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Resenha: Frank Zappa - Hot Rats (1969)

Por: Márcio Chagas

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A primeira aventura virtuosa de Zappa é um disco a frente de seu tempo.
5
31/05/2018

O ano era 1969, na época, Zappa comandava os Mothers of Invention, uma banda que tinha intenção de chocar a sociedade americana conservadora, fosse por suas letras debochadas, roupas extravagantes ou mesmo pelo seu visual desleixado, provocando inclusive a indústria musical. Todo esse aparato artístico relegava a técnica de Frank em segundo plano, fazendo com o fosse considerado um guitarrista menor.  Porém, após lançar alguns trabalhos de rock com os Mothers, o músico com sua natureza irrequieta resolve dar uma verdadeira guinada em sua carreira e mudar completamente seu estilo, fato que viria a ser corriqueiro em sua longa carreira musical. Surpreendendo a todos, Zappa lança um esplendoroso trabalho instrumental, colocando sua guitarra como instrumento principal, mesclando estilos e trazendo à tona suas influências jazzísticas e vanguardista, em um trabalho até então inédito que só faria frente a música elaborada por Miles Davis. 
Frank chama para a gravação alguns dos melhores músicos de estúdio na época, além de grandes amigos como os violinistas Jean Luc Ponty, Don “Sugarcane” Harris, e o tecladista e saxofonista Ian Underwood, único músico além de Zappa a participar de todo o disco. 

O petardo já abre com uma canção que se tornaria um clássico, “Peaches Em Regalia”, um tema curto, onde se ouve em primeiro plano o piano e o sax tresloucado de Underwwod, fazendo um contraponto com a guitarra de Zappa até então tímida, e compassada. 
“Willie The Pimp” é a segunda faixa, a única com os breves vocais de Capitain Beefheart. A canção começa com um Riff de violino de Sugarcane, que precede os vocais característicos de Beefheart, que possui uma voz rasgada e marcante, como se estivesse encharcada de whisky barato. Ao final de seu breve vocal a guitarra de Zappa entra em ação, e ai meu amigo, são quase seis minutos de solo lisérgico, mostrando o quanto o músico estava a frente de qualquer outro guitarrista na época em termos de técnica e visão musical. Destaque também para o baixo “gorduroso” de Max Bennett. 
“Son f Mr. Green Genes” é outro tema longo que ultrapassa os oito minutos. Começa com camadas de teclados e efeitos, cortesia de Ian Underwood, que sabia usar seu sax com efeitos e moduladores muito antes de qualquer músico de rock progressivo. A guitarra de Zappa entra após dois minutos de tema e segue fazendo um contraponto com os instrumentos de Underwood, que utiliza, até mesmo um imenso sax barítono para fazer as bases e solos ao lado de Frank. Um tema extremamente complexo e rebuscado. 
“Little Umbrelas” tem como base o baixão acústico de Bennett. É um tema eminentemente jazzístico, sem espaço pra virtuosismos, onde mais uma vez Underwood se mostra o parceiro ideal do mestre Zappa. 
“The Gumbo Variations” é a canção mais longa do álbum com seus mais de 12 minutos. É outro tema baseado no jazz, que se inicia com o sax de Ian duelando com o baixo de Max e parece ter sido inspirada em jazzistas como Ornette Coleman e Archie Sheep, devido a forte presença do instrumento. Sugarcane entra majestoso com seu violino depois de 4 minutos em que Underwood brilha sozinho. A entrada do violino e a integração entre baixo e bateria deixam a canção recheada de grooves e improvisos eletrizantes, Zappa permanece em silêncio, atuando como maestro, aparecendo apenas com uma tímida guitarra aqui e ali, como se estivesse apreciando o tema criado por ele. 
“It Must Be a Camel”, encerra o disco com chave de ouro. Uma composição sincopada e atonal, onde os músicos podem improvisar ancorados por baixo e bateria que conseguem manter a base do tema para eventuais solos. Zappa sola de maneira solta ao lado de dedilhados de piano e saxofones etéreos. A participação do violinista Jean Luc Ponty é tímida, mas concisa, contribui para os arranjos sem nenhum solo evidente. 

Com o lançamento de Hot Rats, Frank Zappa pode obter o merecido reconhecimento como guitarrista e arranjador perante a comunidade artística e musical, podendo alçar novos voos e subverter os estilos musicais como fez ao longo da carreira.
Em tempo: quem aparece na capa do disco não é o próprio  Zappa como apregoam alguns incautos, mas Cristine Farkas, babá de um de seus filhos. 

A primeira aventura virtuosa de Zappa é um disco a frente de seu tempo.
5
31/05/2018

O ano era 1969, na época, Zappa comandava os Mothers of Invention, uma banda que tinha intenção de chocar a sociedade americana conservadora, fosse por suas letras debochadas, roupas extravagantes ou mesmo pelo seu visual desleixado, provocando inclusive a indústria musical. Todo esse aparato artístico relegava a técnica de Frank em segundo plano, fazendo com o fosse considerado um guitarrista menor.  Porém, após lançar alguns trabalhos de rock com os Mothers, o músico com sua natureza irrequieta resolve dar uma verdadeira guinada em sua carreira e mudar completamente seu estilo, fato que viria a ser corriqueiro em sua longa carreira musical. Surpreendendo a todos, Zappa lança um esplendoroso trabalho instrumental, colocando sua guitarra como instrumento principal, mesclando estilos e trazendo à tona suas influências jazzísticas e vanguardista, em um trabalho até então inédito que só faria frente a música elaborada por Miles Davis. 
Frank chama para a gravação alguns dos melhores músicos de estúdio na época, além de grandes amigos como os violinistas Jean Luc Ponty, Don “Sugarcane” Harris, e o tecladista e saxofonista Ian Underwood, único músico além de Zappa a participar de todo o disco. 

O petardo já abre com uma canção que se tornaria um clássico, “Peaches Em Regalia”, um tema curto, onde se ouve em primeiro plano o piano e o sax tresloucado de Underwwod, fazendo um contraponto com a guitarra de Zappa até então tímida, e compassada. 
“Willie The Pimp” é a segunda faixa, a única com os breves vocais de Capitain Beefheart. A canção começa com um Riff de violino de Sugarcane, que precede os vocais característicos de Beefheart, que possui uma voz rasgada e marcante, como se estivesse encharcada de whisky barato. Ao final de seu breve vocal a guitarra de Zappa entra em ação, e ai meu amigo, são quase seis minutos de solo lisérgico, mostrando o quanto o músico estava a frente de qualquer outro guitarrista na época em termos de técnica e visão musical. Destaque também para o baixo “gorduroso” de Max Bennett. 
“Son f Mr. Green Genes” é outro tema longo que ultrapassa os oito minutos. Começa com camadas de teclados e efeitos, cortesia de Ian Underwood, que sabia usar seu sax com efeitos e moduladores muito antes de qualquer músico de rock progressivo. A guitarra de Zappa entra após dois minutos de tema e segue fazendo um contraponto com os instrumentos de Underwood, que utiliza, até mesmo um imenso sax barítono para fazer as bases e solos ao lado de Frank. Um tema extremamente complexo e rebuscado. 
“Little Umbrelas” tem como base o baixão acústico de Bennett. É um tema eminentemente jazzístico, sem espaço pra virtuosismos, onde mais uma vez Underwood se mostra o parceiro ideal do mestre Zappa. 
“The Gumbo Variations” é a canção mais longa do álbum com seus mais de 12 minutos. É outro tema baseado no jazz, que se inicia com o sax de Ian duelando com o baixo de Max e parece ter sido inspirada em jazzistas como Ornette Coleman e Archie Sheep, devido a forte presença do instrumento. Sugarcane entra majestoso com seu violino depois de 4 minutos em que Underwood brilha sozinho. A entrada do violino e a integração entre baixo e bateria deixam a canção recheada de grooves e improvisos eletrizantes, Zappa permanece em silêncio, atuando como maestro, aparecendo apenas com uma tímida guitarra aqui e ali, como se estivesse apreciando o tema criado por ele. 
“It Must Be a Camel”, encerra o disco com chave de ouro. Uma composição sincopada e atonal, onde os músicos podem improvisar ancorados por baixo e bateria que conseguem manter a base do tema para eventuais solos. Zappa sola de maneira solta ao lado de dedilhados de piano e saxofones etéreos. A participação do violinista Jean Luc Ponty é tímida, mas concisa, contribui para os arranjos sem nenhum solo evidente. 

Com o lançamento de Hot Rats, Frank Zappa pode obter o merecido reconhecimento como guitarrista e arranjador perante a comunidade artística e musical, podendo alçar novos voos e subverter os estilos musicais como fez ao longo da carreira.
Em tempo: quem aparece na capa do disco não é o próprio  Zappa como apregoam alguns incautos, mas Cristine Farkas, babá de um de seus filhos. 

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