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Resenha: Kiss - Music from "The Elder" (1981)

Por: André Luiz Paiz

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Uma banda sem saber para onde ir
2.5
19/06/2018

“O The Elder foi inteiramente minha culpa”. Palavras de Gene Simmons, em uma entrevista para a revista Classic Rock. Disse também que, após o lançamento de dois álbuns com direcionamento mais comercial - “Dynasty” e “Unmasked”, a banda não sabia mais para onde ir. Assim, decidiram trazer de volta o produtor Bob Ezrin – produtor de “Destroyer” - que, ao ouvir a história de Gene, sugeriu a possibilidade de fazer um trabalho conceitual nos moldes de “The Wall”, álbum que tinha recentemente produzido em conjunto com o Pink Floyd. A ideia de gene para “The Elder” era inicialmente para um filme, porém Bob viu ali a possibilidade de proporcionar ao Kiss a chance de desenvolver o seu “Tommy” (!). Gene se empolgou com a chance de ousar e impressionar, assim como os Beatles fizeram com  “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”, e mergulhou na ideia.

Sobre a história, “The Elder” são energias com vida que não possuem forma corporal. São benevolentes e agem quando o equilíbrio entre o bem e o mal é afetado. Se isso acontece, um herói nasce com o intuito de endireitar as coisas. É uma metáfora da desgastada luta entre o bem e o mal.

O álbum foi gravado no estúdio de Bob, no Canadá. A sessão não foi das melhores, disseram Gene e Paul posteriormente. Além disso, as composições não ajudaram a melhorar a coisas. Ace foi o mais esperto quando, ao não gostar do material, entregou uma música mais ou menos (“Dark Light “) e vazou da dor de cabeça, se eximindo da culpa. Eric Carr também não gostou do novo direcionamento, mas ambos foram vencidos por Gene, Paul e Bob. Algumas faixas foram produzidas em excesso, causando estranheza principalmente por esquecer que o Kiss era e ainda é uma banda de rock. “Odyssey”  e “Under The Rose” são ótimos exemplos. “Just a Boy” vai pelo mesmo caminho, mas ainda agrada um pouco por ser de fácil assimilação. “A World Without Heroes” possui uma ótima melodia, mas, se fosse transformada em uma balada do Kiss tradicional, o resultado seria outro. A versão que temos aqui dá sono.
Das que levemente flertam com o rock, acredito que “The Oath” seja unanimidade como a melhor do álbum. Lembra até um pouco da sonoridade de “Destroyer”, além de ter Paul Stanley fazendo o que sabe de melhor. "Only You" parece que vai levantar os ânimos, mas não empolga. “Dark Light “, única de Ace, não se destaca, mas ao menos não é ruim como as demais. “Mr. Blackwell” até tem alguns riffs, mas também não agrada. “Escape From the Island” é uma instrumental rock descartável e “I” é uma faixa que acho legal e com bom resultado.

Com o passar do tempo, “Music From The Elder” passou a ser mais apreciado por alguns fãs. Acho legal, mas o lance é mais para mantê-lo como um item de colecionador. Até a banda se sentiu envergonhada diante da frustração que foi o seu lançamento, tanto que nem houve turnê de divulgação. Do lado positivo, serviu para colocar o Kiss nos eixos e dar um choque de realidade. Foi aí que as coisas começaram a tomar um novo rumo, com a saída de Ace, a entrada do excelente guitarrista e compositor Vinnie Vincent e o lançamento do excelente “Creatures of the Night”.

Uma banda sem saber para onde ir
2.5
19/06/2018

“O The Elder foi inteiramente minha culpa”. Palavras de Gene Simmons, em uma entrevista para a revista Classic Rock. Disse também que, após o lançamento de dois álbuns com direcionamento mais comercial - “Dynasty” e “Unmasked”, a banda não sabia mais para onde ir. Assim, decidiram trazer de volta o produtor Bob Ezrin – produtor de “Destroyer” - que, ao ouvir a história de Gene, sugeriu a possibilidade de fazer um trabalho conceitual nos moldes de “The Wall”, álbum que tinha recentemente produzido em conjunto com o Pink Floyd. A ideia de gene para “The Elder” era inicialmente para um filme, porém Bob viu ali a possibilidade de proporcionar ao Kiss a chance de desenvolver o seu “Tommy” (!). Gene se empolgou com a chance de ousar e impressionar, assim como os Beatles fizeram com  “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”, e mergulhou na ideia.

Sobre a história, “The Elder” são energias com vida que não possuem forma corporal. São benevolentes e agem quando o equilíbrio entre o bem e o mal é afetado. Se isso acontece, um herói nasce com o intuito de endireitar as coisas. É uma metáfora da desgastada luta entre o bem e o mal.

O álbum foi gravado no estúdio de Bob, no Canadá. A sessão não foi das melhores, disseram Gene e Paul posteriormente. Além disso, as composições não ajudaram a melhorar a coisas. Ace foi o mais esperto quando, ao não gostar do material, entregou uma música mais ou menos (“Dark Light “) e vazou da dor de cabeça, se eximindo da culpa. Eric Carr também não gostou do novo direcionamento, mas ambos foram vencidos por Gene, Paul e Bob. Algumas faixas foram produzidas em excesso, causando estranheza principalmente por esquecer que o Kiss era e ainda é uma banda de rock. “Odyssey”  e “Under The Rose” são ótimos exemplos. “Just a Boy” vai pelo mesmo caminho, mas ainda agrada um pouco por ser de fácil assimilação. “A World Without Heroes” possui uma ótima melodia, mas, se fosse transformada em uma balada do Kiss tradicional, o resultado seria outro. A versão que temos aqui dá sono.
Das que levemente flertam com o rock, acredito que “The Oath” seja unanimidade como a melhor do álbum. Lembra até um pouco da sonoridade de “Destroyer”, além de ter Paul Stanley fazendo o que sabe de melhor. "Only You" parece que vai levantar os ânimos, mas não empolga. “Dark Light “, única de Ace, não se destaca, mas ao menos não é ruim como as demais. “Mr. Blackwell” até tem alguns riffs, mas também não agrada. “Escape From the Island” é uma instrumental rock descartável e “I” é uma faixa que acho legal e com bom resultado.

Com o passar do tempo, “Music From The Elder” passou a ser mais apreciado por alguns fãs. Acho legal, mas o lance é mais para mantê-lo como um item de colecionador. Até a banda se sentiu envergonhada diante da frustração que foi o seu lançamento, tanto que nem houve turnê de divulgação. Do lado positivo, serviu para colocar o Kiss nos eixos e dar um choque de realidade. Foi aí que as coisas começaram a tomar um novo rumo, com a saída de Ace, a entrada do excelente guitarrista e compositor Vinnie Vincent e o lançamento do excelente “Creatures of the Night”.

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