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Resenha: Agitation Free - Malesch (1972)

Por: Tiago Meneses

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Album Cover
Um bom disco de esculturas sonoras abstratas, embora razoavelmente acessíveis
3
29/05/2018

Malesch é o disco de estreia dos alemães da Agitation Free, as experiências que a banda teve em sua viagem ao Oriente Médio acabaram transformadas em músicas, criando uma espécie de álbum conceitual não intencional devido ao fato de mesmo sem relação temática, as faixas se completarem e fluírem bem uma após a outra. Enquanto o disco se desenvolve não é difícil de termos a sensação de estarmos atravessando um deserto, nos perdendo dentro de um Soco (aquelas feiras/mercados das ruas do Oriente) ou acampando com tribos de nômades. 

O disco começa através de, “'You Play for Us Today”, apresenta uma sonoridade atmosférica, em seguida são adicionados alguns toques de baixo, uma percussão hipnótica e depois um órgão trazendo uma melodia de sonoridade oriental. Conforme a música se desenvolve, as coisas então vão se tornando mais carregadas e agressivas, com a percussão se intensificando enquanto são acrescentados também toques de guitarra elétrica, porém, nunca deixando de lado a vibe hipnótica. 

O começo de, “Sahara City”, é através de um ritmo que nos remete a cultura do Oriente Médio e suas dançarinas do ventre, mas logo a sonoridade cai em uma linha mais silenciosa e introspectiva. A maior parte da música então segue através dessa atmosfera. Mas pouco antes dos cinco minutos e meio de música é quando começa o desenho de outro traçado sonoro e que será o mais pesado. Bateria enérgica, linhas de baixo excelentes e guitarras alucinógenas é o que marca o seu fim. 

“Ala Tul” tem seu início através de uma linha mais eletrônica e espacial em timbres abstratos e alguns ruídos. O órgão então vai se desenvolvendo e dando uma forma mais concreta a música, assim como a bateria que junto do baixo formam uma boa cozinha. Mais para o final o que vem a tona são marimbas que ditam a sonoridade da música até que ela chegue ao seu fim. 

“Pulse” é uma música que devo confessar que fica aquém do que a banda estava mostrando até aqui. A sonoridade atmosférica escolhida aqui não me agrada muito, mas vai se tornando melhor conforme bateria e guitarra ganham seus espaços. Não considero uma música ruim, mas não tem nada de especial também. 

“Khan El Khalili” mantém a tensão com que a faixa anterior terminou, porém, soa bem mais interessante. Alguns lamentos e lapsos de bateria se entrelaçam até que a faixa de fato comece através de uma batida suave e teclado com som de clavinete. O baixo em pouco mais dos três minutos de música é brilhante e com bastante groove, enquanto que a guitarra elétrica e sonoridade de blues também abastece esta viagem imaginativa ao Oriente Médio. No final uma voz meio perturbada encerra música. 

“Malesch” começa dando a sensação ao ouvinte de estar em um mercado no Oriente Médio com um homem em entonações meio faladas e meio cantadas. Como já aconteceu em outros momentos do disco, sintetizadores flutuantes são seguidos de uma bateria suave, algumas boas linhas de guitarra e baixo também vão ganhando espaços. Tudo permanece na mesma até que por volta de cinco minutos e vinte segundos o ritmo muda levando a música para uma sonoridade mais animada e que me faz pensar que os caras da banda de rock progressivo/psicodélico, Ozric Tentacles, já ouviram bastante este disco e se influenciaram. Mais uma boa música. 

“Rücksturz” encerra o álbum através de um pequeno epílogo musical. Começa com uma suave guitarra elétrica, ganha uma melodia bastante forte e que chega ao fim subitamente. Uma pena ter apenas pouco mais de dois minutos. 

Apesar de não ser exatamente um dos primeiros nomes que eu lembraria quando falamos de Krautrock, trata-se de um disco interessante. A atmosfera é viajante e algumas de suas melodias grudam na cabeça, não sendo difícil que você se pegue cantarolando algumas delas após o término de sua primeira experiência com o disco. Devo adiantar que é um disco onde não irá encontrar muitas surpresas, a música apesar de boa, raramente é vista uma progressão, logo, mais do que criar expectativa de qual é o seu destino, desfrute bem a viagem que lhe será proporcionada, que assim, Malesch será mais bem apreciado. 

Um bom disco de esculturas sonoras abstratas, embora razoavelmente acessíveis
3
29/05/2018

Malesch é o disco de estreia dos alemães da Agitation Free, as experiências que a banda teve em sua viagem ao Oriente Médio acabaram transformadas em músicas, criando uma espécie de álbum conceitual não intencional devido ao fato de mesmo sem relação temática, as faixas se completarem e fluírem bem uma após a outra. Enquanto o disco se desenvolve não é difícil de termos a sensação de estarmos atravessando um deserto, nos perdendo dentro de um Soco (aquelas feiras/mercados das ruas do Oriente) ou acampando com tribos de nômades. 

O disco começa através de, “'You Play for Us Today”, apresenta uma sonoridade atmosférica, em seguida são adicionados alguns toques de baixo, uma percussão hipnótica e depois um órgão trazendo uma melodia de sonoridade oriental. Conforme a música se desenvolve, as coisas então vão se tornando mais carregadas e agressivas, com a percussão se intensificando enquanto são acrescentados também toques de guitarra elétrica, porém, nunca deixando de lado a vibe hipnótica. 

O começo de, “Sahara City”, é através de um ritmo que nos remete a cultura do Oriente Médio e suas dançarinas do ventre, mas logo a sonoridade cai em uma linha mais silenciosa e introspectiva. A maior parte da música então segue através dessa atmosfera. Mas pouco antes dos cinco minutos e meio de música é quando começa o desenho de outro traçado sonoro e que será o mais pesado. Bateria enérgica, linhas de baixo excelentes e guitarras alucinógenas é o que marca o seu fim. 

“Ala Tul” tem seu início através de uma linha mais eletrônica e espacial em timbres abstratos e alguns ruídos. O órgão então vai se desenvolvendo e dando uma forma mais concreta a música, assim como a bateria que junto do baixo formam uma boa cozinha. Mais para o final o que vem a tona são marimbas que ditam a sonoridade da música até que ela chegue ao seu fim. 

“Pulse” é uma música que devo confessar que fica aquém do que a banda estava mostrando até aqui. A sonoridade atmosférica escolhida aqui não me agrada muito, mas vai se tornando melhor conforme bateria e guitarra ganham seus espaços. Não considero uma música ruim, mas não tem nada de especial também. 

“Khan El Khalili” mantém a tensão com que a faixa anterior terminou, porém, soa bem mais interessante. Alguns lamentos e lapsos de bateria se entrelaçam até que a faixa de fato comece através de uma batida suave e teclado com som de clavinete. O baixo em pouco mais dos três minutos de música é brilhante e com bastante groove, enquanto que a guitarra elétrica e sonoridade de blues também abastece esta viagem imaginativa ao Oriente Médio. No final uma voz meio perturbada encerra música. 

“Malesch” começa dando a sensação ao ouvinte de estar em um mercado no Oriente Médio com um homem em entonações meio faladas e meio cantadas. Como já aconteceu em outros momentos do disco, sintetizadores flutuantes são seguidos de uma bateria suave, algumas boas linhas de guitarra e baixo também vão ganhando espaços. Tudo permanece na mesma até que por volta de cinco minutos e vinte segundos o ritmo muda levando a música para uma sonoridade mais animada e que me faz pensar que os caras da banda de rock progressivo/psicodélico, Ozric Tentacles, já ouviram bastante este disco e se influenciaram. Mais uma boa música. 

“Rücksturz” encerra o álbum através de um pequeno epílogo musical. Começa com uma suave guitarra elétrica, ganha uma melodia bastante forte e que chega ao fim subitamente. Uma pena ter apenas pouco mais de dois minutos. 

Apesar de não ser exatamente um dos primeiros nomes que eu lembraria quando falamos de Krautrock, trata-se de um disco interessante. A atmosfera é viajante e algumas de suas melodias grudam na cabeça, não sendo difícil que você se pegue cantarolando algumas delas após o término de sua primeira experiência com o disco. Devo adiantar que é um disco onde não irá encontrar muitas surpresas, a música apesar de boa, raramente é vista uma progressão, logo, mais do que criar expectativa de qual é o seu destino, desfrute bem a viagem que lhe será proporcionada, que assim, Malesch será mais bem apreciado. 

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Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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