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Resenha: Jefferson Airplane - Surrealistic Pillow (1967)

Por: Tiago Meneses

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Não é uma obra-prima, mas algo seminal e inovador dentro da psicodelia 60's
3.5
21/06/2018

Jefferson Airplane sempre foi uma banda que eu escutei pouco, raramente me bate a vontade de curtir o som deles, mas isso não impede de eu achar certos trabalhos do grupo algo muito bom, caso que acontece com Surrealistic Pillows. Um disco clássico do rock psicodélico, ainda que menos psicodélico que os próximos trabalhos da banda. 

 “She Has Funny Cars” é a faixa que abre o disco. Boas batidas rítmicas e progressões de acordes, os riffs  de guitarra também são bons, assim como o solo final, ainda que nada de excepcional. Também vale mencionar os vocais que possuem uma excelente melodia. 

A estreia de Grace Slick acontece de fato na segunda faixa, “Somebody to Love”, uma canção escrita pelo seu cunhado e que a intenção era que fosse uma música da The Great Society (banda anterior de Grace), mas acabou se tornando a música mais bem sucedida e de maior sucesso da Jefferson Airplane. Possui uma combinação de uma batida bem conduzida com o uso de guitarra elétrica amplificada e um baixo bastante característico das bandas psicodélicas da época. Os vocais de Grace são bastante poderosos e sensuais, sendo o destaque em quase toca a música, exceto por um momento de solo distinto de guitarra e que combina bastante com o clima da canção. 

“My Best Friend” entre os singles do disco este provavelmente tenha sido o que ficou menos conhecido. Escrita por Skip Spence, só foi gravada pela banda depois de sua saída do grupo. Uma música bastante simples, na linha folk e nada demais, mas consegue brilhar a sua maneira principalmente devido as suas mudanças graduais de andamento. 

“Today” eu acho extremamente bela com sua atmosfera onírica e flutuante. Jerry Garcia toca guitarra base em algumas faixas do disco como convidado, além de ser o que eles chamam de “conselheiro musical e espiritual” da banda no disco. Violão e um riff elétrico de guitarra constroem uma melodia linda. 

“Comin’ Back to Me”é mais um dos momentos mais calmos e relaxantes do disco. Trata-se de uma peça bastante melancólica liderada por um violão e uma flauta delicada.Os vocais, desta vez liderados por Jorma Kaukonen são bastante doces, serenos, de natureza sinuosa e quase hipnóticos. É a música mais longa do disco com quase cinto minutos e meio, sendo cadenciada sempre de maneira sonolenta. Eu a acho lindíssima. 

Após duas faixas bastante relaxantes,“3/5 of a Mile in 10 Seconds”, apresenta uma levada pop mais alegre. Possui uma boa variação na bateria, algo que pode ser visto como uma marca registrada na banda, as linhas de baixo são bem fortes em alguns momentos e a guitarra tem em seu destaque maior um ótimo solo. 

“D.C.B.A.-25” mostra Marty Balin e Grace Slick soando juntos e de uma maneira bastante especial, apesar de seus tons contrastantes. A música em si não apresenta nada demais, simplesmente soa como um agradável pop rock típico dos anos 60. 

"How Do You Feel" começa com algumas notas de flauta que é logo seguida por violões, onde juntos desenham um ambiente que dão um sabor country. Os vocais mais uma vez são muito bons. Em determinado momento apresenta guitarras elétricas distantes que em seguida são acompanhados por violões. Termina de maneira muito bonita com o refrão sendo cantado à capela. 

Jorma Kaukonen nunca foi de contribuir muita para as composições da banda, mas "Embryonic Journey" foi uma breve composição instrumental sua que viria a ser tocada por infinitas bandas de folk  e psicodélicas. Essa música de certa forma me faz pensar até mesmo em interrupções acústicas de Steve Howe. Um dedilhado belíssimo e de sensação pastoral. 

“White Habbit” certamente é mais um dos hinos da era psicodélica. A música possui uma tensão que dá ao ouvinte uma sensação que faz parecer que a música não tem menos de três minutos de duração. Desde o seu começo através de um baixo, bateria em um estilo meio de marcha militar, pinceladas de guitarra ao vocal doce e depois enérgico de Grace, tudo a faz deste um dos melhores momentos do álbum. Certamente outra música bastante conhecida da banda e lançada como o segundo single na época. 

O disco termina com “Plastic Fantastic Lover” que hoje pode ser vista como uma letra qualquer, quase uma letra de rap, mas na época era uma forte candidata a ser alvo das canetas vermelhas da censura. Os vocais e as guitarras estão no melhor estilo de banda de garagem, inclusive, sons semelhantes encontrados nessa música surgiram anos mais tarde em vários álbuns punk. Poderia ser chamado de um proto-punk psicodélico acústico ou algo assim. 

Quando falo desse álbum, eu não falo necessariamente de uma obra-prima, mas ele deve ser visto pelo menos como algo seminal e inovador dentro da psicodelia lançado em uma época que os estilos musicais estavam mais rápido que o próprio tempo. Um disco muito bom e que merece pelo menos uma boa atenção. 

Não é uma obra-prima, mas algo seminal e inovador dentro da psicodelia 60's
3.5
21/06/2018

Jefferson Airplane sempre foi uma banda que eu escutei pouco, raramente me bate a vontade de curtir o som deles, mas isso não impede de eu achar certos trabalhos do grupo algo muito bom, caso que acontece com Surrealistic Pillows. Um disco clássico do rock psicodélico, ainda que menos psicodélico que os próximos trabalhos da banda. 

 “She Has Funny Cars” é a faixa que abre o disco. Boas batidas rítmicas e progressões de acordes, os riffs  de guitarra também são bons, assim como o solo final, ainda que nada de excepcional. Também vale mencionar os vocais que possuem uma excelente melodia. 

A estreia de Grace Slick acontece de fato na segunda faixa, “Somebody to Love”, uma canção escrita pelo seu cunhado e que a intenção era que fosse uma música da The Great Society (banda anterior de Grace), mas acabou se tornando a música mais bem sucedida e de maior sucesso da Jefferson Airplane. Possui uma combinação de uma batida bem conduzida com o uso de guitarra elétrica amplificada e um baixo bastante característico das bandas psicodélicas da época. Os vocais de Grace são bastante poderosos e sensuais, sendo o destaque em quase toca a música, exceto por um momento de solo distinto de guitarra e que combina bastante com o clima da canção. 

“My Best Friend” entre os singles do disco este provavelmente tenha sido o que ficou menos conhecido. Escrita por Skip Spence, só foi gravada pela banda depois de sua saída do grupo. Uma música bastante simples, na linha folk e nada demais, mas consegue brilhar a sua maneira principalmente devido as suas mudanças graduais de andamento. 

“Today” eu acho extremamente bela com sua atmosfera onírica e flutuante. Jerry Garcia toca guitarra base em algumas faixas do disco como convidado, além de ser o que eles chamam de “conselheiro musical e espiritual” da banda no disco. Violão e um riff elétrico de guitarra constroem uma melodia linda. 

“Comin’ Back to Me”é mais um dos momentos mais calmos e relaxantes do disco. Trata-se de uma peça bastante melancólica liderada por um violão e uma flauta delicada.Os vocais, desta vez liderados por Jorma Kaukonen são bastante doces, serenos, de natureza sinuosa e quase hipnóticos. É a música mais longa do disco com quase cinto minutos e meio, sendo cadenciada sempre de maneira sonolenta. Eu a acho lindíssima. 

Após duas faixas bastante relaxantes,“3/5 of a Mile in 10 Seconds”, apresenta uma levada pop mais alegre. Possui uma boa variação na bateria, algo que pode ser visto como uma marca registrada na banda, as linhas de baixo são bem fortes em alguns momentos e a guitarra tem em seu destaque maior um ótimo solo. 

“D.C.B.A.-25” mostra Marty Balin e Grace Slick soando juntos e de uma maneira bastante especial, apesar de seus tons contrastantes. A música em si não apresenta nada demais, simplesmente soa como um agradável pop rock típico dos anos 60. 

"How Do You Feel" começa com algumas notas de flauta que é logo seguida por violões, onde juntos desenham um ambiente que dão um sabor country. Os vocais mais uma vez são muito bons. Em determinado momento apresenta guitarras elétricas distantes que em seguida são acompanhados por violões. Termina de maneira muito bonita com o refrão sendo cantado à capela. 

Jorma Kaukonen nunca foi de contribuir muita para as composições da banda, mas "Embryonic Journey" foi uma breve composição instrumental sua que viria a ser tocada por infinitas bandas de folk  e psicodélicas. Essa música de certa forma me faz pensar até mesmo em interrupções acústicas de Steve Howe. Um dedilhado belíssimo e de sensação pastoral. 

“White Habbit” certamente é mais um dos hinos da era psicodélica. A música possui uma tensão que dá ao ouvinte uma sensação que faz parecer que a música não tem menos de três minutos de duração. Desde o seu começo através de um baixo, bateria em um estilo meio de marcha militar, pinceladas de guitarra ao vocal doce e depois enérgico de Grace, tudo a faz deste um dos melhores momentos do álbum. Certamente outra música bastante conhecida da banda e lançada como o segundo single na época. 

O disco termina com “Plastic Fantastic Lover” que hoje pode ser vista como uma letra qualquer, quase uma letra de rap, mas na época era uma forte candidata a ser alvo das canetas vermelhas da censura. Os vocais e as guitarras estão no melhor estilo de banda de garagem, inclusive, sons semelhantes encontrados nessa música surgiram anos mais tarde em vários álbuns punk. Poderia ser chamado de um proto-punk psicodélico acústico ou algo assim. 

Quando falo desse álbum, eu não falo necessariamente de uma obra-prima, mas ele deve ser visto pelo menos como algo seminal e inovador dentro da psicodelia lançado em uma época que os estilos musicais estavam mais rápido que o próprio tempo. Um disco muito bom e que merece pelo menos uma boa atenção. 

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