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    Mystical Adventures (1981)

    5 Por: Tiago Meneses

Resenha: Jean-Luc Ponty - Mystical Adventures (1981)

Por: Tiago Meneses

Acessos: 174

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Mais do que uma experiência musical sólida, uma aventura mística.
5
09/08/2018

Geralmente este disco é catalogado dentro do jazz rock e fusion, mas sinceramente, considero que limitá-lo somente a isso é injusto e simplifica demais uma obra tão única e complexa a qual ela se trata. Às vezes nota-se algumas extrações do funk, em outros momentos um rock bastante sinfônico, enfim, não acho que este seja um disco que aceite bem somente um gênero específico. Seus diferentes humores e texturas dão a ele uma vida longa e uma sensação de excitação diferente em todas às vezes que o ouvinte se aventura por sua música. 

O disco começa com a maravilhosa suíte dividida em cinco partes, “Mystical Adventures”. Ponty mostra logo de cara uma das suas criações mais espetaculares da carreira. Toda a estrutura, sonoridade atingida, mudanças e a maneira como ocorre os movimentos tem uma clara evidência sinfônica. Sua maneira de tocar violino atingiu aqui o que eu posso chamar de equilíbrio perfeito entre o jazz e o rock progressivo sinfônico. A parte três da música é sem dúvida a peça central e com isso a mais longa delas. Seu começo através de um violino jazzístico é belíssimo. Os demais instrumentos vão entrando um de cada vez dando um maior corpo a música até fazê-la chegar, mesmo que sem perder a aura do jazz, em uma linha mais hard, isso graças principalmente ao trabalho bastante eficiente da guitarra e um órgão de fundo maravilhoso. Mesmo a banda sendo formada por músicos mais de jazz, todos parecem se envolver absolutamente na atmosfera sinfônica. Ponty então reaparece como protagonista com o seu violino, mostrando que sua essência principal permanece no fusion, dando uma verdadeira aula ao ouvinte de como um verdadeiro compositor acompanhado de uma banda competente consegue pular de um gênero para outro de uma forma tão natural como a qual trocamos de roupa. A parte mais sensacional de um épico incrível e sem furos. 

“Rhythms of Hope” é uma música completamente diferente do épico que abriu o disco. Aqui a nossa joia brasileira, Paulinho da Costa, mostra porque é considerado por muitos o músico mais completo no que diz respeito a instrumentos de percussão no mundo, tendo já tocado com mais de novecentos músicos dos quatro cantos do planeta. Uma música tipicamente pontyana, extremamente fusion com incursões progressivas, um incrível trabalho de seção rítmica, flui suave e perfeitamente do primeiro ao último segundo. 

“As” é uma música um tanto incomum, possuindo inclusive vocoder (sendo uma daquelas raras vezes em que Ponty utiliza de vozes em suas músicas). Apresentando boas interrupções jazzísticas e grande swing, a mistura agrada e funciona perfeitamente bem, fluindo de maneira suave e bem direcionada o tempo todo. 

“Final Truth” é o outro momento do disco dividido em mais de uma parte (em duas nesse caso), carregada do som corriqueiro de Ponty, soa bastante semelhante ao que ele fez no seu disco Aurora. Na primeira parte, Ponty mostra um grande virtuosismo no violino, as linhas de baixo são pulsantes e a bateria bastante técnica, mas o destaque maior fica por conta do seu piano delicioso.  A segunda parte tem em sua aura um “Q” mais misterioso e atmosférico. Mais um momento de pura diversão de Ponty com seu violino em que ele se mostra confiante de que está junto de uma banda que irá sempre apoiá-lo muito bem. Como queixa, acho que ficou um momento muito curto, mas de qualquer forma, antes deixar o ouvinte querendo mais do que entediado com algo longo que poder ser visto como desnecessário (embora eu ache que dificilmente aconteceria isso aqui). 

O disco chega ao fim através de, “Jig”. Ponty decide terminar as coisas no estilo que ele se sente mais confortável, ou seja, o jazz. Além das já esperadas excelentes linhas de violino, mais uma bela contribuição de percussão, sutis toques sinfônicos em um trabalho de teclado que de certa forma lembra um pouco Rick Wakeman. Assim como tudo até agora, o final do álbum é perfeito. 

Um disco que é uma verdadeira obra de arte que mostra o estilo distinto, mas versátil de Jean Luc Ponty. Mais do que uma experiência musical sólida, uma aventura mística. 

Mais do que uma experiência musical sólida, uma aventura mística.
5
09/08/2018

Geralmente este disco é catalogado dentro do jazz rock e fusion, mas sinceramente, considero que limitá-lo somente a isso é injusto e simplifica demais uma obra tão única e complexa a qual ela se trata. Às vezes nota-se algumas extrações do funk, em outros momentos um rock bastante sinfônico, enfim, não acho que este seja um disco que aceite bem somente um gênero específico. Seus diferentes humores e texturas dão a ele uma vida longa e uma sensação de excitação diferente em todas às vezes que o ouvinte se aventura por sua música. 

O disco começa com a maravilhosa suíte dividida em cinco partes, “Mystical Adventures”. Ponty mostra logo de cara uma das suas criações mais espetaculares da carreira. Toda a estrutura, sonoridade atingida, mudanças e a maneira como ocorre os movimentos tem uma clara evidência sinfônica. Sua maneira de tocar violino atingiu aqui o que eu posso chamar de equilíbrio perfeito entre o jazz e o rock progressivo sinfônico. A parte três da música é sem dúvida a peça central e com isso a mais longa delas. Seu começo através de um violino jazzístico é belíssimo. Os demais instrumentos vão entrando um de cada vez dando um maior corpo a música até fazê-la chegar, mesmo que sem perder a aura do jazz, em uma linha mais hard, isso graças principalmente ao trabalho bastante eficiente da guitarra e um órgão de fundo maravilhoso. Mesmo a banda sendo formada por músicos mais de jazz, todos parecem se envolver absolutamente na atmosfera sinfônica. Ponty então reaparece como protagonista com o seu violino, mostrando que sua essência principal permanece no fusion, dando uma verdadeira aula ao ouvinte de como um verdadeiro compositor acompanhado de uma banda competente consegue pular de um gênero para outro de uma forma tão natural como a qual trocamos de roupa. A parte mais sensacional de um épico incrível e sem furos. 

“Rhythms of Hope” é uma música completamente diferente do épico que abriu o disco. Aqui a nossa joia brasileira, Paulinho da Costa, mostra porque é considerado por muitos o músico mais completo no que diz respeito a instrumentos de percussão no mundo, tendo já tocado com mais de novecentos músicos dos quatro cantos do planeta. Uma música tipicamente pontyana, extremamente fusion com incursões progressivas, um incrível trabalho de seção rítmica, flui suave e perfeitamente do primeiro ao último segundo. 

“As” é uma música um tanto incomum, possuindo inclusive vocoder (sendo uma daquelas raras vezes em que Ponty utiliza de vozes em suas músicas). Apresentando boas interrupções jazzísticas e grande swing, a mistura agrada e funciona perfeitamente bem, fluindo de maneira suave e bem direcionada o tempo todo. 

“Final Truth” é o outro momento do disco dividido em mais de uma parte (em duas nesse caso), carregada do som corriqueiro de Ponty, soa bastante semelhante ao que ele fez no seu disco Aurora. Na primeira parte, Ponty mostra um grande virtuosismo no violino, as linhas de baixo são pulsantes e a bateria bastante técnica, mas o destaque maior fica por conta do seu piano delicioso.  A segunda parte tem em sua aura um “Q” mais misterioso e atmosférico. Mais um momento de pura diversão de Ponty com seu violino em que ele se mostra confiante de que está junto de uma banda que irá sempre apoiá-lo muito bem. Como queixa, acho que ficou um momento muito curto, mas de qualquer forma, antes deixar o ouvinte querendo mais do que entediado com algo longo que poder ser visto como desnecessário (embora eu ache que dificilmente aconteceria isso aqui). 

O disco chega ao fim através de, “Jig”. Ponty decide terminar as coisas no estilo que ele se sente mais confortável, ou seja, o jazz. Além das já esperadas excelentes linhas de violino, mais uma bela contribuição de percussão, sutis toques sinfônicos em um trabalho de teclado que de certa forma lembra um pouco Rick Wakeman. Assim como tudo até agora, o final do álbum é perfeito. 

Um disco que é uma verdadeira obra de arte que mostra o estilo distinto, mas versátil de Jean Luc Ponty. Mais do que uma experiência musical sólida, uma aventura mística. 

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