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Resenha: Peter Hammill - Nadir's Big Chance (1975)

Por: Tiago Meneses

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Nadir's Big Chance é cheio de méritos artísticos musicalmente e liricamente
4
07/06/2018

Dentro daquela famosa “briga” musical entre rock progressivo x punk, existiria algum disco que conseguiria agradar tanto um lado quanto o outro? Bom, não sei exatamente se este seria capaz, mas o nome que me vem em mente pra tentar fazer isso acontecer, certamente é Nadir's Big Chance de Peter Hammill, inclusive eu arriscaria dizer que com esse disco, Hammill ajudou a inspirar o movimento punk. Isso seria exagero ou uma viagem total da minha parte? Talvez sim, talvez não. 

O que me faz ser tão fascinado por Peter Hammill é o fato dele nem sempre seguir uma norma, simplesmente experimenta o que vem a cabeça e o resultado acaba sendo maravilhoso, nesse caso, foi criado uma espécie de elo perdido entre o progressivo e o punk. 

O disco já começa com a faixa título. Hammill canta de uma maneira bastante agressiva, possui uma bateria agradável, o riff de guitarra é simples, o solo é meio viajante e o baixo é uma atração rítmica constante e com algumas linhas que se destacam bastante. O disco já começa no seu estilo punk mencionado lá no começo. 

“The Institute of Mental Health, Burning” começa com uma bateria ao estilo militar e não demonstra a mesma raiva da música anterior. No geral é uma peça complexa, com muitas melodias bem legais, assim como o uso de efeitos melódicos incomuns, mas sem deixar de ser cativante à sua própria maneira. Considero essa a música a que passa mais próximo de algo da Van Der Graaf Generator. 

"Open Your Eyes" é mais um momento punk (espero que não leve exatamente ao pé da letra quando eu digo isso). Eu particularmente adoro essa música e inclusive considero um pouco desvalorizada dentro da obra de Hammill, o trabalho de órgão é incrível, assim como o saxofone, sem dúvida os carros chefe da canção, a bateria e o baixo são enérgicos e as letras se encaixam bem, mesmo com a natureza extravagante da parte instrumental. 

“Nobody's Business” mantem o disco na mesma intensidade que apresentou até o momento. O baixo é bastante forte sendo o principal instrumento de pano de fundo para a gama distorcida e a força geral dos vocais. Alguns bons toques de saxofone também são muito bons, assim como o trabalho de bateria.

Através de “Been Alone So Long” começa uma sequência de quatro músicas que irão diminuir o ritmo do disco, mas não entendam isso com diminuição na qualidade musical. "Been Alone So Long" é uma linda canção de amor e uma das baladas mais bonitas da carreira de Hammill, porém, é bom deixar claro que foi escrita por Chris Judge Smith. O saxofone é muito bonito e triste, novamente as linhas de baixo são bastante evidentes e a bateria cadencia o ritmo da música de forma precisa. 

“Pompeii” é mais uma das peças “peculiares” encontradas no disco, ditada por um ritmo pouco comum de bateria, a melodia da guitarra é bastante suave e agradável, assim como as incursões de saxofone, o baixo é quase sempre discreto, ainda que às vezes ele pincele a música com alguns leves toques mais significativos. Os vocais de Hammill como sempre dão uma boa carga emocional a canção. 

“Shingle” é uma música extremamente comovente. Hammill canta de uma forma sincera do tipo que toca a alma do ouvinte, o violão em linhas belíssimas toma a liderança, baixo e bateria, apesar da suavidade da música, contribuem com uma seção rítmica bastante forte e versátil, possui um solo e linhas de saxofone que são em tom de um verdadeiro lamento. Tudo flui de maneira perfeita. 

“Airport” dentre as canções de amor apresentadas no álbum, provavelmente seja a mais incomum, com harmonias pouco previsíveis, boas melodias de saxofone e guitarra, tudo caminha quase sempre suave, exceto por alguns momentos mais pesados. Liricamente como de costume em canções desse tipo, Hammill consegue comover, algo que ocorre também graça as suas sempre muito boas interpretações. 

“People You Were Going To” possui uma bateria sólida, bom trabalho de órgão, um piano que combina muito bem com os vocais de Hammil, linhas de saxofone novamente muito inspiradas, mesmo quando em passagens discretas e um baixo excelente principalmente quando se destaca por volta de três minutos e dez de música. 

“Birthday Special” é uma música com ar bastante divertido e que eleva novamente o disco a um ritmo que havia sido visto mais na sua primeira metade. Grandes linhas de baixo (na verdade eu adoro o baixo desse disco), guitarra e saxofone novamente trabalham muito bem junto e a bateria apesar de bastante convencional, entrega uma grande energia a música. 

“Two or Three Spectres” possui uma letra divertida, sarcástica e mordaz cantada em uma melodia um tanto estranha. Efeitos sutis de guitarra, as linhas de piano lembram um pouco as usadas no disco Godbluff da VDGG. O saxofone é um dos melhores de todo o álbum, proporcionando de maneira alternada licks bastante animados e lamentos dissonantes. Considero um grande final para o disco.  

Nadir's Big Chance nem sempre é progressivo, mas é cheio de méritos artísticos musicalmente e liricamente. Na condição de um fã de Peter Hammill, considero um dos seus discos essenciais, além de também vê-lo como uma boa aquisição a qualquer pessoa que esteja a procura de uma música original e de caráter forte. 

Nadir's Big Chance é cheio de méritos artísticos musicalmente e liricamente
4
07/06/2018

Dentro daquela famosa “briga” musical entre rock progressivo x punk, existiria algum disco que conseguiria agradar tanto um lado quanto o outro? Bom, não sei exatamente se este seria capaz, mas o nome que me vem em mente pra tentar fazer isso acontecer, certamente é Nadir's Big Chance de Peter Hammill, inclusive eu arriscaria dizer que com esse disco, Hammill ajudou a inspirar o movimento punk. Isso seria exagero ou uma viagem total da minha parte? Talvez sim, talvez não. 

O que me faz ser tão fascinado por Peter Hammill é o fato dele nem sempre seguir uma norma, simplesmente experimenta o que vem a cabeça e o resultado acaba sendo maravilhoso, nesse caso, foi criado uma espécie de elo perdido entre o progressivo e o punk. 

O disco já começa com a faixa título. Hammill canta de uma maneira bastante agressiva, possui uma bateria agradável, o riff de guitarra é simples, o solo é meio viajante e o baixo é uma atração rítmica constante e com algumas linhas que se destacam bastante. O disco já começa no seu estilo punk mencionado lá no começo. 

“The Institute of Mental Health, Burning” começa com uma bateria ao estilo militar e não demonstra a mesma raiva da música anterior. No geral é uma peça complexa, com muitas melodias bem legais, assim como o uso de efeitos melódicos incomuns, mas sem deixar de ser cativante à sua própria maneira. Considero essa a música a que passa mais próximo de algo da Van Der Graaf Generator. 

"Open Your Eyes" é mais um momento punk (espero que não leve exatamente ao pé da letra quando eu digo isso). Eu particularmente adoro essa música e inclusive considero um pouco desvalorizada dentro da obra de Hammill, o trabalho de órgão é incrível, assim como o saxofone, sem dúvida os carros chefe da canção, a bateria e o baixo são enérgicos e as letras se encaixam bem, mesmo com a natureza extravagante da parte instrumental. 

“Nobody's Business” mantem o disco na mesma intensidade que apresentou até o momento. O baixo é bastante forte sendo o principal instrumento de pano de fundo para a gama distorcida e a força geral dos vocais. Alguns bons toques de saxofone também são muito bons, assim como o trabalho de bateria.

Através de “Been Alone So Long” começa uma sequência de quatro músicas que irão diminuir o ritmo do disco, mas não entendam isso com diminuição na qualidade musical. "Been Alone So Long" é uma linda canção de amor e uma das baladas mais bonitas da carreira de Hammill, porém, é bom deixar claro que foi escrita por Chris Judge Smith. O saxofone é muito bonito e triste, novamente as linhas de baixo são bastante evidentes e a bateria cadencia o ritmo da música de forma precisa. 

“Pompeii” é mais uma das peças “peculiares” encontradas no disco, ditada por um ritmo pouco comum de bateria, a melodia da guitarra é bastante suave e agradável, assim como as incursões de saxofone, o baixo é quase sempre discreto, ainda que às vezes ele pincele a música com alguns leves toques mais significativos. Os vocais de Hammill como sempre dão uma boa carga emocional a canção. 

“Shingle” é uma música extremamente comovente. Hammill canta de uma forma sincera do tipo que toca a alma do ouvinte, o violão em linhas belíssimas toma a liderança, baixo e bateria, apesar da suavidade da música, contribuem com uma seção rítmica bastante forte e versátil, possui um solo e linhas de saxofone que são em tom de um verdadeiro lamento. Tudo flui de maneira perfeita. 

“Airport” dentre as canções de amor apresentadas no álbum, provavelmente seja a mais incomum, com harmonias pouco previsíveis, boas melodias de saxofone e guitarra, tudo caminha quase sempre suave, exceto por alguns momentos mais pesados. Liricamente como de costume em canções desse tipo, Hammill consegue comover, algo que ocorre também graça as suas sempre muito boas interpretações. 

“People You Were Going To” possui uma bateria sólida, bom trabalho de órgão, um piano que combina muito bem com os vocais de Hammil, linhas de saxofone novamente muito inspiradas, mesmo quando em passagens discretas e um baixo excelente principalmente quando se destaca por volta de três minutos e dez de música. 

“Birthday Special” é uma música com ar bastante divertido e que eleva novamente o disco a um ritmo que havia sido visto mais na sua primeira metade. Grandes linhas de baixo (na verdade eu adoro o baixo desse disco), guitarra e saxofone novamente trabalham muito bem junto e a bateria apesar de bastante convencional, entrega uma grande energia a música. 

“Two or Three Spectres” possui uma letra divertida, sarcástica e mordaz cantada em uma melodia um tanto estranha. Efeitos sutis de guitarra, as linhas de piano lembram um pouco as usadas no disco Godbluff da VDGG. O saxofone é um dos melhores de todo o álbum, proporcionando de maneira alternada licks bastante animados e lamentos dissonantes. Considero um grande final para o disco.  

Nadir's Big Chance nem sempre é progressivo, mas é cheio de méritos artísticos musicalmente e liricamente. Na condição de um fã de Peter Hammill, considero um dos seus discos essenciais, além de também vê-lo como uma boa aquisição a qualquer pessoa que esteja a procura de uma música original e de caráter forte. 

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