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Resenha: Maestrick - Espresso Della Vita: Solare (2018)

Por: Tiago Meneses

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Composições que além de técnicas, soam inteligentes e agradáveis.
4
12/07/2018

Devo confessar antes de qualquer coisa que o meu primeiro contato com a Maestrick está sendo através do seu mais novo disco, Espresso Della Vita: Solare. Antes deste, pelo que pude ver a banda também tem mais outro álbum e um EP. A produção do disco é bastante nítida em uma mistura muito boa de metal progressivo, mas com incursões de linhas sinfônicas dos tipos utilizados por bandas mais modernas do gênero. Outro ponto importante é que eles também usam elementos étnicos e dão um tempero brasileiro muito bom no som.  

Uma coisa é fato quando se trata de bandas de rock/metal progressivo, não vai ser a capacidade dos músicos em desfilar composições intrincadas com os olhos fechados que vai fazer com que a banda seja agradável, pra isso as coisas devem ser elaboradas de uma forma mais natural e menos mecânica, deixando o ouvinte envolvido em composições que além de técnicas, soam inteligentes e agradáveis. Exatamente como as coisas acontecem aqui nesse álbum. Deixar claro também que apesar de hoje a banda contar com o tecladista Neemias Teixeira, vencedor de um concurso promovido por Jordan Rudess do Dream Theater, ele não chegou a participar das gravações do disco. As guitarras ficaram por conta do também produtor, Adair Daufembach. No mais, Renato Somera no baixo, Heitor Matos na bateria e Fabio Caldeira nos teclados e vocais são os quem fazem parte do time (ou família) em Espresso Della Vita: Solare. 

“Origami” é a primeira faixa e possui pouco mais de um minuto e meio, mas em pouco tempo consegue mostrar uma banda com bastante desenvoltura técnica, baixo e bateria sólidos, uma guitarra mais aparente na primeira parte e um teclado sinfônico na segunda. “aI .m. Living” quando ouvi pela primeira vez o seu começo, ela me lembrou aos das músicas mais alto astral do Neal Morse, digamos assim. Possui um solo de guitarra legal, assim como umas boas ideias de sintetizadores. Mas achei esticada demais e sem ideias suficientes que a preenchesse bem. 

A maneira acústica como “Rooster Race” começa me faz sentir ares do campo e que estou diante de uma música melhor. Então através de um novo direcionamento a faixa ganha um riff de guitarra muito bom, bateria veloz (não do tipo enjoativa e metronômica) a deixando mais parecida com um power metal do que metal progressivo. Um momento interessante fica por conta de um pequeno “baião” apresentado em dois momentos da música. Bastante empolgante e uma das faixas do disco que mais me pegou. 

“Daily View” é um das faixas curtas do disco com menos de três minutos. Começa com um piano simpático que logo ganha a companhia de toda a banda, a princípio me faz lembrar algo que eu colocaria entre Paul McCartney e Queen. Linhas muito boas de guitarra e os vocais também se destacam. “Water Birds” tem um começo com um órgão solitário, mas logo a música ganha mais intensidade com a entrada dos demais instrumentos, inclusive me veio em mente os também brasileiros do Sagrado Coração da Terra, principalmente pelas linhas de teclados usadas nessa introdução. Possui um solo de guitarra edificante, aliás, Adair Daufembach consegue ser bem sucedido seja em licks mais ondulados, riffs ou nos solos, tudo é sempre feito e com ótima precisão. A música no geral eu diria ser uma daquelas pra se cantar junto nos shows até mesmo pelo refrão em tom emotivo que carrega. 

“Keep Trying” me fez pensar em seus primeiros segundos que estaria diante de um dos momentos de pouca inspiração no disco, como é bom estar enganado. A música é um rock bastante divertido e direto. Bateria e baixo formam uma cozinha criativa que vai além de uma simples marcação, os teclados orquestrais mais uma vez dão uma faceta excelente para  a música. A voz do Fabio Caldeira e a maneira de interpretar me remete um pouco ao sueco Tommy Karevik, conhecido por liderar os vocais das bandas Kamelot e Seventh Wonder. 

“The Seed” é o épico do álbum com seus mais de quinze minutos de duração. Começa através de um coral que em seguida dá lugar a um violão acompanhado pelos serenos vocais de Fabio. Uma explosão instrumental redireciona a música para um clima mais sinfônico. Claro que por ser um épico, também conta com mudanças de ritmos muito bem direcionados e mantendo a boa fluidez da música, sem deixar que a banda não saiba de onde vem e nem para onde vai. Adoro, por exemplo, a passagem instrumental que começa pouco depois de cinco minutos e meio, traz um arranjo belíssimo e em seguida faz uma ponte para uma demonstração de técnica de todos os músicos, sem necessariamente ser algo pra ser visto como puro exibicionismo, guitarra e teclado duelam onde no resultado quem ganha é o ouvinte. Por volta de sete minutos e meio se torna menos metal e mais sinfônica, diria até que edificante. Um coral de vozes masculinas e femininas coloca ponto final nessa parta instrumental, dando à música uma “esfriada”, um arranjo atmosférico vai trazendo novamente a musicalidade à tona, violão e flauta (creio que feita no teclado) e novamente os vocais se fazem presente, bateria e baixo também retornam, mas de maneira mais lenta. Após uma segurada em repetidas notas ao piano e vocais a instrumentação volta a ficar bastante técnica e intrincada. Além dos vocais vale ressaltar o coro de fundo que dão a música um clima mais pomposo. Já está próximo do fim, mas antes disso apresenta um solo de guitarra e um aumento de velocidade no qual eu destacaria o baterista Heitor Matos. Como eu já disse, a música possui uma boa fluidez e seus quinze minutos passam sem deixa-la maçante. O solo de guitarra antes que tudo chegue ao fim é simples, mas exatamente o que a música precisava pra finalizar de maneira belíssima. Um épico excelente. 

“Far West” começa com baixo e depois uma bateria em intensidade crescente antes de apresentar um riff de guitarra nervoso. Com a chegada dos vocais o ritmo fica menos frenético e teclados ao fundo dão um ótimo clima à música. Mas no geral é bastante frenética com uma cozinha excelente, trabalhos de guitarra (tanto base quanto solo) pesados e ao mesmo tempo limpos. Tem um pequeno interlúdio meio circense. Seu final traz uma atmosfera western principalmente pelos assobios que finalizam a música. 

“Across The River” começa com um violão e voz tudo muito bem arranjado. Perto de um minuto e cinquenta, baixo, bateria e piano acrescentam rapidamente um clima nostálgico a música. Então tudo fica mais enérgico e um solo de guitarra acontece antes de tudo novamente continuar sendo cadenciado de forma serena e belíssima. Uma balada muito boa e sem o excesso de "açúcar" encontrado em outras do gênero. Adoro os vocais dessa música. 

Nos primeiros quatro a cinco segundos de “Penitência” é impossível de não imaginar aquela roda de samba. Mas se trata de uma das músicas mais pesada do álbum e a única com as letras em português, além de possuir muitos elementos da música brasileira. Como curiosidade, Dona Rose, avó do vocalista Fabio Caldeira canta um trecho da música fazendo uma participação mais do que especial. 

“Hijos De La Tierra” já começa com batidas fortes e teclados em destaques, mas logo entra em uma levada mais serena através de piano. A bateria e baixo então começam a também acompanhar a música, os vocais são doces e sentimentais. Os teclados de fundo sempre dando aquela sensação sinfônica. Mas vou confessar que esse som não me cativou tanto como um todo, porém, ainda assim destaco um pequeno trecho próximo aos cinco minutos que é muito bonito e bastante pastoral, vai crescendo até entrar um solo de guitarra muito bom e uma melodia belíssima principalmente por conta do teclado. 

O disco chega ao fim através de “Transition”, a outra das músicas que passam dos dez minutos de duração. Uma freada brusca, sirenes e um piano que logo ganha a companhia de baixo e bateria a cadenciando lentamente marca o seu início. Pelo menos até quase a sua metade é uma balada de bonito arranjo principalmente pelo momento acústico enquanto uma voz feminina fala algumas coisas ao fundo. Então a música ganha uma aceleração e se torna bastante cativante. Novamente conta com um “duelo” entre solo de guitarra e teclado que a engrandecem. Além de estar posicionada como a última faixa do disco eu vejo nela como a última faixa para ser executada nos shows da banda. Seu final é bastante emocional e finaliza o disco muito bem. 

Em resumo, o que dizer? Não deve ser difícil de perceber que gostei do disco no seu geral, mas, por exemplo, o seu tamanho de mais de 75 minutos considero um pouco dilatado e que pode tornar para alguns um disco um pouco cansativo. Mas eu, por exemplo, achei uma experiência ótima e capaz de manter a minha atenção sem que eu me preocupasse com a sua duração. Uma obra-prima? Não é pra tanto, embora eu não duvide e sinta capacidade na banda pra criar algo muito além do que foi aqui. De qualquer forma, bastante recomendado e uma grata surpresa. 

Composições que além de técnicas, soam inteligentes e agradáveis.
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12/07/2018

Devo confessar antes de qualquer coisa que o meu primeiro contato com a Maestrick está sendo através do seu mais novo disco, Espresso Della Vita: Solare. Antes deste, pelo que pude ver a banda também tem mais outro álbum e um EP. A produção do disco é bastante nítida em uma mistura muito boa de metal progressivo, mas com incursões de linhas sinfônicas dos tipos utilizados por bandas mais modernas do gênero. Outro ponto importante é que eles também usam elementos étnicos e dão um tempero brasileiro muito bom no som.  

Uma coisa é fato quando se trata de bandas de rock/metal progressivo, não vai ser a capacidade dos músicos em desfilar composições intrincadas com os olhos fechados que vai fazer com que a banda seja agradável, pra isso as coisas devem ser elaboradas de uma forma mais natural e menos mecânica, deixando o ouvinte envolvido em composições que além de técnicas, soam inteligentes e agradáveis. Exatamente como as coisas acontecem aqui nesse álbum. Deixar claro também que apesar de hoje a banda contar com o tecladista Neemias Teixeira, vencedor de um concurso promovido por Jordan Rudess do Dream Theater, ele não chegou a participar das gravações do disco. As guitarras ficaram por conta do também produtor, Adair Daufembach. No mais, Renato Somera no baixo, Heitor Matos na bateria e Fabio Caldeira nos teclados e vocais são os quem fazem parte do time (ou família) em Espresso Della Vita: Solare. 

“Origami” é a primeira faixa e possui pouco mais de um minuto e meio, mas em pouco tempo consegue mostrar uma banda com bastante desenvoltura técnica, baixo e bateria sólidos, uma guitarra mais aparente na primeira parte e um teclado sinfônico na segunda. “aI .m. Living” quando ouvi pela primeira vez o seu começo, ela me lembrou aos das músicas mais alto astral do Neal Morse, digamos assim. Possui um solo de guitarra legal, assim como umas boas ideias de sintetizadores. Mas achei esticada demais e sem ideias suficientes que a preenchesse bem. 

A maneira acústica como “Rooster Race” começa me faz sentir ares do campo e que estou diante de uma música melhor. Então através de um novo direcionamento a faixa ganha um riff de guitarra muito bom, bateria veloz (não do tipo enjoativa e metronômica) a deixando mais parecida com um power metal do que metal progressivo. Um momento interessante fica por conta de um pequeno “baião” apresentado em dois momentos da música. Bastante empolgante e uma das faixas do disco que mais me pegou. 

“Daily View” é um das faixas curtas do disco com menos de três minutos. Começa com um piano simpático que logo ganha a companhia de toda a banda, a princípio me faz lembrar algo que eu colocaria entre Paul McCartney e Queen. Linhas muito boas de guitarra e os vocais também se destacam. “Water Birds” tem um começo com um órgão solitário, mas logo a música ganha mais intensidade com a entrada dos demais instrumentos, inclusive me veio em mente os também brasileiros do Sagrado Coração da Terra, principalmente pelas linhas de teclados usadas nessa introdução. Possui um solo de guitarra edificante, aliás, Adair Daufembach consegue ser bem sucedido seja em licks mais ondulados, riffs ou nos solos, tudo é sempre feito e com ótima precisão. A música no geral eu diria ser uma daquelas pra se cantar junto nos shows até mesmo pelo refrão em tom emotivo que carrega. 

“Keep Trying” me fez pensar em seus primeiros segundos que estaria diante de um dos momentos de pouca inspiração no disco, como é bom estar enganado. A música é um rock bastante divertido e direto. Bateria e baixo formam uma cozinha criativa que vai além de uma simples marcação, os teclados orquestrais mais uma vez dão uma faceta excelente para  a música. A voz do Fabio Caldeira e a maneira de interpretar me remete um pouco ao sueco Tommy Karevik, conhecido por liderar os vocais das bandas Kamelot e Seventh Wonder. 

“The Seed” é o épico do álbum com seus mais de quinze minutos de duração. Começa através de um coral que em seguida dá lugar a um violão acompanhado pelos serenos vocais de Fabio. Uma explosão instrumental redireciona a música para um clima mais sinfônico. Claro que por ser um épico, também conta com mudanças de ritmos muito bem direcionados e mantendo a boa fluidez da música, sem deixar que a banda não saiba de onde vem e nem para onde vai. Adoro, por exemplo, a passagem instrumental que começa pouco depois de cinco minutos e meio, traz um arranjo belíssimo e em seguida faz uma ponte para uma demonstração de técnica de todos os músicos, sem necessariamente ser algo pra ser visto como puro exibicionismo, guitarra e teclado duelam onde no resultado quem ganha é o ouvinte. Por volta de sete minutos e meio se torna menos metal e mais sinfônica, diria até que edificante. Um coral de vozes masculinas e femininas coloca ponto final nessa parta instrumental, dando à música uma “esfriada”, um arranjo atmosférico vai trazendo novamente a musicalidade à tona, violão e flauta (creio que feita no teclado) e novamente os vocais se fazem presente, bateria e baixo também retornam, mas de maneira mais lenta. Após uma segurada em repetidas notas ao piano e vocais a instrumentação volta a ficar bastante técnica e intrincada. Além dos vocais vale ressaltar o coro de fundo que dão a música um clima mais pomposo. Já está próximo do fim, mas antes disso apresenta um solo de guitarra e um aumento de velocidade no qual eu destacaria o baterista Heitor Matos. Como eu já disse, a música possui uma boa fluidez e seus quinze minutos passam sem deixa-la maçante. O solo de guitarra antes que tudo chegue ao fim é simples, mas exatamente o que a música precisava pra finalizar de maneira belíssima. Um épico excelente. 

“Far West” começa com baixo e depois uma bateria em intensidade crescente antes de apresentar um riff de guitarra nervoso. Com a chegada dos vocais o ritmo fica menos frenético e teclados ao fundo dão um ótimo clima à música. Mas no geral é bastante frenética com uma cozinha excelente, trabalhos de guitarra (tanto base quanto solo) pesados e ao mesmo tempo limpos. Tem um pequeno interlúdio meio circense. Seu final traz uma atmosfera western principalmente pelos assobios que finalizam a música. 

“Across The River” começa com um violão e voz tudo muito bem arranjado. Perto de um minuto e cinquenta, baixo, bateria e piano acrescentam rapidamente um clima nostálgico a música. Então tudo fica mais enérgico e um solo de guitarra acontece antes de tudo novamente continuar sendo cadenciado de forma serena e belíssima. Uma balada muito boa e sem o excesso de "açúcar" encontrado em outras do gênero. Adoro os vocais dessa música. 

Nos primeiros quatro a cinco segundos de “Penitência” é impossível de não imaginar aquela roda de samba. Mas se trata de uma das músicas mais pesada do álbum e a única com as letras em português, além de possuir muitos elementos da música brasileira. Como curiosidade, Dona Rose, avó do vocalista Fabio Caldeira canta um trecho da música fazendo uma participação mais do que especial. 

“Hijos De La Tierra” já começa com batidas fortes e teclados em destaques, mas logo entra em uma levada mais serena através de piano. A bateria e baixo então começam a também acompanhar a música, os vocais são doces e sentimentais. Os teclados de fundo sempre dando aquela sensação sinfônica. Mas vou confessar que esse som não me cativou tanto como um todo, porém, ainda assim destaco um pequeno trecho próximo aos cinco minutos que é muito bonito e bastante pastoral, vai crescendo até entrar um solo de guitarra muito bom e uma melodia belíssima principalmente por conta do teclado. 

O disco chega ao fim através de “Transition”, a outra das músicas que passam dos dez minutos de duração. Uma freada brusca, sirenes e um piano que logo ganha a companhia de baixo e bateria a cadenciando lentamente marca o seu início. Pelo menos até quase a sua metade é uma balada de bonito arranjo principalmente pelo momento acústico enquanto uma voz feminina fala algumas coisas ao fundo. Então a música ganha uma aceleração e se torna bastante cativante. Novamente conta com um “duelo” entre solo de guitarra e teclado que a engrandecem. Além de estar posicionada como a última faixa do disco eu vejo nela como a última faixa para ser executada nos shows da banda. Seu final é bastante emocional e finaliza o disco muito bem. 

Em resumo, o que dizer? Não deve ser difícil de perceber que gostei do disco no seu geral, mas, por exemplo, o seu tamanho de mais de 75 minutos considero um pouco dilatado e que pode tornar para alguns um disco um pouco cansativo. Mas eu, por exemplo, achei uma experiência ótima e capaz de manter a minha atenção sem que eu me preocupasse com a sua duração. Uma obra-prima? Não é pra tanto, embora eu não duvide e sinta capacidade na banda pra criar algo muito além do que foi aqui. De qualquer forma, bastante recomendado e uma grata surpresa. 

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