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Resenha: Marillion - Seasons End (1989)

Por: marcio chagas

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Nova fase, com novo vocalista, mas mantendo o estilo progressivo.
4.5
08/08/2018

No final dos anos 80, tempos sem internet a mídias sociais as revistas publicaram uma verdadeira bomba : o vocalista Fish estava fora do Marillion pelas famosas diferenças musicais, e a banda seguiria com um novo cantor. Certo temor tomou conta dos fãs, afinal, o grupo levantava a bandeira do Rock progressivo nos áridos anos 80, sendo o principal nome do estilo em meio a um Genesis absurdamente pop e um Pink Floyd dividido. 
A saída do vocalista acarretou não só o problema da perda de seu frontman, sua figura mais simbólica, como também de seu letrista. Quando Fish saiu, a maioria das músicas que viriam a ser Seasons End estavam praticamente finalizadas, inclusive com letra. Porém o dissidente vocalista partiu levando consigo os temas que havia escrito para as melodias. Como ninguém no grupo era bom letrista, convocaram o jornalista John Helmer para escrever novas letras. Tal fato levou o grupo em outra direção no que se refere aos temas abordados nas canções, pois o jornalista era extremamente politizado, e suas preocupações e filosofia idealista refletiram bastante nas letras inseridas nas músicas.
Ao escolher um novo frontman, a banda optou por um vocalista completamente diferente de seu antecessor e o encontrou na pessoa de Steve Hogarth. Pessoalmente não curti o vocalista logo de cara. Aquele jeitão de galã, como se fosse um Fábio Jr. do prog não me agradou nem um pouco. Mas eu ainda não havia escutado o novo trabalho do grupo. 

 O álbum do “novo” Marillion começa com teclados etéreos, o baixo pulsante chegando devagar, bateria minimalista e a guitarra característica de Rothery vão tomando tema lentamente... os dedilhados e a voz aveludada de novo vocalista vai mostrando que o grupo mantinha a identidade apesar da abordagem vocal completamente diversa. Sua variação de andamentos e a dinâmica da canção mostra a  banda muito afiada musicalmente. "The King of Sunset Town", tem mais de oito minutos de puro progressvo. Sua letra fala do regime politico chinês e os protestos por liberdade;
A seguir temos “Easter”. A canção com sua letra sobre a guerra civil norte irlandesa e seu violao melodico é uma das mais belas baladas de todo o universo progressivo. O solo de guitarra totalmente passional contribui significativamente para a construção do tema. Hogarth encaixa com facilidade seu vocal nos arranjos da canção, demonstrando intimidade com o tema. Vale uma olhada no clipe desta musica que também é belíssimo;
"The Uninvited Guest" tem o andamento mais acelerado, com influências do pop. É a primeira canção do álbum totalmente composta após a saída de Fish. Sua letra divertida sobre um convidado indesejável, na verdade alerta os ouvintes sobre os perigos da transmissão da AiDS.  Apesar da levada mais pop, eu gosto da canção, que ganhou um clipe divertido;
A faixa título “Seasons End” é lenta, densa e excessivamente melódica, com letra sobre o aquecimento global. Hogarth mostra que, embora diferente de Fish, poderia criar temas progressivos com interpretações passionais como fazia seu sucessor. Aqui temos outro solo de guitarra liricamente bem construído se encaixando no aspecto emocional do tema. Na verdade, podemos encontrar neste disco uma das melhores concepções e interpretações de Steve Rothery para o seu instrumento;
 "Holloway Girl" é um tema que começa lento e vai crescendo e se desenvolvendo paulatinamente. Destaque novamente para Hogarth, e claro, as guitarras de Rothery que quando não estão em evidência, aparecem ao fundo todo o tempo envolvendo a canção;
Segue o trabalho com “Berlin”, faixa lenta e melódica, com guitarras dedilhadas e a voz soturna do vocalista.  Pela primeira vez temos o som de saxofone em um trabalho do grupo, que aqui aparece não só nos solos, mas durante toda a canção. Principalmente quando o tema cresce. Cortesia de Phill Todd.  Hogarth consegue encaixar perfeitamente seus vocais com o sincronismo do grupo a medida que o tema cresce, e se mostrou uma escolha até certo ponto acertada para o grupo, que pretendia explorar novos horizontes musicais; 
"After Me" é outra balada calcada no violão. Um ótimo tema, mas depois de terem feito Easter, achei desnecessária uma canção tão parecida no contexto musical do disco, apesar do bom trabalho de teclados;
A faixa seguinte "Hooks in You", talvez seja a mais pop do CD, muito similar a incommunicado, pois é calcada em uma linha de teclados e com base firme de guitarra. Também foi composta pelo grupo após a saída de Fish;
Encerrando o disco temos "The Space...” um tema com uma cozinha precisa,  teclados grandiloquentes e  uma guitarra mais rocker. De certo modo, ´é um tema perfeito para encerrar o disco.
Ao ouvir Seasons End, pode-se claramente concluir que o grupo gravou um disco belíssimo, rico em melodias, com trabalho minucioso de guitarras e um instrumental irrepreensível, com a banda coesa tentando mostrar que ainda tinha lenha pra queimar. 

Nova fase, com novo vocalista, mas mantendo o estilo progressivo.
4.5
08/08/2018

No final dos anos 80, tempos sem internet a mídias sociais as revistas publicaram uma verdadeira bomba : o vocalista Fish estava fora do Marillion pelas famosas diferenças musicais, e a banda seguiria com um novo cantor. Certo temor tomou conta dos fãs, afinal, o grupo levantava a bandeira do Rock progressivo nos áridos anos 80, sendo o principal nome do estilo em meio a um Genesis absurdamente pop e um Pink Floyd dividido. 
A saída do vocalista acarretou não só o problema da perda de seu frontman, sua figura mais simbólica, como também de seu letrista. Quando Fish saiu, a maioria das músicas que viriam a ser Seasons End estavam praticamente finalizadas, inclusive com letra. Porém o dissidente vocalista partiu levando consigo os temas que havia escrito para as melodias. Como ninguém no grupo era bom letrista, convocaram o jornalista John Helmer para escrever novas letras. Tal fato levou o grupo em outra direção no que se refere aos temas abordados nas canções, pois o jornalista era extremamente politizado, e suas preocupações e filosofia idealista refletiram bastante nas letras inseridas nas músicas.
Ao escolher um novo frontman, a banda optou por um vocalista completamente diferente de seu antecessor e o encontrou na pessoa de Steve Hogarth. Pessoalmente não curti o vocalista logo de cara. Aquele jeitão de galã, como se fosse um Fábio Jr. do prog não me agradou nem um pouco. Mas eu ainda não havia escutado o novo trabalho do grupo. 

 O álbum do “novo” Marillion começa com teclados etéreos, o baixo pulsante chegando devagar, bateria minimalista e a guitarra característica de Rothery vão tomando tema lentamente... os dedilhados e a voz aveludada de novo vocalista vai mostrando que o grupo mantinha a identidade apesar da abordagem vocal completamente diversa. Sua variação de andamentos e a dinâmica da canção mostra a  banda muito afiada musicalmente. "The King of Sunset Town", tem mais de oito minutos de puro progressvo. Sua letra fala do regime politico chinês e os protestos por liberdade;
A seguir temos “Easter”. A canção com sua letra sobre a guerra civil norte irlandesa e seu violao melodico é uma das mais belas baladas de todo o universo progressivo. O solo de guitarra totalmente passional contribui significativamente para a construção do tema. Hogarth encaixa com facilidade seu vocal nos arranjos da canção, demonstrando intimidade com o tema. Vale uma olhada no clipe desta musica que também é belíssimo;
"The Uninvited Guest" tem o andamento mais acelerado, com influências do pop. É a primeira canção do álbum totalmente composta após a saída de Fish. Sua letra divertida sobre um convidado indesejável, na verdade alerta os ouvintes sobre os perigos da transmissão da AiDS.  Apesar da levada mais pop, eu gosto da canção, que ganhou um clipe divertido;
A faixa título “Seasons End” é lenta, densa e excessivamente melódica, com letra sobre o aquecimento global. Hogarth mostra que, embora diferente de Fish, poderia criar temas progressivos com interpretações passionais como fazia seu sucessor. Aqui temos outro solo de guitarra liricamente bem construído se encaixando no aspecto emocional do tema. Na verdade, podemos encontrar neste disco uma das melhores concepções e interpretações de Steve Rothery para o seu instrumento;
 "Holloway Girl" é um tema que começa lento e vai crescendo e se desenvolvendo paulatinamente. Destaque novamente para Hogarth, e claro, as guitarras de Rothery que quando não estão em evidência, aparecem ao fundo todo o tempo envolvendo a canção;
Segue o trabalho com “Berlin”, faixa lenta e melódica, com guitarras dedilhadas e a voz soturna do vocalista.  Pela primeira vez temos o som de saxofone em um trabalho do grupo, que aqui aparece não só nos solos, mas durante toda a canção. Principalmente quando o tema cresce. Cortesia de Phill Todd.  Hogarth consegue encaixar perfeitamente seus vocais com o sincronismo do grupo a medida que o tema cresce, e se mostrou uma escolha até certo ponto acertada para o grupo, que pretendia explorar novos horizontes musicais; 
"After Me" é outra balada calcada no violão. Um ótimo tema, mas depois de terem feito Easter, achei desnecessária uma canção tão parecida no contexto musical do disco, apesar do bom trabalho de teclados;
A faixa seguinte "Hooks in You", talvez seja a mais pop do CD, muito similar a incommunicado, pois é calcada em uma linha de teclados e com base firme de guitarra. Também foi composta pelo grupo após a saída de Fish;
Encerrando o disco temos "The Space...” um tema com uma cozinha precisa,  teclados grandiloquentes e  uma guitarra mais rocker. De certo modo, ´é um tema perfeito para encerrar o disco.
Ao ouvir Seasons End, pode-se claramente concluir que o grupo gravou um disco belíssimo, rico em melodias, com trabalho minucioso de guitarras e um instrumental irrepreensível, com a banda coesa tentando mostrar que ainda tinha lenha pra queimar. 

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