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Resenha: The Doors - The Doors (1967)

Por: Tiago Meneses

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Uma estreia madura, mas mantendo a experimentação jovem da época.
5
16/06/2018

Se 1967 é considerado o ano da psicodelia, sem dúvida alguma que o álbum de estreia e autointitulado do The Doors é um dos maiores clássicos daquele momento da história da música. Como deve ter sido emocionante presenciar os desenvolvimentos musicais na segunda metade dos anos sessenta, quando as bandas quebraram com a tradição do pop previsível e canções de rock simples que tocavam nas paradas e começaram a experimentar fazer composições mais longas, improvisações, solos estendidos em uma ampla gama de instrumentos e mistura de diferentes gêneros.

O álbum de estreia do The Doors é sem dúvida um dos lançamentos mais inovadores da história do rock. Trata-se de uma banda única com um som único e para um álbum de estreia, tem uma qualidade muito madura, mas mantendo a experimentação jovem da época.

O disco já começa com um dos maiores clássicos entre todo o catálogo do The Doors, “Break On Through (To The Other Side)”, ela dá ao ouvinte uma sensação inicial jazzística principalmente pelas batidas da bateria, possui uma grande musicalidade, vocais nervosos e letras violentas, ótimo riff de guitarra e um trabalho de órgão que cresce durante a música e que a deixa sensacional. Tudo bem compactado em dois minutos e trinta segundos. 

“Soul Kitchen” tem uma atmosfera maravilhosa e a sua “alma” está principalmente nas teclas de Manzarek. As guitarras no geral são sutis e apenas pontuam a música de maneira suave, dando a Morrison um grande espaço para novamente derramar seus trabalhos vocais poderosos. Robby Krieger fornece a música um pequeno solo calcado no blues que também é bastante interessante. 

“Crystal Ship” mostra o quanto a banda consegue criar uma música grandiosa sem muita pompa. Trata-se de uma música curta, triste e obscura, onde Morrison mais uma vez apresenta um vocal excelente, mas desta vez sem agressividade e sim bastante sutileza. Manzarek contribui com um belo piano além do já tradicional órgão. Uma música linda, de batidas tranquilas e certamente um dos destaques do disco. 

“Twentieth Century Fox”é mais uma trilha da mais alta qualidade, com bastante ironia e sagacidade como costuma ser as composições da banda. Bastante divertida, o ponto alto aqui é a guitarra, Krieger faz um trabalho aveludado, a bateria dá o ritmo enquanto que linhas de órgão e baixo encorpam a música. 

“Alabama Song (Whisky Bar)” é uma música que eu devo confessar que nunca conseguiu me conquistar muito, deixando claro que foi originalmente composta  em alemão por Bertolt Brecht na década de vinte (esse final não sei exatamente se procede). Possui uma bateria alegre e bastante simples, assim como os trabalhos de teclas. As guitarras provavelmente sejam o que de melhor tem a oferecer. Não é brilhante como as anteriores, mas não deixa de ter o seu valor. 

Será que alguém ainda precisa ler ou ouvir falar algo sobre “Light My Fire”? Sem dúvida alguma de que se trata do maior clássico da banda. Possui um riff de órgão cativante ao longo dos versos, bem como uma seção rítmica muito agradável. Ao contrário das músicas anteriores, esta é mais longa e apresenta primeiramente uma longa seção psicodélica liderada por um excelente solo de órgão bem como um de guitarra antes de voltar ao seu ritmo inicial. 

Parece que as músicas que não eram de composição da banda realmente serviram somente pra esfriar o disco. De Willie Dixon,  “Back Door Man”, não consegue empolgar tanto como a versão de Howlin' Wolf. Um blues sem muitos atrativos, órgão pouco inspirado, guitarra simples e de um solo meio opaco, alguns vocais mais rasgados de Morrison tentam acalorar algo que infelizmente se mantem sempre frio. Ruim? Não chega a tanto, mas eu sempre costumo pular. 

“I Looked at You“ é a música mais pop do disco, eu particularmente adoro o ritmo com que ela é levada, não apenas a bateria a transforma em algo dançante, mas os trabalhos de órgão e guitarra também. 

“End Of The Night” apresenta logo de cara uma atmosfera arrepiante e hipnótica de uma típica música criada pelo uso de muito LSD. As linhas lentas de guitarra possuem alguns movimentos bem cronometrados, o vocal de Morrison é assombroso. Mesmo de maneira lenta a banda consegue transmitir uma grande explosão na sua parte final. 

“Take It As It Comes” é outro momento pop do álbum que considero bastante agradável, órgão psicodélico e divertido e um baixo que funciona extremamente bem. Os vocais de Morrison soam novamente de maneira soberba. Uma excelente música pra anteceder o ritual final do álbum. 

“The End” é a faixa que finaliza o disco. Se eu tivesse que escolher uma música para definir o The Doors para alguém, certamente que seria essa. Um trabalho totalmente psicodélico e que precisa ser apreciado exatamente como um, ou seja, viajar, se deixar levar, enfim, vagarosamente estruturada e que se concentra principalmente nas letras enigmáticas de Jim Morrison. Uma música sinistra e repetitiva (o que não é problema algum) com alguns tons indianos, embora a medida com que ela avança aconteça algumas mudanças sutis, apresenta algumas reviravoltas nos trabalhos de guitarra que são sensacionais, por volta dos nove minutos começa a ganhar uma maior intensidade a ponto de chegar um momento caótico antes de suavizar novamente e Morrison continuar com o seu canto bastante emotivo. Um final simplesmente sensacional para o disco. 

Um disco extremamente coeso onde tem um vocal profundo e agradável, um órgão dominante, excelente piano nas poucas vezes que é utilizado, ótimas linhas de baixo ora no próprio instrumento através do convidado (não creditado) Larry Knechtel e ora feitas no próprio teclado, bateria jazzy e influenciada pelo rock e distintas notas de guitarras, além de alguns solos que casavam perfeitamente com as músicas. Uma banda com grande senso de dinâmica e um disco de sonoridade excelente. Em meio a esses tanto prós, os contras ficam por conta apenas dos dois covers que já deixei claro não ter gostado tanto. De qualquer maneira, um clássico absoluto e obrigatório dentro de qualquer coleção de música psicodélica, ainda que o meu preferido seja o segundo disco da banda, Strange Days. 

Uma estreia madura, mas mantendo a experimentação jovem da época.
5
16/06/2018

Se 1967 é considerado o ano da psicodelia, sem dúvida alguma que o álbum de estreia e autointitulado do The Doors é um dos maiores clássicos daquele momento da história da música. Como deve ter sido emocionante presenciar os desenvolvimentos musicais na segunda metade dos anos sessenta, quando as bandas quebraram com a tradição do pop previsível e canções de rock simples que tocavam nas paradas e começaram a experimentar fazer composições mais longas, improvisações, solos estendidos em uma ampla gama de instrumentos e mistura de diferentes gêneros.

O álbum de estreia do The Doors é sem dúvida um dos lançamentos mais inovadores da história do rock. Trata-se de uma banda única com um som único e para um álbum de estreia, tem uma qualidade muito madura, mas mantendo a experimentação jovem da época.

O disco já começa com um dos maiores clássicos entre todo o catálogo do The Doors, “Break On Through (To The Other Side)”, ela dá ao ouvinte uma sensação inicial jazzística principalmente pelas batidas da bateria, possui uma grande musicalidade, vocais nervosos e letras violentas, ótimo riff de guitarra e um trabalho de órgão que cresce durante a música e que a deixa sensacional. Tudo bem compactado em dois minutos e trinta segundos. 

“Soul Kitchen” tem uma atmosfera maravilhosa e a sua “alma” está principalmente nas teclas de Manzarek. As guitarras no geral são sutis e apenas pontuam a música de maneira suave, dando a Morrison um grande espaço para novamente derramar seus trabalhos vocais poderosos. Robby Krieger fornece a música um pequeno solo calcado no blues que também é bastante interessante. 

“Crystal Ship” mostra o quanto a banda consegue criar uma música grandiosa sem muita pompa. Trata-se de uma música curta, triste e obscura, onde Morrison mais uma vez apresenta um vocal excelente, mas desta vez sem agressividade e sim bastante sutileza. Manzarek contribui com um belo piano além do já tradicional órgão. Uma música linda, de batidas tranquilas e certamente um dos destaques do disco. 

“Twentieth Century Fox”é mais uma trilha da mais alta qualidade, com bastante ironia e sagacidade como costuma ser as composições da banda. Bastante divertida, o ponto alto aqui é a guitarra, Krieger faz um trabalho aveludado, a bateria dá o ritmo enquanto que linhas de órgão e baixo encorpam a música. 

“Alabama Song (Whisky Bar)” é uma música que eu devo confessar que nunca conseguiu me conquistar muito, deixando claro que foi originalmente composta  em alemão por Bertolt Brecht na década de vinte (esse final não sei exatamente se procede). Possui uma bateria alegre e bastante simples, assim como os trabalhos de teclas. As guitarras provavelmente sejam o que de melhor tem a oferecer. Não é brilhante como as anteriores, mas não deixa de ter o seu valor. 

Será que alguém ainda precisa ler ou ouvir falar algo sobre “Light My Fire”? Sem dúvida alguma de que se trata do maior clássico da banda. Possui um riff de órgão cativante ao longo dos versos, bem como uma seção rítmica muito agradável. Ao contrário das músicas anteriores, esta é mais longa e apresenta primeiramente uma longa seção psicodélica liderada por um excelente solo de órgão bem como um de guitarra antes de voltar ao seu ritmo inicial. 

Parece que as músicas que não eram de composição da banda realmente serviram somente pra esfriar o disco. De Willie Dixon,  “Back Door Man”, não consegue empolgar tanto como a versão de Howlin' Wolf. Um blues sem muitos atrativos, órgão pouco inspirado, guitarra simples e de um solo meio opaco, alguns vocais mais rasgados de Morrison tentam acalorar algo que infelizmente se mantem sempre frio. Ruim? Não chega a tanto, mas eu sempre costumo pular. 

“I Looked at You“ é a música mais pop do disco, eu particularmente adoro o ritmo com que ela é levada, não apenas a bateria a transforma em algo dançante, mas os trabalhos de órgão e guitarra também. 

“End Of The Night” apresenta logo de cara uma atmosfera arrepiante e hipnótica de uma típica música criada pelo uso de muito LSD. As linhas lentas de guitarra possuem alguns movimentos bem cronometrados, o vocal de Morrison é assombroso. Mesmo de maneira lenta a banda consegue transmitir uma grande explosão na sua parte final. 

“Take It As It Comes” é outro momento pop do álbum que considero bastante agradável, órgão psicodélico e divertido e um baixo que funciona extremamente bem. Os vocais de Morrison soam novamente de maneira soberba. Uma excelente música pra anteceder o ritual final do álbum. 

“The End” é a faixa que finaliza o disco. Se eu tivesse que escolher uma música para definir o The Doors para alguém, certamente que seria essa. Um trabalho totalmente psicodélico e que precisa ser apreciado exatamente como um, ou seja, viajar, se deixar levar, enfim, vagarosamente estruturada e que se concentra principalmente nas letras enigmáticas de Jim Morrison. Uma música sinistra e repetitiva (o que não é problema algum) com alguns tons indianos, embora a medida com que ela avança aconteça algumas mudanças sutis, apresenta algumas reviravoltas nos trabalhos de guitarra que são sensacionais, por volta dos nove minutos começa a ganhar uma maior intensidade a ponto de chegar um momento caótico antes de suavizar novamente e Morrison continuar com o seu canto bastante emotivo. Um final simplesmente sensacional para o disco. 

Um disco extremamente coeso onde tem um vocal profundo e agradável, um órgão dominante, excelente piano nas poucas vezes que é utilizado, ótimas linhas de baixo ora no próprio instrumento através do convidado (não creditado) Larry Knechtel e ora feitas no próprio teclado, bateria jazzy e influenciada pelo rock e distintas notas de guitarras, além de alguns solos que casavam perfeitamente com as músicas. Uma banda com grande senso de dinâmica e um disco de sonoridade excelente. Em meio a esses tanto prós, os contras ficam por conta apenas dos dois covers que já deixei claro não ter gostado tanto. De qualquer maneira, um clássico absoluto e obrigatório dentro de qualquer coleção de música psicodélica, ainda que o meu preferido seja o segundo disco da banda, Strange Days. 

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