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Resenha: King Crimson - Larks' Tongues In Aspic (1973)

Por: Tiago Meneses

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Album Cover
Bastante sofisticado, experimental e impecável do começo ao fim
5
27/06/2018

King Crimson é aquele tipo de banda que a primeira coisa que nos vem em mente quando falamos dela é o fato de possuir tantas formações diferentes. Mesmo este não sendo o meu disco preferido (embora eu o considere maravilhoso), esta certamente é aquela formação que eu escolheria pra ser única na banda. Larks' Tongues In Aspic é um álbum bastante completo e sem qualquer tipo de ponto fraco. Um disco bastante sofisticado, experimental, impecável do começo ao fim e que os elevaram novamente do patamar de uma excelente banda para algo absolutamente divino. Considero este um daqueles trabalhos que não deve ser julgado instantaneamente, sua genialidade às vezes pode precisar de tempo pra ser absorvida, principalmente por conta de mais e mais detalhes que parecem emergir aos nossos ouvidos a cada audição. 

O disco começa com “Larks' Tongues In Aspic (Part 1)” através de um trabalho de xilofone bem suave e que vai ganhando mais energia enquanto lhe são acrescentados percussões e mellotron, fazendo com que seja construído uma ótima paisagem sonora. A percussão por sua vez dá lugar a um relaxante violino e uma guitarra agressiva (seria o primeiro riff de thrash metal?). A música então sofre uma grande explosão. Robert Fripp faz um solo de guitarra bastante intrincado enquanto que bateria, baixo e percussão confeccionam uma seção rítmica bastante exótica que mais a frente se tornaria ainda mais inspirada. Após todo esse caos de difícil descrição chega o momento de David Cross refrescar a música através de um trabalho solitário de violino que lentamente vai trazendo a superfície uma sonoridade mais vigorosa que ganha como companhia a bateria de Bruford e uma atmosfera sombria com algumas vozes que parecem ser em alemão. Uma obra extremamente progressiva, sem costuras ou qualquer rachadura entre suas seções, sejam elas suaves ou mais caóticas. Ideias musicais de grande pureza encaixadas muito bem e de maneira coesa. 

“Book Of Saturdays” é a menor música do disco com pouco menos de três minutos, mas muito bem estruturada. A guitarra de Robert Fripp tem uma sonoridade muito límpida. Eu particularmente sempre gostei bastante dos vocais de John Wetton, seu desempenho no baixo é simples e as linhas de violino de Cross são bem delicadas. Uma música serena, simples e de uma interação impecável entre os músicos. 

“Exiles” começa com um mellotron de maneira sombria, densa e transmitindo uma atmosfera quase bélica. O violino é bastante marcante e junto de alguns pratos movem a faixa ao seu tema principal, as linhas de baixo combinam bastante com o violino, a bateria é de certa forma discreta. Wetton novamente interpreta a canção de uma maneira bastante rica. O solo de guitarra é belíssimo e emocional. Uma verdadeira obra-prima absoluta. 

“Easy Money” começa de uma maneira “punk” através de uma bateria mais oca e Wetton utilizando uma sonoridade mais pesada em seu baixo. As guitarras de Fripp no geral são sutis, porém, muito marcantes. Cross encaixa alguns bons mellotons em determinados lugares. Se a música tem um início um tanto agressivo, conforme ela vai se desenvolvendo, apresenta mudanças e passa por um trabalho instrumental incrível até que Wetton retorna de maneira magistral com seu vocal exuberante e um trabalho de violino bizarro. Tem em sua conclusão uma risada meio perturbadora. 

“The Talking Drum” é a hora de a banda mostrar um pouco o seu poder de improvisação. Um bongo sendo tocado de maneira rápida, junto a uma simples linha de baixo, dá a consistência para que tanto o violino de Cross quanto a guitarra de Fripp desfilem às vezes de maneira independente e às vezes entrelaçadas. Não é fácil de descrever, mas Wetton, Bruford, e Muir deixam a base da música cada vez mais pesada e substancial. Uma música de uma obscuridade agradável. 

O disco chega ao fim com “Larks' Tongues In Aspic (Part 2)”. Começa com um ótimo riff de guitarra. As partes dessa música mudam com tanta frequência que eu confesso que falar sobre cada uma delas é complicado. As linhas de baixo são bastante evidentes e possui em determinado momento um dos sons mais esquisitos que eu já ouvi alguém tirar de um violino. A música segue no seu balanço e ganhando mais corpo até chegar a uma conclusão extremamente explosiva. Uma peça musical que possui bastantes sutilezas e que inicialmente podem ficar escondidas pelo seu teor experimental, mas quando a for ouvindo mais vezes, e com isso, os revelando através de novas percepções, o que já era bom certamente vai ficar ainda melhor. 

Larks' Tongues In Aspic é mais um dos discos do King Crimson que considero uma verdadeira obra-prima. A intensidade de suas músicas, as percussões estranhas e as grandes diferenças dinâmicas podem até não agradar aqueles mais desavisados e que esperam algo complexo, porém, de fácil digestão, mas mesmo assim não o julgue apenas depois de uma audição, meu conselho é que escute, deixe passar um tempo, escute de novo e por aí em diante, até que passe a ter uma ideia do que de fato está acontecendo, perceber que dentro de muito caos também existem aspectos musicais bem estruturados. 

Bastante sofisticado, experimental e impecável do começo ao fim
5
27/06/2018

King Crimson é aquele tipo de banda que a primeira coisa que nos vem em mente quando falamos dela é o fato de possuir tantas formações diferentes. Mesmo este não sendo o meu disco preferido (embora eu o considere maravilhoso), esta certamente é aquela formação que eu escolheria pra ser única na banda. Larks' Tongues In Aspic é um álbum bastante completo e sem qualquer tipo de ponto fraco. Um disco bastante sofisticado, experimental, impecável do começo ao fim e que os elevaram novamente do patamar de uma excelente banda para algo absolutamente divino. Considero este um daqueles trabalhos que não deve ser julgado instantaneamente, sua genialidade às vezes pode precisar de tempo pra ser absorvida, principalmente por conta de mais e mais detalhes que parecem emergir aos nossos ouvidos a cada audição. 

O disco começa com “Larks' Tongues In Aspic (Part 1)” através de um trabalho de xilofone bem suave e que vai ganhando mais energia enquanto lhe são acrescentados percussões e mellotron, fazendo com que seja construído uma ótima paisagem sonora. A percussão por sua vez dá lugar a um relaxante violino e uma guitarra agressiva (seria o primeiro riff de thrash metal?). A música então sofre uma grande explosão. Robert Fripp faz um solo de guitarra bastante intrincado enquanto que bateria, baixo e percussão confeccionam uma seção rítmica bastante exótica que mais a frente se tornaria ainda mais inspirada. Após todo esse caos de difícil descrição chega o momento de David Cross refrescar a música através de um trabalho solitário de violino que lentamente vai trazendo a superfície uma sonoridade mais vigorosa que ganha como companhia a bateria de Bruford e uma atmosfera sombria com algumas vozes que parecem ser em alemão. Uma obra extremamente progressiva, sem costuras ou qualquer rachadura entre suas seções, sejam elas suaves ou mais caóticas. Ideias musicais de grande pureza encaixadas muito bem e de maneira coesa. 

“Book Of Saturdays” é a menor música do disco com pouco menos de três minutos, mas muito bem estruturada. A guitarra de Robert Fripp tem uma sonoridade muito límpida. Eu particularmente sempre gostei bastante dos vocais de John Wetton, seu desempenho no baixo é simples e as linhas de violino de Cross são bem delicadas. Uma música serena, simples e de uma interação impecável entre os músicos. 

“Exiles” começa com um mellotron de maneira sombria, densa e transmitindo uma atmosfera quase bélica. O violino é bastante marcante e junto de alguns pratos movem a faixa ao seu tema principal, as linhas de baixo combinam bastante com o violino, a bateria é de certa forma discreta. Wetton novamente interpreta a canção de uma maneira bastante rica. O solo de guitarra é belíssimo e emocional. Uma verdadeira obra-prima absoluta. 

“Easy Money” começa de uma maneira “punk” através de uma bateria mais oca e Wetton utilizando uma sonoridade mais pesada em seu baixo. As guitarras de Fripp no geral são sutis, porém, muito marcantes. Cross encaixa alguns bons mellotons em determinados lugares. Se a música tem um início um tanto agressivo, conforme ela vai se desenvolvendo, apresenta mudanças e passa por um trabalho instrumental incrível até que Wetton retorna de maneira magistral com seu vocal exuberante e um trabalho de violino bizarro. Tem em sua conclusão uma risada meio perturbadora. 

“The Talking Drum” é a hora de a banda mostrar um pouco o seu poder de improvisação. Um bongo sendo tocado de maneira rápida, junto a uma simples linha de baixo, dá a consistência para que tanto o violino de Cross quanto a guitarra de Fripp desfilem às vezes de maneira independente e às vezes entrelaçadas. Não é fácil de descrever, mas Wetton, Bruford, e Muir deixam a base da música cada vez mais pesada e substancial. Uma música de uma obscuridade agradável. 

O disco chega ao fim com “Larks' Tongues In Aspic (Part 2)”. Começa com um ótimo riff de guitarra. As partes dessa música mudam com tanta frequência que eu confesso que falar sobre cada uma delas é complicado. As linhas de baixo são bastante evidentes e possui em determinado momento um dos sons mais esquisitos que eu já ouvi alguém tirar de um violino. A música segue no seu balanço e ganhando mais corpo até chegar a uma conclusão extremamente explosiva. Uma peça musical que possui bastantes sutilezas e que inicialmente podem ficar escondidas pelo seu teor experimental, mas quando a for ouvindo mais vezes, e com isso, os revelando através de novas percepções, o que já era bom certamente vai ficar ainda melhor. 

Larks' Tongues In Aspic é mais um dos discos do King Crimson que considero uma verdadeira obra-prima. A intensidade de suas músicas, as percussões estranhas e as grandes diferenças dinâmicas podem até não agradar aqueles mais desavisados e que esperam algo complexo, porém, de fácil digestão, mas mesmo assim não o julgue apenas depois de uma audição, meu conselho é que escute, deixe passar um tempo, escute de novo e por aí em diante, até que passe a ter uma ideia do que de fato está acontecendo, perceber que dentro de muito caos também existem aspectos musicais bem estruturados. 

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