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Resenha: Emerson, Lake And Palmer - Brain Salad Surgery (1973)

Por: Tiago Meneses

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Um disco perfeito do começo ao fim e que cada segundo vale a pena
5
02/08/2018

Emerson, Lake & Palmer sempre me pareceu um grupo lembrado não apenas como um dos nomes mais representativos e admirados da história do rock progressivo, mas também por conta de possuírem uma sonoridade com excesso de pompa e que incomodavam alguns, característica da banda que inclusive não vou dizer que não é verdade, mas me admira quando fãs de rock progressivo reclamam disso, sendo que o gênero tem como uma das suas principais características a de justamente ser pomposo. 

O ultimo disco da banda de uma sequência matadora, Brain Salad Surgery é um trabalho de qualidade musical excelente. A composição no geral mistura todas as habilidades técnicas de cada membro chegando a um resultado musical bastante complexo e de muita rigidez, além de incríveis harmonias. Tudo soa de maneira extremamente inspirada. 

O disco tem início através de “Jerusalem”, um hino que tem a sua composição datada em 1916 por Hubert Parry, usando letras tiradas de um poema de William Blake. Mas apesar disso, nunca nem antes ou depois desta adaptação da banda, existiu algo tão singular e diferente. Mesmo quando se escuta a música original a ideia que me vem à cabeça é de que apesar não ser os compositores, Emerson, Lake & Palmer criaram aquela que seria a sua versão definitiva. 

A mesma coisa citada acima acontece em “Toccata”, mas nesse caso, mais do que eu elogiar a adaptação da banda em relação ao clássico do compositor argentino Alberto Ginastera, a banda não apenas teve a permissão do músico, como também o seu endosso.  Dizem que em 1973 quando a banda o encontrou em sua casa na Suíça e tocaram pra ele, Ginastera teria dito como, “diabólico, ninguém nunca havia capturado a minha música assim antes.” Creio não que eu não precise dizer mais nada, né?

“Still... You Turn Me On” é o toque mais do que especial de romantismo no disco. Uma balada belíssima composta por Greg Lake e que se tornou uma das canções mais populares da banda. Teclados, wah-wah e violão se alternam magicamente transformando a música em algo especial e complexo. 

“Benny The Bouncer” é a música mais simples do disco, mas não deixa de ser bem atrativa também. Uma oferta de certo alívio e de teor cômico em um disco que é bastante complexo. Claro que não é uma obra de arte do nível das demais, mas é engraçada e inspirada, mostrando que mesmo músicos no geral vistos como sérios tem o seu lado mais bem humorado na criação de suas obras. 

Mas certamente não tem como dizer que a principal faixa do disco não é “Karn Evil 9”, uma música de cerca de trinta minutos e que redefiniu a palavra épico. Foi separada por causa das limitações do formato em LP na época. Cada parte consegue soar incrivelmente única, algo que não é nem muito comum em épicos. Uma das músicas que melhor capturam o que é o rock progressivo dos anos setenta, a história (aja visto que as letras nunca foram um ponto forte da banda, aqui com a ajuda de Peter Sinfield eles mudaram isso), os temas, as melodias, o desempenho de cada um dos músicos e o ambiente que eles criam, tudo é simplesmente espetacular, o magnus opus do trio. Durante suas três partes a banda mostra coisas como um rock progressivo muito sinfônico, letras e instrumentação cheia de agressividade, passagens de piano sensacionais, sintetizadores estrondosos entre tantos outros destaques, o baixo e a bateria sejam em momentos mais enérgicos ou amenos sempre se mostram sólidos e os vocais muito bem encaixados. Inclusive, “Karn Evil 9” parece ir se tornando mais ambiciosa conforme vai se desenvolvendo. 

Uma verdadeira obra-prima essencial do rock progressivo. Não existe nem mesmo 0,1% de gordura, um disco perfeito do começo ao fim e que cada segundo vale a pena. Lindamente progressivo, versátil, surpreendente, experimental, ousado e fascinante, essas são apenas algumas poucas entre as infinitas definições dignas dessa maravilha. Gosta de rock progressivo clássico, mas não conhece esse disco? Aconselho que você vá o quanto antes se redimir desse pecado. 

Um disco perfeito do começo ao fim e que cada segundo vale a pena
5
02/08/2018

Emerson, Lake & Palmer sempre me pareceu um grupo lembrado não apenas como um dos nomes mais representativos e admirados da história do rock progressivo, mas também por conta de possuírem uma sonoridade com excesso de pompa e que incomodavam alguns, característica da banda que inclusive não vou dizer que não é verdade, mas me admira quando fãs de rock progressivo reclamam disso, sendo que o gênero tem como uma das suas principais características a de justamente ser pomposo. 

O ultimo disco da banda de uma sequência matadora, Brain Salad Surgery é um trabalho de qualidade musical excelente. A composição no geral mistura todas as habilidades técnicas de cada membro chegando a um resultado musical bastante complexo e de muita rigidez, além de incríveis harmonias. Tudo soa de maneira extremamente inspirada. 

O disco tem início através de “Jerusalem”, um hino que tem a sua composição datada em 1916 por Hubert Parry, usando letras tiradas de um poema de William Blake. Mas apesar disso, nunca nem antes ou depois desta adaptação da banda, existiu algo tão singular e diferente. Mesmo quando se escuta a música original a ideia que me vem à cabeça é de que apesar não ser os compositores, Emerson, Lake & Palmer criaram aquela que seria a sua versão definitiva. 

A mesma coisa citada acima acontece em “Toccata”, mas nesse caso, mais do que eu elogiar a adaptação da banda em relação ao clássico do compositor argentino Alberto Ginastera, a banda não apenas teve a permissão do músico, como também o seu endosso.  Dizem que em 1973 quando a banda o encontrou em sua casa na Suíça e tocaram pra ele, Ginastera teria dito como, “diabólico, ninguém nunca havia capturado a minha música assim antes.” Creio não que eu não precise dizer mais nada, né?

“Still... You Turn Me On” é o toque mais do que especial de romantismo no disco. Uma balada belíssima composta por Greg Lake e que se tornou uma das canções mais populares da banda. Teclados, wah-wah e violão se alternam magicamente transformando a música em algo especial e complexo. 

“Benny The Bouncer” é a música mais simples do disco, mas não deixa de ser bem atrativa também. Uma oferta de certo alívio e de teor cômico em um disco que é bastante complexo. Claro que não é uma obra de arte do nível das demais, mas é engraçada e inspirada, mostrando que mesmo músicos no geral vistos como sérios tem o seu lado mais bem humorado na criação de suas obras. 

Mas certamente não tem como dizer que a principal faixa do disco não é “Karn Evil 9”, uma música de cerca de trinta minutos e que redefiniu a palavra épico. Foi separada por causa das limitações do formato em LP na época. Cada parte consegue soar incrivelmente única, algo que não é nem muito comum em épicos. Uma das músicas que melhor capturam o que é o rock progressivo dos anos setenta, a história (aja visto que as letras nunca foram um ponto forte da banda, aqui com a ajuda de Peter Sinfield eles mudaram isso), os temas, as melodias, o desempenho de cada um dos músicos e o ambiente que eles criam, tudo é simplesmente espetacular, o magnus opus do trio. Durante suas três partes a banda mostra coisas como um rock progressivo muito sinfônico, letras e instrumentação cheia de agressividade, passagens de piano sensacionais, sintetizadores estrondosos entre tantos outros destaques, o baixo e a bateria sejam em momentos mais enérgicos ou amenos sempre se mostram sólidos e os vocais muito bem encaixados. Inclusive, “Karn Evil 9” parece ir se tornando mais ambiciosa conforme vai se desenvolvendo. 

Uma verdadeira obra-prima essencial do rock progressivo. Não existe nem mesmo 0,1% de gordura, um disco perfeito do começo ao fim e que cada segundo vale a pena. Lindamente progressivo, versátil, surpreendente, experimental, ousado e fascinante, essas são apenas algumas poucas entre as infinitas definições dignas dessa maravilha. Gosta de rock progressivo clássico, mas não conhece esse disco? Aconselho que você vá o quanto antes se redimir desse pecado. 

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