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Resenha: Camel - Rain Dances (1977)

Por: Márcio Chagas

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Mudanças na formação e nova sonoridade marcam este trabalho
4
27/07/2018

Grupos musicais são unidades sonoras que se sustentam com o talento de cada integrante. O Camel em especial era a combinação do talento de quatro pessoas que juntas construíam um universo sinfônico único e diferenciado. O baixista Dog Ferguson estava longe de ser o líder do grupo ou o principal compositor, mas ao q tudo indica, muito da magia do grupo estava em suas mãos, pois, após sua saída para se tornar jogador de futebol do segundo escalão do campeonato inglês, o grupo jamais encontraria a sonoridade sinfônica mostrada nos quatro primeiros álbuns. 

Com Ferguson definitivamente fora, o jeito foi procurarem um substituto. Optaram por Richard Sinclair, baixista do grupo Caravan. Sinclair, possuía um estilo completamente diverso do dissidente Ferguson, enquanto este último era um baixista eminentemente de rock progressivo, que se caracterizava pelo som grave, sempre dentro da melodia e mantendo base firme, o primeiro possuía um estilo mais “solto”, improvisando em meio aos temas, em resumo, Richard tinha uma forte veia jazzística, o que animou muito o baterista Andy Ward, que na época estava empolgado com o estilo criado em Nova Orleans. A sonoridade ficaria ainda mais diversa com a participação do saxofonista Mel Collins. Embora este último participasse do disco e das turnês, preferiu não ser efetivado, permanecendo como músico contratado.

Com sua nova formação, o agora quinteto parte para o estúdio para gravarem o que viria a ser ‘Rain Dances”. Como se não bastasse os problemas internos do grupo,  havia ainda a pressão dos executivos da Decca que desejavam um hit radiofônico.

"First Light" é a canção que inicia o disco. Tem uma boa base da nova cozinha e solos de Bardens até a entrada de Latimer. Um instrumental  bem executado, como se o grupo quisesse mostrar que ainda soava coeso. Latimer e Bardens dividem as atenções, mas Ward se mostra a vontade Com seu novo parceiro. No fim da canção aparece pela primeira vez no grupo um solo de sax, cortesia de Mel coĺlins;

O segundo tema “Metrognome" Começa com base de metrônomo junto aos vocais suaves de Latimer. Um tema comum no progressivo onde os vocais precedem um bom solo de guitarra. Cadenciada nos dois primeiros minutos, a canção se otnra mais dinâmica a medida que vai se desenrolando, se tornando o cenário perfeito para o novato Sinclair se destacar pela primeira vez com seu baixo mais agudo e pungente;

"Tell Me" é uma balada com o baixo em evidência contrapondo os vocais melancólicos de Latimer e os teclados igualmente soturnos de Bardens;

Em "Highways of the Sun", temos a primeira tentativa do grupo em soar mais comercial, com sua letra alegrinha, quase ingênua, e sua linha de bateria simples. Boa canção, mas longe do universo sinfônico que os fãs do grupo estavam acostumados. Foi o single do disco;

"Unevensong" é minha favorita do disco, com sua entrada sincopada e vocais harmônicos. A canção passa por várias mudanças de andamento até seu ápice   quando se aproxima do final. 

A faixa seguinte, "One of These Days I'll Get an Early Night", se inicia com o sax de Collins sobre  base prog do grupo. A guitarra de Andrew logo aparece dividindo as atenções do tema. O piano elétrico e jazzistico usado por Bardens e característico dos grandes grupos de soul da época é um diferencial e renova a sonoridade da banda. Um tema prog, mas fortemente influenciado pelo fusion, tão em evidência na época. Uma canção que mostra que o grupo estava disposto a explorar novas sonoridades.
"Elke", é um tema obscuro com belas flautas e camas de teclados. Lembra os temas usados em The Snowgoose.

Os temas mais dinâmicos do grupo voltam a tona com "Skylines" uma música bem enérgica, com cozinha bem entrosada e a guitarra de Latimer tomando a frente da canção. Destaque para o baixo fusion de Sinclair preenchendo a base dos arranjos. Mais uma faixa instrumental.

Finalmente, a faixa título "Rain Dances" encerra o disco de maneira melancólica, onde os teclados de Bardens dão ares cinematográficos a canção e tomam conta do tema.

“Rain Dances” é considerado um ótimo disco pelos fãs, apesar de mostrar que o grupo pretendia tomar outra direção incorporando novos elementos musicais em sua melodia. A saída de Ferguson e os problemas internos da banda começaram a se refletir em suas canções ainda que timidamente. Porém, mesmo com todas as adversidades, e talvez por causa delas, o Camel lança um trabalho renovado, buscando novos caminhos e tentando contornar seus problemas.

Mudanças na formação e nova sonoridade marcam este trabalho
4
27/07/2018

Grupos musicais são unidades sonoras que se sustentam com o talento de cada integrante. O Camel em especial era a combinação do talento de quatro pessoas que juntas construíam um universo sinfônico único e diferenciado. O baixista Dog Ferguson estava longe de ser o líder do grupo ou o principal compositor, mas ao q tudo indica, muito da magia do grupo estava em suas mãos, pois, após sua saída para se tornar jogador de futebol do segundo escalão do campeonato inglês, o grupo jamais encontraria a sonoridade sinfônica mostrada nos quatro primeiros álbuns. 

Com Ferguson definitivamente fora, o jeito foi procurarem um substituto. Optaram por Richard Sinclair, baixista do grupo Caravan. Sinclair, possuía um estilo completamente diverso do dissidente Ferguson, enquanto este último era um baixista eminentemente de rock progressivo, que se caracterizava pelo som grave, sempre dentro da melodia e mantendo base firme, o primeiro possuía um estilo mais “solto”, improvisando em meio aos temas, em resumo, Richard tinha uma forte veia jazzística, o que animou muito o baterista Andy Ward, que na época estava empolgado com o estilo criado em Nova Orleans. A sonoridade ficaria ainda mais diversa com a participação do saxofonista Mel Collins. Embora este último participasse do disco e das turnês, preferiu não ser efetivado, permanecendo como músico contratado.

Com sua nova formação, o agora quinteto parte para o estúdio para gravarem o que viria a ser ‘Rain Dances”. Como se não bastasse os problemas internos do grupo,  havia ainda a pressão dos executivos da Decca que desejavam um hit radiofônico.

"First Light" é a canção que inicia o disco. Tem uma boa base da nova cozinha e solos de Bardens até a entrada de Latimer. Um instrumental  bem executado, como se o grupo quisesse mostrar que ainda soava coeso. Latimer e Bardens dividem as atenções, mas Ward se mostra a vontade Com seu novo parceiro. No fim da canção aparece pela primeira vez no grupo um solo de sax, cortesia de Mel coĺlins;

O segundo tema “Metrognome" Começa com base de metrônomo junto aos vocais suaves de Latimer. Um tema comum no progressivo onde os vocais precedem um bom solo de guitarra. Cadenciada nos dois primeiros minutos, a canção se otnra mais dinâmica a medida que vai se desenrolando, se tornando o cenário perfeito para o novato Sinclair se destacar pela primeira vez com seu baixo mais agudo e pungente;

"Tell Me" é uma balada com o baixo em evidência contrapondo os vocais melancólicos de Latimer e os teclados igualmente soturnos de Bardens;

Em "Highways of the Sun", temos a primeira tentativa do grupo em soar mais comercial, com sua letra alegrinha, quase ingênua, e sua linha de bateria simples. Boa canção, mas longe do universo sinfônico que os fãs do grupo estavam acostumados. Foi o single do disco;

"Unevensong" é minha favorita do disco, com sua entrada sincopada e vocais harmônicos. A canção passa por várias mudanças de andamento até seu ápice   quando se aproxima do final. 

A faixa seguinte, "One of These Days I'll Get an Early Night", se inicia com o sax de Collins sobre  base prog do grupo. A guitarra de Andrew logo aparece dividindo as atenções do tema. O piano elétrico e jazzistico usado por Bardens e característico dos grandes grupos de soul da época é um diferencial e renova a sonoridade da banda. Um tema prog, mas fortemente influenciado pelo fusion, tão em evidência na época. Uma canção que mostra que o grupo estava disposto a explorar novas sonoridades.
"Elke", é um tema obscuro com belas flautas e camas de teclados. Lembra os temas usados em The Snowgoose.

Os temas mais dinâmicos do grupo voltam a tona com "Skylines" uma música bem enérgica, com cozinha bem entrosada e a guitarra de Latimer tomando a frente da canção. Destaque para o baixo fusion de Sinclair preenchendo a base dos arranjos. Mais uma faixa instrumental.

Finalmente, a faixa título "Rain Dances" encerra o disco de maneira melancólica, onde os teclados de Bardens dão ares cinematográficos a canção e tomam conta do tema.

“Rain Dances” é considerado um ótimo disco pelos fãs, apesar de mostrar que o grupo pretendia tomar outra direção incorporando novos elementos musicais em sua melodia. A saída de Ferguson e os problemas internos da banda começaram a se refletir em suas canções ainda que timidamente. Porém, mesmo com todas as adversidades, e talvez por causa delas, o Camel lança um trabalho renovado, buscando novos caminhos e tentando contornar seus problemas.

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