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Resenha: Big Big Train - The Underfall Yard (2009)

Por: Tiago Meneses

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Sutileza e beleza em um belíssimo entrelaçamento musical e lírico.
5
07/08/2018

The Underfall Yard certamente é onde a banda se transformou de fato. O primeiro capítulo de uma mudança que elevaria a banda ao status de um dos principais nomes do rock progressivo mundial. Greg Spawton (o principal compositor) e a banda sempre produziram música que é contundente, complexa e profundamente comovente. Em sua exploração do amor, partida, redenção e sofrimento, eles confrontaram alguns dos temas mais atraentes para desafiar o espírito humano. A profundidade de sua expressão, sua narrativa submersa, nunca havia sido tão coerente quantos a apresentadas pelo grupo aqui. A banda passou a crescer bastante em popularidade. Não se trata apenas de ser o primeiro disco com o vocalista David Longdon e que trouxe novas e audaciosas harmonias vocais, mas muito mais do que isso. A banda que vinha evoluindo a curtos passos, aqui simplesmente deu um longo salto. Músicas em um alto padrão de qualidade. Composições épicas que cumprem todos os requisitos de um progressivo sinfônico. Cada faixa é trabalhada de maneira sublime, letras perspicazes, excelente musicalidade, vocais multiparte, uso inteligente e bem encaixado de metais além de uma produção cristalina. Vale lembrar que na bateria também houve mudanças com a entrada do mestre Nick D'Virgilio.

“Evening Star” é uma faixa instrumental e abre o disco através de um coral muito bonito, um pequeno aquecimento antes da entrada da banda. Uma excelente introdução aos temas encontrados no álbum. Possui alguns usos de metais que a edifica bastante e mostram o quanto emocional será todo o disco. Uma preparação do palco para que as músicas que se seguem e têm uma rica sensação histórica se apresentarem.  

“Master James Of St. George” é uma faixa em que Greg explora o relacionamento com o seu pai. David Longdon toma de conta da música em sua entrega apaixonada que combina de maneira intrigante e melódica seus vocais com uma linda melodia de guitarra, teclado, bateria e baixo. O solo de guitarra certamente engrandece ainda mais a canção. O primeiro dos vários momentos emocionantes do disco. 

“Victorian Brickwork” é uma canção profunda e de extrema beleza. A experiência individual é refletida nas letras que revisam a perda emocional e o arrependimento. Apresenta alguns vocais simplesmente extraordinários e um trabalho de guitarra belíssimo. Pode-se notar nela algumas influências do Yes em sua fase 70’s. Mas jamais soando como uma cópia, eles sabem como dosar influência com tempero próprio de maneira única. O destaque maior fica para a parte final onde o uso de metais é simplesmente sublime e emocionante a ponto de arrepiar o ouvinte. Uma faixa muito bem pensada em cada um dos seus segundos. Do ponto de vista lírico as ideias de Greg questionam nossa história e nosso passado e como esses eventos podem afetar nossas vidas. Sua prática de elaborar suas letras em torno de uma história familiar é a âncora que conecta suas músicas à história, mas a abordagem é sempre do aspecto humano, considerando a natureza extraordinária das pessoas comuns. Há um forte senso de tempo e lugar, o uso musical cuidadosamente trabalhado ajuda a nos colocar ao lado dos personagens retratados nas canções, e a voz de David dá vida a tudo isso. Um épico maravilhoso. 

“Last Train” é uma canção que fala da devoção de um chefe de estação nos últimos dias da estação de Hurn. Greg disse que para a criação dessa letra ele foi inspirado pela matéria de um jornal local. Uma canção lamentando dias passados e descrevendo os efeitos de fechamento na vida dos mestres de estação. Acabamos compartilhando a sua dor pela perda de algo tão especial.  A música tem uma boa alternância entre partes mais pesadas e outras suaves. Destaque maior para o excelente solo de guitarra por volta de três minutos e meio. 

“Winchester Diver” se desenvolve primeiramente em uma belíssima passagem instrumental com mais de dois minutos e meio. Destaque para o excelente trabalho de flauta. Começa então os vocais em tom misterioso onde a narrativa relata a solidão de William Walker trabalhando de baixo d’água e em baixa visibilidade, enquanto trabalhava para salvar a Catedral de Winchester. A música consegue contrastar muito bem sua vida na escuridão com a alegria da congregação da catedral. Mais um momento bonito do disco onde o instrumento de destaque certamente é a flauta. 

“The Underfall Yard” é o épico de quase vinte e três minutos e que fecha o disco de maneira apoteótica. Um verdadeiro tesouro de mudanças de tempo e humor, solos empolados e temas recorrentes. Ao longo deste álbum há uma sensação real de tempo e lugar. Aqui, as letras exploram a construção da ferrovia de Brunel, entre outros temas mais pessoais. Se olharmos para as letras, apesar de não ser um disco conceitual, parece um.  Apesar de hoje adorar essa música, devo admitir que não foi um amor a primeira audição e o gosto teve que ser adquirido. Bateria sugestiva, linhas de baixo criativas, trabalhos de guitarras primorosos, teclados deslumbrantes e interpretação vocal sincera e cheia de emoção durante toda a música. Um final maravilhoso para um disco maravilhoso.

Antes de ouvir pela primeira vez esse disco no ano de 2009 e pouco depois de ser lançado, eu estava em dúvida em qual álbum consideraria o melhor do ano, como eu disse, estava, pois a partir daquele momento falei que The Underfall Yard certamente merecia essa coroa. A entrada de David Longdon  e seus maravilhosos arranjos vocais levaram a banda a outro nível. O entrelaçamento e a sobreposição de temas musicais e líricos de Greg Spawton adicionam sutileza e beleza a um álbum que impressiona o ouvinte tanto na primeira audição quanto em audições subsequentes, nos fazendo captar sempre algo novo. 

Sutileza e beleza em um belíssimo entrelaçamento musical e lírico.
5
07/08/2018

The Underfall Yard certamente é onde a banda se transformou de fato. O primeiro capítulo de uma mudança que elevaria a banda ao status de um dos principais nomes do rock progressivo mundial. Greg Spawton (o principal compositor) e a banda sempre produziram música que é contundente, complexa e profundamente comovente. Em sua exploração do amor, partida, redenção e sofrimento, eles confrontaram alguns dos temas mais atraentes para desafiar o espírito humano. A profundidade de sua expressão, sua narrativa submersa, nunca havia sido tão coerente quantos a apresentadas pelo grupo aqui. A banda passou a crescer bastante em popularidade. Não se trata apenas de ser o primeiro disco com o vocalista David Longdon e que trouxe novas e audaciosas harmonias vocais, mas muito mais do que isso. A banda que vinha evoluindo a curtos passos, aqui simplesmente deu um longo salto. Músicas em um alto padrão de qualidade. Composições épicas que cumprem todos os requisitos de um progressivo sinfônico. Cada faixa é trabalhada de maneira sublime, letras perspicazes, excelente musicalidade, vocais multiparte, uso inteligente e bem encaixado de metais além de uma produção cristalina. Vale lembrar que na bateria também houve mudanças com a entrada do mestre Nick D'Virgilio.

“Evening Star” é uma faixa instrumental e abre o disco através de um coral muito bonito, um pequeno aquecimento antes da entrada da banda. Uma excelente introdução aos temas encontrados no álbum. Possui alguns usos de metais que a edifica bastante e mostram o quanto emocional será todo o disco. Uma preparação do palco para que as músicas que se seguem e têm uma rica sensação histórica se apresentarem.  

“Master James Of St. George” é uma faixa em que Greg explora o relacionamento com o seu pai. David Longdon toma de conta da música em sua entrega apaixonada que combina de maneira intrigante e melódica seus vocais com uma linda melodia de guitarra, teclado, bateria e baixo. O solo de guitarra certamente engrandece ainda mais a canção. O primeiro dos vários momentos emocionantes do disco. 

“Victorian Brickwork” é uma canção profunda e de extrema beleza. A experiência individual é refletida nas letras que revisam a perda emocional e o arrependimento. Apresenta alguns vocais simplesmente extraordinários e um trabalho de guitarra belíssimo. Pode-se notar nela algumas influências do Yes em sua fase 70’s. Mas jamais soando como uma cópia, eles sabem como dosar influência com tempero próprio de maneira única. O destaque maior fica para a parte final onde o uso de metais é simplesmente sublime e emocionante a ponto de arrepiar o ouvinte. Uma faixa muito bem pensada em cada um dos seus segundos. Do ponto de vista lírico as ideias de Greg questionam nossa história e nosso passado e como esses eventos podem afetar nossas vidas. Sua prática de elaborar suas letras em torno de uma história familiar é a âncora que conecta suas músicas à história, mas a abordagem é sempre do aspecto humano, considerando a natureza extraordinária das pessoas comuns. Há um forte senso de tempo e lugar, o uso musical cuidadosamente trabalhado ajuda a nos colocar ao lado dos personagens retratados nas canções, e a voz de David dá vida a tudo isso. Um épico maravilhoso. 

“Last Train” é uma canção que fala da devoção de um chefe de estação nos últimos dias da estação de Hurn. Greg disse que para a criação dessa letra ele foi inspirado pela matéria de um jornal local. Uma canção lamentando dias passados e descrevendo os efeitos de fechamento na vida dos mestres de estação. Acabamos compartilhando a sua dor pela perda de algo tão especial.  A música tem uma boa alternância entre partes mais pesadas e outras suaves. Destaque maior para o excelente solo de guitarra por volta de três minutos e meio. 

“Winchester Diver” se desenvolve primeiramente em uma belíssima passagem instrumental com mais de dois minutos e meio. Destaque para o excelente trabalho de flauta. Começa então os vocais em tom misterioso onde a narrativa relata a solidão de William Walker trabalhando de baixo d’água e em baixa visibilidade, enquanto trabalhava para salvar a Catedral de Winchester. A música consegue contrastar muito bem sua vida na escuridão com a alegria da congregação da catedral. Mais um momento bonito do disco onde o instrumento de destaque certamente é a flauta. 

“The Underfall Yard” é o épico de quase vinte e três minutos e que fecha o disco de maneira apoteótica. Um verdadeiro tesouro de mudanças de tempo e humor, solos empolados e temas recorrentes. Ao longo deste álbum há uma sensação real de tempo e lugar. Aqui, as letras exploram a construção da ferrovia de Brunel, entre outros temas mais pessoais. Se olharmos para as letras, apesar de não ser um disco conceitual, parece um.  Apesar de hoje adorar essa música, devo admitir que não foi um amor a primeira audição e o gosto teve que ser adquirido. Bateria sugestiva, linhas de baixo criativas, trabalhos de guitarras primorosos, teclados deslumbrantes e interpretação vocal sincera e cheia de emoção durante toda a música. Um final maravilhoso para um disco maravilhoso.

Antes de ouvir pela primeira vez esse disco no ano de 2009 e pouco depois de ser lançado, eu estava em dúvida em qual álbum consideraria o melhor do ano, como eu disse, estava, pois a partir daquele momento falei que The Underfall Yard certamente merecia essa coroa. A entrada de David Longdon  e seus maravilhosos arranjos vocais levaram a banda a outro nível. O entrelaçamento e a sobreposição de temas musicais e líricos de Greg Spawton adicionam sutileza e beleza a um álbum que impressiona o ouvinte tanto na primeira audição quanto em audições subsequentes, nos fazendo captar sempre algo novo. 

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