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Resenha: The Rolling Stones - Steel Wheels (1989)

Por: Marcel Z. Dio

Acessos: 213

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A ultima obra-prima dos Rolling Stones
5
21/08/2018

A década de 80 não foi bem o que os fãs dos Stones queriam, eles tinham potencial para fazer mais.
No entanto, sou contra a corrente de que Tatto You (1981) foi o ultima obra de real relevância dos ingleses, exatamente por existir Steel Wheels no caminho.
Na verdade os dois trabalhos citados, foram a tabua da salvação para os Stones, poupando a lavoura para a banda. Curiosamente as datas de seus lançamentos situam-se na extremidade da década, e o que ficou no meio pode ser esquecido. É só ouvir os fracos Undercover e Dirty Work para entender o que digo. Por sorte a carreira solo de Mick Jagger não decolou, ou Steel Wheels correria o risco de nem existir.
Steel Wheels pode ser considerado clássico, justamente por seguir a linhagem de Tatto You. Músicas com ótimos refrões, e a volta do carro chefe, o velho e bom rock blues. Aliado a isso, temos a trégua de egos entre Keith Richards e Mick Jagger.

O retorno do som mais clássico é claramente representado na abertura de "Sad Sad Sad", um rockão sem frescura, distante do som plastificado inerente a década.
"Mixed Motions" foi o grande hit de 1989, talvez a melhor música do ano. Tudo que os Rolling Stones tinham de melhor estavam nela. Provando por A mais B, que eles sabiam fazer rock como poucos, enfiando bandinhas "estrelas" no bolso.
E Mixed Motions não carregava o piano sozinho, o bolachão ainda continha a maravilhosa "Terrifying", com seu marcante timbre de guitarra, carregado também pela simplicidade da seção rítmica e algumas frases discretas de piano. Sem exagero ou brincadeira, juro que ouviria esse blues de luxo por vinte vezes seguidas !!.

Mick Jagger dá uma lição de "cantoria" em "Rock and a Hard Place", contando com a ajuda dos ótimos backing(s) femininos. Seguramente a trilha mais forte depois de Mixed Emotions.
Adoro as "paradas" no meio da música, deixando espaço para o baixo e bateria como primeiro plano. E por falar em contrabaixo, infelizmente a "bolacha" marca a saída de Bill Wyman em estúdio. O baixista ainda faria algumas turnês, despedindo-se oficialmente em 1993.
A letra de Rock and a Hard Place criticava a desigualdade social :

"Esse papo de liberdade"
E direitos humanos
São só provocações e guerras particulares e
Chuta toda a terra em nossos olhos
E os camponeses
Mais pobres que sujos
São pegos no fogo cruzado e não têm nada a perder
A não ser a roupa do corpo"

Na voz do imortal Keith Richards, temos a boa "Cant be Seen". Seguida pela melhor balada feita pelos Stones, a inesquecível : "Almost Hear You Sigh". Jesus!, que os fãs de "Angie", "Wild Horses" e da etérea "Heaven" me perdoem.

A mistura étnica de música marroquina dá o tom em "Continental Drift". Uma viagem ao grande deserto ... e que som espetacular !!. Não dá pra ficar indiferente aos arranjos soberbos de Continental Drift, o que vem a mente são belas mulheres reunidas em um oásis, praticando a sexy dança do ventre. O amor vem na velocidade da luz ...

Bom, até aqui já destaquei sete faixas, nada mal para um para um disco de 1989 não é? Pena que uma boa parte dos roqueiros continuem a ignorar essa verdadeira obra-prima de Jagger e Cia.

A ultima obra-prima dos Rolling Stones
5
21/08/2018

A década de 80 não foi bem o que os fãs dos Stones queriam, eles tinham potencial para fazer mais.
No entanto, sou contra a corrente de que Tatto You (1981) foi o ultima obra de real relevância dos ingleses, exatamente por existir Steel Wheels no caminho.
Na verdade os dois trabalhos citados, foram a tabua da salvação para os Stones, poupando a lavoura para a banda. Curiosamente as datas de seus lançamentos situam-se na extremidade da década, e o que ficou no meio pode ser esquecido. É só ouvir os fracos Undercover e Dirty Work para entender o que digo. Por sorte a carreira solo de Mick Jagger não decolou, ou Steel Wheels correria o risco de nem existir.
Steel Wheels pode ser considerado clássico, justamente por seguir a linhagem de Tatto You. Músicas com ótimos refrões, e a volta do carro chefe, o velho e bom rock blues. Aliado a isso, temos a trégua de egos entre Keith Richards e Mick Jagger.

O retorno do som mais clássico é claramente representado na abertura de "Sad Sad Sad", um rockão sem frescura, distante do som plastificado inerente a década.
"Mixed Motions" foi o grande hit de 1989, talvez a melhor música do ano. Tudo que os Rolling Stones tinham de melhor estavam nela. Provando por A mais B, que eles sabiam fazer rock como poucos, enfiando bandinhas "estrelas" no bolso.
E Mixed Motions não carregava o piano sozinho, o bolachão ainda continha a maravilhosa "Terrifying", com seu marcante timbre de guitarra, carregado também pela simplicidade da seção rítmica e algumas frases discretas de piano. Sem exagero ou brincadeira, juro que ouviria esse blues de luxo por vinte vezes seguidas !!.

Mick Jagger dá uma lição de "cantoria" em "Rock and a Hard Place", contando com a ajuda dos ótimos backing(s) femininos. Seguramente a trilha mais forte depois de Mixed Emotions.
Adoro as "paradas" no meio da música, deixando espaço para o baixo e bateria como primeiro plano. E por falar em contrabaixo, infelizmente a "bolacha" marca a saída de Bill Wyman em estúdio. O baixista ainda faria algumas turnês, despedindo-se oficialmente em 1993.
A letra de Rock and a Hard Place criticava a desigualdade social :

"Esse papo de liberdade"
E direitos humanos
São só provocações e guerras particulares e
Chuta toda a terra em nossos olhos
E os camponeses
Mais pobres que sujos
São pegos no fogo cruzado e não têm nada a perder
A não ser a roupa do corpo"

Na voz do imortal Keith Richards, temos a boa "Cant be Seen". Seguida pela melhor balada feita pelos Stones, a inesquecível : "Almost Hear You Sigh". Jesus!, que os fãs de "Angie", "Wild Horses" e da etérea "Heaven" me perdoem.

A mistura étnica de música marroquina dá o tom em "Continental Drift". Uma viagem ao grande deserto ... e que som espetacular !!. Não dá pra ficar indiferente aos arranjos soberbos de Continental Drift, o que vem a mente são belas mulheres reunidas em um oásis, praticando a sexy dança do ventre. O amor vem na velocidade da luz ...

Bom, até aqui já destaquei sete faixas, nada mal para um para um disco de 1989 não é? Pena que uma boa parte dos roqueiros continuem a ignorar essa verdadeira obra-prima de Jagger e Cia.

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