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Resenha: Camel - The Snow Goose (1975)

Por: Tiago Meneses

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Cada composição é diferente em seu caráter e possuem melodias imaginativas
5
24/07/2018

The Snow Goose é um dos três discos da banda que eu acho simplesmente irretocável. Após o sucesso de “The White Rider” em Mirage, disco anterior, a banda decidiu tentar um outro conceito em sua música. Várias ideias foram deixadas de lado até que o baixista Doug Ferguson sugeriu o conto The Snow Goose de Paul Galico e a banda aceitou. Peter Bardens e Andy Latimer escolheram uma casa de campo pra estarem perto da paz que precisavam pra criar a atmosfera do disco. 

The Snow Goose tem como conceito uma parábola simples e curta sobre o poder regenerativo da amizade e do amor, tendo como pano de fundo o horror da guerra. Ele documenta o crescimento de uma amizade entre Philip Rhayader, um artista corcunda que vive uma vida solitária em um farol abandonado nos pântanos de Essex (condado situado no sudeste do Reino Unido) por causa de suas deficiências, e uma jovem garota local, Fritha, que chega a ele trazendo um pássaro ferido, um ganso da neve (The Snow Goose). Philip Rhayader se pergunta o que um pássaro de áreas como Canadá, Alasca e Groenlândia faz em plena Inglaterra. Nos dias que seguem, Rhayader e Fritha juntos passam a cuidar do animal ferido, até que um dia já melhor o pássaro migra deixando Rhayader sozinho (já que Firtha também para de visita-lo). O pássaro após um tempo visita Rhayader mais uma vez. Após isso, Rhayader recebe a notícia de haver soldados ingleses presos por forças alemãs na praia de Durquerque e ele vai sozinho com seu barco resgatar o máximo que conseguir, e de fato consegue salvar alguns antes de ser morto junto com outros ingleses. Snow Goose ficou próximo ao seu corpo até que um grupo de ingleses encontraram o seu barco. Existem outros detalhes, mas deixaria a explicação mais longa ainda. Apesar disso o disco é instrumental devido a uma questão de direitos autorais que a banda não conseguiu pra compor letras ao disco (Paul Gallico era contra o tabagismo e a banda levava um nome de um deles, um motivo bobo, mas se o dono da obra não deixou, não se pode fazer nada), mesmo assim, sabendo da história, as músicas fazem o ouvinte imaginar bem cada uma das situações.

O disco tem início através de “The Great Marsh” e que mostra onde reside de maneira reclusa Rhayader. A música começa de maneira tranquila e que inclui o som de alguns pássaros, além de suaves acordes de teclado antes que ganhe uma melodia mais forte (mas ainda bastante suave). Define muito bem a cena da história. 

“Rhayader" como o nome sugere trata-se de uma música dedicada ao personagem. Sua música tem uma atmosfera bastante feliz, uma melodia de flauta belíssima logo na abertura, além de ser tocada por uma melodia de teclado subjacente. A flauta permanece contínua em uma melodia com baixo e bateria constantes e sólidos. Possui um solo guitarra muito bem feito antes de retornar ao seu ritmo inicial. A faixa então se conecta diretamente a próxima.

“Rhayder Goes to Town" tem um começo que consiste em um tema bastante animado e que é repetido por várias vezes antes de chegar um solo de guitarra maravilhoso, distanciando a música das melodias repetidas e traz um ótimo momento ao álbum. Os solos inclusive se estendem basicamente pelo resto da música. Neste momento como o nome sugere é onde o personagem Rhayder vai para a cidade. 

“Sanctuary” é uma música muito bonita com pouco mais de um minuto. Basicamente ao violão, sobreposta com uma melodia de guitarra elétrica muito suave. Bastante pacífica, soa diferente da linha mais jazzística apresentada na faixa anterior. 

“Fritha” emenda perfeitamente com a faixa anterior e apresenta uma atmosfera bastante parecida, além da estrutura. A diferença está no fato de ser um pouco mais rápida e ao invés de ser sobreposta com uma guitarra elétrica, há um sintetizador. 

“The Snow Goose” é a faixa que simboliza o momento em que Firtha leva o pássaro para Rhayader. Soa bastante suave e durante quase toda a sua duração apresenta um solo lento de guitarra com trechos de sintetizadores, boas linhas de baixo e uma bateria bastante constante. A primeira vez que ouvi esse álbum essa faixa passou quase que despercebida, mas depois ela me pegou e hoje sempre que o escuto é uma das que mais aprecio. 

“Friendship” é a música que simboliza o começo da amizade entre Rhayader e Firtha. Carrega uma atmosfera do tipo encontrada em trilhas de desenhos animados dos anos 80 e 70 mais ou menos. A música é curta e composta por instrumentos de sopros como madeiras, fagote, clarinete e oboé. Ao menos é o que parece. Interessante como os instrumentos parecem estar em um diálogo dando a faixa uma aura bastante calorosa. 

“Migration” é a primeira das músicas que podemos ouvir ao menos algumas vocalizações. Outro momento (musicalmente) feliz no disco. Mais um dos momentos bem curtos, apresenta boa guitarra e pinceladas de sintetizadores, baixo e bateria são bastante fortes e evidentes. 

Coma a migração de Snow Goose que estava bem explicada no título da faixa anterior, nosso querido Rhayader se torna um artista solitário novamente, pois ainda por cima a jovem Firth não o está visitando mais. "Rhayader Alone” é mais uma das músicas mais suaves e lembrando as encontradas mais para o início do álbum. Belos acordes de teclados e guitarra sentimentais transformam esse em um dos momentos mais emocionais do disco. 

“Flight Of The Snow Goose” começa em um fade in através de um sintetizador e uma guitarra que aos poucos vai aumentando o volume até que o som principal com todos os instrumentos dão um início verdadeiro a música. De certa forma ela me faz lembrar um pouco de "Rhayader Goes to Town”, só que neste caso em especial a música se desenvolve mais rápida. A linha de baixo eu acho maravilhosa e possui um solo de sintetizador maravilhoso. 

“Preparation” apesar de não ser a música mais lenta, soa como a mais monótona de todo o disco. Possui um ritmo muito estranho de sintetizadores que lideram a música por quase toda a sua extensão, também tem algumas vocalizações que no encarte diz ser de Andy Latimer, mas não parece muito, mas como o que vale é o que está escrito então é dele. Carrega certo mistério e serve muito bem para descrever a preparação de Rhayader antes de sair para tentar salvar os soldados em Dunquerque. 

“Dunkirk” apesar de possuir pouco menos de cinco minutos e meio é certamente a faixa mais progressiva do disco e carrega traços sinfônicos fortíssimos. Suas passagens instrumentais são executadas de uma forma bastante interessante seja por guitarras e sintetizadores ou pela excelente cozinha de baixo e bateria que se mostram bem consistente. Possui diferentes movimentos onde todos eles são fascinantes. Em “Dunkirk” é onde nosso querido Rhayader também se torna um herói conseguindo salvar vários homens em Dunquerque antes de acabar infelizmente sendo morto. 

“Epitaph” é uma repetição só que mais curta de “Preparation” e que indica a morte de Rhayader. Não acho que exista mais nada que falar sobre essa música. 

"Firtha Alone" é um momento breve com menos de um minuto e meio e bastante triste do disco. Quando Rhayader não retorna, Firth logo descobre que ele morreu. Toda ao piano trata-se de uma música belíssima. 

“La Princesse Perdue” além do nome da música é também o nome com o qual Firtha batiza The Snow Goose ao vê que ele havia retornado. Provavelmente a melhor música do álbum, onde em seus cinco minutos resumem bem os últimos quarenta apresentados. Ao retornar ao pântano, Firtha infelizmente encontra a casa de Rhayader completamente destruída devido ao ataque sofrido por aviões alemães, tendo isso também pulverizado toda e qualquer evidência da existência de Rhayader. 

O disco termina com uma repetição de "The Great Marsh", só que dessa vez mais curta e suave, desaparecendo logo em seguida e levando consigo todas as evidências de Rhayader. Mesmo sem nenhuma letra a banda consegue desenhar um ambiente triste, devastador e completamente sem vida. 

Um disco verdadeiramente progressivo sem a necessidade nem mesmo de um míni épico, somente duas músicas passam de cinco minutos, mas todas as faixas são essenciais para se desenhar toda a história em mente. Apesar de todas as músicas terem sido apresentadas aqui uma por uma, o disco é baseado em um livro e um livro não deve ser apreciado capítulo por capítulo, mas na sua totalidade. Discos instrumentais geralmente são perigosos e podem se tornar rapidamente ou instantaneamente chatos, mas não esse, aqui a banda ilustrou um romance sem precisar usar uma palavra, apenas usando contrastes em seus sons. O caráter de cada composição é diferente e todas possuem uma melodia muito imaginativa. Uma obra-prima. 

Cada composição é diferente em seu caráter e possuem melodias imaginativas
5
24/07/2018

The Snow Goose é um dos três discos da banda que eu acho simplesmente irretocável. Após o sucesso de “The White Rider” em Mirage, disco anterior, a banda decidiu tentar um outro conceito em sua música. Várias ideias foram deixadas de lado até que o baixista Doug Ferguson sugeriu o conto The Snow Goose de Paul Galico e a banda aceitou. Peter Bardens e Andy Latimer escolheram uma casa de campo pra estarem perto da paz que precisavam pra criar a atmosfera do disco. 

The Snow Goose tem como conceito uma parábola simples e curta sobre o poder regenerativo da amizade e do amor, tendo como pano de fundo o horror da guerra. Ele documenta o crescimento de uma amizade entre Philip Rhayader, um artista corcunda que vive uma vida solitária em um farol abandonado nos pântanos de Essex (condado situado no sudeste do Reino Unido) por causa de suas deficiências, e uma jovem garota local, Fritha, que chega a ele trazendo um pássaro ferido, um ganso da neve (The Snow Goose). Philip Rhayader se pergunta o que um pássaro de áreas como Canadá, Alasca e Groenlândia faz em plena Inglaterra. Nos dias que seguem, Rhayader e Fritha juntos passam a cuidar do animal ferido, até que um dia já melhor o pássaro migra deixando Rhayader sozinho (já que Firtha também para de visita-lo). O pássaro após um tempo visita Rhayader mais uma vez. Após isso, Rhayader recebe a notícia de haver soldados ingleses presos por forças alemãs na praia de Durquerque e ele vai sozinho com seu barco resgatar o máximo que conseguir, e de fato consegue salvar alguns antes de ser morto junto com outros ingleses. Snow Goose ficou próximo ao seu corpo até que um grupo de ingleses encontraram o seu barco. Existem outros detalhes, mas deixaria a explicação mais longa ainda. Apesar disso o disco é instrumental devido a uma questão de direitos autorais que a banda não conseguiu pra compor letras ao disco (Paul Gallico era contra o tabagismo e a banda levava um nome de um deles, um motivo bobo, mas se o dono da obra não deixou, não se pode fazer nada), mesmo assim, sabendo da história, as músicas fazem o ouvinte imaginar bem cada uma das situações.

O disco tem início através de “The Great Marsh” e que mostra onde reside de maneira reclusa Rhayader. A música começa de maneira tranquila e que inclui o som de alguns pássaros, além de suaves acordes de teclado antes que ganhe uma melodia mais forte (mas ainda bastante suave). Define muito bem a cena da história. 

“Rhayader" como o nome sugere trata-se de uma música dedicada ao personagem. Sua música tem uma atmosfera bastante feliz, uma melodia de flauta belíssima logo na abertura, além de ser tocada por uma melodia de teclado subjacente. A flauta permanece contínua em uma melodia com baixo e bateria constantes e sólidos. Possui um solo guitarra muito bem feito antes de retornar ao seu ritmo inicial. A faixa então se conecta diretamente a próxima.

“Rhayder Goes to Town" tem um começo que consiste em um tema bastante animado e que é repetido por várias vezes antes de chegar um solo de guitarra maravilhoso, distanciando a música das melodias repetidas e traz um ótimo momento ao álbum. Os solos inclusive se estendem basicamente pelo resto da música. Neste momento como o nome sugere é onde o personagem Rhayder vai para a cidade. 

“Sanctuary” é uma música muito bonita com pouco mais de um minuto. Basicamente ao violão, sobreposta com uma melodia de guitarra elétrica muito suave. Bastante pacífica, soa diferente da linha mais jazzística apresentada na faixa anterior. 

“Fritha” emenda perfeitamente com a faixa anterior e apresenta uma atmosfera bastante parecida, além da estrutura. A diferença está no fato de ser um pouco mais rápida e ao invés de ser sobreposta com uma guitarra elétrica, há um sintetizador. 

“The Snow Goose” é a faixa que simboliza o momento em que Firtha leva o pássaro para Rhayader. Soa bastante suave e durante quase toda a sua duração apresenta um solo lento de guitarra com trechos de sintetizadores, boas linhas de baixo e uma bateria bastante constante. A primeira vez que ouvi esse álbum essa faixa passou quase que despercebida, mas depois ela me pegou e hoje sempre que o escuto é uma das que mais aprecio. 

“Friendship” é a música que simboliza o começo da amizade entre Rhayader e Firtha. Carrega uma atmosfera do tipo encontrada em trilhas de desenhos animados dos anos 80 e 70 mais ou menos. A música é curta e composta por instrumentos de sopros como madeiras, fagote, clarinete e oboé. Ao menos é o que parece. Interessante como os instrumentos parecem estar em um diálogo dando a faixa uma aura bastante calorosa. 

“Migration” é a primeira das músicas que podemos ouvir ao menos algumas vocalizações. Outro momento (musicalmente) feliz no disco. Mais um dos momentos bem curtos, apresenta boa guitarra e pinceladas de sintetizadores, baixo e bateria são bastante fortes e evidentes. 

Coma a migração de Snow Goose que estava bem explicada no título da faixa anterior, nosso querido Rhayader se torna um artista solitário novamente, pois ainda por cima a jovem Firth não o está visitando mais. "Rhayader Alone” é mais uma das músicas mais suaves e lembrando as encontradas mais para o início do álbum. Belos acordes de teclados e guitarra sentimentais transformam esse em um dos momentos mais emocionais do disco. 

“Flight Of The Snow Goose” começa em um fade in através de um sintetizador e uma guitarra que aos poucos vai aumentando o volume até que o som principal com todos os instrumentos dão um início verdadeiro a música. De certa forma ela me faz lembrar um pouco de "Rhayader Goes to Town”, só que neste caso em especial a música se desenvolve mais rápida. A linha de baixo eu acho maravilhosa e possui um solo de sintetizador maravilhoso. 

“Preparation” apesar de não ser a música mais lenta, soa como a mais monótona de todo o disco. Possui um ritmo muito estranho de sintetizadores que lideram a música por quase toda a sua extensão, também tem algumas vocalizações que no encarte diz ser de Andy Latimer, mas não parece muito, mas como o que vale é o que está escrito então é dele. Carrega certo mistério e serve muito bem para descrever a preparação de Rhayader antes de sair para tentar salvar os soldados em Dunquerque. 

“Dunkirk” apesar de possuir pouco menos de cinco minutos e meio é certamente a faixa mais progressiva do disco e carrega traços sinfônicos fortíssimos. Suas passagens instrumentais são executadas de uma forma bastante interessante seja por guitarras e sintetizadores ou pela excelente cozinha de baixo e bateria que se mostram bem consistente. Possui diferentes movimentos onde todos eles são fascinantes. Em “Dunkirk” é onde nosso querido Rhayader também se torna um herói conseguindo salvar vários homens em Dunquerque antes de acabar infelizmente sendo morto. 

“Epitaph” é uma repetição só que mais curta de “Preparation” e que indica a morte de Rhayader. Não acho que exista mais nada que falar sobre essa música. 

"Firtha Alone" é um momento breve com menos de um minuto e meio e bastante triste do disco. Quando Rhayader não retorna, Firth logo descobre que ele morreu. Toda ao piano trata-se de uma música belíssima. 

“La Princesse Perdue” além do nome da música é também o nome com o qual Firtha batiza The Snow Goose ao vê que ele havia retornado. Provavelmente a melhor música do álbum, onde em seus cinco minutos resumem bem os últimos quarenta apresentados. Ao retornar ao pântano, Firtha infelizmente encontra a casa de Rhayader completamente destruída devido ao ataque sofrido por aviões alemães, tendo isso também pulverizado toda e qualquer evidência da existência de Rhayader. 

O disco termina com uma repetição de "The Great Marsh", só que dessa vez mais curta e suave, desaparecendo logo em seguida e levando consigo todas as evidências de Rhayader. Mesmo sem nenhuma letra a banda consegue desenhar um ambiente triste, devastador e completamente sem vida. 

Um disco verdadeiramente progressivo sem a necessidade nem mesmo de um míni épico, somente duas músicas passam de cinco minutos, mas todas as faixas são essenciais para se desenhar toda a história em mente. Apesar de todas as músicas terem sido apresentadas aqui uma por uma, o disco é baseado em um livro e um livro não deve ser apreciado capítulo por capítulo, mas na sua totalidade. Discos instrumentais geralmente são perigosos e podem se tornar rapidamente ou instantaneamente chatos, mas não esse, aqui a banda ilustrou um romance sem precisar usar uma palavra, apenas usando contrastes em seus sons. O caráter de cada composição é diferente e todas possuem uma melodia muito imaginativa. Uma obra-prima. 

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