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    Looking On (1971)

    4.5 Por: Tiago Meneses

Resenha: The Move - Looking On (1971)

Por: Tiago Meneses

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Album Cover
The Move em sua melhor forma em um disco de músicas ousadas e distintas
4.5
22/05/2018

The Move foi uma das infinitas bandas que floresceram no fértil solo britânico na segunda metade dos anos 60 e que traziam na sua abordagem musical um pop psicodélico que o mantinham dentro de um relativo sucesso em seu país.

Looking on é o terceiro álbum da banda e que marcou uma mudança com a chegada do talentoso e tecnicamente experiente Jeff Lynne em 1970, substituindo o vocalista Carl Wayne, deixando a banda com uma sonoridade mais forte e sólida. Roy Wood estava com a mente mais criativa do que nunca e ao lado de Lynne criaram uma música ousada, distinta e livre pra adicionarem qualquer uma de suas fantasias.

Looking on abre com a faixa homônima. Trata-se de uma cornucópia pesada de estilos que passeiam desde o blues a músicas do oriente, passando pelo progressivo entre outros estilos. Se por um acaso você sentir certa semelhança entre este som e algo encontrado no disco de estreia da Electric Light Orchestra, não é exatamente uma coincidência, obviamente. 

“Turkish Tram Conductor Blues” mostra uma sonoridade mais pesada ainda e que é conduzida por uma excelente linha de guitarra. Além da guitarra o trabalho de soxafone também é muito bom e inclui um pequeno, mas ótimo solo. Uma peça de blues-rock bastante empolgante. 

“What?” é a primeira composição de Jeff Lynne no disco, sendo que se trata de uma música onde seu som é puro Electric Light Orchestra. Contem uma atmosfera mais reflexiva e um tempo mais lento que o das anteriores, sendo cantada em uma voz distorcida por Jeff Lynne. A música se desenvolve muito bem enquanto lhe são incorporados alguns arranjos progressivos. Uma belíssima canção. 

“When Alice Comes Back to the Farm” foi o segundo single do disco. Ela já começa incendiando tudo através de um violento e espasmódico trabalho de guitarra. Bateria e baixo formam uma cozinha consistente e os vocais são bem enérgicos. Wood injeta alguns violoncelos na música e um trabalho de piano a fazem crescer musicalmente mais ainda. Um rock and roll puro e direto. 

“Open Up Said the World at the Door” tem uma introdução jazzística ao piano e intrincadas harmonias vocais. Entre cada um dos três versos iniciais, há uma espécie de seção instrumental de boogie-woogie, em que uma sitar, piano e saxofone tomam a “liderança” da música a medida que a suas intensidade aumenta. A música então entra em um solo de bateria, onde após o seu término cai em arranjos mais sombrios acompanhados por um coro que lembra uma multidão adoradora de Satanás (não sei exatamente se esse foi um bom exemplo) que marcham enquanto carregam tochas em um filme de baixo orçamento. Que final sensacional. 

“Brontosaurus" foi o primeiro single do disco e que na época chegou a figurar no top 10 das paradas britânicas. Uma faixa que possui excelentes guitarras, linhas de baixo extremamente profundas, bateria selvagens e mais para o final é acrescentado um piano brilhante. Um single sofisticado do tipo que ganhava fácil a simpatia do público na época. 

Com quase dez minutos de duração, “Feel Good” é a música que marca o ponto final do álbum. A princípio é uma música direcionada para o funk e soul e apesar dos backing vocals femininos, também continua mantendo seu peso. Faz parte da trilha sonora do filme de 1997, “Boogie Nights - Prazer Sem Limites”. O baixo novamente é extraordinário, o piano possui uma levada alegre e muito criativa, possui também algumas harmonias mais agudas que são incríveis. A guitarra que segue do segundo terço de música em diante é maravilhosa. No final e após algumas vozes, um piano bar serve de trilha para palavras faladas. Uma música extremamente eclética e que não poderia soar melhor para colocar o fim em um disco desta qualidade. 

Um disco que reflete com precisão a diversificação fascinante que estava acontecendo na época dentro da sonoridade do rock. Os novos gêneros como progressivo sinfônico, jazz rock/fusion e até mesmo heavy metal ainda estavam encontrando o seu lugar na indústria e bandas como The Move estavam fazendo a sua parte para mexer o pote. Foi durante as sessões de estúdio para este álbum que Roy Wood e Jeff Lynne começaram a germinar ideias para a Electric Light Orchestra (banda que os dois fundariam anos mais tarde), com a intenção de fazer da instrumentação orquestral uma parte permanente de um grupo de rock.

The Move em sua melhor forma em um disco de músicas ousadas e distintas
4.5
22/05/2018

The Move foi uma das infinitas bandas que floresceram no fértil solo britânico na segunda metade dos anos 60 e que traziam na sua abordagem musical um pop psicodélico que o mantinham dentro de um relativo sucesso em seu país.

Looking on é o terceiro álbum da banda e que marcou uma mudança com a chegada do talentoso e tecnicamente experiente Jeff Lynne em 1970, substituindo o vocalista Carl Wayne, deixando a banda com uma sonoridade mais forte e sólida. Roy Wood estava com a mente mais criativa do que nunca e ao lado de Lynne criaram uma música ousada, distinta e livre pra adicionarem qualquer uma de suas fantasias.

Looking on abre com a faixa homônima. Trata-se de uma cornucópia pesada de estilos que passeiam desde o blues a músicas do oriente, passando pelo progressivo entre outros estilos. Se por um acaso você sentir certa semelhança entre este som e algo encontrado no disco de estreia da Electric Light Orchestra, não é exatamente uma coincidência, obviamente. 

“Turkish Tram Conductor Blues” mostra uma sonoridade mais pesada ainda e que é conduzida por uma excelente linha de guitarra. Além da guitarra o trabalho de soxafone também é muito bom e inclui um pequeno, mas ótimo solo. Uma peça de blues-rock bastante empolgante. 

“What?” é a primeira composição de Jeff Lynne no disco, sendo que se trata de uma música onde seu som é puro Electric Light Orchestra. Contem uma atmosfera mais reflexiva e um tempo mais lento que o das anteriores, sendo cantada em uma voz distorcida por Jeff Lynne. A música se desenvolve muito bem enquanto lhe são incorporados alguns arranjos progressivos. Uma belíssima canção. 

“When Alice Comes Back to the Farm” foi o segundo single do disco. Ela já começa incendiando tudo através de um violento e espasmódico trabalho de guitarra. Bateria e baixo formam uma cozinha consistente e os vocais são bem enérgicos. Wood injeta alguns violoncelos na música e um trabalho de piano a fazem crescer musicalmente mais ainda. Um rock and roll puro e direto. 

“Open Up Said the World at the Door” tem uma introdução jazzística ao piano e intrincadas harmonias vocais. Entre cada um dos três versos iniciais, há uma espécie de seção instrumental de boogie-woogie, em que uma sitar, piano e saxofone tomam a “liderança” da música a medida que a suas intensidade aumenta. A música então entra em um solo de bateria, onde após o seu término cai em arranjos mais sombrios acompanhados por um coro que lembra uma multidão adoradora de Satanás (não sei exatamente se esse foi um bom exemplo) que marcham enquanto carregam tochas em um filme de baixo orçamento. Que final sensacional. 

“Brontosaurus" foi o primeiro single do disco e que na época chegou a figurar no top 10 das paradas britânicas. Uma faixa que possui excelentes guitarras, linhas de baixo extremamente profundas, bateria selvagens e mais para o final é acrescentado um piano brilhante. Um single sofisticado do tipo que ganhava fácil a simpatia do público na época. 

Com quase dez minutos de duração, “Feel Good” é a música que marca o ponto final do álbum. A princípio é uma música direcionada para o funk e soul e apesar dos backing vocals femininos, também continua mantendo seu peso. Faz parte da trilha sonora do filme de 1997, “Boogie Nights - Prazer Sem Limites”. O baixo novamente é extraordinário, o piano possui uma levada alegre e muito criativa, possui também algumas harmonias mais agudas que são incríveis. A guitarra que segue do segundo terço de música em diante é maravilhosa. No final e após algumas vozes, um piano bar serve de trilha para palavras faladas. Uma música extremamente eclética e que não poderia soar melhor para colocar o fim em um disco desta qualidade. 

Um disco que reflete com precisão a diversificação fascinante que estava acontecendo na época dentro da sonoridade do rock. Os novos gêneros como progressivo sinfônico, jazz rock/fusion e até mesmo heavy metal ainda estavam encontrando o seu lugar na indústria e bandas como The Move estavam fazendo a sua parte para mexer o pote. Foi durante as sessões de estúdio para este álbum que Roy Wood e Jeff Lynne começaram a germinar ideias para a Electric Light Orchestra (banda que os dois fundariam anos mais tarde), com a intenção de fazer da instrumentação orquestral uma parte permanente de um grupo de rock.

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Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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