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Resenha: Camel - Dust And Dreams (1991)

Por: marcio chagas

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Album Cover
Predominância de teclados marcam a volta do grupo.
3.5
04/08/2018

Nos anos 80 o Camel foi fazendo cada vez mais concessões em seu som, se aproximando do pop e afastando do estilo sinfônico que o consagrou. Tal empreitada culminou com o lançamento de Stationary Traveller, excessivamente pop.  Sem uma banda realmente formada e  com um enorme imbróglio contra sua antiga gravadora que lhe tomava quase todo seu tempo, Latimer resolve suspender as atividades do grupo a repensar sua carreira;

Em 1988 o músico toma uma atitude radical: vende sua casa na Europa, e com o dinheiro se muda para os Estados Unidos, adquirindo uma residência e construindo um pequeno estúdio ao lado da mesma. Já instalado, começou a trabalhar no que viria a ser Dust And Dreams. O disco já havia sido composto e gravado algumas partes antes da mudança para os EUA, mas Latimer, com mais tranquilidade começa a expandir e lapidar sua obra. 

Ao seu lado, além do fiel escudeiro Colin Bass no contrabaixo, estavam o tecladista Ton Scherpenzeel, que havia participado da ultima turnê do grupo em 1985, e o baterista Paul Burgess. 

Dust and Dreams, é mais um disco conceitual do grupo, Baseado no clássico “As Vinhas Da Ira” de John Steinback. O livro conta a história de trabalhadores rurais que durante a depressão vão tentar a sorte na Califórnia, ou seja: um enredo muito parecido com o que Andrew e sua esposa Susan Hoover estavam vivendo na época.

O trabalho conta com 16 faixas, porém, Latimer compôs pequenas introduções antes de cada canção, ou seja, para cada faixa há uma espécie de prelúdio, o que faz com que o álbum tenha na verdade apenas oito faixas comuns.

Musicalmente os prelúdios não diferem muito um do outro, são introduções com ares cinematográficos calcadas em camas de teclados e orquestrações. Por este motivo, me concentrei em analisar apenas nas faixas pares, que seriam efetivamente as canções.

Após a citada intro, o CD começa efetivamente com “Go West”, Canção tranquila com teclados etéreos e a voz de Latimer quase sussurrando. É um tema introspectivo, sem bateria;

“Mother Road”, é a primeira canção no estilo do grupo, com guitarra, baixo teclados e bateria.  Mais animada, possui um bom jogo de vocais e a guitarra de Latimer em evidência, além  de mudanças de repentinas no andamento. Pode se considerar o single do disco; 
Após outra intro, temos ‘Rose Of Saron”, canção melancólica e arrastada, com letra de Susan Hoover. Aqui os arranjos  vocais são o grande diferencial do tema. A guitarra surge de maneira esparsa, com ares de Pink Floyd. O solo de guitarra é tão passional quanto a musica; 

A oitava canção denominada ‘End of the Line”, possui um piano minimalista, com a voz em contraponto. Após alguns minutos, Entram de maneira sincopada bateria, teclados hammond e guitarra preenchendo toda a melodia. Um tema bem construído com um dos melhores solos de guitarra do disco;

‘Cotton Camp” é uma faixa curta, instrumental, com a guitarra pungente se mostrando de cara, Latimer demonstra o tempo todo que sabe construir melodias com o instrumento. Um tema que gira em torno da guitarra embora tenha um bom trabalho de teclados; 

A decima segunda faixa “Sheet Rain” é bem tranquila, tem predominância de teclados e parece um dos citados prelúdios do disco;

“Litlle Rivers and Little Rose”, é uma canção curta,  com o baixo fretless de Colin em evidência, fazendo contraponto com a guitarra viajante de Andrew;

“Hopeless Angel” é a decima quinta faixa do álbum e apesar de impar, não se limita apenas a uma introdução, ao contrario, tem mais de quatro minutos e merece destaque sua entrada atrabiliária com bateria sincopada. Um tema instigante com várias mudanças de andamento, sendo que no final é repetida a melodia de Mother Road;

“Whispers in the Rain” encerra  o álbum de maneira introspectiva como havia começado, prevalecendo os teclados e orquestrações. 

Musicalmente, Dust and Dreams é um bom álbum mas todas essas músicas curtas que eu chamo de prelúdio, possuem excessivo uso de teclados, fator que estigmatizou o álbum. 

Ainda assim, o disco, lançado de maneira independente por Latimer, através do recém criado selo Camel Productions, foi muito bem recebido pelos fãs da banda e do progressivo em geral por dois motivos: primeiro, porque embora fosse um álbum mediano, seu lançamento significava que o Camel estava de volta a ativa, gravando discos e fazendo turnês, segundo, porque o grupo, mesmo abusando do uso de teclados, havia se afastado da sonoridade pop dos anos 80. 

As boas vendas surpreenderam Andrew e sua esposa, que ganharam fôlego e incentivo para continuarem sua jornada na seara progressiva.

Predominância de teclados marcam a volta do grupo.
3.5
04/08/2018

Nos anos 80 o Camel foi fazendo cada vez mais concessões em seu som, se aproximando do pop e afastando do estilo sinfônico que o consagrou. Tal empreitada culminou com o lançamento de Stationary Traveller, excessivamente pop.  Sem uma banda realmente formada e  com um enorme imbróglio contra sua antiga gravadora que lhe tomava quase todo seu tempo, Latimer resolve suspender as atividades do grupo a repensar sua carreira;

Em 1988 o músico toma uma atitude radical: vende sua casa na Europa, e com o dinheiro se muda para os Estados Unidos, adquirindo uma residência e construindo um pequeno estúdio ao lado da mesma. Já instalado, começou a trabalhar no que viria a ser Dust And Dreams. O disco já havia sido composto e gravado algumas partes antes da mudança para os EUA, mas Latimer, com mais tranquilidade começa a expandir e lapidar sua obra. 

Ao seu lado, além do fiel escudeiro Colin Bass no contrabaixo, estavam o tecladista Ton Scherpenzeel, que havia participado da ultima turnê do grupo em 1985, e o baterista Paul Burgess. 

Dust and Dreams, é mais um disco conceitual do grupo, Baseado no clássico “As Vinhas Da Ira” de John Steinback. O livro conta a história de trabalhadores rurais que durante a depressão vão tentar a sorte na Califórnia, ou seja: um enredo muito parecido com o que Andrew e sua esposa Susan Hoover estavam vivendo na época.

O trabalho conta com 16 faixas, porém, Latimer compôs pequenas introduções antes de cada canção, ou seja, para cada faixa há uma espécie de prelúdio, o que faz com que o álbum tenha na verdade apenas oito faixas comuns.

Musicalmente os prelúdios não diferem muito um do outro, são introduções com ares cinematográficos calcadas em camas de teclados e orquestrações. Por este motivo, me concentrei em analisar apenas nas faixas pares, que seriam efetivamente as canções.

Após a citada intro, o CD começa efetivamente com “Go West”, Canção tranquila com teclados etéreos e a voz de Latimer quase sussurrando. É um tema introspectivo, sem bateria;

“Mother Road”, é a primeira canção no estilo do grupo, com guitarra, baixo teclados e bateria.  Mais animada, possui um bom jogo de vocais e a guitarra de Latimer em evidência, além  de mudanças de repentinas no andamento. Pode se considerar o single do disco; 
Após outra intro, temos ‘Rose Of Saron”, canção melancólica e arrastada, com letra de Susan Hoover. Aqui os arranjos  vocais são o grande diferencial do tema. A guitarra surge de maneira esparsa, com ares de Pink Floyd. O solo de guitarra é tão passional quanto a musica; 

A oitava canção denominada ‘End of the Line”, possui um piano minimalista, com a voz em contraponto. Após alguns minutos, Entram de maneira sincopada bateria, teclados hammond e guitarra preenchendo toda a melodia. Um tema bem construído com um dos melhores solos de guitarra do disco;

‘Cotton Camp” é uma faixa curta, instrumental, com a guitarra pungente se mostrando de cara, Latimer demonstra o tempo todo que sabe construir melodias com o instrumento. Um tema que gira em torno da guitarra embora tenha um bom trabalho de teclados; 

A decima segunda faixa “Sheet Rain” é bem tranquila, tem predominância de teclados e parece um dos citados prelúdios do disco;

“Litlle Rivers and Little Rose”, é uma canção curta,  com o baixo fretless de Colin em evidência, fazendo contraponto com a guitarra viajante de Andrew;

“Hopeless Angel” é a decima quinta faixa do álbum e apesar de impar, não se limita apenas a uma introdução, ao contrario, tem mais de quatro minutos e merece destaque sua entrada atrabiliária com bateria sincopada. Um tema instigante com várias mudanças de andamento, sendo que no final é repetida a melodia de Mother Road;

“Whispers in the Rain” encerra  o álbum de maneira introspectiva como havia começado, prevalecendo os teclados e orquestrações. 

Musicalmente, Dust and Dreams é um bom álbum mas todas essas músicas curtas que eu chamo de prelúdio, possuem excessivo uso de teclados, fator que estigmatizou o álbum. 

Ainda assim, o disco, lançado de maneira independente por Latimer, através do recém criado selo Camel Productions, foi muito bem recebido pelos fãs da banda e do progressivo em geral por dois motivos: primeiro, porque embora fosse um álbum mediano, seu lançamento significava que o Camel estava de volta a ativa, gravando discos e fazendo turnês, segundo, porque o grupo, mesmo abusando do uso de teclados, havia se afastado da sonoridade pop dos anos 80. 

As boas vendas surpreenderam Andrew e sua esposa, que ganharam fôlego e incentivo para continuarem sua jornada na seara progressiva.

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