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Resenha: Genesis - A Trick Of The Tail (1976)

Por: Tiago Meneses

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O mais belo momento da era pós Gabriel.
4.5
18/07/2018

Primeiro álbum sem Peter Gabriel. Um disco que certamente foi esperado pelos fãs de maneira ansiosa, afinal, Gabriel não era somente um simples vocalista, mas também um dos grandes letristas da história do rock progressivo, de um carisma único e a banda tinha toda uma característica graças a ele. Um disco de transição, mas bastante progressivo e complexo em alguns momentos, além de uma sonoridade mais suave, tendo a sua aura em termos de comparação o clássico Selling England by the Pound. Uma grande porcentagem dessa gravação captura algo que eu considero muito especial que é um som atemporal, não em termos de qualidade técnica de produção, mas sim em termos de instrumentação e texturas criadas tanto pela tecnologia de som antiga quanto pela aquela que na época era considerada nova. 

O disco já começa de maneira excelente através de “Dance on a Volcano”. Considero esta faixa bastante edificante com o seu trabalho dinâmico de bateria, preenchimento muitas vezes com suaves pinceladas de guitarra e teclados sinfônicos. Possui uma estrutura musical com grande variedade de melodias, além de algumas mudanças de tempo que a deixam inclusive relativamente complexa. Logo de cara a banda mostra que mesmo sem Peter Gabriel ainda estaremos diante do som clássico do Genesis. 

“Entangled” é aquele tipo de música que me conforta, pareço está literalmente sendo abraçado. Possui um formato mais simples, mas ainda sem deixar de ser progressiva e sinfônica, principalmente através do uso de mellotron e um tempero de música clássica. Dominada praticamente por violão, também carrega um ótimo teclado que vai entrando lentamente mais para o final da música em um solo suave e acentuado pelo mellotron. O violão continua preenchendo o ritmo da música. Uma melodia maravilhosa pra finalizar outra excelente faixa. 

“Squonk” traz um ritmo bastante alegre ao disco logo na sua abertura. Começa de forma agradável e nuance sinfônica. Adoro o ritmo da guitarra nesta música, o baixo é bastante evidente e muito bem feito e a bateria novamente muito dinâmica, essa combinação toda traz ao ouvinte um verdadeiro deleite ao ouvi-la. A parte que eu mais gosto desta música é a final onde a melodia muda para um tom de voz mais alto por parte de Collins até que vai desaparecendo aos poucos. 

“Mad Man Moon” traz novamente o disco para uma faceta mais melancólica. Tem um início suave e vai crescendo para um ritmo mais rápido. A faixa é “dominada” por Banks através de muito piano/teclado. Inclusive mais ou menos pela metade da música há um piano clássico e um teclado de fundo muito bom que servem como uma transição de ritmo que a move para a sua parte mais veloz, mas por pouco tempo apenas, a melodia inicial retorna. Interessante ouvir essas músicas e perceber o quanto elas influenciaram as bandas de neo progressivo que surgiram alguns anos depois. 

“Robbery, Assault and Batte” possui um ritmo animado e se desenvolve na veia da música clássica do Genesis. Confesso que o seu começo me fez pensar que estaria diante de algo bastante monótono em termo de melodia e composição, mas ela então entra em uma transição e a bateria muda e entra o refrão. A música se torna inclusive mais complexa e chega ao seu interlúdio com uma dominação feita pelos trabalhos de teclados simplesmente incríveis, um dos melhores até mesmo entre todos do catálogo da banda. 

“Ripples” é mais um dos momentos suaves do disco e começa com uma bela e melódica linha vocal sobre uma seção rítmica muito bem feita de violão e piano. Ao mesmo tempo em que dá uma sensação de balada, a música também apresenta algo mais, por exemplo, grande influência de música clássica em suas transições. Steve Hackett faz um trabalho ao violão que é simplesmente impressionante, sendo sempre acompanhado por teclados suaves que salpicam um sentimento a mais. O interlúdio sem dúvida é o momento mais belo da música, guitarra e teclado brilham em uma “mudança de rumo” na música que é maravilhoso. Então que a música regressa com o seu refrão antes de chegar ao fim através de um fade out. 

“A Trick of the Tail”, faixa título do disco é uma canção de ritmo médio e que traz um trabalho de piano muito agradável através de ótima linha vocal, mas confesso ser apenas isso que chama atenção. Certamente a faixa com menos elementos progressivos em todo o disco, tendo um lado muito mais pop. Em resumo uma faixa bastante direta e reta. 

O disco chega ao fim através de “Los Endos”, faixa instrumental e uma espécie de resumo de todo o conteúdo que acabou de ser apresentado no álbum, inclusive contém alguns elementos musicais de algumas faixas anteriores, mas realizados obviamente sem a linha vocal. Bastante agradável, Steve Hackett a tem como uma de suas favoritas em seus shows, sendo depois de “Firth of Fifth”, a música de sua ex banda mais presente em seus concertos. 

Após a saída de Peter Gabriel a banda continuou a oferecer uma excelente música aos seus fãs, até porque em vários momentos do disco é possível notar um estilo bem na linha Gabriel das coisas se desenvolverem. Apesar de possuir umas ideias de fato complexas, o disco mostra também muitas vezes como ideias simples podem ser usadas pra formar arranjos complexos. Não chega a ser impressionante, mas traz uma grande satisfação no ouvinte ao escutá-lo. Sem dúvida o mais belo momento da era pós Gabriel. 

O mais belo momento da era pós Gabriel.
4.5
18/07/2018

Primeiro álbum sem Peter Gabriel. Um disco que certamente foi esperado pelos fãs de maneira ansiosa, afinal, Gabriel não era somente um simples vocalista, mas também um dos grandes letristas da história do rock progressivo, de um carisma único e a banda tinha toda uma característica graças a ele. Um disco de transição, mas bastante progressivo e complexo em alguns momentos, além de uma sonoridade mais suave, tendo a sua aura em termos de comparação o clássico Selling England by the Pound. Uma grande porcentagem dessa gravação captura algo que eu considero muito especial que é um som atemporal, não em termos de qualidade técnica de produção, mas sim em termos de instrumentação e texturas criadas tanto pela tecnologia de som antiga quanto pela aquela que na época era considerada nova. 

O disco já começa de maneira excelente através de “Dance on a Volcano”. Considero esta faixa bastante edificante com o seu trabalho dinâmico de bateria, preenchimento muitas vezes com suaves pinceladas de guitarra e teclados sinfônicos. Possui uma estrutura musical com grande variedade de melodias, além de algumas mudanças de tempo que a deixam inclusive relativamente complexa. Logo de cara a banda mostra que mesmo sem Peter Gabriel ainda estaremos diante do som clássico do Genesis. 

“Entangled” é aquele tipo de música que me conforta, pareço está literalmente sendo abraçado. Possui um formato mais simples, mas ainda sem deixar de ser progressiva e sinfônica, principalmente através do uso de mellotron e um tempero de música clássica. Dominada praticamente por violão, também carrega um ótimo teclado que vai entrando lentamente mais para o final da música em um solo suave e acentuado pelo mellotron. O violão continua preenchendo o ritmo da música. Uma melodia maravilhosa pra finalizar outra excelente faixa. 

“Squonk” traz um ritmo bastante alegre ao disco logo na sua abertura. Começa de forma agradável e nuance sinfônica. Adoro o ritmo da guitarra nesta música, o baixo é bastante evidente e muito bem feito e a bateria novamente muito dinâmica, essa combinação toda traz ao ouvinte um verdadeiro deleite ao ouvi-la. A parte que eu mais gosto desta música é a final onde a melodia muda para um tom de voz mais alto por parte de Collins até que vai desaparecendo aos poucos. 

“Mad Man Moon” traz novamente o disco para uma faceta mais melancólica. Tem um início suave e vai crescendo para um ritmo mais rápido. A faixa é “dominada” por Banks através de muito piano/teclado. Inclusive mais ou menos pela metade da música há um piano clássico e um teclado de fundo muito bom que servem como uma transição de ritmo que a move para a sua parte mais veloz, mas por pouco tempo apenas, a melodia inicial retorna. Interessante ouvir essas músicas e perceber o quanto elas influenciaram as bandas de neo progressivo que surgiram alguns anos depois. 

“Robbery, Assault and Batte” possui um ritmo animado e se desenvolve na veia da música clássica do Genesis. Confesso que o seu começo me fez pensar que estaria diante de algo bastante monótono em termo de melodia e composição, mas ela então entra em uma transição e a bateria muda e entra o refrão. A música se torna inclusive mais complexa e chega ao seu interlúdio com uma dominação feita pelos trabalhos de teclados simplesmente incríveis, um dos melhores até mesmo entre todos do catálogo da banda. 

“Ripples” é mais um dos momentos suaves do disco e começa com uma bela e melódica linha vocal sobre uma seção rítmica muito bem feita de violão e piano. Ao mesmo tempo em que dá uma sensação de balada, a música também apresenta algo mais, por exemplo, grande influência de música clássica em suas transições. Steve Hackett faz um trabalho ao violão que é simplesmente impressionante, sendo sempre acompanhado por teclados suaves que salpicam um sentimento a mais. O interlúdio sem dúvida é o momento mais belo da música, guitarra e teclado brilham em uma “mudança de rumo” na música que é maravilhoso. Então que a música regressa com o seu refrão antes de chegar ao fim através de um fade out. 

“A Trick of the Tail”, faixa título do disco é uma canção de ritmo médio e que traz um trabalho de piano muito agradável através de ótima linha vocal, mas confesso ser apenas isso que chama atenção. Certamente a faixa com menos elementos progressivos em todo o disco, tendo um lado muito mais pop. Em resumo uma faixa bastante direta e reta. 

O disco chega ao fim através de “Los Endos”, faixa instrumental e uma espécie de resumo de todo o conteúdo que acabou de ser apresentado no álbum, inclusive contém alguns elementos musicais de algumas faixas anteriores, mas realizados obviamente sem a linha vocal. Bastante agradável, Steve Hackett a tem como uma de suas favoritas em seus shows, sendo depois de “Firth of Fifth”, a música de sua ex banda mais presente em seus concertos. 

Após a saída de Peter Gabriel a banda continuou a oferecer uma excelente música aos seus fãs, até porque em vários momentos do disco é possível notar um estilo bem na linha Gabriel das coisas se desenvolverem. Apesar de possuir umas ideias de fato complexas, o disco mostra também muitas vezes como ideias simples podem ser usadas pra formar arranjos complexos. Não chega a ser impressionante, mas traz uma grande satisfação no ouvinte ao escutá-lo. Sem dúvida o mais belo momento da era pós Gabriel. 

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