pra não citar outras vertentes sonoras. Dentro desse rico universo, o nosso Gigante Gentil pode passar batido em termos de popularidade, jamais em admiração. Até quem não é músico, porém com percepção musical, tira o chapéu para o grupo. Sua obra sobrepuja o progressivo clássico, no uso de complexas mudanças de acordes, com leve inclinação ao soul, funk, pop, jazz e evidentemente o gênero barroco. Tudo envolto em vocalizações de canto gregoriano e estilos medievais. Não existem fronteiras para uma banda como Gentle Giant !!.
No que se refere aos músicos, o buraco é mais embaixo, não basta simplesmente ter uma tablatura ou partitura na mão, para reproduzir o som dos ingleses. Tocar Gentle Giant é uma arte que poucos dominam, tem que ter conhecimento de causa para não passar vergonha. Basta ver quantas bandas tributo de Gentle Giant existem por ai ... tudo bem que muitas não o fazem por apelo comercial, ai é outra conversa.
De minha parte não consigo desabonar nenhum trabalho do grupo, todos estão em níveis acima da média, até mesmo os últimos e "malhados" Giant For A Day (1978) e Civilian (1980).
No entanto minha preferência recai sobre The Power And The Glory e Free Hand.

The Power and the Glory é bem diversificado, e apesar da linguagem musical sofisticada, torna-se assimilável a cada audição. Eles conseguem fazer o complexo ser palatável aos ouvidos, sem deixar remendos sonoros como certos grupos virtuosos, tudo flui naturalmente aqui.

A fantástica abertura com "Proclamation", ganha contornos singulares na forma de tocar do tecladista Kerry Minnear, e quem dá a liga a "massa" são os graves de Ray Shulman. Um som cheio de reviravoltas, nuances e grooves na parte intermediaria, que só encontra o caminho da normalidade no segundo e ultimo refrão.

"So Sincere" causa estranheza a primeira vista, nos arranjos iniciais de Violoncelo . A quebradeira rítmica atira para todos os lados, cada instrumento com uma função diferente, que por obra da genialidade, se encaixam. Quem não está familiarizado com esse tipo de arranjo experimental, tem o cérebro "bugado" ao primeiro instante.

Até em clima de balada o Gentle Giant soa diferente, a flutuante "Aspirations" é quase um exercício espiritual, um relaxamento completo de corpo e mente, na voz celestial de Kerry Minnear e os amenos acordes de teclados. Acompanhando o instrumental, a letra também expõe a espiritualidade...
"Seja nosso guia, nossa luz e nosso modo de vida
E deixe o mundo ver o modo
Como conduzimos nosso caminho
Esperanças, sonhos, esperanças
Sonhando que todas as nossas tristezas se foram"

"Playing the Game" - preferida da maioria e minha também, progride de forma surpreendente. Em certa parte percebo uma certa influência de Jon Lord em Minnear. A linha funk de baixo confunde-se as partes graves do sintetizador, gerando um ritmo bem agradável.

"No God's a Man" apresenta o caminho tomado no posterior Free Hand (1975), deixando as malucas vocalizações em destaque, ultrapassando até mesmo o Yes nesse conceito. O "duelo" é conduzido pela guitarra e teclado. Gary Green não é um virtuoso na criação de solos, só que as notas são bem encaixadas e isso é o que basta.

Outro destaque para fechar a resenha, fica com "The Face", disparada a melhor canção do álbum, junto com "Playing the Game". Violinos e outros instrumentos não "convencionais" roubam a cena em parceria com a voz de Derek Shulman. 
The Face é o típico rock progressivo quebra costela (se é que isso existe) onde as mudanças de andamentos são constantes. Um prato cheio pra quem ama os americanos do Yezda Urfa e afins.

The Power and the Glory explora a individualidade de cada membro sem ficar apenas no virtuosismo raso. Sons diferentes que se unem na mesma harmonia, afinal, música é a arte de combinar.

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