Bem-vindo ao 80 Minutos

Nós amamos música e adoramos compartilhar nossas avaliações sobre os álbuns de nossas bandas favoritas.

Resenha: Gentle Giant - Playing The Fool (1977)

Por: Tiago Meneses

Acessos: 140

Compartilhar:

Facebook Twitter Google +
User Photo
Album Cover
Um frenesi selvagem de música sincopada, complicada e tecnicamente brilhante
5
06/07/2018

Não acho que seria nenhum exagero eu falar que considero esse o meu registro ao vivo preferido de uma banda de rock progressivo. A qualidade de som desse disco é incrível e se possível desfrute dele com bons fones de ouvido, garanto que a experiência não lhe trará nenhum arrependimento. Gentle Giant aqui prova que eles estavam muito longe de serem considerados apenas uma banda de estúdio e toda a técnica e precisão encontrada em seus álbuns também poderiam ser vistas em cima do palco. Muito mais do que instrumentistas e compositores consumados e incríveis, eles também eram artistas fora de série ao vivo. 

Gentle Giant sempre teve uma excelente presença de palco e podiam interpretar a maioria das suas músicas (por mais intrincadas que fosse) com bastante energia, convicção e até mesmo um sorriso no rosto como se estivessem fazendo algo simples. Ainda que não existisse um lance performático como, por exemplo, Peter Gabriel no Genesis, Derek Shulman era um líder forte a frente da banda. A química apresentada é alucinante, fruto dos anos em que estiveram tocando juntos. Durante o show são utilizados cerca de trinta instrumentos em que eles tocam entre si sempre de maneira brilhante. 

O espetáculo já começa de forma fervorosa com “Just The Shame” do disco Free Hand sendo introduzida com o seu piano/teclado elétrico. Uma abertura enérgica com vocais e coros com bastante intensidade, trabalho magnifico de guitarra e órgão no seu núcleo não são menos que magníficos. “Proclamation” mantem o show em alto nível. Adoro os vocais dessa música e aqui ela está com um arranjo um pouco diferente do original, principalmente na introdução ao piano combinada com um excelente preenchimento de guitarra. “On Reflection” através da sua introdução com vibrafone e instrumentos de sopro foi executada sem erros através também dos seus belos corais. Há um excelente duo de violão entre Ray Shulman e Gary Green durante a faixa “Excerpts from Octopus”. A seção do coro combinada de forma excelente com o vibrafone também é ótima. Sempre tenho a impressão que Gary Green é um guitarrista muito subestimado. A exploração instrumental dessa música é algo sensacional. 

“Funny Ways” do primeiro disco da banda mantém suas linhas vocais de maneira arrepiantes e a instrumentação meio orquestral muito boa. Aqui lhe foi acrescentada um longo solo de vibrafone a deixando assim com uma atmosfera mais obscura. “Runaway” começa com o seu clássico som rítmico de vidros se quebrando, impressionante como a banda faz ao vivo e com naturalidade uma melodia complexa e instrumentação variada, após pouco mais da metade da sua duração natural, emenda com “Experience”, música que está um pouco mais rápida que sua versão original, mas sem perder a direção, mantendo-se complexa e intrincada e com ótimo trabalho de teclado e guitarra. 

“So Sincere” que possuía menos de quatro minutos aqui se encontra com mais de dez devido a uma longa passagem instrumental primeiramente liderada por um trabalho brilhante de guitarra antes de entrar em um solo de bateria que até eu que não costumo gostar desse tipo de solo, pois acho que esfriam os shows, gostei do resultado. “Free Hand” como não poderia ser diferente é um rock enérgico e cheio de vigor, inclusive sua parte mais sossegada contida na versão original foi substituída por uma jam pulsante. “Sweet Georgia Brown (Breakdown In Brussels)” é uma peça curta com influências jazzística tocada ao violino. O disco chega ao fim através do meddley “'Peel The Paint/I Lost My Head', sendo a primeira, uma faixa do disco Three Friends,e a segunda, do disco Interview, onde a execução de ambas as partes fazem com que o disco termine em grande estilo. 

Quando me perguntam o que um álbum ao vivo tem que ter para que eu o considere um grande feito, bom, acho que muitos fatores devem ser levados em conta, como capturar a essência da banda, transmitir a empolgação do evento e soar de fato como um show. Isso o Gentle Giant faz aqui com perfeição. Impressionante como todos tocavam individualmente em prol do conjunto em um frenesi selvagem de música sincopada, complicada e tecnicamente brilhante que define muito bem o rock progressivo. Uma obra-prima. 

Um frenesi selvagem de música sincopada, complicada e tecnicamente brilhante
5
06/07/2018

Não acho que seria nenhum exagero eu falar que considero esse o meu registro ao vivo preferido de uma banda de rock progressivo. A qualidade de som desse disco é incrível e se possível desfrute dele com bons fones de ouvido, garanto que a experiência não lhe trará nenhum arrependimento. Gentle Giant aqui prova que eles estavam muito longe de serem considerados apenas uma banda de estúdio e toda a técnica e precisão encontrada em seus álbuns também poderiam ser vistas em cima do palco. Muito mais do que instrumentistas e compositores consumados e incríveis, eles também eram artistas fora de série ao vivo. 

Gentle Giant sempre teve uma excelente presença de palco e podiam interpretar a maioria das suas músicas (por mais intrincadas que fosse) com bastante energia, convicção e até mesmo um sorriso no rosto como se estivessem fazendo algo simples. Ainda que não existisse um lance performático como, por exemplo, Peter Gabriel no Genesis, Derek Shulman era um líder forte a frente da banda. A química apresentada é alucinante, fruto dos anos em que estiveram tocando juntos. Durante o show são utilizados cerca de trinta instrumentos em que eles tocam entre si sempre de maneira brilhante. 

O espetáculo já começa de forma fervorosa com “Just The Shame” do disco Free Hand sendo introduzida com o seu piano/teclado elétrico. Uma abertura enérgica com vocais e coros com bastante intensidade, trabalho magnifico de guitarra e órgão no seu núcleo não são menos que magníficos. “Proclamation” mantem o show em alto nível. Adoro os vocais dessa música e aqui ela está com um arranjo um pouco diferente do original, principalmente na introdução ao piano combinada com um excelente preenchimento de guitarra. “On Reflection” através da sua introdução com vibrafone e instrumentos de sopro foi executada sem erros através também dos seus belos corais. Há um excelente duo de violão entre Ray Shulman e Gary Green durante a faixa “Excerpts from Octopus”. A seção do coro combinada de forma excelente com o vibrafone também é ótima. Sempre tenho a impressão que Gary Green é um guitarrista muito subestimado. A exploração instrumental dessa música é algo sensacional. 

“Funny Ways” do primeiro disco da banda mantém suas linhas vocais de maneira arrepiantes e a instrumentação meio orquestral muito boa. Aqui lhe foi acrescentada um longo solo de vibrafone a deixando assim com uma atmosfera mais obscura. “Runaway” começa com o seu clássico som rítmico de vidros se quebrando, impressionante como a banda faz ao vivo e com naturalidade uma melodia complexa e instrumentação variada, após pouco mais da metade da sua duração natural, emenda com “Experience”, música que está um pouco mais rápida que sua versão original, mas sem perder a direção, mantendo-se complexa e intrincada e com ótimo trabalho de teclado e guitarra. 

“So Sincere” que possuía menos de quatro minutos aqui se encontra com mais de dez devido a uma longa passagem instrumental primeiramente liderada por um trabalho brilhante de guitarra antes de entrar em um solo de bateria que até eu que não costumo gostar desse tipo de solo, pois acho que esfriam os shows, gostei do resultado. “Free Hand” como não poderia ser diferente é um rock enérgico e cheio de vigor, inclusive sua parte mais sossegada contida na versão original foi substituída por uma jam pulsante. “Sweet Georgia Brown (Breakdown In Brussels)” é uma peça curta com influências jazzística tocada ao violino. O disco chega ao fim através do meddley “'Peel The Paint/I Lost My Head', sendo a primeira, uma faixa do disco Three Friends,e a segunda, do disco Interview, onde a execução de ambas as partes fazem com que o disco termine em grande estilo. 

Quando me perguntam o que um álbum ao vivo tem que ter para que eu o considere um grande feito, bom, acho que muitos fatores devem ser levados em conta, como capturar a essência da banda, transmitir a empolgação do evento e soar de fato como um show. Isso o Gentle Giant faz aqui com perfeição. Impressionante como todos tocavam individualmente em prol do conjunto em um frenesi selvagem de música sincopada, complicada e tecnicamente brilhante que define muito bem o rock progressivo. Uma obra-prima. 

Sample photo

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Mais Resenhas de Gentle Giant

Album Cover

Gentle Giant - The Power And The glory (1974)

Um dos mais complexos e desafiadores trabalhos da banda
5
Por: Tiago Meneses
30/09/2017
Album Cover

Gentle Giant - Free Hand (1975)

Um exemplo de perfeição do primeiro ao último acorde.
5
Por: Tiago Meneses
03/04/2018
Album Cover

Gentle Giant - Acquiring The Taste (1971)

Um grande passo em direção à sonoridade que praticamente definiria a banda.
5
Por: Tiago Meneses
27/01/2018

Quer Mais?

Veja as nossas recomendações:

Album Cover

Yes - 90125 (1983)

A obra que reciclou o Yes
4.5
Por: Marcel Z. Dio
26/03/2018
Album Cover

Fish - Vigil In A Wilderness Of Mirrors (1990)

O espetacular álbum primogênito de Fish
5
Por: André Luiz Paiz
05/01/2018
Album Cover

Yes - Heaven & Earth (2014)

Pobre, sem graça, inspiração e longe de soar progressivo.
1.5
Por: Tiago Meneses
04/10/2017