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Resenha: Rush - 2112 (1976)

Por: Tiago Meneses

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Grande consistência musical e letras incríveis que vem do coração
4.5
24/05/2018

Considero esse ponto o início da melhor fase da banda. A musicalidade apresentada nesse disco não é nada menos do que incrível. Neil Peart escolheu não mostrar ainda os seus talentos mais plenos, mas ainda assim, seu desempenho é impecável e nitidamente de um músico que controla a bateria como poucos. O baixo de Geddy Lee é magnífico e a maneira como ele é capaz de misturar linhas complexas com alguns vocais muito bons está além da minha compreensão. No entanto, este álbum realmente “pertence” a Alex Lifeson, em 2112 o guitarrista é o principal destaque, mostrando porque muitas pessoas o consideram um dos gigantes da história do instrumento, e em minha opinião, de certa forma, um pouco subestimado também. 

2112 é o álbum onde as peças se juntaram e onde a banda enxergou suas incríveis capacidades e criou algo que as combinassem. Aqui o ouvinte percebe a banda adotando influências em uma linha space rock, usando inclusive uma forte história de ficção científica. O conceito por trás da faixa título, por exemplo, é de uma guerra em toda a galáxia que foi provocada pela união de todos os planetas sob o domínio da Estrela Vermelha da Federação Solar de 2062.

O disco começa justamente com a faixa título, obviamente, a peça central de 2112. Já vi em alguns lugares pessoas não gostarem muito dos vocais de Geddy Lee aqui, mas se olharem para as letras, certamente eles enxergariam melhor a proposta da interpretação. A música possui uma verdadeira tonelada de harmonias cativantes em todas as sete partes que a dividem durante os seus mais de vinte minutos. Tudo flui maravilhosamente bem, e apesar do seu tamanho, é uma música fácil de ouvir, além de ser bem acessível. A banda conseguiu fundir os temas musicais e líricos em um arco contínuo de uma estória muito coerente que é algo que poucos artistas têm a capacidade de fazer com tamanha maestria. O ouvinte já poderia chegar e falar, “vou parar por aqui, já me dou por satisfeito só com está música”, mas o disco ainda tem muito mais a oferecer. 

“A Passage To Bangkok” é uma daquelas músicas que podemos dizer que são “típicas” do Rush, mas apesar disso, ela se distingue um pouco das demais por apresentar seu toque oriental. Possui uma excelente instrumentação que combina bem com as letras que descrevem a jornada através do Oriente Médio para a Ásia. 

Se comparado ao que foi apresentado até o momento, "Twilight Zone", de certa forma não tem a mesma qualidade, além de ser menos pesada que as músicas anteriores, porém, apesar disso, mantem uma intensidade de direção genuína. Tem uma boa atmosfera e um solo final executado com uma enorme inteligência e que traz um clima levemente assustador à música. 

“Lessons” começa tranquilamente com uns acordes de violão até que a banda inclui os demais instrumentos tradicionais do trio, guitarra, baixo e bateria. Tanto liricamente quanto alguns trabalhos de guitarra faz com que o ouvinte lembre-se um pouco de Led Zeppelin. Mas antes que alguém pense que se trata de algum tipo de clone, a musicalidade distinta da banda apaga qualquer hipótese de algo assim acontecer. 

“Tears” é o momento mais relaxante do disco. Hugh Syme se apresenta como convidado tocando mellotron. Trata-se de uma balada onde o foco maior está no violão clássico e nos acordes acústicos executados de forma belíssima por Lifeson. Os vocais de Lee são bastante calmos, uma flauta de fundo também aumenta mais a carga emocional da música. Tirando os momentos mais tranquilos da faixa título, sem dúvida é bastante diferente do resto do álbum. 

"Something For Nothing" é a faixa que fecha o disco. Começa tranquila de maneira acústica e algumas linhas de baixo ao fundo antes que a bateria também se junte a eles. Mas apesar deste início tão tranquilo, ela vai ficando mais intensa à medida que ela progride. Os trabalhos de guitarra de Lifeson são sensacionais. Baixo e bateria também são ótimos, criando uma cozinha densa e nervosa. 

Um disco não menos do que fantástico e certamente um dos melhores pra começar a conhecer o Rush. Ainda que pode existir um desequilíbrio entre a faixa título e as demais, não vejo como algo que chegue a prejudica-lo, afinal, como foi relatado durante a resenha, todas as canções possuem seus méritos e devem ser apreciadas. 2112 é um disco que apresenta uma grande consistência musical e letras incríveis que vem do coração. 

Grande consistência musical e letras incríveis que vem do coração
4.5
24/05/2018

Considero esse ponto o início da melhor fase da banda. A musicalidade apresentada nesse disco não é nada menos do que incrível. Neil Peart escolheu não mostrar ainda os seus talentos mais plenos, mas ainda assim, seu desempenho é impecável e nitidamente de um músico que controla a bateria como poucos. O baixo de Geddy Lee é magnífico e a maneira como ele é capaz de misturar linhas complexas com alguns vocais muito bons está além da minha compreensão. No entanto, este álbum realmente “pertence” a Alex Lifeson, em 2112 o guitarrista é o principal destaque, mostrando porque muitas pessoas o consideram um dos gigantes da história do instrumento, e em minha opinião, de certa forma, um pouco subestimado também. 

2112 é o álbum onde as peças se juntaram e onde a banda enxergou suas incríveis capacidades e criou algo que as combinassem. Aqui o ouvinte percebe a banda adotando influências em uma linha space rock, usando inclusive uma forte história de ficção científica. O conceito por trás da faixa título, por exemplo, é de uma guerra em toda a galáxia que foi provocada pela união de todos os planetas sob o domínio da Estrela Vermelha da Federação Solar de 2062.

O disco começa justamente com a faixa título, obviamente, a peça central de 2112. Já vi em alguns lugares pessoas não gostarem muito dos vocais de Geddy Lee aqui, mas se olharem para as letras, certamente eles enxergariam melhor a proposta da interpretação. A música possui uma verdadeira tonelada de harmonias cativantes em todas as sete partes que a dividem durante os seus mais de vinte minutos. Tudo flui maravilhosamente bem, e apesar do seu tamanho, é uma música fácil de ouvir, além de ser bem acessível. A banda conseguiu fundir os temas musicais e líricos em um arco contínuo de uma estória muito coerente que é algo que poucos artistas têm a capacidade de fazer com tamanha maestria. O ouvinte já poderia chegar e falar, “vou parar por aqui, já me dou por satisfeito só com está música”, mas o disco ainda tem muito mais a oferecer. 

“A Passage To Bangkok” é uma daquelas músicas que podemos dizer que são “típicas” do Rush, mas apesar disso, ela se distingue um pouco das demais por apresentar seu toque oriental. Possui uma excelente instrumentação que combina bem com as letras que descrevem a jornada através do Oriente Médio para a Ásia. 

Se comparado ao que foi apresentado até o momento, "Twilight Zone", de certa forma não tem a mesma qualidade, além de ser menos pesada que as músicas anteriores, porém, apesar disso, mantem uma intensidade de direção genuína. Tem uma boa atmosfera e um solo final executado com uma enorme inteligência e que traz um clima levemente assustador à música. 

“Lessons” começa tranquilamente com uns acordes de violão até que a banda inclui os demais instrumentos tradicionais do trio, guitarra, baixo e bateria. Tanto liricamente quanto alguns trabalhos de guitarra faz com que o ouvinte lembre-se um pouco de Led Zeppelin. Mas antes que alguém pense que se trata de algum tipo de clone, a musicalidade distinta da banda apaga qualquer hipótese de algo assim acontecer. 

“Tears” é o momento mais relaxante do disco. Hugh Syme se apresenta como convidado tocando mellotron. Trata-se de uma balada onde o foco maior está no violão clássico e nos acordes acústicos executados de forma belíssima por Lifeson. Os vocais de Lee são bastante calmos, uma flauta de fundo também aumenta mais a carga emocional da música. Tirando os momentos mais tranquilos da faixa título, sem dúvida é bastante diferente do resto do álbum. 

"Something For Nothing" é a faixa que fecha o disco. Começa tranquila de maneira acústica e algumas linhas de baixo ao fundo antes que a bateria também se junte a eles. Mas apesar deste início tão tranquilo, ela vai ficando mais intensa à medida que ela progride. Os trabalhos de guitarra de Lifeson são sensacionais. Baixo e bateria também são ótimos, criando uma cozinha densa e nervosa. 

Um disco não menos do que fantástico e certamente um dos melhores pra começar a conhecer o Rush. Ainda que pode existir um desequilíbrio entre a faixa título e as demais, não vejo como algo que chegue a prejudica-lo, afinal, como foi relatado durante a resenha, todas as canções possuem seus méritos e devem ser apreciadas. 2112 é um disco que apresenta uma grande consistência musical e letras incríveis que vem do coração. 

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