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Resenha: Collegium Musicum - Konvergencie (1971)

Por: Tiago Meneses

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Aspirações clássicas, bombardeios sinfônicos e linhas psicodélicas
4.5
04/07/2018

O ano era 1971 e a Collegium Musicum já haviam lançado dois discos, um mediano e outro bom, mas sem tantos atrativos, quando então decidiram através do seu terceiro álbum, Konvergencie, criar o seu melhor e mais ambicioso registro, sua declaração musical definitiva. São mais de oitenta e dois minutos divididos em quatro faixas estendidas e que misturam peças de estúdio e ao vivo. O disco é repleto de aspirações clássicas, bombardeios sinfônicos, linhas psicodélicas e até mesmo um pouco de pop rock bastante agradável. A direção musical é dirigida principalmente pelo seu fundador e tecladista Marian Varga.

“P.F. 1972 (Happy New Year 1972)” é o épico de abertura do disco. Uma suíte dividida em sete partes cheias de pompas e extremamente contagiantes, com destaque, claro, para os exímios usos das teclas de Marian Varga. Começa com um órgão que lentamente vai ganhando a companhia do resto da banda. A linha de guitarra desse início me parece inclusive um pouco blueseira. Ainda sobre a guitarra dessa música, trata-se de uma mistura de momentos mais violentos e outros psicodélicos em devaneios musicalmente brilhantes. Possui um momento em que traz a tona um clima maquiavélico marcados com alguns excelentes hammonds e “gritos” de guitarra. Gosto de destacar também as duas partes em que um coro de crianças cantando maravilhosamente bem dá uma serenidade à música. Um começo que já demonstra o quanto versátil é o disco. 

A segunda música do disco fica por conta de Suita po tisíc a jednej noci (After One Thousand and One Nights Suite). Trata-se de um excelente desempenho ao vivo que incorpora longas passagens instrumentais em um entra e sai de temas da ópera, "Scheherazade" do maestro e compositor russo Rimsky-Korsakov. Tanto a maneira constante da bateria como as rajadas furiosas de guitarra faz com que o ouvinte se lembre das bandas holandesas de progressivo Focus e Finch. Existem também alguns momentos mais serenos e que nos remete ao jazz, além de algumas explosões psicodélicas. Imagine “Pictures at an Exhibition”, mas sendo executada de uma maneira mais espontânea e com uma gravação mais áspera. Se comparado aos momentos de estúdio ela pode ser vista como uma peça mais pesada e viciante. 

“Piesne z kolovratku (The Spinning-Wheel Songs)” novamente traz vocais aos álbum cantados de maneira intrincada com ótimas instrumentações. Tem de tudo um pouco, desde baladas bastante animadas e utilização de pianos que soa bastante extravagante. Ressonância de órgãos, como em expansão de um coral e um som com bastante energia em linhas pop rock que é muito bem desempenhada durante os seus cerca de dezoito minutos. Sua parte final apresenta uma atmosfera mais triste. O teclado que encerra a música isoladamente chega  a mostrar uma sonoridade perturbadora. 

O disco chega ao fim através de Eufónia (Euphony). Se trata de uma música bastante espacial, tem sua introdução toda em hammond. Há momentos em que a faixa entra em uma linha psicodélica fazendo lembrar um pouco a com a produzida pelo Pink Floyd nos seus primeiros anos. Nota-se também a influência em Krautrock em algumas explorações da banda. Seu momento final possui um teclado bastante caótico. As coisas parecem completamente sem direção e de uma coesão bastante difícil, mas mesmo assim eu considero uma bagunça boa pra se ouvir. 

Konvergencie é bastante indulgente, além de inspirado e ousado, pra mim, um dos melhores discos já feito em um país não muito conhecido por sua música progressiva. O disco oferece uma grande variedade de estilo em músicas excitantes, seja pela sua reviravolta psicodélica ou pelos seus ataques sinfônicos bombásticos, Konvergencie consegue trilhar muito bem por todos os caminhos sem que em momento algum se mostre perdido. 

Aspirações clássicas, bombardeios sinfônicos e linhas psicodélicas
4.5
04/07/2018

O ano era 1971 e a Collegium Musicum já haviam lançado dois discos, um mediano e outro bom, mas sem tantos atrativos, quando então decidiram através do seu terceiro álbum, Konvergencie, criar o seu melhor e mais ambicioso registro, sua declaração musical definitiva. São mais de oitenta e dois minutos divididos em quatro faixas estendidas e que misturam peças de estúdio e ao vivo. O disco é repleto de aspirações clássicas, bombardeios sinfônicos, linhas psicodélicas e até mesmo um pouco de pop rock bastante agradável. A direção musical é dirigida principalmente pelo seu fundador e tecladista Marian Varga.

“P.F. 1972 (Happy New Year 1972)” é o épico de abertura do disco. Uma suíte dividida em sete partes cheias de pompas e extremamente contagiantes, com destaque, claro, para os exímios usos das teclas de Marian Varga. Começa com um órgão que lentamente vai ganhando a companhia do resto da banda. A linha de guitarra desse início me parece inclusive um pouco blueseira. Ainda sobre a guitarra dessa música, trata-se de uma mistura de momentos mais violentos e outros psicodélicos em devaneios musicalmente brilhantes. Possui um momento em que traz a tona um clima maquiavélico marcados com alguns excelentes hammonds e “gritos” de guitarra. Gosto de destacar também as duas partes em que um coro de crianças cantando maravilhosamente bem dá uma serenidade à música. Um começo que já demonstra o quanto versátil é o disco. 

A segunda música do disco fica por conta de Suita po tisíc a jednej noci (After One Thousand and One Nights Suite). Trata-se de um excelente desempenho ao vivo que incorpora longas passagens instrumentais em um entra e sai de temas da ópera, "Scheherazade" do maestro e compositor russo Rimsky-Korsakov. Tanto a maneira constante da bateria como as rajadas furiosas de guitarra faz com que o ouvinte se lembre das bandas holandesas de progressivo Focus e Finch. Existem também alguns momentos mais serenos e que nos remete ao jazz, além de algumas explosões psicodélicas. Imagine “Pictures at an Exhibition”, mas sendo executada de uma maneira mais espontânea e com uma gravação mais áspera. Se comparado aos momentos de estúdio ela pode ser vista como uma peça mais pesada e viciante. 

“Piesne z kolovratku (The Spinning-Wheel Songs)” novamente traz vocais aos álbum cantados de maneira intrincada com ótimas instrumentações. Tem de tudo um pouco, desde baladas bastante animadas e utilização de pianos que soa bastante extravagante. Ressonância de órgãos, como em expansão de um coral e um som com bastante energia em linhas pop rock que é muito bem desempenhada durante os seus cerca de dezoito minutos. Sua parte final apresenta uma atmosfera mais triste. O teclado que encerra a música isoladamente chega  a mostrar uma sonoridade perturbadora. 

O disco chega ao fim através de Eufónia (Euphony). Se trata de uma música bastante espacial, tem sua introdução toda em hammond. Há momentos em que a faixa entra em uma linha psicodélica fazendo lembrar um pouco a com a produzida pelo Pink Floyd nos seus primeiros anos. Nota-se também a influência em Krautrock em algumas explorações da banda. Seu momento final possui um teclado bastante caótico. As coisas parecem completamente sem direção e de uma coesão bastante difícil, mas mesmo assim eu considero uma bagunça boa pra se ouvir. 

Konvergencie é bastante indulgente, além de inspirado e ousado, pra mim, um dos melhores discos já feito em um país não muito conhecido por sua música progressiva. O disco oferece uma grande variedade de estilo em músicas excitantes, seja pela sua reviravolta psicodélica ou pelos seus ataques sinfônicos bombásticos, Konvergencie consegue trilhar muito bem por todos os caminhos sem que em momento algum se mostre perdido. 

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