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Resenha: Paul McCartney - Press To Play (1986)

Por: André Luiz Paiz

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Paul tentando soar como Phil Collins e Peter Gabriel
3
08/06/2018

Os anos oitenta foram de momentos bem extremos para Paul McCartney. Lá atrás, bem no começo, tivemos o lançamento do bom “McCartney II”. Experimental, composto quase integralmente quando os Wings ainda existiam, fez sentido. Em seguida, recebemos a notícia do terrível assassinato de John Lennon. Como reação, Paul lançou o clássico “Tug Of War”, aclamado pela crítica e que quase levou um Grammy de melhor álbum, vencido pelo Toto com outro clássico: “Toto IV”. Em seguida, o negócio começou a ficar meio estranho.

Quando Paul McCartney lançou “Pipes Of Peace”, foi possível notar um certo desgaste criativo. Algumas músicas não funcionaram, além da produção também não ter ajudado. Incrivelmente, George Martin participou dela. Mas, neste caso, não pode levar a culpa sozinho. Pouco depois, Paul veio com uma ideia nos moldes de “Magical Mystery Tour” e propôs a gravação de um filme, com a trilha sonora gravada por ele contendo poucas músicas novas e algumas regravações. “Give My Regards to Broad Street” ficou “OK”, mas nada perto do que se espera de Macca.

O possível bloqueio criativo de Paul se confirmou em definitivo aqui, em “Press To Play”, lançado dois anos após o registro anterior. Em uma tentativa de buscar coisas novas e de se encaixar no que vinha rolando na música daquele período, Paul quis trabalhar com o produtor Hugh Padgham, responsável por grandes álbuns de Phil Collins, Peter Gabriel e The Police. Oviamente as coisas soariam diferentes, o que poderia ser um acerto, mas que acabou sendo um erro. Paul também contou com o auxílio de Eric Stewart em algumas composições, o que depois de um tempo acabou gerando alguns conflitos, fazendo com que Eric se afastasse diante dos problemas com o ego de Paul. Eric no fundo esperava por uma oportunidade de produzir o disco, já que tinha dado uma mão para Paul nos seus trabalhos anteriores. Foi uma confusão só.

“Press To Play” possui duas músicas que valem o CD todo. O hit “Press”, que fez muito sucesso, embora seja extremamente distante do lado rock de Paul; e a bela faixa de abertura “Stranglehold”, com uma ótima levada e bons metais que a acompanham, além de um ótimo vocal de Paul.

E o restante? Bom, vamos tentar dar uma peneirada. 
"Good Times Coming/Feel the Sun" começa causando estranheza. Gosto dela, mas o seu ápice está na segunda parte. 
"Talk More Talk" é Paul tentando soar como Peter Gabriel, mergulhando no SynthPop e New Wave. Uma faixa repetitiva e cansativa. 
Adoro a balada “Footprints”, principalmente por ser totalmente diferente do que Paul já fez, apesar de ter nela um pouco de “Bluebird”, dos Wings.
“Only Love Remains” pode ser considerada uma das melhores baladas de Paul ao som do piano. Por ser diferente, algumas pessoas não gostam. Acho-a densa, triste e sentimental.

Ao chegar na segunda parte, a coisa fica difícil. São pouquíssimos destaques que valem a menção. “Press” é um hit, como comentei. “Move Over Busker” é outra que gosto bastante, pois me remete ao “McCartney II” e alguns momentos dos Wings. Agora, a eletrônica “Pretty Little Head”, a estranha “Angry” e a balada “However Absurd” são muito abaixo do potencial de Paul. 

Algumas versões do álbum trazem várias faixas bônus, porém sem qualquer destaque. Entre “Write Away”, “It's Not True”,  “Spies Like Us” e “Tough On A Tightrope”, fico com a última, que é legalzinha. Um ano depois foi lançada a excelente “Once Upon A Long Ago” para o álbum “All The Best!” que, se estivesse em “Press To Play”, figuraria no topo da lista. Uma música que adoro demais.

O álbum conta também com a participação de grandes nomes como: Phil Collins e Pete Townshend, mas que acabam ofuscadas pela estranheza que este disco causa.

Após a recepção mediana de “Press To Play”, Paul deu uma respirada e voltou a fazer rock com o álbum de regravações “CHOBA B CCCP”. Em seguida, consolidou seu retorno em grande estilo com o excelente “Flowers In The Dirt” e a volta aos palcos. 

Paul tentando soar como Phil Collins e Peter Gabriel
3
08/06/2018

Os anos oitenta foram de momentos bem extremos para Paul McCartney. Lá atrás, bem no começo, tivemos o lançamento do bom “McCartney II”. Experimental, composto quase integralmente quando os Wings ainda existiam, fez sentido. Em seguida, recebemos a notícia do terrível assassinato de John Lennon. Como reação, Paul lançou o clássico “Tug Of War”, aclamado pela crítica e que quase levou um Grammy de melhor álbum, vencido pelo Toto com outro clássico: “Toto IV”. Em seguida, o negócio começou a ficar meio estranho.

Quando Paul McCartney lançou “Pipes Of Peace”, foi possível notar um certo desgaste criativo. Algumas músicas não funcionaram, além da produção também não ter ajudado. Incrivelmente, George Martin participou dela. Mas, neste caso, não pode levar a culpa sozinho. Pouco depois, Paul veio com uma ideia nos moldes de “Magical Mystery Tour” e propôs a gravação de um filme, com a trilha sonora gravada por ele contendo poucas músicas novas e algumas regravações. “Give My Regards to Broad Street” ficou “OK”, mas nada perto do que se espera de Macca.

O possível bloqueio criativo de Paul se confirmou em definitivo aqui, em “Press To Play”, lançado dois anos após o registro anterior. Em uma tentativa de buscar coisas novas e de se encaixar no que vinha rolando na música daquele período, Paul quis trabalhar com o produtor Hugh Padgham, responsável por grandes álbuns de Phil Collins, Peter Gabriel e The Police. Oviamente as coisas soariam diferentes, o que poderia ser um acerto, mas que acabou sendo um erro. Paul também contou com o auxílio de Eric Stewart em algumas composições, o que depois de um tempo acabou gerando alguns conflitos, fazendo com que Eric se afastasse diante dos problemas com o ego de Paul. Eric no fundo esperava por uma oportunidade de produzir o disco, já que tinha dado uma mão para Paul nos seus trabalhos anteriores. Foi uma confusão só.

“Press To Play” possui duas músicas que valem o CD todo. O hit “Press”, que fez muito sucesso, embora seja extremamente distante do lado rock de Paul; e a bela faixa de abertura “Stranglehold”, com uma ótima levada e bons metais que a acompanham, além de um ótimo vocal de Paul.

E o restante? Bom, vamos tentar dar uma peneirada. 
"Good Times Coming/Feel the Sun" começa causando estranheza. Gosto dela, mas o seu ápice está na segunda parte. 
"Talk More Talk" é Paul tentando soar como Peter Gabriel, mergulhando no SynthPop e New Wave. Uma faixa repetitiva e cansativa. 
Adoro a balada “Footprints”, principalmente por ser totalmente diferente do que Paul já fez, apesar de ter nela um pouco de “Bluebird”, dos Wings.
“Only Love Remains” pode ser considerada uma das melhores baladas de Paul ao som do piano. Por ser diferente, algumas pessoas não gostam. Acho-a densa, triste e sentimental.

Ao chegar na segunda parte, a coisa fica difícil. São pouquíssimos destaques que valem a menção. “Press” é um hit, como comentei. “Move Over Busker” é outra que gosto bastante, pois me remete ao “McCartney II” e alguns momentos dos Wings. Agora, a eletrônica “Pretty Little Head”, a estranha “Angry” e a balada “However Absurd” são muito abaixo do potencial de Paul. 

Algumas versões do álbum trazem várias faixas bônus, porém sem qualquer destaque. Entre “Write Away”, “It's Not True”,  “Spies Like Us” e “Tough On A Tightrope”, fico com a última, que é legalzinha. Um ano depois foi lançada a excelente “Once Upon A Long Ago” para o álbum “All The Best!” que, se estivesse em “Press To Play”, figuraria no topo da lista. Uma música que adoro demais.

O álbum conta também com a participação de grandes nomes como: Phil Collins e Pete Townshend, mas que acabam ofuscadas pela estranheza que este disco causa.

Após a recepção mediana de “Press To Play”, Paul deu uma respirada e voltou a fazer rock com o álbum de regravações “CHOBA B CCCP”. Em seguida, consolidou seu retorno em grande estilo com o excelente “Flowers In The Dirt” e a volta aos palcos. 

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