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Resenha: Magma - 1001° Centigrades (1971)

Por: Tiago Meneses

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Album Cover
Requintado, viciante, ritmicamente forte, jazzístico e cheio de complexidade.
5
09/08/2018

O segundo disco da banda tem uma veia parecida com o seu trabalho de estreia. O álbum se move com bastante rapidez através de composições complexas e intrincadas, arranjos grosseiros e selvagens construídos sempre com muito bom gosto. 1001° Centigrades é composto por apenas três faixas excelentes. As linhas mais marcantes do zeuhl começam a aparecer, mesmo que ainda seja um disco mais inclinado ao jazz e a música de vanguarda. O álbum é conceitual em um conto relevante e complexo enfatizando a necessidade humana em progredir e destacando nossas falhas. A história neste disco continua diretamente do que foi visto no disco anterior. Aqui os terráqueos visitantes de Kobaia, convidam nossos protagonistas Kobaian para uma viagem à Terra para compartilhar sua sabedoria, ensinar seus métodos e, enfim, pregar seu modo de vida. Na sua forma atual, a Terra havia caído a profundidades nunca antes alcançadas, e a população de Kobaia era infinitamente avançada em relação à Terra em bases políticas, sociais, espirituais e tecnológicas. A história deste capítulo começa com a viagem para a Terra e as boas-vindas que lhes são concebidas. Os Kobaians contam a história de seus ancestrais, explicam o progresso que fizeram desde então, compartilham suas filosofias sobre a melhoria da humanidade e como a pureza e a iluminação espiritual são os melhores (senão o único) meio para o crescimento para encontrar a paz e uma civilização perfeita. 

O disco começa com Rïah Sahïltaahk e os seus quase vinte e dois minutos de duração. Um épico de camadas de texturas obscuras, unidades entrelaçadas de ritmo complexo e vocais Kobaian apaixonadamente sinceros. Começa com uma levada meio funk e meio jazz que é logo acompanhada pela peculiaridade vocal de Christian Vader. Os instrumentos de sopro são um verdadeiro deleite e combinam perfeitamente com os cantos quase tribais. Uma das características na banda e que sempre foi impressionante é a rapidez com que ela consegue se mover e mudar, por exemplo, de uma sonoridade ambiente e mais atmosférica para outras linhas mais diferentes e radicais. É como se eles sacrificassem a coerência sonora, porém, isso é feito de uma maneira tão espetacular que acaba sendo encantador e intrigante, fazendo com que o ouvinte queira mais e mais de algo tão incomum. O que também merece uma menção mais do que honrosa nesta faixa são as performances de piano através de algumas linhas sensacionais e mudanças bruscas. Possui um final frenético que não é algo menos do que fantástico. Lamento por aqueles que consideram difícil de assimilar o som da banda devido a linguagem Kobaia, pois isso é uma verdadeira joia. 

““Iss" Lanseï Doïa” é sem a menor dúvida uma das experiências musicais mais estranhas com que deparei em toda a minha vida. A introdução é bastante experimental e apresenta alguns sons incoerentes. Segue com uma passagem de fusion, onde apesar de uma óbvia dissonância, eles continuam firmes e sem perder o senso de melodia e musicalidade. Depois desse começo, mais estranhezas estão por vir. Seções de cantos às vezes perturbadoras e alucinantes, mais experimentalismo, musicalidade frenética que é interrompida por seções jazzísticas (agora bastante coerente) e que diria que são quase impossíveis de serem assimiladas por algum ouvinte de primeira viagem nesse tipo de som. Mais uma música excelente e que se rodeia por uma aura de mistério e cheia de pompa que tem como resultado algo simplesmente fantástico. 

“Ki Ïahl Ö Lïahk” é a faixa mais curta e fecha o disco de maneira não menos brilhante. Tem um baixo como introdução e que rapidamente ganha a companhia dos demais instrumentos em uma passagem instrumental extremamente dissonante. O piano ao entrar mostra uma veia de música vanguardista e depois tudo se concentra em seções de melodias fantásticas. Uma faixa cheia de mistura, mas sempre coerente e que eu costumo dizer que se trata de algo que o ouvinte ama ou odeia logo de cara, mas depois a impressão pode ficar menos radical conforme vai se familiarizando e entendendo melhor o que acontece aqui. Na verdade posso dizer que o disco todo é assim. 
	
Resumindo, em 1001° Centigrades a qualidade musical é alta em todo o disco e não há momentos esquecíveis. A gravação é muito boa, as composições são ótimas e a banda incrível. Cada música apresenta um som único, requintado, viciante, ritmicamente forte, jazzístico e cheio de complexidade.

Requintado, viciante, ritmicamente forte, jazzístico e cheio de complexidade.
5
09/08/2018

O segundo disco da banda tem uma veia parecida com o seu trabalho de estreia. O álbum se move com bastante rapidez através de composições complexas e intrincadas, arranjos grosseiros e selvagens construídos sempre com muito bom gosto. 1001° Centigrades é composto por apenas três faixas excelentes. As linhas mais marcantes do zeuhl começam a aparecer, mesmo que ainda seja um disco mais inclinado ao jazz e a música de vanguarda. O álbum é conceitual em um conto relevante e complexo enfatizando a necessidade humana em progredir e destacando nossas falhas. A história neste disco continua diretamente do que foi visto no disco anterior. Aqui os terráqueos visitantes de Kobaia, convidam nossos protagonistas Kobaian para uma viagem à Terra para compartilhar sua sabedoria, ensinar seus métodos e, enfim, pregar seu modo de vida. Na sua forma atual, a Terra havia caído a profundidades nunca antes alcançadas, e a população de Kobaia era infinitamente avançada em relação à Terra em bases políticas, sociais, espirituais e tecnológicas. A história deste capítulo começa com a viagem para a Terra e as boas-vindas que lhes são concebidas. Os Kobaians contam a história de seus ancestrais, explicam o progresso que fizeram desde então, compartilham suas filosofias sobre a melhoria da humanidade e como a pureza e a iluminação espiritual são os melhores (senão o único) meio para o crescimento para encontrar a paz e uma civilização perfeita. 

O disco começa com Rïah Sahïltaahk e os seus quase vinte e dois minutos de duração. Um épico de camadas de texturas obscuras, unidades entrelaçadas de ritmo complexo e vocais Kobaian apaixonadamente sinceros. Começa com uma levada meio funk e meio jazz que é logo acompanhada pela peculiaridade vocal de Christian Vader. Os instrumentos de sopro são um verdadeiro deleite e combinam perfeitamente com os cantos quase tribais. Uma das características na banda e que sempre foi impressionante é a rapidez com que ela consegue se mover e mudar, por exemplo, de uma sonoridade ambiente e mais atmosférica para outras linhas mais diferentes e radicais. É como se eles sacrificassem a coerência sonora, porém, isso é feito de uma maneira tão espetacular que acaba sendo encantador e intrigante, fazendo com que o ouvinte queira mais e mais de algo tão incomum. O que também merece uma menção mais do que honrosa nesta faixa são as performances de piano através de algumas linhas sensacionais e mudanças bruscas. Possui um final frenético que não é algo menos do que fantástico. Lamento por aqueles que consideram difícil de assimilar o som da banda devido a linguagem Kobaia, pois isso é uma verdadeira joia. 

““Iss" Lanseï Doïa” é sem a menor dúvida uma das experiências musicais mais estranhas com que deparei em toda a minha vida. A introdução é bastante experimental e apresenta alguns sons incoerentes. Segue com uma passagem de fusion, onde apesar de uma óbvia dissonância, eles continuam firmes e sem perder o senso de melodia e musicalidade. Depois desse começo, mais estranhezas estão por vir. Seções de cantos às vezes perturbadoras e alucinantes, mais experimentalismo, musicalidade frenética que é interrompida por seções jazzísticas (agora bastante coerente) e que diria que são quase impossíveis de serem assimiladas por algum ouvinte de primeira viagem nesse tipo de som. Mais uma música excelente e que se rodeia por uma aura de mistério e cheia de pompa que tem como resultado algo simplesmente fantástico. 

“Ki Ïahl Ö Lïahk” é a faixa mais curta e fecha o disco de maneira não menos brilhante. Tem um baixo como introdução e que rapidamente ganha a companhia dos demais instrumentos em uma passagem instrumental extremamente dissonante. O piano ao entrar mostra uma veia de música vanguardista e depois tudo se concentra em seções de melodias fantásticas. Uma faixa cheia de mistura, mas sempre coerente e que eu costumo dizer que se trata de algo que o ouvinte ama ou odeia logo de cara, mas depois a impressão pode ficar menos radical conforme vai se familiarizando e entendendo melhor o que acontece aqui. Na verdade posso dizer que o disco todo é assim. 
	
Resumindo, em 1001° Centigrades a qualidade musical é alta em todo o disco e não há momentos esquecíveis. A gravação é muito boa, as composições são ótimas e a banda incrível. Cada música apresenta um som único, requintado, viciante, ritmicamente forte, jazzístico e cheio de complexidade.

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