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Resenha: Haken - The Mountain (2013)

Por: Tiago Meneses

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Album Cover
Uma combinação fantástica de elementos de vários espectros musicais
5
20/05/2018

Musicalmente a banda não deixa absolutamente nada fora do lugar. Executam um som complexo com extrema facilidade deixando o ouvinte interessadíssimo no que estão fazendo. Também carregam o mérito de não terem medo de experimentar um monte de diferentes gêneros e sons. Não devem ser vistos apenas como uma banda de metal, afinal, muitas de suas influências vêm de bandas clássicas de rock progressivo ao invés de beberem apenas na fonte do metal progressivo, deixando sua paisagem sonora bastante ampla. 

As canções da banda em The Mountain oferecem alguns dos mais agradáveis desenvolvimentos melódicos que você pode encontrar em um disco de metal progressivo. A banda sempre mantém uma receita pela justaposição de muitos estilos de metal, jazz e clássicos. Há algumas partes mais pesadas com riffs de guitarra e ao mesmo tempo alguns momentos mais leves, bonitos e intensos, ilustrados pelos vocais e as linhas de piano.

Cada música tem a capacidade de entreter o ouvinte ocupado e com vontade de dar o próximo passo em direção ao pico dessa montanha (impossível não fazer esse trocadilho com o nome do álbum). Uma viagem intensa e agradável onde mais do que destacar uma faixa, todas elas fluem muito bem juntas. 

“The Path” é a música de abertura do disco. Uma faixa curta e que serve somente para que o ouvinte seja introduzido lentamente ao álbum. Possui boa quantidade de elementos atmosféricos, o canto é bastante melódico e o piano tocado de uma maneira belíssima. 

“Atlas Stone” já começa embalada pela faixa anterior através de uma excelente passagem de piano. Possui um verdadeiro passeio por todos os caminhos que a banda é capaz de trilhar sem que se perca em momento algum. Seus pouco mais de sete minutos e meio são recheados por vocais poderosos, temas matadores, linhas de baixo pulsantes, bateria muito técnica e voraz entre tantas outras características. A banda já havia mostrado em seus dois discos anteriores todo o seu talento e potencial, mas mesmo assim, antes que The Mountain chegue aos dez primeiros minutos, eles fazem questão de ratificar tudo isso ao ouvinte de uma forma mais poderosa ainda. Sendo honesto, nunca deixo de me surpreender com a variação constante de tempo enquanto harmonias e melodias dão uma sensação de leveza e peso ambos na medida certa. 

“Cockroach King” pode ser considerada a faixa mais famosa do álbum, se é que famosa é a palavra certa a ser usada aqui. Começa com uma levada pesada e logo cai para uma parede vocal que me remete ao Gentle Giant (por aí já se tira que a qualidade não é pouca), a música ainda possui um forte uso de jazz fusion combinados com trechos de metal progressivo poderosos e cheio de fúria. Uma faixa sensacional, bastante diversa e insana onde é impossível um amante de metal progressivo ficar indiferente com tudo que ocorre aqui. 

“In Memorian” é a música mais direta do disco e eu diria que poderia ser o single, com direito a vídeo clipe e tudo. Certamente é um dos momentos mais pesados do álbum. Segue o padrão clássico do que é o metal progressivo e possui algumas reviravoltas adicionais. Apesar de apenas de ter somente pouco mais de quatro minutos, consegue transmitir bastante coisa.

“Because It's There” ao contrário da anterior possui uma atmosfera bem mais calma. Tem em sua introdução um belíssimo coro de câmara. A música possui uma levada flutuante e bem etérea, além de boas camadas vocais. Mas apesar de possuir os vocais como destaque, os arranjos também são brilhantes. 

“Falling Back to Earth” é a música mais longa do álbum sendo dividida em duas partes distintas. A primeira parte é bastante pesada e agressiva desde os seus primeiros segundos, intercalando com alguns versos em uma excelente estrutura de jazz fusion. A princípio ela seria uma típica (e excelente) música de metal progressivo, mas como eu disse, é dividida em duas partes, onde essa segunda acrescenta um clima completamente diferente, bastante atmosférico e obscuro. Os vocais são brilhantes e a melodia onírica, uma mistura que dá ao ouvinte uma experiência fora do comum. No final a música ainda retorna para uma linha mais pesada como a encontrada na primeira metade, mas também mantendo o ar da segunda parte.

“As Death Embraces” é mais uma música curta, mas desta vez possuindo apenas voz e piano, trazendo novamente ao álbum a primeira faixa, “The Path”. A interpretação vocal de Ross Jennings é belíssima e a utilização de falsete é de muito bom gosto. 

“Pareidolia” é a outra música do álbum que passa dos dez minutos de duração. Tem um “q” de Dream Theater com uns riffs influenciados na música do Oriente Médio (assim como "Home" do Dream Theater). Possui bastante peso embora tenha um interlúdio meio obscuro deixando tudo menos agressivo em determinado momento. Um dos destaques da música na verdade eu não sei exatamente se é o destaque, explico, falo da utilização de um Bouzouki, porém, nos créditos no encarte não existe nenhuma menção deste instrumento utilizado por ninguém, seja músicos da banda ou um dos convidados. De qualquer forma é uma música sensacional, com explosões e implosões em riffs técnicos e vocais sobrepostos. Minha favorita do álbum. 

O álbum termina através de “Somebody”. Uma música triste, melancólica e belíssima. Apresenta excelentes linhas vocais melodiosas combinadas com um refrão impressionante que cresce no final através de um clímax onde são acrescentados até mesmo a presença de metais. Ao invés de ser uma balada padrão típica das composições da banda, a música tem varias reviravoltas e é uma maneira que eu considero perfeita para finalizar este álbum. 

Resumindo, trata-se de um disco brilhante. Mesmo que não exista um conceito ligando as músicas e todas sejam bem diferentes uma das outras, no fim das contas, juntas elas fluem de uma maneira incrível. The Mountain é um álbum fantástico que combina elementos de vários espectros musicais, apresentando jazz, progressivo clássico, progressivo moderno e o metal como suas principais influências.

Uma combinação fantástica de elementos de vários espectros musicais
5
20/05/2018

Musicalmente a banda não deixa absolutamente nada fora do lugar. Executam um som complexo com extrema facilidade deixando o ouvinte interessadíssimo no que estão fazendo. Também carregam o mérito de não terem medo de experimentar um monte de diferentes gêneros e sons. Não devem ser vistos apenas como uma banda de metal, afinal, muitas de suas influências vêm de bandas clássicas de rock progressivo ao invés de beberem apenas na fonte do metal progressivo, deixando sua paisagem sonora bastante ampla. 

As canções da banda em The Mountain oferecem alguns dos mais agradáveis desenvolvimentos melódicos que você pode encontrar em um disco de metal progressivo. A banda sempre mantém uma receita pela justaposição de muitos estilos de metal, jazz e clássicos. Há algumas partes mais pesadas com riffs de guitarra e ao mesmo tempo alguns momentos mais leves, bonitos e intensos, ilustrados pelos vocais e as linhas de piano.

Cada música tem a capacidade de entreter o ouvinte ocupado e com vontade de dar o próximo passo em direção ao pico dessa montanha (impossível não fazer esse trocadilho com o nome do álbum). Uma viagem intensa e agradável onde mais do que destacar uma faixa, todas elas fluem muito bem juntas. 

“The Path” é a música de abertura do disco. Uma faixa curta e que serve somente para que o ouvinte seja introduzido lentamente ao álbum. Possui boa quantidade de elementos atmosféricos, o canto é bastante melódico e o piano tocado de uma maneira belíssima. 

“Atlas Stone” já começa embalada pela faixa anterior através de uma excelente passagem de piano. Possui um verdadeiro passeio por todos os caminhos que a banda é capaz de trilhar sem que se perca em momento algum. Seus pouco mais de sete minutos e meio são recheados por vocais poderosos, temas matadores, linhas de baixo pulsantes, bateria muito técnica e voraz entre tantas outras características. A banda já havia mostrado em seus dois discos anteriores todo o seu talento e potencial, mas mesmo assim, antes que The Mountain chegue aos dez primeiros minutos, eles fazem questão de ratificar tudo isso ao ouvinte de uma forma mais poderosa ainda. Sendo honesto, nunca deixo de me surpreender com a variação constante de tempo enquanto harmonias e melodias dão uma sensação de leveza e peso ambos na medida certa. 

“Cockroach King” pode ser considerada a faixa mais famosa do álbum, se é que famosa é a palavra certa a ser usada aqui. Começa com uma levada pesada e logo cai para uma parede vocal que me remete ao Gentle Giant (por aí já se tira que a qualidade não é pouca), a música ainda possui um forte uso de jazz fusion combinados com trechos de metal progressivo poderosos e cheio de fúria. Uma faixa sensacional, bastante diversa e insana onde é impossível um amante de metal progressivo ficar indiferente com tudo que ocorre aqui. 

“In Memorian” é a música mais direta do disco e eu diria que poderia ser o single, com direito a vídeo clipe e tudo. Certamente é um dos momentos mais pesados do álbum. Segue o padrão clássico do que é o metal progressivo e possui algumas reviravoltas adicionais. Apesar de apenas de ter somente pouco mais de quatro minutos, consegue transmitir bastante coisa.

“Because It's There” ao contrário da anterior possui uma atmosfera bem mais calma. Tem em sua introdução um belíssimo coro de câmara. A música possui uma levada flutuante e bem etérea, além de boas camadas vocais. Mas apesar de possuir os vocais como destaque, os arranjos também são brilhantes. 

“Falling Back to Earth” é a música mais longa do álbum sendo dividida em duas partes distintas. A primeira parte é bastante pesada e agressiva desde os seus primeiros segundos, intercalando com alguns versos em uma excelente estrutura de jazz fusion. A princípio ela seria uma típica (e excelente) música de metal progressivo, mas como eu disse, é dividida em duas partes, onde essa segunda acrescenta um clima completamente diferente, bastante atmosférico e obscuro. Os vocais são brilhantes e a melodia onírica, uma mistura que dá ao ouvinte uma experiência fora do comum. No final a música ainda retorna para uma linha mais pesada como a encontrada na primeira metade, mas também mantendo o ar da segunda parte.

“As Death Embraces” é mais uma música curta, mas desta vez possuindo apenas voz e piano, trazendo novamente ao álbum a primeira faixa, “The Path”. A interpretação vocal de Ross Jennings é belíssima e a utilização de falsete é de muito bom gosto. 

“Pareidolia” é a outra música do álbum que passa dos dez minutos de duração. Tem um “q” de Dream Theater com uns riffs influenciados na música do Oriente Médio (assim como "Home" do Dream Theater). Possui bastante peso embora tenha um interlúdio meio obscuro deixando tudo menos agressivo em determinado momento. Um dos destaques da música na verdade eu não sei exatamente se é o destaque, explico, falo da utilização de um Bouzouki, porém, nos créditos no encarte não existe nenhuma menção deste instrumento utilizado por ninguém, seja músicos da banda ou um dos convidados. De qualquer forma é uma música sensacional, com explosões e implosões em riffs técnicos e vocais sobrepostos. Minha favorita do álbum. 

O álbum termina através de “Somebody”. Uma música triste, melancólica e belíssima. Apresenta excelentes linhas vocais melodiosas combinadas com um refrão impressionante que cresce no final através de um clímax onde são acrescentados até mesmo a presença de metais. Ao invés de ser uma balada padrão típica das composições da banda, a música tem varias reviravoltas e é uma maneira que eu considero perfeita para finalizar este álbum. 

Resumindo, trata-se de um disco brilhante. Mesmo que não exista um conceito ligando as músicas e todas sejam bem diferentes uma das outras, no fim das contas, juntas elas fluem de uma maneira incrível. The Mountain é um álbum fantástico que combina elementos de vários espectros musicais, apresentando jazz, progressivo clássico, progressivo moderno e o metal como suas principais influências.

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