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Resenha: Focus - 3 (1973)

Por: Tiago Meneses

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Recheado de passagens instrumentais riquíssimas, inspiradoras e brilhantes
4.5
05/07/2018

Após uma estreia bastante sólida e um segundo disco (Moving Waves ) excelente a banda passou ser conhecida não apenas em seu país e cruzou as fronteiras da Holanda, já que estavam com uma base sólida de fãs de vários outros países da Europa e Estados Unidos. Com grande popularidade se vem grandes responsabilidades, onde a da banda era a preocupação em fazer um disco que fosse capaz de manter ou aumentar esses fãs. Confesso que apesar de qualquer coisa uma coisa eles foram, ousados e lançaram um disco duplo. 

A música encontrada neste disco é de uma banda preocupada em fazer músicas sólidas e sóbrias, bem direcionadas, com ecos na sonoridade dos anos 60 e um estilo bastante delicado de tocar. Focus mostrou ser uma banda com coragem em ser diferente e não apenas pegou como espelho a música do Reino Unido, como criou algo único e requintado. 

“Round Goes the Gossip” é a música que abre o disco. Bastante vibrante e começa com uma bateria que liga aos demais instrumentos dando ao som uma passagem instrumental complexa. A maneira peculiar com que é executado o trabalho de órgão é excelentes e bastante intrincado, fazendo com que a música ora tenha passagens melódicas e em outros momentos algo mais jazzísticos. Em alguns momentos, Thijs Van Leer usa sua voz para criar alguns sons meio estranhos. Em resumo, o rock progressivo com o que ele tem de melhor a oferecer. 

“Love Remembered” é uma música que contrasta muito bem com a anterior, onde ao invés do uso de flauta de uma maneira mais veemente, a ideia é de um desfile no instrumento em uma melodia mais delicada e melancólica. Bons trabalhos de bateria e baixo entregam uma cozinha sólida para a música, o violão é bastante sutil. Apesar de ter menos de três minutos de duração, consegue transmitir muito ao ouvinte em um clima bastante melancólico e bonito. 

“Sylvia” é uma música que conta com uma história bem legal. Anos antes de se juntar ao Focus, Thijs van Leer cantava em dois corais na Holanda e que inclusive eram bastante conhecidos no país, mas ele acabou cansado daquele tipo de arte. Ele e uma garota do coral e que se chamava Sylvia pediram para que cada um deles cantasse uma música, saindo um pouco dos “ohhhhh” e “ahhhhhh”. Mas ao que parece eles acharam a música de Sylvia terrível, então que Thijs van Leer escreveu uma música pra ela que por sua vez a odiou, com isso ele manteve a música escondida. Enquanto a banda trabalhava em Focus 3, sentiam que estavam com falta de material, Thijs van Leer então lembrou dessa faixa, procurou por ela, apagou as letras e gravou com a banda. Surpreendentemente  a música funcionou tão bem pra banda que acabou se transformando em um dos seus maiores sucessos. Não se trata de uma faixa necessariamente complexa ou mesmo frenética, possui uma melodia cativante com destaque maior para o trabalho de guitarra. O uso de hammond dá o complemente perfeito. Na geral uma música simples, mas ótima de ouvir. 

“Carnival Fugue” tem o seu início através de uma introdução de piano belíssima e um tanto dramática. São também adicionados alguns toques de guitarra ao fundo e que pode ser até difíceis de perceber. Quando a seção instrumental cresce com os demais instrumentos, mostra uma influência clássica (mais precisamente barroca). A música então sofre uma guinada surpreendente e o território explorado passa algo bem na veia do fusion. Mais um incrível do disco. 

“Focus III” é uma música absurdamente linda. A guitarra de Jan Akkerman cria uma atmosfera fantástica junto dos trabalhos de Thijs van Leer que ajudam a deixar tudo com uma aura obscura, sombria e misteriosa. Baixo e bateria apesar de serem discretos também solidificam bem a faixa. O seu final já emenda muito bem com a faixa seguinte. 

“Answers? Questions! Questions? Answers!” é a primeira das duas músicas mais longas do disco. Sem dúvida que se trata de um dos épicos mais dramáticos da banda. Às vezes algumas músicas com o passar do tempo deixam de ter o mesmo brilho causado inicialmente, não é o caso aqui e o tempo a solidificou como um clássico atemporal. A mistura do desempenho sensacional de órgão com a magia da guitarra tocada com extrema delicadeza e perfeição é inacreditável. O trabalho de flauta é outro que não deve ser considerado algo menos do que sublime. Tudo flui maravilhosamente bem e o quebra cabeça com que a música se parece, encaixa perfeitamente cada uma de suas peças no seu devido lugar. Uma música que não é apenas pra aplaudir, mas levantar antes disso. 

Existem alguns CDs onde a ordem das músicas finais é trocada. No meu, "Elspeth of Nottingham", vem antes da versão completa de “Anonymous Two”, o que eu acho o mais adequado. Uma viagem musical que parece nos levar lá para o século XI através de um lindo alaúde e que depois recebe a companhia de um belíssimo flautim. Uma ótima preparação para o épico final. 

“Anonymous Two” possui mais de vinte e seis minutos e já começa bastante animada e se move até chegar a um momento frenético de flauta e uma bateria com uma pegada bem na linha do Jethro Tull. Thijs van Leer desempenha seu ofício de flautista com bastante destreza e maestria enquanto que o restante da banda dá um excelente apoio de fundo, mostrando exatamente como uma grande banda deve funcionar. Após a flauta Thijs van Leer entra de cabeça em um desempenho no órgão que também impressiona bastante. Claro que em um épico deste tamanho também teria espaço para que outras estrelas brilhassem. Existe um turno para cada um dos músicos solar controladamente, pois mesmo que seus desempenhos sejam destacados de maneira solitária, a banda de fundo consegue sempre manter a coordenação entre os demais membros pra que assim mantenha-se intacta a atmosfera geral da música. Um desfecho de CD simplesmente apoteótico. 

Esse disco é muito bom e recheado de boas músicas e passagens instrumentais riquíssimas, inspiradores e brilhantes. Apesar de estar posicionado entre os dois discos da bandas e que são mais aclamados pela crítica, Focus 3 não se deixa ofuscar e mostra uma música praticamente sem furos durante todos os seus mais de setenta minutos.  

Recheado de passagens instrumentais riquíssimas, inspiradoras e brilhantes
4.5
05/07/2018

Após uma estreia bastante sólida e um segundo disco (Moving Waves ) excelente a banda passou ser conhecida não apenas em seu país e cruzou as fronteiras da Holanda, já que estavam com uma base sólida de fãs de vários outros países da Europa e Estados Unidos. Com grande popularidade se vem grandes responsabilidades, onde a da banda era a preocupação em fazer um disco que fosse capaz de manter ou aumentar esses fãs. Confesso que apesar de qualquer coisa uma coisa eles foram, ousados e lançaram um disco duplo. 

A música encontrada neste disco é de uma banda preocupada em fazer músicas sólidas e sóbrias, bem direcionadas, com ecos na sonoridade dos anos 60 e um estilo bastante delicado de tocar. Focus mostrou ser uma banda com coragem em ser diferente e não apenas pegou como espelho a música do Reino Unido, como criou algo único e requintado. 

“Round Goes the Gossip” é a música que abre o disco. Bastante vibrante e começa com uma bateria que liga aos demais instrumentos dando ao som uma passagem instrumental complexa. A maneira peculiar com que é executado o trabalho de órgão é excelentes e bastante intrincado, fazendo com que a música ora tenha passagens melódicas e em outros momentos algo mais jazzísticos. Em alguns momentos, Thijs Van Leer usa sua voz para criar alguns sons meio estranhos. Em resumo, o rock progressivo com o que ele tem de melhor a oferecer. 

“Love Remembered” é uma música que contrasta muito bem com a anterior, onde ao invés do uso de flauta de uma maneira mais veemente, a ideia é de um desfile no instrumento em uma melodia mais delicada e melancólica. Bons trabalhos de bateria e baixo entregam uma cozinha sólida para a música, o violão é bastante sutil. Apesar de ter menos de três minutos de duração, consegue transmitir muito ao ouvinte em um clima bastante melancólico e bonito. 

“Sylvia” é uma música que conta com uma história bem legal. Anos antes de se juntar ao Focus, Thijs van Leer cantava em dois corais na Holanda e que inclusive eram bastante conhecidos no país, mas ele acabou cansado daquele tipo de arte. Ele e uma garota do coral e que se chamava Sylvia pediram para que cada um deles cantasse uma música, saindo um pouco dos “ohhhhh” e “ahhhhhh”. Mas ao que parece eles acharam a música de Sylvia terrível, então que Thijs van Leer escreveu uma música pra ela que por sua vez a odiou, com isso ele manteve a música escondida. Enquanto a banda trabalhava em Focus 3, sentiam que estavam com falta de material, Thijs van Leer então lembrou dessa faixa, procurou por ela, apagou as letras e gravou com a banda. Surpreendentemente  a música funcionou tão bem pra banda que acabou se transformando em um dos seus maiores sucessos. Não se trata de uma faixa necessariamente complexa ou mesmo frenética, possui uma melodia cativante com destaque maior para o trabalho de guitarra. O uso de hammond dá o complemente perfeito. Na geral uma música simples, mas ótima de ouvir. 

“Carnival Fugue” tem o seu início através de uma introdução de piano belíssima e um tanto dramática. São também adicionados alguns toques de guitarra ao fundo e que pode ser até difíceis de perceber. Quando a seção instrumental cresce com os demais instrumentos, mostra uma influência clássica (mais precisamente barroca). A música então sofre uma guinada surpreendente e o território explorado passa algo bem na veia do fusion. Mais um incrível do disco. 

“Focus III” é uma música absurdamente linda. A guitarra de Jan Akkerman cria uma atmosfera fantástica junto dos trabalhos de Thijs van Leer que ajudam a deixar tudo com uma aura obscura, sombria e misteriosa. Baixo e bateria apesar de serem discretos também solidificam bem a faixa. O seu final já emenda muito bem com a faixa seguinte. 

“Answers? Questions! Questions? Answers!” é a primeira das duas músicas mais longas do disco. Sem dúvida que se trata de um dos épicos mais dramáticos da banda. Às vezes algumas músicas com o passar do tempo deixam de ter o mesmo brilho causado inicialmente, não é o caso aqui e o tempo a solidificou como um clássico atemporal. A mistura do desempenho sensacional de órgão com a magia da guitarra tocada com extrema delicadeza e perfeição é inacreditável. O trabalho de flauta é outro que não deve ser considerado algo menos do que sublime. Tudo flui maravilhosamente bem e o quebra cabeça com que a música se parece, encaixa perfeitamente cada uma de suas peças no seu devido lugar. Uma música que não é apenas pra aplaudir, mas levantar antes disso. 

Existem alguns CDs onde a ordem das músicas finais é trocada. No meu, "Elspeth of Nottingham", vem antes da versão completa de “Anonymous Two”, o que eu acho o mais adequado. Uma viagem musical que parece nos levar lá para o século XI através de um lindo alaúde e que depois recebe a companhia de um belíssimo flautim. Uma ótima preparação para o épico final. 

“Anonymous Two” possui mais de vinte e seis minutos e já começa bastante animada e se move até chegar a um momento frenético de flauta e uma bateria com uma pegada bem na linha do Jethro Tull. Thijs van Leer desempenha seu ofício de flautista com bastante destreza e maestria enquanto que o restante da banda dá um excelente apoio de fundo, mostrando exatamente como uma grande banda deve funcionar. Após a flauta Thijs van Leer entra de cabeça em um desempenho no órgão que também impressiona bastante. Claro que em um épico deste tamanho também teria espaço para que outras estrelas brilhassem. Existe um turno para cada um dos músicos solar controladamente, pois mesmo que seus desempenhos sejam destacados de maneira solitária, a banda de fundo consegue sempre manter a coordenação entre os demais membros pra que assim mantenha-se intacta a atmosfera geral da música. Um desfecho de CD simplesmente apoteótico. 

Esse disco é muito bom e recheado de boas músicas e passagens instrumentais riquíssimas, inspiradores e brilhantes. Apesar de estar posicionado entre os dois discos da bandas e que são mais aclamados pela crítica, Focus 3 não se deixa ofuscar e mostra uma música praticamente sem furos durante todos os seus mais de setenta minutos.  

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