Bem-vindo ao 80 Minutos

Nós amamos música e adoramos compartilhar nossas avaliações sobre os álbuns de nossas bandas favoritas.

Resenha: George Benson - Breezin' (1976)

Por: Marcel Zangirolami

Acessos: 52

Compartilhar:

Facebook Twitter Google +
User Photo
Album Cover
Jazz acessível e classudo
5
09/08/2018

Acredito que George Benson seja responsável por colocar o jazz na vida de muita gente. Não o mais tradicional, e sim o que o guitarrista e cantor, começou a criar a partir de Body Talk (1973) conhecido também como smoth jazz. Ou seja, uma vertente do jazz com influências estilizadas do R&B, e também do funk e pop.
Porem há que se separar o joio do trigo, pois o sub gênero tem algumas surpresas desagradáveis que dilui ao extremo a fonte jazzística. Ganhando apelidos pejorativos como : música de elevador, ou fundo sonoro para  programas culinários. Condição relacionada a discos do Spyro Gyra, David Sanborn e o pavoroso Sadao Watanabe.
No caso de Breezin' a história é diferente. Vindo da mesma "escola" de mestres como Joe Pass e Wes Montgomery, o músico americano nunca abandonou sua forma de tocar, sejam nas límpidas e bem encaixadas frases e harmonias em bloco, e também na peculiar forma de tocar e cantar sobre a mesma melodia. Solando simultaneamente com o instrumento e a boca, algo que requer conhecimento e técnica apurada.

O que deixa Brezin' na seara mais pop ou palatável aos ouvidos, é a forma como os arranjos extra guitarra se comportam. Aplicadas nas suaves interpretações de teclados e orquestrações ou no balanço funk /soul dos graves e bateria.
A faixa título traduz exatamente o que foi dito acima.

"This Masquerade" foi a primeira aventura vocal de George Benson, e nem precisa falar que ele se saiu bem. Percebam que em vários momentos, ele também pratica a técnica de cantar em uníssono com as notas da guitarra.

A classuda "Six To Four" é uma lição de quebras rítmicas, sobretudo na viciante introdução. Nela, o jazzista não é mais o ator principal, ele deixa espaço para a banda reluzir. Ora pela linha intrincada do contrabaixo ou pelo solo de moog, e sem deixar de brilhar junto aos companheiros, deixa sua marca cravada num solo cheio de felling.

"Affirmation" já era ótima com José Feliciano, no entanto se transforma em ouro na mão do guitarrista. O bom gosto e a limpeza da execução é louvável. Nada de rapidez ou virtuosismo barato, e nessa parte George Benson bota centenas de músicos no bolso esquerdo de sua calça de linho. Todo guitarrista profissional deveria aprender a tocar  "Affirmation" de trás para a frente, aprender a sentir as notas, antes de despejá-las como uma metralhadora na mão de um macaco.

Em "So This is Love" a categoria de Benson reina absoluta, juntamente com o piano soft de Jorge Dalto. O disco é fechado em definitivo pela tranquila paisagem sonora de "Lady".

Ouça Breezin' sem moderação, e ouçam também os heróis do artista, como os já citados Wes Montgomery e Joe Pass. Sua percepção sobre o amado instrumento de seis cordas, não será a mesma.

Jazz acessível e classudo
5
09/08/2018

Acredito que George Benson seja responsável por colocar o jazz na vida de muita gente. Não o mais tradicional, e sim o que o guitarrista e cantor, começou a criar a partir de Body Talk (1973) conhecido também como smoth jazz. Ou seja, uma vertente do jazz com influências estilizadas do R&B, e também do funk e pop.
Porem há que se separar o joio do trigo, pois o sub gênero tem algumas surpresas desagradáveis que dilui ao extremo a fonte jazzística. Ganhando apelidos pejorativos como : música de elevador, ou fundo sonoro para  programas culinários. Condição relacionada a discos do Spyro Gyra, David Sanborn e o pavoroso Sadao Watanabe.
No caso de Breezin' a história é diferente. Vindo da mesma "escola" de mestres como Joe Pass e Wes Montgomery, o músico americano nunca abandonou sua forma de tocar, sejam nas límpidas e bem encaixadas frases e harmonias em bloco, e também na peculiar forma de tocar e cantar sobre a mesma melodia. Solando simultaneamente com o instrumento e a boca, algo que requer conhecimento e técnica apurada.

O que deixa Brezin' na seara mais pop ou palatável aos ouvidos, é a forma como os arranjos extra guitarra se comportam. Aplicadas nas suaves interpretações de teclados e orquestrações ou no balanço funk /soul dos graves e bateria.
A faixa título traduz exatamente o que foi dito acima.

"This Masquerade" foi a primeira aventura vocal de George Benson, e nem precisa falar que ele se saiu bem. Percebam que em vários momentos, ele também pratica a técnica de cantar em uníssono com as notas da guitarra.

A classuda "Six To Four" é uma lição de quebras rítmicas, sobretudo na viciante introdução. Nela, o jazzista não é mais o ator principal, ele deixa espaço para a banda reluzir. Ora pela linha intrincada do contrabaixo ou pelo solo de moog, e sem deixar de brilhar junto aos companheiros, deixa sua marca cravada num solo cheio de felling.

"Affirmation" já era ótima com José Feliciano, no entanto se transforma em ouro na mão do guitarrista. O bom gosto e a limpeza da execução é louvável. Nada de rapidez ou virtuosismo barato, e nessa parte George Benson bota centenas de músicos no bolso esquerdo de sua calça de linho. Todo guitarrista profissional deveria aprender a tocar  "Affirmation" de trás para a frente, aprender a sentir as notas, antes de despejá-las como uma metralhadora na mão de um macaco.

Em "So This is Love" a categoria de Benson reina absoluta, juntamente com o piano soft de Jorge Dalto. O disco é fechado em definitivo pela tranquila paisagem sonora de "Lady".

Ouça Breezin' sem moderação, e ouçam também os heróis do artista, como os já citados Wes Montgomery e Joe Pass. Sua percepção sobre o amado instrumento de seis cordas, não será a mesma.

Sample photo

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Quer Mais?

Veja as nossas recomendações:

Album Cover

Colosseum II - Strange New Flesh (1976)

Um dos supergrupos mais subestimados dos anos 70
4.5
Por: marcio chagas
14/07/2018
Album Cover

Robert Wyatt - Rock Bottom (1971)

Um dos discos mais importantes da cena de Canterbury
5
Por: Tiago Meneses
22/10/2017
Album Cover

Farmhouse Odyssey - Rise of the Waterfowl (2016)

Às vezes impressionante e em outros momentos parece faltar algo
3.5
Por: Tiago Meneses
25/04/2018