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    Moonshine (1994)

    4.5 Por: Márcio Chagas

Resenha: Collage - Moonshine (1994)

Por: Márcio Chagas

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Album Cover
Um trabalho seminal de rock progressivo gravado nos anos 90
4.5
07/07/2018

O grupo polonês Collage havia lançado seu primeiro trabalho em 1990 chamado “Basnie”, cantado em sua língua natal tendo como vocalista Tomek Rozucki. O trabalho teve uma razoável aceitação entre os fãs de rock progressivo, mas nada que os destacasse, talvez por não cantarem em inglês ou por ainda serem inexperientes. Após o lançamento, vocalista e banda se separam e o grupo traz para o seu line up o vocalista Robert Amirian. 
Robert tinha participado de várias bandas de thrash metal relativamente conhecidas em seu país, como a “Curse Ritual”, e tinha uma pegada mais agressiva ao cantar, mesmo que ele deixasse esse lado agressivo velado, só demonstrando ocasionalmente e usando uma técnica de impostação de voz pouco utilizada no estilo.
Com o novo vocalista, lançaram o mediano “Nine Songs of John Lennon”, disco de covers com canções do eterno beatle que passou meio despercebido pela comunidade progressiva.
Somente em 1993, a banda entra em estúdio para gravar seu primeiro trabalho de inéditas, que viria a se tornar o celebrado “Moonshine”. O grupo entrou em estúdio muito bem entrosado, e cada músico trazendo um talento individual diferenciado.
Mirek Gil é um dos guitarristas mais subestimados do universo prog. Além de excelente compositor, consegue utilizar timbres complexos e líricos em seu instrumento, emulando influencias de David Gilmour e Steve Rothery, mas de um modo bem original. Krzysztof Palczewski, é um excelente tecladista, capaz de construir camas de teclados sinfônicos, como se fosse um Peter Bardens renovado. Piotr Mintay Witkowski é um baixista na melhor acepção da palavra. Eu explico: O músico tem como preocupação jogar para o time, segurando as bases e dando suporte para o restante do grupo sem firulas desnecessárias, embora seu timbre de baixo se sobressia em vários momentos. O baterista e líder Wojtek Szadkowski, é outro músico extremamente subestimado. Excessivamente técnico, o musico possui uma complexidade ao utilizar seu instrumento só comparado a Bil Bruford e Neil Peart. E tal como esse ultimo, Woijtek também é responsável pelas letras do grupo. É um imenso prazer escutar suas linhas de bateria.
Com este time podemos dizer que o Collage não só gravou seu melhor trabalho, mas como o maior clássico do progressivo dos anos 90.
“Heroes Cry” abre o disco com sua cama de teclados, mostrando de cara o lado sinfônico exacerbado do grupo. A guitarra melódica ladeada com os teclados e a cozinha excessivamente entrosada demonstra como o grupo estava coeso e animado. Robert canta empostando a voz de maneira segura e firme, utilizando uma técnica vocal diferenciada no universo progressivo, com certeza seus anos de vocalista me bandas de heavy e thrash metal lhe deram uma perspectiva diferente dos demais cantores;
“In Your Eyes” é uma suíte de 14 minutos bem elaborada e com variações técnicas e sinfônicas. Amirian começa sussurrando sua voz em meio a teclados góticos e pianos renascentistas até eclodir com seu grito, fazendo o grupo mergulhar de cabeça no tema com uma precisão cirúrgica. Um grande momento do disco;
“Lonely Day” é uma pequena balada com introdução de piano onde o destaque principal é o vocalista. Um tema interessante, criado em torno da voz;
“Living In The Moonlight” é um verdadeiro clássico do progressivo dos anos 90, uma canção diferenciada, construída com uma base de guitarra ao fundo o tempo todo comandando a canção. A performance passional de Robert merece ser saudada, pois a entrega do vocalista é determinante para o sucesso da canção. Outro destaque da música é o solo de guitarra completamente arrebatador;
O álbum segue quase instantaneamente com “The Blues”, a mais enérgica do disco, que se inicia com um excelente riff de guitarra e uma bateria técnica interagindo de maneira única e soberba. A canção desacelera para a entrada dos vocais murmurantes de Robert,  que vai se desenvolvendo juntamente com o tema;
“Wings In The Night”, é outra suíte de 11 minutos um pouco densa e sombria, com um trabalho magnifico de guitarra;
 A faixa título possui mais de 12 minutos, mais um tema excessivamente lírico, com linhas complexas de bateria e guitarra, o vocal encorpado de Amirian e o jogo de vozes é o grande destaque da música;
“War Is Over” encerra o álbum. É uma  pequena balada comandada por violões, com sua letra sobre o fim da guerra.

“Moonshine”, foi saudado e festejado pelos fãs do estilo e elevou Collage a status de banda cult, catapultando a carreira do grupo, que infelizmente se separaria no ano seguinte, após o lançamento de seu quarto CD, o também excelente “Safe”.  Uma pena, pois a banda tinha talento para seguir adiante e se tornar uma dos maiores nomes do estilo. De todo modo, fica sua obra maravilhosa a disposição de todos que gostam de um rock sinfônico, técnico e bem executado. Em tempo: A capa sombria e fantástica do pintor polonês Zdzislaw Beksinski, da um toque final ao trabalho.

Um trabalho seminal de rock progressivo gravado nos anos 90
4.5
07/07/2018

O grupo polonês Collage havia lançado seu primeiro trabalho em 1990 chamado “Basnie”, cantado em sua língua natal tendo como vocalista Tomek Rozucki. O trabalho teve uma razoável aceitação entre os fãs de rock progressivo, mas nada que os destacasse, talvez por não cantarem em inglês ou por ainda serem inexperientes. Após o lançamento, vocalista e banda se separam e o grupo traz para o seu line up o vocalista Robert Amirian. 
Robert tinha participado de várias bandas de thrash metal relativamente conhecidas em seu país, como a “Curse Ritual”, e tinha uma pegada mais agressiva ao cantar, mesmo que ele deixasse esse lado agressivo velado, só demonstrando ocasionalmente e usando uma técnica de impostação de voz pouco utilizada no estilo.
Com o novo vocalista, lançaram o mediano “Nine Songs of John Lennon”, disco de covers com canções do eterno beatle que passou meio despercebido pela comunidade progressiva.
Somente em 1993, a banda entra em estúdio para gravar seu primeiro trabalho de inéditas, que viria a se tornar o celebrado “Moonshine”. O grupo entrou em estúdio muito bem entrosado, e cada músico trazendo um talento individual diferenciado.
Mirek Gil é um dos guitarristas mais subestimados do universo prog. Além de excelente compositor, consegue utilizar timbres complexos e líricos em seu instrumento, emulando influencias de David Gilmour e Steve Rothery, mas de um modo bem original. Krzysztof Palczewski, é um excelente tecladista, capaz de construir camas de teclados sinfônicos, como se fosse um Peter Bardens renovado. Piotr Mintay Witkowski é um baixista na melhor acepção da palavra. Eu explico: O músico tem como preocupação jogar para o time, segurando as bases e dando suporte para o restante do grupo sem firulas desnecessárias, embora seu timbre de baixo se sobressia em vários momentos. O baterista e líder Wojtek Szadkowski, é outro músico extremamente subestimado. Excessivamente técnico, o musico possui uma complexidade ao utilizar seu instrumento só comparado a Bil Bruford e Neil Peart. E tal como esse ultimo, Woijtek também é responsável pelas letras do grupo. É um imenso prazer escutar suas linhas de bateria.
Com este time podemos dizer que o Collage não só gravou seu melhor trabalho, mas como o maior clássico do progressivo dos anos 90.
“Heroes Cry” abre o disco com sua cama de teclados, mostrando de cara o lado sinfônico exacerbado do grupo. A guitarra melódica ladeada com os teclados e a cozinha excessivamente entrosada demonstra como o grupo estava coeso e animado. Robert canta empostando a voz de maneira segura e firme, utilizando uma técnica vocal diferenciada no universo progressivo, com certeza seus anos de vocalista me bandas de heavy e thrash metal lhe deram uma perspectiva diferente dos demais cantores;
“In Your Eyes” é uma suíte de 14 minutos bem elaborada e com variações técnicas e sinfônicas. Amirian começa sussurrando sua voz em meio a teclados góticos e pianos renascentistas até eclodir com seu grito, fazendo o grupo mergulhar de cabeça no tema com uma precisão cirúrgica. Um grande momento do disco;
“Lonely Day” é uma pequena balada com introdução de piano onde o destaque principal é o vocalista. Um tema interessante, criado em torno da voz;
“Living In The Moonlight” é um verdadeiro clássico do progressivo dos anos 90, uma canção diferenciada, construída com uma base de guitarra ao fundo o tempo todo comandando a canção. A performance passional de Robert merece ser saudada, pois a entrega do vocalista é determinante para o sucesso da canção. Outro destaque da música é o solo de guitarra completamente arrebatador;
O álbum segue quase instantaneamente com “The Blues”, a mais enérgica do disco, que se inicia com um excelente riff de guitarra e uma bateria técnica interagindo de maneira única e soberba. A canção desacelera para a entrada dos vocais murmurantes de Robert,  que vai se desenvolvendo juntamente com o tema;
“Wings In The Night”, é outra suíte de 11 minutos um pouco densa e sombria, com um trabalho magnifico de guitarra;
 A faixa título possui mais de 12 minutos, mais um tema excessivamente lírico, com linhas complexas de bateria e guitarra, o vocal encorpado de Amirian e o jogo de vozes é o grande destaque da música;
“War Is Over” encerra o álbum. É uma  pequena balada comandada por violões, com sua letra sobre o fim da guerra.

“Moonshine”, foi saudado e festejado pelos fãs do estilo e elevou Collage a status de banda cult, catapultando a carreira do grupo, que infelizmente se separaria no ano seguinte, após o lançamento de seu quarto CD, o também excelente “Safe”.  Uma pena, pois a banda tinha talento para seguir adiante e se tornar uma dos maiores nomes do estilo. De todo modo, fica sua obra maravilhosa a disposição de todos que gostam de um rock sinfônico, técnico e bem executado. Em tempo: A capa sombria e fantástica do pintor polonês Zdzislaw Beksinski, da um toque final ao trabalho.

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