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Resenha: Raul Seixas - Carimbador Maluco (1983)

Por: Marcel Z. Dio

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Outro trabalho inspirado do irrequieto guru roqueiro
4
05/07/2018

O décimo primeiro álbum de estúdio do baiano Raul Seixas quebrou a tradição de não carregar um título em sua capa, então ficou apelidado pelos fãs de : Carimbador Maluco, devido ao sucesso da trilha.
Saindo da CBS pela segunda vez, Raul migra para a modesta gravadora Eldorado, a fase artística e pessoal não era das melhores, e mesmo com os empecilhos, o sarcástico artista conseguiu realizar um bom trabalho.
O misticismo dos anos 70 dilui-se com a saída de Paulo Coelho em 1978, Raul optou por fazer letras mais simples, seja com o amigo Claudio Roberto ou com a esposa Kika Seixas.
Fora da curva comportamental do BRock, Raul trilha novamente outro caminho em um disco diversificado em estilos, contendo blues, xaxado, rock, country e baião.
Em "DDI" o compositor poe-se no papel do todo-poderoso e acusa o descontentamento com a criação humana. O Deus personificado pelo cantor, pedia atitude por parte dos brasileiros, a inércia comportamental o irritava profundamente.

"Coisas do Coração" é uma baladinha country com letra ingenua sobre um casal apaixonado, as vezes Raul se despoja da acidez natural e comete coisas do tipo.

A beleza poética de "Coração Noturno" é de arrepiar, não atoa o roqueiro é cultuado por uma geração cujo a faixa etária abrange dos 10 aos 80 anos, impossível até para os mais novos não enxergar a genialidade do homem.
Importante ressaltar os arranjos brilhantes do maestro Miguel Cidras ao piano.

A essa altura do campeonato, Raul se lixava para censura, cutucando a "ferida" sem piedade. E ao som quente da guitarra de Rick Ferreira, o cantor desce a lenha em todos na sarcástica "Não Fosse o Cabral", poupando somente o "portuga" de sua língua afiada.

"E dá-lhe ignorância
Em toda circunstância
Não tenho de que me orgulhar
Nós não temos história

É uma vida sem vitória
Eu duvido que isso vai mudar...

Falta de cultura
Prá cuspir na estrutura
Falta de cultura
Prá cuspir na estrutura

Falta de cultura
Prá cuspir na estrutura
E que culpa tem Cabral?..."

O forró em parceria com a amiga Vanderleia é só pra quebrar o gelo, o vídeo da época pode ser conferido no youtube.

"Carimbador Maluco" pegou até Raul de surpresa pelo sucesso em programas infantis, na verdade Raul odiava estar cercado por pirralhos, mas como virou uma grana, o maluco entrou de cabeça na jogada. A letra não tinha nada de infantil, era uma crítica pesada a burocracia vigente, e foi meio que surrupiada do texto de Pierre Joseph Proudhon - sob o nome de "Ser governado é".

A lenta "Segredo da Luz" é cheia de provérbios Raulseixisticos em torno do dualismo Luz / Trevas, e outra aula de Miguel Cidras aos teclados.
Mesmo nas canções despretensiosas o guru do rock brazuca deixa sua mensagem. "Aquela Coisa" leva consigo um alto astral mágico, o cantor pede que deixemos os paradigmas de lado, olhando sob um novo aspecto as velhas coisas.

Capim Guine é uma brincadeira sertaneja, enquanto o rock de "Babilina" conta a história de uma garota de programa tentando ser resgatada pelo "namorado" que não queria dividir a "sobremesa".

Então é isso, esses são os destaques desse ótimo trabalho.
Ouça o disco e perceba a genialidade das faixas menos conhecidas do compositor, você terá uma boa surpresa.

Outro trabalho inspirado do irrequieto guru roqueiro
4
05/07/2018

O décimo primeiro álbum de estúdio do baiano Raul Seixas quebrou a tradição de não carregar um título em sua capa, então ficou apelidado pelos fãs de : Carimbador Maluco, devido ao sucesso da trilha.
Saindo da CBS pela segunda vez, Raul migra para a modesta gravadora Eldorado, a fase artística e pessoal não era das melhores, e mesmo com os empecilhos, o sarcástico artista conseguiu realizar um bom trabalho.
O misticismo dos anos 70 dilui-se com a saída de Paulo Coelho em 1978, Raul optou por fazer letras mais simples, seja com o amigo Claudio Roberto ou com a esposa Kika Seixas.
Fora da curva comportamental do BRock, Raul trilha novamente outro caminho em um disco diversificado em estilos, contendo blues, xaxado, rock, country e baião.
Em "DDI" o compositor poe-se no papel do todo-poderoso e acusa o descontentamento com a criação humana. O Deus personificado pelo cantor, pedia atitude por parte dos brasileiros, a inércia comportamental o irritava profundamente.

"Coisas do Coração" é uma baladinha country com letra ingenua sobre um casal apaixonado, as vezes Raul se despoja da acidez natural e comete coisas do tipo.

A beleza poética de "Coração Noturno" é de arrepiar, não atoa o roqueiro é cultuado por uma geração cujo a faixa etária abrange dos 10 aos 80 anos, impossível até para os mais novos não enxergar a genialidade do homem.
Importante ressaltar os arranjos brilhantes do maestro Miguel Cidras ao piano.

A essa altura do campeonato, Raul se lixava para censura, cutucando a "ferida" sem piedade. E ao som quente da guitarra de Rick Ferreira, o cantor desce a lenha em todos na sarcástica "Não Fosse o Cabral", poupando somente o "portuga" de sua língua afiada.

"E dá-lhe ignorância
Em toda circunstância
Não tenho de que me orgulhar
Nós não temos história

É uma vida sem vitória
Eu duvido que isso vai mudar...

Falta de cultura
Prá cuspir na estrutura
Falta de cultura
Prá cuspir na estrutura

Falta de cultura
Prá cuspir na estrutura
E que culpa tem Cabral?..."

O forró em parceria com a amiga Vanderleia é só pra quebrar o gelo, o vídeo da época pode ser conferido no youtube.

"Carimbador Maluco" pegou até Raul de surpresa pelo sucesso em programas infantis, na verdade Raul odiava estar cercado por pirralhos, mas como virou uma grana, o maluco entrou de cabeça na jogada. A letra não tinha nada de infantil, era uma crítica pesada a burocracia vigente, e foi meio que surrupiada do texto de Pierre Joseph Proudhon - sob o nome de "Ser governado é".

A lenta "Segredo da Luz" é cheia de provérbios Raulseixisticos em torno do dualismo Luz / Trevas, e outra aula de Miguel Cidras aos teclados.
Mesmo nas canções despretensiosas o guru do rock brazuca deixa sua mensagem. "Aquela Coisa" leva consigo um alto astral mágico, o cantor pede que deixemos os paradigmas de lado, olhando sob um novo aspecto as velhas coisas.

Capim Guine é uma brincadeira sertaneja, enquanto o rock de "Babilina" conta a história de uma garota de programa tentando ser resgatada pelo "namorado" que não queria dividir a "sobremesa".

Então é isso, esses são os destaques desse ótimo trabalho.
Ouça o disco e perceba a genialidade das faixas menos conhecidas do compositor, você terá uma boa surpresa.

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