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Resenha: IO Earth - Solitude (2018)

Por: Tiago Meneses

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Uma mistura do clássico com modernidade que é impressionante e inteligente.
4.5
17/07/2018

Se você já acompanha a banda há algum tempo, creio que a cada lançamento a IO Earth sempre vai lhe trazer uma sensação de felicidade. A banda costuma sempre produzir um progressivo sinfônico da mais alta qualidade e tem, apesar de não muito grande, uma base de fãs sólida que pode ser vista até mesmo mais como uma família do que como um público convencional. Solitude também causou uma grande expectativa por contar com uma nova vocalista, Rosanna Lefevre, substituindo Linda Odinsen. Com essa mudança os vocais ficaram com uma maior sensibilidade, além de sombrios, talvez também esse um dos motivos de Solitude ser o disco da banda com a atmosfera mais obscura. 

O disco começa justamente com a faixa título. O começo é de uma sonoridade atmosfera, uma contagem de um a quatro de fundo enquanto a voz encantadora de Rosanna declama as suas primeiras frases e mostra o quanto emocional e profundo esse disco vai ser. Possui um arranjo extremamente belo. O refrão deixa a música mais encorpada e traz umas incursões pesadas principalmente por parte da guitarra. Logo em sua primeira faixa a banda mostra estar a todo o vapor e soando perfeitamente bem. 

“Strangest Ways In Life” possui alguns momentos bastante ameaçadores. As letras estão em harmonia com esse clima assustador e que ao menos em mim, em particular, chega a causar certo arrepio. Que os trabalhos de guitarra da banda sempre foram ótimos, isso eu nunca neguei, mas o solo final de quase dois minutos é emocional como eu ainda não tinha visto a banda soar. Uma música de núcleo muito bem direcionado e final extremamente bombástico. 

A próxima faixa é a “Madness”. Uma voz ameaçadora seguida por um violão e trabalho de cordas antecipam a entrada de toda a banda e um excelente e longo solo de guitarra que é arrepiante. Silencia novamente e as teclas do piano em notas tristes introduzem uma levada musical mais amena e sentimental. Os vocais mais uma vez são excelentes. Os trabalhos orquestrais também são destaques e deixam a música com um clima sinfônico sensacional. Por uns pequenos momentos ganham mais peso, mas o que prevalece mesmo são passagens sentimentais e amenas. 

“Hold on” novamente mostra um papel fundamental de Rosanna que coloca em sua voz vários tipos de emoções diferentes e sempre muito bem encaixado. As linhas de guitarra novamente são excepcionais. O fundo orquestral garante mais pompa e brilhantismo à música. Não sei necessariamente se precisaria ter mais de dez minutos, mesmo assim ainda é uma faixa lindíssima. A bateria nos momentos mais enérgicos possui bastante técnica e combinam perfeitamente com os solos de guitarra. Importante mencionar a naturalidade com que Rosanna atinge notas altíssimas, trazendo um tipo de vocal diferente para a banda. 

“Breakdown” é uma música bastante intensa, agressiva e um dos meus momentos preferidos e um dos mais marcantes do disco. Começa com o uso suave de cordas e depois tem o complemento da bateria e um coral bastante emocional. Entra em uma calmaria e algumas notas que antecedem o que será o riff principal da música, uma forte orquestração. Com quase três minutos e meio de duração os vocais aparecem pela primeira vez, Rosanna canta de maneira muito delicada com alguns momentos mais intensos e atingindo grandes agudos. Mas destaque mesmo fica por conta da parte instrumental da música nos momentos que ganha uma crescente, sensacional. Muito bem orquestrada, riff de guitarra bastante forte, bateria empolgante e linhas de baixo sólidas. 

“Embrace” começa levemente ao piano e unido a um trabalho de cordas belíssimo. Os vocais de Rosanna ganham de companhia ao fundo a voz do guitarrista Dave Cureton. Tudo vai seguindo de forma serena e um saxofone traz mais brilho a música antes que bateria e um solo de guitarra deixe a música com mais ritmo, mas mantendo a sua estrutura delicada. A contagem de um a quatro e apresentada na primeira música retorna aqui tendo apenas um trabalho de cordas de fundo. Enfim a faixa ganha um peso com todos os instrumentos agora executados de forma mais enérgica, antes de novamente regressar ao seu ritmo principal e chegar ao fim. 

 Em “Race Against Time” quem lidera os vocais é Dave Cureton. Começa com uma sonoridade suave e que não demora pra se transformar na levada mais empolgante de todo o álbum. Primeiramente extremamente sinfônica e depois algumas excelentes linhas de guitarra enquanto baixo e bateria soam arrasadores fazem dessa introdução algo muito poderoso. Os vocais então entram em uma musicalidade mais suave, Dave se sai muito bem tanto cantando emocionalmente quanto executando um solo muito bem apoiado pela cozinha. Depois de cerca de cinco minutos e meio Rosanna também canta na música sendo apoiada somente por uma cama orquestral muito boa. A música então entra na sua levada sensacional e arrepiante do início dando um final épico a música. 

“Find A Way” é a faixa que finaliza o disco. A voz aqui também masculina não parece com a de Dave Cureton, por tanto creio que o tecladista e que também está creditado como vocal (além fazer as narrações) no disco, Adam Gough, esteja à frente dos vocais inicialmente. Alguns sons ao teclado antecedem um começo que tem a base em um piano sobre uma cozinha sólida e guitarra de riff discreto. O refrão traz uma atmosfera mais emotiva a música. O solo de guitarra é maravilhoso. Quando Rosanna entra na música tudo está caminhando de uma maneira mais serena e sentimental e conta com outro solo de guitarra envolvente que parece abraçar o ouvinte. O disco finaliza na voz de Neve King, filha de nove anos do violinista Jez King. Achei inclusive esse final maravilhoso e bastante surpreendente. 

Solitude me conquistou imediatamente, mas confesso que não soube exatamente dizer o quanto me tocou. Uma mistura do clássico com modernidade que é impressionante e inteligente, alguns toques de músicas de vanguarda e metal também recheiam esse disco cheio de diversidade, mas muito bem direcionadas. Recomendadíssimo. 

Uma mistura do clássico com modernidade que é impressionante e inteligente.
4.5
17/07/2018

Se você já acompanha a banda há algum tempo, creio que a cada lançamento a IO Earth sempre vai lhe trazer uma sensação de felicidade. A banda costuma sempre produzir um progressivo sinfônico da mais alta qualidade e tem, apesar de não muito grande, uma base de fãs sólida que pode ser vista até mesmo mais como uma família do que como um público convencional. Solitude também causou uma grande expectativa por contar com uma nova vocalista, Rosanna Lefevre, substituindo Linda Odinsen. Com essa mudança os vocais ficaram com uma maior sensibilidade, além de sombrios, talvez também esse um dos motivos de Solitude ser o disco da banda com a atmosfera mais obscura. 

O disco começa justamente com a faixa título. O começo é de uma sonoridade atmosfera, uma contagem de um a quatro de fundo enquanto a voz encantadora de Rosanna declama as suas primeiras frases e mostra o quanto emocional e profundo esse disco vai ser. Possui um arranjo extremamente belo. O refrão deixa a música mais encorpada e traz umas incursões pesadas principalmente por parte da guitarra. Logo em sua primeira faixa a banda mostra estar a todo o vapor e soando perfeitamente bem. 

“Strangest Ways In Life” possui alguns momentos bastante ameaçadores. As letras estão em harmonia com esse clima assustador e que ao menos em mim, em particular, chega a causar certo arrepio. Que os trabalhos de guitarra da banda sempre foram ótimos, isso eu nunca neguei, mas o solo final de quase dois minutos é emocional como eu ainda não tinha visto a banda soar. Uma música de núcleo muito bem direcionado e final extremamente bombástico. 

A próxima faixa é a “Madness”. Uma voz ameaçadora seguida por um violão e trabalho de cordas antecipam a entrada de toda a banda e um excelente e longo solo de guitarra que é arrepiante. Silencia novamente e as teclas do piano em notas tristes introduzem uma levada musical mais amena e sentimental. Os vocais mais uma vez são excelentes. Os trabalhos orquestrais também são destaques e deixam a música com um clima sinfônico sensacional. Por uns pequenos momentos ganham mais peso, mas o que prevalece mesmo são passagens sentimentais e amenas. 

“Hold on” novamente mostra um papel fundamental de Rosanna que coloca em sua voz vários tipos de emoções diferentes e sempre muito bem encaixado. As linhas de guitarra novamente são excepcionais. O fundo orquestral garante mais pompa e brilhantismo à música. Não sei necessariamente se precisaria ter mais de dez minutos, mesmo assim ainda é uma faixa lindíssima. A bateria nos momentos mais enérgicos possui bastante técnica e combinam perfeitamente com os solos de guitarra. Importante mencionar a naturalidade com que Rosanna atinge notas altíssimas, trazendo um tipo de vocal diferente para a banda. 

“Breakdown” é uma música bastante intensa, agressiva e um dos meus momentos preferidos e um dos mais marcantes do disco. Começa com o uso suave de cordas e depois tem o complemento da bateria e um coral bastante emocional. Entra em uma calmaria e algumas notas que antecedem o que será o riff principal da música, uma forte orquestração. Com quase três minutos e meio de duração os vocais aparecem pela primeira vez, Rosanna canta de maneira muito delicada com alguns momentos mais intensos e atingindo grandes agudos. Mas destaque mesmo fica por conta da parte instrumental da música nos momentos que ganha uma crescente, sensacional. Muito bem orquestrada, riff de guitarra bastante forte, bateria empolgante e linhas de baixo sólidas. 

“Embrace” começa levemente ao piano e unido a um trabalho de cordas belíssimo. Os vocais de Rosanna ganham de companhia ao fundo a voz do guitarrista Dave Cureton. Tudo vai seguindo de forma serena e um saxofone traz mais brilho a música antes que bateria e um solo de guitarra deixe a música com mais ritmo, mas mantendo a sua estrutura delicada. A contagem de um a quatro e apresentada na primeira música retorna aqui tendo apenas um trabalho de cordas de fundo. Enfim a faixa ganha um peso com todos os instrumentos agora executados de forma mais enérgica, antes de novamente regressar ao seu ritmo principal e chegar ao fim. 

 Em “Race Against Time” quem lidera os vocais é Dave Cureton. Começa com uma sonoridade suave e que não demora pra se transformar na levada mais empolgante de todo o álbum. Primeiramente extremamente sinfônica e depois algumas excelentes linhas de guitarra enquanto baixo e bateria soam arrasadores fazem dessa introdução algo muito poderoso. Os vocais então entram em uma musicalidade mais suave, Dave se sai muito bem tanto cantando emocionalmente quanto executando um solo muito bem apoiado pela cozinha. Depois de cerca de cinco minutos e meio Rosanna também canta na música sendo apoiada somente por uma cama orquestral muito boa. A música então entra na sua levada sensacional e arrepiante do início dando um final épico a música. 

“Find A Way” é a faixa que finaliza o disco. A voz aqui também masculina não parece com a de Dave Cureton, por tanto creio que o tecladista e que também está creditado como vocal (além fazer as narrações) no disco, Adam Gough, esteja à frente dos vocais inicialmente. Alguns sons ao teclado antecedem um começo que tem a base em um piano sobre uma cozinha sólida e guitarra de riff discreto. O refrão traz uma atmosfera mais emotiva a música. O solo de guitarra é maravilhoso. Quando Rosanna entra na música tudo está caminhando de uma maneira mais serena e sentimental e conta com outro solo de guitarra envolvente que parece abraçar o ouvinte. O disco finaliza na voz de Neve King, filha de nove anos do violinista Jez King. Achei inclusive esse final maravilhoso e bastante surpreendente. 

Solitude me conquistou imediatamente, mas confesso que não soube exatamente dizer o quanto me tocou. Uma mistura do clássico com modernidade que é impressionante e inteligente, alguns toques de músicas de vanguarda e metal também recheiam esse disco cheio de diversidade, mas muito bem direcionadas. Recomendadíssimo. 

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