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Resenha: Di Melo - Di Melo (1975)

Por: Marcel Z. Dio

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O resgate de um fóssil do funk/soul brazuca
5
10/09/2018

Se os principais nomes da soul music nacional ainda ficam com Tim Maia, Cassiano, Jorge Ben e Wilson Simonal, o primeiro disco do "imorrível" Di Melo, é um alento dentro do estilo, como um segredinho guardado a sete chaves.
Di Mello lançou o debut em 1975 e sumiu do mapa, talvez por desinteresse da gravadora ou até do público. O jogo virou muito tempo depois, quando na década de 90, os DJs ingleses e caçadores de relíquias redescobriram a obra através da coletânea Blue Brazil 2.
O revival artístico do músico pernambucano também teve a mão de Charles Gavin (Titãs) que relançou a obra em CD no ano de 2002. Lembrando que o Lp é bem difícil de se encontrar.
Mesmo com o som esperto e o humor de Jorge Ben como foco principal, a sonoridade do cult álbum ultrapassa a barreira da soul music. Como uma boa salada de influencias, que vão desde música nordestina, tango e o funk de Sly And Family Stone e Gil Scott-Heron.

A pilula anti-depressiva conhecida como "Kilariô" é o grande hit. Baixão gorduroso, naipes de metal e coros femininos, fazem da mesma, um funk de alta categoria. É o que posso resumir em termos sonoros, já na seara do sentimento, me faltam palavras.

Em "A Vida Em Seus Métodos Diz Calma" o cantor escancara sua admiração por Jor Ben Jor, ao emitir o mesmíssimo padrão vocal. A Faixa ainda conta com as participações dos mestres Hermeto Pascoal e Heraldo do Monte em teclados e guitarras.

A dramaticidade do tango entra em ação na maravilhosa "Conformópolis", cujo a letra reflete a loucura e a rotina das grandes cidades, clamando por um pausa ante a torturante máquina capitalista. Teclados, arranjos de cordas e acordeon, ajudam no clímax denso expelido na obra. "Má-Lida" trilha a angustia de Conformópolis em relação ao instrumental.

O tango de "Sementes" evoca "Adiós Nonino" de Ástor Piazzolla", se os créditos foram dados ao acordeonista argentino, eu já não sei, pois não possuo o material em mídia física. Do mais, uma ótima canção. Outro destaque é o samba rock de "Pernalonga", essa, com um forte flerte na "malandragem" dos supracitados Jorge Ben e Wilson Simonal.

Bom saber que Di Melo foi resgatado de priscas eras, melhor ainda ouvir o excelente álbum de 2016, denominado: Imorrível, nome usado também no documentário feito em 2011. 
E todo esse alarde temporão, só foi possível pelo trabalho espetacular criado em 1975. As vezes a recompensa demora a chegar, pois o que tem qualidade pode ser coberto pela poeira do tempo, apagado jamais.

O resgate de um fóssil do funk/soul brazuca
5
10/09/2018

Se os principais nomes da soul music nacional ainda ficam com Tim Maia, Cassiano, Jorge Ben e Wilson Simonal, o primeiro disco do "imorrível" Di Melo, é um alento dentro do estilo, como um segredinho guardado a sete chaves.
Di Mello lançou o debut em 1975 e sumiu do mapa, talvez por desinteresse da gravadora ou até do público. O jogo virou muito tempo depois, quando na década de 90, os DJs ingleses e caçadores de relíquias redescobriram a obra através da coletânea Blue Brazil 2.
O revival artístico do músico pernambucano também teve a mão de Charles Gavin (Titãs) que relançou a obra em CD no ano de 2002. Lembrando que o Lp é bem difícil de se encontrar.
Mesmo com o som esperto e o humor de Jorge Ben como foco principal, a sonoridade do cult álbum ultrapassa a barreira da soul music. Como uma boa salada de influencias, que vão desde música nordestina, tango e o funk de Sly And Family Stone e Gil Scott-Heron.

A pilula anti-depressiva conhecida como "Kilariô" é o grande hit. Baixão gorduroso, naipes de metal e coros femininos, fazem da mesma, um funk de alta categoria. É o que posso resumir em termos sonoros, já na seara do sentimento, me faltam palavras.

Em "A Vida Em Seus Métodos Diz Calma" o cantor escancara sua admiração por Jor Ben Jor, ao emitir o mesmíssimo padrão vocal. A Faixa ainda conta com as participações dos mestres Hermeto Pascoal e Heraldo do Monte em teclados e guitarras.

A dramaticidade do tango entra em ação na maravilhosa "Conformópolis", cujo a letra reflete a loucura e a rotina das grandes cidades, clamando por um pausa ante a torturante máquina capitalista. Teclados, arranjos de cordas e acordeon, ajudam no clímax denso expelido na obra. "Má-Lida" trilha a angustia de Conformópolis em relação ao instrumental.

O tango de "Sementes" evoca "Adiós Nonino" de Ástor Piazzolla", se os créditos foram dados ao acordeonista argentino, eu já não sei, pois não possuo o material em mídia física. Do mais, uma ótima canção. Outro destaque é o samba rock de "Pernalonga", essa, com um forte flerte na "malandragem" dos supracitados Jorge Ben e Wilson Simonal.

Bom saber que Di Melo foi resgatado de priscas eras, melhor ainda ouvir o excelente álbum de 2016, denominado: Imorrível, nome usado também no documentário feito em 2011. 
E todo esse alarde temporão, só foi possível pelo trabalho espetacular criado em 1975. As vezes a recompensa demora a chegar, pois o que tem qualidade pode ser coberto pela poeira do tempo, apagado jamais.

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