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Resenha: The Cult - Love (1985)

Por: Tarcisio Lucas

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Um rock/gótico com muita pegada!
5
18/06/2018

Primeiramente, é preciso começar dizendo que classificar esse disco é de uma dificuldade tremenda: afinal, trata-se de um disco de rock gótico com muito rock and roll, ou um disco de rock and roll com muito gótico? A resposta dependerá de cada um.

A verdade é que o The Cult, que alcançou sucesso mundial praticando um hard rock extremamente bem feito, teve suas origens dentro do cenário da música gótica que existia na época. O primeiro disco, "Dreamtime" era um típico representante do gênero, que funcionou muito bem como uma carta de apresentação do conjunto, mas que ainda não trazia a genialidade que faria do grupo aquilo que se tornou. 
O segundo disco, esse aqui comentado, "Love", se encontra justamente no meio da transição entre esse lado post punk/gótico com o hard rock característico da banda. É a união do melhor dos dois mundos. Ainda que músicos como The Sisters of Mercy e The Mission flertassem com o estilo Hard, foi nesse disco do The Cult que houve a mescla mais natural e criativa. Como dito anteriormente, é impossível saber onde terminam o cinza (do gótico) e começa a brilhar o sol (do hard rock).
O disco, lançado em 1985, foi um sucesso absoluto, tendo vendido quase 3 milhões de cópias ao redor do mundo, e apresentava o primeiro grande hit da banda: a música "She Sells Sanctuary".
Os dois grandes destaques do disco são a voz poderosa e ao mesmo tempo melancólica de Ian Astbury, e os riffs precisos e solos de Billy Duffy.
O guitarrista tem em seu currículo, além do talento e das composições, o mérito de ter apresentado o instrumento à Johnny Marr, que se tornaria guitarrista do icônico The Smiths. E o próprio Duffy foi um dos principais incentivadores de nada mais nada menos que Morrissey, dando apoio para que o mesmo iniciasse sua carreira de cantor (e o resto é história...).
Muitas coisas diferenciam o som do The Cult daquilo que outras bandas de gótico faziam na época. 
A primeira seria a presença de solos afiadíssimos, certeiros, que bebiam muitas vezes na fonte de bandas como Led Zeppelin, Jimmy Hendrix, Grand Funk Railroad. Se dúvida, comece sua audição pela música "The Phoenix", e depois expresse suas conclusões.
O segundo fator é a voz de Ian, que não fica apenas nas interpretações soturnas que a maioria das bandas do estilo faziam na época, mas usa e abusa de drives, notas altas, e muita pegada.
E também podemos dizer que a bateria se diferenciava muito. Enquanto a maioria dos conjuntos da época que apostavam nesse lado mais "trevoso" apresentavam linhas de bateria sem muitas variações, viradas ou mudanças, aqui temos uma aula de como o instrumento pode ser usado de forma expressiva e variada.
Analisando friamente, percebemos que o gótico definitivamente não era a praia do conjunto - ele brilha imensamente mais no hard rock, como discos como "Eletric", "Sonic Temple" e "Cerimony" deixam claro.
Mas enquanto esteve dentro da estética do estilo gótico, a banda fez um trabalho ímpar.

No polêmico e subestimado disco "The Cult", de 1994, a banda fez em algumas músicas um regresso à essa sonoridade, que não foi muito bem aceito pelos fãs. Mas esse disco possui sim boas músicas, se ouvidas de coração aberto e se lembrar das origens do grupo.
Em 2001, com o lançamento de "Beyond Good and Evil" é possível ver a banda apostando em sonoridades mais sombrias, e retomando um pouco desse gostinho "dark" (com até uma das músicas chamadas "American Gothic"), dessa vez sendo muito bem recebido (e o disco é uma pedrada na orelha, diga-se de passagem).
Verdade é que "Love" é o disco "raiz" do The Cult, para onde a banda sempre retorna a cada lançamento, em cada um deles destacando algum elemento que já estava presente aqui!
Impossível destacar alguma música de "love"; todas são espetaculares. Talvez "Rain" seja aquela que melhor traduza o som do disco, uma música absurdamente grudenta, com riffs simples e certeiros.

"Love" é um disco que vai agradar tanto aqueles mais "darks", com seus sobretudos e nuvens cinzentas, quanto os rockeiros que curtem pegar estrada com suas motos nos fins de semana.
Se você em algum momento ouviu alguma música da banda e curtiu, venha para cá: não tem como errar!

Um rock/gótico com muita pegada!
5
18/06/2018

Primeiramente, é preciso começar dizendo que classificar esse disco é de uma dificuldade tremenda: afinal, trata-se de um disco de rock gótico com muito rock and roll, ou um disco de rock and roll com muito gótico? A resposta dependerá de cada um.

A verdade é que o The Cult, que alcançou sucesso mundial praticando um hard rock extremamente bem feito, teve suas origens dentro do cenário da música gótica que existia na época. O primeiro disco, "Dreamtime" era um típico representante do gênero, que funcionou muito bem como uma carta de apresentação do conjunto, mas que ainda não trazia a genialidade que faria do grupo aquilo que se tornou. 
O segundo disco, esse aqui comentado, "Love", se encontra justamente no meio da transição entre esse lado post punk/gótico com o hard rock característico da banda. É a união do melhor dos dois mundos. Ainda que músicos como The Sisters of Mercy e The Mission flertassem com o estilo Hard, foi nesse disco do The Cult que houve a mescla mais natural e criativa. Como dito anteriormente, é impossível saber onde terminam o cinza (do gótico) e começa a brilhar o sol (do hard rock).
O disco, lançado em 1985, foi um sucesso absoluto, tendo vendido quase 3 milhões de cópias ao redor do mundo, e apresentava o primeiro grande hit da banda: a música "She Sells Sanctuary".
Os dois grandes destaques do disco são a voz poderosa e ao mesmo tempo melancólica de Ian Astbury, e os riffs precisos e solos de Billy Duffy.
O guitarrista tem em seu currículo, além do talento e das composições, o mérito de ter apresentado o instrumento à Johnny Marr, que se tornaria guitarrista do icônico The Smiths. E o próprio Duffy foi um dos principais incentivadores de nada mais nada menos que Morrissey, dando apoio para que o mesmo iniciasse sua carreira de cantor (e o resto é história...).
Muitas coisas diferenciam o som do The Cult daquilo que outras bandas de gótico faziam na época. 
A primeira seria a presença de solos afiadíssimos, certeiros, que bebiam muitas vezes na fonte de bandas como Led Zeppelin, Jimmy Hendrix, Grand Funk Railroad. Se dúvida, comece sua audição pela música "The Phoenix", e depois expresse suas conclusões.
O segundo fator é a voz de Ian, que não fica apenas nas interpretações soturnas que a maioria das bandas do estilo faziam na época, mas usa e abusa de drives, notas altas, e muita pegada.
E também podemos dizer que a bateria se diferenciava muito. Enquanto a maioria dos conjuntos da época que apostavam nesse lado mais "trevoso" apresentavam linhas de bateria sem muitas variações, viradas ou mudanças, aqui temos uma aula de como o instrumento pode ser usado de forma expressiva e variada.
Analisando friamente, percebemos que o gótico definitivamente não era a praia do conjunto - ele brilha imensamente mais no hard rock, como discos como "Eletric", "Sonic Temple" e "Cerimony" deixam claro.
Mas enquanto esteve dentro da estética do estilo gótico, a banda fez um trabalho ímpar.

No polêmico e subestimado disco "The Cult", de 1994, a banda fez em algumas músicas um regresso à essa sonoridade, que não foi muito bem aceito pelos fãs. Mas esse disco possui sim boas músicas, se ouvidas de coração aberto e se lembrar das origens do grupo.
Em 2001, com o lançamento de "Beyond Good and Evil" é possível ver a banda apostando em sonoridades mais sombrias, e retomando um pouco desse gostinho "dark" (com até uma das músicas chamadas "American Gothic"), dessa vez sendo muito bem recebido (e o disco é uma pedrada na orelha, diga-se de passagem).
Verdade é que "Love" é o disco "raiz" do The Cult, para onde a banda sempre retorna a cada lançamento, em cada um deles destacando algum elemento que já estava presente aqui!
Impossível destacar alguma música de "love"; todas são espetaculares. Talvez "Rain" seja aquela que melhor traduza o som do disco, uma música absurdamente grudenta, com riffs simples e certeiros.

"Love" é um disco que vai agradar tanto aqueles mais "darks", com seus sobretudos e nuvens cinzentas, quanto os rockeiros que curtem pegar estrada com suas motos nos fins de semana.
Se você em algum momento ouviu alguma música da banda e curtiu, venha para cá: não tem como errar!

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