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Resenha: Black Sabbath - Paranoid (1970)

Por: Tiago Meneses

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Uma música mais sepulcral do que teatral e mais sucinta do que complexa
5
15/06/2018

mesmo ele não sendo o meu preferido musicalmente da banda, eu sempre terei no segundo disco do Black Sabbath, Paranoid, o maior clássico da história do heavy metal. A banda desenvolveu e refinou o estilo que moldaram no seu disco estreia. Seria esse o pai de todos os álbuns de metal? Pergunta bastante difícil, mas é fato que embora algumas bandas tenham soado com pinceladas de heavy metal anos atrás, foi o Black Sabbath que de fato começou a definir tudo e deixar as coisas de fato sólidas e em cores  vivas. 

O disco começa através da clássica “War Pigs” e suas letras anti-guerra que estão entre as mais poderosas já feitas nesse tema. A música começa com a sua sonoridade macabra, riffs de guitarra vagarosos, baixo pulsante e uma bateria bem precisa. Ozzy canta a letra de maneira crítica e sombria, se conectando assim, muito bem com a música. O destaque maior é quando a música se prepara para a triste resolução dos acontecimentos, o apocalipse, o riff final de guitarra é arrepiante e parece de fato o tema para o fim do mundo. 

Devo confessar que alguns clássicos do rock não envelheceram bem comigo, fazendo com que eu enjoe e sequer me lembre qual foi a última vez que os coloquei pra ouvir, mas é impressionante como isso não ocorreu com “Paranoid”, a escuto com o mesmo afinco de sempre, independentemente de ser repetitiva e sem muita variação, sua energia é contagiante e não é o maior clássico da banda à toa. 

“Planet Caravan” é uma música magnífica e de atmosfera psicodélica, os vocais são oníricos, percussão, baixo e guitarra criam um clima suave e dão ao ouvinte uma sensação de estar flutuando (a escute em bons fones pra isso). 

“Iron Man” possui o que creio ser a introdução mais identificável de todo o heavy metal. O seu riff de guitarra, cozinha concreta e versos cantados de forma clássica fazem dessa uma música verdadeiramente incrível. No seu núcleo ganha uma mudança de ritmo, solo de guitarra avassalador, além de bateria e baixo em um ritmo mais rápido. Tudo então volta para o ritmo principal até ganhar novamente velocidade no final, outro solo de guitarra e finalizar de maneira grandiosa. 

“Electric Funeral” é a música mais pesada do álbum e de uma visão apocalíptica em relação ao futuro. Um fato interessante é o de ser uma música que não possui solo, o que no fim das contas mostra o quanto a banda pode ser versátil. Considero o riff de guitarra dessa música quase perturbador, novamente baixo e bateria dão um suporte essencial para o peso da música. Interessante também é a mudança de ritmo com destaque para a linha de baixo que é matadora. 

“Hand of Doom” é uma música incrível que tem como tema os males causados pelo uso de heroína. Existe uma alternância entre momentos suaves e outros mais pesados onde os destaques ficam por conta da guitarra de Iommi e a bateria de Ward. Uma música que eu jamais deixaria de fora caso eu fosse criar uma coletânea da banda. 

Não que uma música se pareça com a outra, mas tem ideias que se assemelham. “Rat Salad”, igualmente a “Moby Dick” do Led Zeppelin é uma música instrumental que inicialmente possui uma boa levada com acordes de guitarra, bateria e linhas de baixo, antes de se transformar em um solo de bateria e que depois ganha novamente a companhia de baixo e guitarra até chegar ao fim. Tudo isso em um pequeno tempo de cerca de dois minutos e meio. 

“Fairies Wear Boots” é maravilhosa, começa de uma maneira crescente apenas na guitarra antes de entrar o baixo e bateria e trazerem consigo mais peso e que a música vai carregar por toda a sua extensão. Ozzy faz um trabalho vocal que eu particularmente acho excelente. A musicalidade da faixa possui uma qualidade inegável, a guitarra é ótima, as linhas de baixo são enérgicas e sólidas e a bateria é bastante oscilante, mudando a atmosfera da faixa instantaneamente. Um verdadeiro clássico.  

Não consigo enxergar Paranoid como algo diferente de perfeito do começo ao fim. Um verdadeiro marco musical, sua abordagem apareceu para alterar a ordem estabelecida das coisas, romper com a “leveza” musical da época e destacar uma sonoridade mais pesada e temas líricos diferente de tudo que havia sido feito antes. Musica mais sepulcral do que teatral e mais sucinta do que complexa, além de mais convencional ao invés de excêntrica. Paranoid é um clássico absoluto, simples assim.

Uma música mais sepulcral do que teatral e mais sucinta do que complexa
5
15/06/2018

mesmo ele não sendo o meu preferido musicalmente da banda, eu sempre terei no segundo disco do Black Sabbath, Paranoid, o maior clássico da história do heavy metal. A banda desenvolveu e refinou o estilo que moldaram no seu disco estreia. Seria esse o pai de todos os álbuns de metal? Pergunta bastante difícil, mas é fato que embora algumas bandas tenham soado com pinceladas de heavy metal anos atrás, foi o Black Sabbath que de fato começou a definir tudo e deixar as coisas de fato sólidas e em cores  vivas. 

O disco começa através da clássica “War Pigs” e suas letras anti-guerra que estão entre as mais poderosas já feitas nesse tema. A música começa com a sua sonoridade macabra, riffs de guitarra vagarosos, baixo pulsante e uma bateria bem precisa. Ozzy canta a letra de maneira crítica e sombria, se conectando assim, muito bem com a música. O destaque maior é quando a música se prepara para a triste resolução dos acontecimentos, o apocalipse, o riff final de guitarra é arrepiante e parece de fato o tema para o fim do mundo. 

Devo confessar que alguns clássicos do rock não envelheceram bem comigo, fazendo com que eu enjoe e sequer me lembre qual foi a última vez que os coloquei pra ouvir, mas é impressionante como isso não ocorreu com “Paranoid”, a escuto com o mesmo afinco de sempre, independentemente de ser repetitiva e sem muita variação, sua energia é contagiante e não é o maior clássico da banda à toa. 

“Planet Caravan” é uma música magnífica e de atmosfera psicodélica, os vocais são oníricos, percussão, baixo e guitarra criam um clima suave e dão ao ouvinte uma sensação de estar flutuando (a escute em bons fones pra isso). 

“Iron Man” possui o que creio ser a introdução mais identificável de todo o heavy metal. O seu riff de guitarra, cozinha concreta e versos cantados de forma clássica fazem dessa uma música verdadeiramente incrível. No seu núcleo ganha uma mudança de ritmo, solo de guitarra avassalador, além de bateria e baixo em um ritmo mais rápido. Tudo então volta para o ritmo principal até ganhar novamente velocidade no final, outro solo de guitarra e finalizar de maneira grandiosa. 

“Electric Funeral” é a música mais pesada do álbum e de uma visão apocalíptica em relação ao futuro. Um fato interessante é o de ser uma música que não possui solo, o que no fim das contas mostra o quanto a banda pode ser versátil. Considero o riff de guitarra dessa música quase perturbador, novamente baixo e bateria dão um suporte essencial para o peso da música. Interessante também é a mudança de ritmo com destaque para a linha de baixo que é matadora. 

“Hand of Doom” é uma música incrível que tem como tema os males causados pelo uso de heroína. Existe uma alternância entre momentos suaves e outros mais pesados onde os destaques ficam por conta da guitarra de Iommi e a bateria de Ward. Uma música que eu jamais deixaria de fora caso eu fosse criar uma coletânea da banda. 

Não que uma música se pareça com a outra, mas tem ideias que se assemelham. “Rat Salad”, igualmente a “Moby Dick” do Led Zeppelin é uma música instrumental que inicialmente possui uma boa levada com acordes de guitarra, bateria e linhas de baixo, antes de se transformar em um solo de bateria e que depois ganha novamente a companhia de baixo e guitarra até chegar ao fim. Tudo isso em um pequeno tempo de cerca de dois minutos e meio. 

“Fairies Wear Boots” é maravilhosa, começa de uma maneira crescente apenas na guitarra antes de entrar o baixo e bateria e trazerem consigo mais peso e que a música vai carregar por toda a sua extensão. Ozzy faz um trabalho vocal que eu particularmente acho excelente. A musicalidade da faixa possui uma qualidade inegável, a guitarra é ótima, as linhas de baixo são enérgicas e sólidas e a bateria é bastante oscilante, mudando a atmosfera da faixa instantaneamente. Um verdadeiro clássico.  

Não consigo enxergar Paranoid como algo diferente de perfeito do começo ao fim. Um verdadeiro marco musical, sua abordagem apareceu para alterar a ordem estabelecida das coisas, romper com a “leveza” musical da época e destacar uma sonoridade mais pesada e temas líricos diferente de tudo que havia sido feito antes. Musica mais sepulcral do que teatral e mais sucinta do que complexa, além de mais convencional ao invés de excêntrica. Paranoid é um clássico absoluto, simples assim.

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