Bem-vindo ao 80 Minutos

Nós amamos música e adoramos compartilhar nossas avaliações sobre os álbuns de nossas bandas favoritas.

Resenha: Van Der Graaf Generator - Still Life (1976)

Por: Tiago Meneses

Acessos: 134

Compartilhar:

Facebook Twitter Google +
User Photo
Album Cover
Composições complexas, porém, melódicas e fáceis de serem desfrutadas.
5
23/06/2018

Van der Graaf Generator certamente é uma das bandas a qual eu mais sinto prazer em escrever sobre os seus discos, uma das minhas bandas preferidas de rock progressivo. Posso dizer que é um dos grupos que mais coloriu minha vida musical até hoje. O disco em questão é o Still Life, uma obra onde todas as suas cinco faixas são excelentes. Todo o álbum foi escrito em um conceito sólido, composições melódicas e firmes, ótimas estruturas e uma grande entrega (performance) vocal de Peter Hammill. Tudo isso descrito é preenchido sem praticamente uma falha que seja. No geral eu não acho que a banda tenha uma sonoridade fácil, não sou de indicar seus discos pessoalmente a ninguém, porém, sempre que escrevo sobre algum deles o faço tentando passar a ideia de que o ouvinte deve relaxar e ter paciência, além, claro, de deixar a mente aberta e despida de qualquer tipo de preconceito ou grande expectativa, tudo deve acontecer naturalmente. 

“Pilgrims” é a faixa que abre o disco. Começa com um bom som de órgão fazendo uma atmosfera bastante melódica seguida pela linda entrada tonal do vocal de Hammill. Sua voz durante a música inclusive mostra a sua já conhecida versatilidade em momentos angelicais, outros mais abafados e gritos violentos e apaixonados. Na parte instrumental os destaques ficam por conta do belíssimo trabalho de órgão de Hugh Banton e o saxofone de David Jackson que cria um excelente clima e enriquece as texturas da música. Um maravilhos começo de um disco que ainda tem muito a oferecer. 

“Still Life” tem um começo bem diferente da faixa anterior. Uma música bastante sombria que fala sobre morte (a própria morte) e especialmente sobre a resignação antes da morte, sobre as consequências da imortalidade e os inevitáveis paradoxo da vida eterna. Um terço da música é configurado apenas pelos vocais de Hammill deitando em uma cama criada pelo órgão de Hugh Banton até que Guy Evans entra com a bateria. A música então agora de forma mais enérgica flui de maneira brilhante, Hammill começa a cantar através de notas mais altas. Uma música incrível onde novamente o destaque são os trabalhos de órgão em camadas finas que criam texturas maravilhosas, sendo abrilhantadas ainda mais com o trabalho de saxofone. Na sua parte final a música se transforma em algo de sonoridade mais misteriosa, com piano e vocal executados simples e lindamente a finalizando.

“La Rossa” é uma música não menos que espetacular, sendo uma das minhas favoritas da banda. Hammill apresenta um vocal no seu melhor estilo teatral (e que eu particularmente adoro) e que torna um elemento essencial para o melhor desenvolver da canção. Inclusive eu poderia fazer uma resenha apenas falando do trabalho vocal aqui. A composição dessa música mostra o quanto a banda é capaz de misturar pontos altos e baixos. O saxofone preenche muito bem suas partes sejam elas em transições ou durante os vocais de Peter. Alguns momentos de órgão são em tons de lamento. O Trabalho de bateria também é bastante importante nas mudanças de ritmo da música. Apesar de tantas qualidades, pra mim o que a transforma em algo no status de uma obra de arte de primeira grandeza é a maneira como ela muda de melodia de maneira quase imperceptível. A parte final é completamente diferente da primeira metade, mas ainda assim, soa coerente. Sensacional. 

“My Room (Waiting For Wonderland)” é a música mais melancólica do disco. Começa com uma bateria suave, saxofone e bonitos pianos que acompanham Hammill. Existe aqui uma certa influência de jazz, principalmente durante a sua primeira parte. David Jackson tem a oportunidade de fazer um breve, porém, belo solo de saxofone. A melodia desta música não muda muito ao longo do seu fluxo total, talvez apenas no final possamos perceber alguma mudança maior com o piano e o saxofone a concluindo meio ao estilo de um jazz de vanguarda. 

“Childlike Faith In Childhood's End” é a última e mais longa faixa do disco. Uma composição brilhante e certamente uma das melhores letras de Hammill. Tem o seu início através de uma combinação bastante obscura entre voz e órgão. Pouco depois dos dois minutos ganha um ritmo mais rápido e com a voz de Hammill assumindo a liderança da música e levantando o seu tom. Como foi comum de ver durante todo o disco, o saxofone novamente fornece uma riqueza no já excelente papel do órgão. Inclusive por volta dos quatro minutos existe um ótimo solo de saxofone que é muito bom. Peter Hammill tem uma interpretação impecável, novamente teatral e extremamente emocional, principalmente em um momento mais silencioso onde a música se transforma em algo bem sinfônico. O que não falta nesta música é uma variação de emoções. Há também um momento onde a música salta para um estilo de vanguarda de arranjos mais complexos. A realidade é que essa música do começo ao fim é uma verdadeira maravilha do universo do rock progressivo. 

Still Life é sem a menor dúvida um dos álbuns mais emocionantes que eu já ouvi. Incrivelmente bem produzido, cada música é brilhante e muito bem executada e as composições são complexas, porém, melódicas e fáceis de serem desfrutadas. Nem sempre as palavras parecem fazer jus ao sentimento, e este é um bom exemplo disso. A banda apresenta um lado mais sombrio do progressivo enquanto que Peter Hammill como sempre se mostra um verdadeiro mestre nas palavras e expressão. 

Composições complexas, porém, melódicas e fáceis de serem desfrutadas.
5
23/06/2018

Van der Graaf Generator certamente é uma das bandas a qual eu mais sinto prazer em escrever sobre os seus discos, uma das minhas bandas preferidas de rock progressivo. Posso dizer que é um dos grupos que mais coloriu minha vida musical até hoje. O disco em questão é o Still Life, uma obra onde todas as suas cinco faixas são excelentes. Todo o álbum foi escrito em um conceito sólido, composições melódicas e firmes, ótimas estruturas e uma grande entrega (performance) vocal de Peter Hammill. Tudo isso descrito é preenchido sem praticamente uma falha que seja. No geral eu não acho que a banda tenha uma sonoridade fácil, não sou de indicar seus discos pessoalmente a ninguém, porém, sempre que escrevo sobre algum deles o faço tentando passar a ideia de que o ouvinte deve relaxar e ter paciência, além, claro, de deixar a mente aberta e despida de qualquer tipo de preconceito ou grande expectativa, tudo deve acontecer naturalmente. 

“Pilgrims” é a faixa que abre o disco. Começa com um bom som de órgão fazendo uma atmosfera bastante melódica seguida pela linda entrada tonal do vocal de Hammill. Sua voz durante a música inclusive mostra a sua já conhecida versatilidade em momentos angelicais, outros mais abafados e gritos violentos e apaixonados. Na parte instrumental os destaques ficam por conta do belíssimo trabalho de órgão de Hugh Banton e o saxofone de David Jackson que cria um excelente clima e enriquece as texturas da música. Um maravilhos começo de um disco que ainda tem muito a oferecer. 

“Still Life” tem um começo bem diferente da faixa anterior. Uma música bastante sombria que fala sobre morte (a própria morte) e especialmente sobre a resignação antes da morte, sobre as consequências da imortalidade e os inevitáveis paradoxo da vida eterna. Um terço da música é configurado apenas pelos vocais de Hammill deitando em uma cama criada pelo órgão de Hugh Banton até que Guy Evans entra com a bateria. A música então agora de forma mais enérgica flui de maneira brilhante, Hammill começa a cantar através de notas mais altas. Uma música incrível onde novamente o destaque são os trabalhos de órgão em camadas finas que criam texturas maravilhosas, sendo abrilhantadas ainda mais com o trabalho de saxofone. Na sua parte final a música se transforma em algo de sonoridade mais misteriosa, com piano e vocal executados simples e lindamente a finalizando.

“La Rossa” é uma música não menos que espetacular, sendo uma das minhas favoritas da banda. Hammill apresenta um vocal no seu melhor estilo teatral (e que eu particularmente adoro) e que torna um elemento essencial para o melhor desenvolver da canção. Inclusive eu poderia fazer uma resenha apenas falando do trabalho vocal aqui. A composição dessa música mostra o quanto a banda é capaz de misturar pontos altos e baixos. O saxofone preenche muito bem suas partes sejam elas em transições ou durante os vocais de Peter. Alguns momentos de órgão são em tons de lamento. O Trabalho de bateria também é bastante importante nas mudanças de ritmo da música. Apesar de tantas qualidades, pra mim o que a transforma em algo no status de uma obra de arte de primeira grandeza é a maneira como ela muda de melodia de maneira quase imperceptível. A parte final é completamente diferente da primeira metade, mas ainda assim, soa coerente. Sensacional. 

“My Room (Waiting For Wonderland)” é a música mais melancólica do disco. Começa com uma bateria suave, saxofone e bonitos pianos que acompanham Hammill. Existe aqui uma certa influência de jazz, principalmente durante a sua primeira parte. David Jackson tem a oportunidade de fazer um breve, porém, belo solo de saxofone. A melodia desta música não muda muito ao longo do seu fluxo total, talvez apenas no final possamos perceber alguma mudança maior com o piano e o saxofone a concluindo meio ao estilo de um jazz de vanguarda. 

“Childlike Faith In Childhood's End” é a última e mais longa faixa do disco. Uma composição brilhante e certamente uma das melhores letras de Hammill. Tem o seu início através de uma combinação bastante obscura entre voz e órgão. Pouco depois dos dois minutos ganha um ritmo mais rápido e com a voz de Hammill assumindo a liderança da música e levantando o seu tom. Como foi comum de ver durante todo o disco, o saxofone novamente fornece uma riqueza no já excelente papel do órgão. Inclusive por volta dos quatro minutos existe um ótimo solo de saxofone que é muito bom. Peter Hammill tem uma interpretação impecável, novamente teatral e extremamente emocional, principalmente em um momento mais silencioso onde a música se transforma em algo bem sinfônico. O que não falta nesta música é uma variação de emoções. Há também um momento onde a música salta para um estilo de vanguarda de arranjos mais complexos. A realidade é que essa música do começo ao fim é uma verdadeira maravilha do universo do rock progressivo. 

Still Life é sem a menor dúvida um dos álbuns mais emocionantes que eu já ouvi. Incrivelmente bem produzido, cada música é brilhante e muito bem executada e as composições são complexas, porém, melódicas e fáceis de serem desfrutadas. Nem sempre as palavras parecem fazer jus ao sentimento, e este é um bom exemplo disso. A banda apresenta um lado mais sombrio do progressivo enquanto que Peter Hammill como sempre se mostra um verdadeiro mestre nas palavras e expressão. 

Sample photo

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Mais Resenhas de Van Der Graaf Generator

Album Cover

Van Der Graaf Generator - H To He Who Am The Only One (1970)

Um disco com fortes influências no jazz
5
Por: Tiago Meneses
28/09/2017
Album Cover

Van Der Graaf Generator - Pawn Hearts (1971)

Perturbador, despretensioso e incrível ao mesmo tempo.
5
Por: Tiago Meneses
08/11/2017
Album Cover

Van Der Graaf Generator - The Least We Can Do Is Wave To Each Other (1970)

O primeiro grande disco da Van der Graaf Generator
4.5
Por: Tiago Meneses
18/04/2018

Quer Mais?

Veja as nossas recomendações:

Album Cover

Agitation Free - Malesch (1972)

Um bom disco de esculturas sonoras abstratas, embora razoavelmente acessíveis
3
Por: Tiago Meneses
29/05/2018
Album Cover

Kate Bush - Director's Cut (2011)

Releitura Genial da Própria Obra
5
Por: Roberto Rillo Bíscaro
21/02/2018
Album Cover

Kate Bush - Before The Dawn (2016)

IMPECÁVEL
5
Por: Roberto Rillo Bíscaro
16/02/2019