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Resenha: Gal Costa - Índia (1973)

Por: Tiago Meneses

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O disco em que Gal opta mostrar seu lado mais luxuoso, complexo e sofisticado
5
24/05/2018

Confesso que sempre gostei bastante da música da Gal Costa, e Índia foi sem dúvida um divisor de águas na carreira da cantora que até então havia apresentado discos com sonoridade mais sujas, diretas, gritadas e baterias pulsantes. Aqui optou em mostrar o seu lado mais luxuoso, complexo e sofisticado, provavelmente o ápice de sua carreira nesse quesito. A voz de Gal está cristalina e extremamente convidativa como sempre, casando perfeitamente com todos os infinitos instrumentos encontrados no álbum e sem esforço pontuando o romance de cada uma das faixas.

Ao lado de um time de peso como Dominguinhos, Toninho Horta e Gilberto Gil (que também dirigiu o álbum), os arranjos brilham de forma afiada e elegante. A variação de Gal pra cada uma das canções é algo fantástico pra dizer o mínimo. Um daqueles discos que parece ter sido concebido com ideias fechadas a influências passadas e aspirações futuras, mantendo uma qualidade atemporal, deixando uma dúvida se Gal e Gil estavam cientes do que eles estavam produzindo enquanto isso estava acontecendo ou se eles estavam completamente varridos na magia do momento. Sendo uma coisa ou outra, o fato é que o resultado foi sublime.

O disco começa com a famosa faixa título. Possui um trabalho orquestral exuberante (méritos do mestre Rogério Duprat), a voz de Gal Costa se move de um murmúrio entrelaçado com instrumentos de sopro para um grito apaixonado em um refrão estrepitoso. Como foi escrito por José Asunción Flores e Manuel Ortiz Guerreiro, a canção foi originalmente escrita a partir de uma perspectiva masculina. Mas ao cobri-la, Gal Costa mantém o pronome feminino intacto e cantando de uma maneira quase hipnotizante.

“Milho Verde” é uma versão de uma música folclórica portuguesa. Basicamente sua base é feita através de percussão e em várias camadas vocais de Gal. A sua estranha justaposição de vocais se assemelha ao do álbum Araçá Azul, de Caetano Veloso e que foi influenciado, em parte, pela poética de invenção dos poetas concretistas paulistanos e lançado no mesmo ano que o disco de Gal.

“Presente Cotidiano” é uma música bastante agradável, tem uma levada com uma grande influência no samba, mas com uma orquestra de fundo que a deixa mais discreta e serena, enquanto que a interpretação de Gal Costa é em um jogo de palavras características da língua portuguesa.

“Volta” é uma das conhecidas do disco, uma música de amor executada somente entre voz e piano. Não existe algo que chame muita atenção na música propriamente ditao mas a doçura com que Gal se entrega certamente é um deleite para nossos ouvidos.

“Relance” é uma experiência rítmica vertiginosa, onde no mesmo tempo que possui um ritmo repetitivo, não é enjoativo, muito pelo contrário, é bem fácil e agradável de escutar. Toda a música possui frases curtas onde cada verso só existe duas palavras onde uma deles é uma ordem e a outra um pedido. Uma delícia de música pra se ouvir.

"Da Maior Importância"  tem a autoria de Caetano Veloso (a faixa anterior também, mas no caso dela foi em parceria com Pedro Novis). Considero esta como provavelmente a peça mais sutil que eu já ouvi de Gal e consegue soar melhor cada vez que eu a escuto.

“Passarinho” tem uma interpretação bastante meiga e suave. Boas linhas de baixo, além de belas ideias de guitarras. A bateria faz basicamente só uma marcação no estilo pop rock. Tudo simplesmente flutua nesta música. Gal merece elogio em todas as músicas pelo seu trabalho vocal.

"Pontos de Luz" é uma música arranjada pelo consagrado compositor, arranjador e maestro brasileiro, Arthur Verocai. Gal Costa mais uma vez mostra a versatilidade de sons que englobam Índia e aqui utilizam de tendências jazzísticas e rock. Uma música de levada instrumental bastante animada.

"Desafinado" é a música que finaliza o disco, originalmente composta em forma de bossa nova por Tom Jobim e Newton Mendonça. Gal manteve a aura musical, mas colocando o tempero da sua voz. A influência no jazz americano é evidente. Em resumo Gal soube manter toda a beleza da música sem precisar sair da sua maneira interpretar.

Este disco é um verdadeiro deleite, não soa como uma loucura psicodélica como seus dois primeiros álbuns. Gal Costa adere aqui uma abordagem muito mais gentil, se colocando muito mais próximo do som clássico da bossa nova, mas de forma alguma este disco se limita em ter apenas a influência da bossa nova, afinal, ele flui em camadas de múltiplas influências. Índia é um registro maravilhoso do começo ao fim onde Gal Costa canta através de ondas sonoras de uma orquestra completa. Um dos verdadeiros clássicos absolutos da MPB. 

O disco em que Gal opta mostrar seu lado mais luxuoso, complexo e sofisticado
5
24/05/2018

Confesso que sempre gostei bastante da música da Gal Costa, e Índia foi sem dúvida um divisor de águas na carreira da cantora que até então havia apresentado discos com sonoridade mais sujas, diretas, gritadas e baterias pulsantes. Aqui optou em mostrar o seu lado mais luxuoso, complexo e sofisticado, provavelmente o ápice de sua carreira nesse quesito. A voz de Gal está cristalina e extremamente convidativa como sempre, casando perfeitamente com todos os infinitos instrumentos encontrados no álbum e sem esforço pontuando o romance de cada uma das faixas.

Ao lado de um time de peso como Dominguinhos, Toninho Horta e Gilberto Gil (que também dirigiu o álbum), os arranjos brilham de forma afiada e elegante. A variação de Gal pra cada uma das canções é algo fantástico pra dizer o mínimo. Um daqueles discos que parece ter sido concebido com ideias fechadas a influências passadas e aspirações futuras, mantendo uma qualidade atemporal, deixando uma dúvida se Gal e Gil estavam cientes do que eles estavam produzindo enquanto isso estava acontecendo ou se eles estavam completamente varridos na magia do momento. Sendo uma coisa ou outra, o fato é que o resultado foi sublime.

O disco começa com a famosa faixa título. Possui um trabalho orquestral exuberante (méritos do mestre Rogério Duprat), a voz de Gal Costa se move de um murmúrio entrelaçado com instrumentos de sopro para um grito apaixonado em um refrão estrepitoso. Como foi escrito por José Asunción Flores e Manuel Ortiz Guerreiro, a canção foi originalmente escrita a partir de uma perspectiva masculina. Mas ao cobri-la, Gal Costa mantém o pronome feminino intacto e cantando de uma maneira quase hipnotizante.

“Milho Verde” é uma versão de uma música folclórica portuguesa. Basicamente sua base é feita através de percussão e em várias camadas vocais de Gal. A sua estranha justaposição de vocais se assemelha ao do álbum Araçá Azul, de Caetano Veloso e que foi influenciado, em parte, pela poética de invenção dos poetas concretistas paulistanos e lançado no mesmo ano que o disco de Gal.

“Presente Cotidiano” é uma música bastante agradável, tem uma levada com uma grande influência no samba, mas com uma orquestra de fundo que a deixa mais discreta e serena, enquanto que a interpretação de Gal Costa é em um jogo de palavras características da língua portuguesa.

“Volta” é uma das conhecidas do disco, uma música de amor executada somente entre voz e piano. Não existe algo que chame muita atenção na música propriamente ditao mas a doçura com que Gal se entrega certamente é um deleite para nossos ouvidos.

“Relance” é uma experiência rítmica vertiginosa, onde no mesmo tempo que possui um ritmo repetitivo, não é enjoativo, muito pelo contrário, é bem fácil e agradável de escutar. Toda a música possui frases curtas onde cada verso só existe duas palavras onde uma deles é uma ordem e a outra um pedido. Uma delícia de música pra se ouvir.

"Da Maior Importância"  tem a autoria de Caetano Veloso (a faixa anterior também, mas no caso dela foi em parceria com Pedro Novis). Considero esta como provavelmente a peça mais sutil que eu já ouvi de Gal e consegue soar melhor cada vez que eu a escuto.

“Passarinho” tem uma interpretação bastante meiga e suave. Boas linhas de baixo, além de belas ideias de guitarras. A bateria faz basicamente só uma marcação no estilo pop rock. Tudo simplesmente flutua nesta música. Gal merece elogio em todas as músicas pelo seu trabalho vocal.

"Pontos de Luz" é uma música arranjada pelo consagrado compositor, arranjador e maestro brasileiro, Arthur Verocai. Gal Costa mais uma vez mostra a versatilidade de sons que englobam Índia e aqui utilizam de tendências jazzísticas e rock. Uma música de levada instrumental bastante animada.

"Desafinado" é a música que finaliza o disco, originalmente composta em forma de bossa nova por Tom Jobim e Newton Mendonça. Gal manteve a aura musical, mas colocando o tempero da sua voz. A influência no jazz americano é evidente. Em resumo Gal soube manter toda a beleza da música sem precisar sair da sua maneira interpretar.

Este disco é um verdadeiro deleite, não soa como uma loucura psicodélica como seus dois primeiros álbuns. Gal Costa adere aqui uma abordagem muito mais gentil, se colocando muito mais próximo do som clássico da bossa nova, mas de forma alguma este disco se limita em ter apenas a influência da bossa nova, afinal, ele flui em camadas de múltiplas influências. Índia é um registro maravilhoso do começo ao fim onde Gal Costa canta através de ondas sonoras de uma orquestra completa. Um dos verdadeiros clássicos absolutos da MPB. 

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Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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