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Resenha: Kino - Radio Voltaire (2018)

Por: André Luiz Paiz

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Album Cover
Grato e inesperado retorno
4
17/05/2018

O Kino está de volta! Já ouviu falar? Provavelmente não pois, infelizmente, este é um projeto que foi pouco divulgado no Brasil em seu primeiro lançamento, há treze anos atrás. Trata-se de um grupo formado pelo workaholic John Mitchell (Arena, It Bites, Lonely Robot, Frost*, The Urbane, etc.) nas guitarras, pelo fantástico baixista Pete Trewavas (Marillion, Transatlantic e Edson's Children), pelo tecladista John Beck (It Bites) e pelo baterista do Porcupine Tree, Chris Maitland. Este último, foi substituído por Craig Blundell (Steven Wilson) neste novo lançamento.

O retorno do grupo era incerto até o início da produção deste álbum. O próprio John Mitchell afirmava que não retornaria com o projeto devido aos conflitos de agenda, principalmente de Pete. Segundo ele, o Lonely Robot surgiu com a intenção de preencher a lacuna do Kino. Até que, pouco tempo atrás, John recebeu um convite da Inside Out para a produção de um novo álbum. Como Pete Trewavas disse a mim em entrevista, o resto é história. Desta vez, John e Pete pouco se falaram pessoalmente, sendo que a maior parte do material foi desenvolvido individualmente e compartilhado via internet. Ambos aproveitaram para limpar seus acervos de canções que não se encaixavam nos demais projetos e iniciaram a produção. O resultado: um ótimo álbum.

A sonoridade do Kino é bem interessante e mesclada entre diversos estilos. O primeiro lançamento - "Picture" - trazia uma abordagem que flertava com o progressivo, heavy em alguns momentos e até o rock alternativo. Aqui, em "Radio Voltaire", toda esta mescla ainda existe, só que ainda mais acessível e, em alguns momentos, suave, já que o álbum é recheado de faixas mais lentas, porém bem distintas entre si. Além disso, a produção é excelente e a guitarra de John está com um timbre fantástico.

A faixa-título abre o álbum em uma quase balada que lembra bastante o Lonely Robot. A guitarra de John ganha o ouvinte logo de cara e seu vocal está ótimo. Um dos grandes momentos do álbum e um ótimo refrão.
Se você quer peso, encontrará aqui, em "The Dead Club". Ótima estrutura, que foge completamente do convencional. Pra mim, o ponto alto do álbum ao lado da belíssima balada "Idlewild", que é simplesmente perfeita. Confira e comprove.
"I Don't Know Why" é uma contribuição de Pete, composta ainda nas sessões do primeiro álbum. Ela tem cara de filler ou faixa bônus, mas a produção conseguiu deixá-la bem legal. Possui um refrão "catchy" que ajuda bastante e que deixa a faixa bem pop rock.
Um dos grandes momentos de John está em "I Won't Break So Easily Any More". Consegue ser pop com requintes de U2, mas com peso. As linhas de guitarra são perfeitas.
Voltando às baladas, "Temple Tudor" é acústica e conta com belíssimas vocalizações no refrão. Ela acaba desacelerando as coisas, mas é ótima.
"Out of Time" é a única faixa que não me impressionou em nenhum momento. Infelizmente, parece ser uma filler por completo. A passagem no meio dela mostra isso claramente, deixando a impressão que está ali simplesmente para prolongar a canção.
A baladinha com pouco menos de dois minutos "Warmth of the Sun" é densa e triste ao som do piano. Assim como a faixa-título do primeiro álbum, esta também não faz muito sentido estar ali, embora não comprometa.
"Grey Shapes on Concrete Fields" levanta os ânimos. É daquelas faixas que misturam Coldplay com U2, acrescentando peso. Ainda bem! Melodia extremamente acessível e dedilhados de guitarra que lembram o Arena e Marillion se destacam, além do som dos teclados. Uma combinação excelente.
"Keep The Faith" e "The Silent Fighter Pilot" encerram os trabalhos mais uma vez desacelerando as coisas. Ambas são baladas de qualidade, mas que deixam as coisas levemente cansativas. Eu escolheria apenas uma para encerrar o álbum após "Grey Shapes on Concrete Fields". Como "The Silent Fighter Pilot" é mais densa e soa mais como uma balada de rock progressivo, fico com ela.

"Radio Voltaire" é um companheiro excelente para ouvir com os fones e as luzes apagadas, ou em uma viagem. Todas as canções são legais, embora algumas impressionem mais. Se for considerar que o grupo poderia nunca mais ter retornado, podemos dizer que é um álbum extremamente bem-vindo.

Você pode adquirir a sua cópia de Radio Voltaire no site da InsideOut

Grato e inesperado retorno
4
17/05/2018

O Kino está de volta! Já ouviu falar? Provavelmente não pois, infelizmente, este é um projeto que foi pouco divulgado no Brasil em seu primeiro lançamento, há treze anos atrás. Trata-se de um grupo formado pelo workaholic John Mitchell (Arena, It Bites, Lonely Robot, Frost*, The Urbane, etc.) nas guitarras, pelo fantástico baixista Pete Trewavas (Marillion, Transatlantic e Edson's Children), pelo tecladista John Beck (It Bites) e pelo baterista do Porcupine Tree, Chris Maitland. Este último, foi substituído por Craig Blundell (Steven Wilson) neste novo lançamento.

O retorno do grupo era incerto até o início da produção deste álbum. O próprio John Mitchell afirmava que não retornaria com o projeto devido aos conflitos de agenda, principalmente de Pete. Segundo ele, o Lonely Robot surgiu com a intenção de preencher a lacuna do Kino. Até que, pouco tempo atrás, John recebeu um convite da Inside Out para a produção de um novo álbum. Como Pete Trewavas disse a mim em entrevista, o resto é história. Desta vez, John e Pete pouco se falaram pessoalmente, sendo que a maior parte do material foi desenvolvido individualmente e compartilhado via internet. Ambos aproveitaram para limpar seus acervos de canções que não se encaixavam nos demais projetos e iniciaram a produção. O resultado: um ótimo álbum.

A sonoridade do Kino é bem interessante e mesclada entre diversos estilos. O primeiro lançamento - "Picture" - trazia uma abordagem que flertava com o progressivo, heavy em alguns momentos e até o rock alternativo. Aqui, em "Radio Voltaire", toda esta mescla ainda existe, só que ainda mais acessível e, em alguns momentos, suave, já que o álbum é recheado de faixas mais lentas, porém bem distintas entre si. Além disso, a produção é excelente e a guitarra de John está com um timbre fantástico.

A faixa-título abre o álbum em uma quase balada que lembra bastante o Lonely Robot. A guitarra de John ganha o ouvinte logo de cara e seu vocal está ótimo. Um dos grandes momentos do álbum e um ótimo refrão.
Se você quer peso, encontrará aqui, em "The Dead Club". Ótima estrutura, que foge completamente do convencional. Pra mim, o ponto alto do álbum ao lado da belíssima balada "Idlewild", que é simplesmente perfeita. Confira e comprove.
"I Don't Know Why" é uma contribuição de Pete, composta ainda nas sessões do primeiro álbum. Ela tem cara de filler ou faixa bônus, mas a produção conseguiu deixá-la bem legal. Possui um refrão "catchy" que ajuda bastante e que deixa a faixa bem pop rock.
Um dos grandes momentos de John está em "I Won't Break So Easily Any More". Consegue ser pop com requintes de U2, mas com peso. As linhas de guitarra são perfeitas.
Voltando às baladas, "Temple Tudor" é acústica e conta com belíssimas vocalizações no refrão. Ela acaba desacelerando as coisas, mas é ótima.
"Out of Time" é a única faixa que não me impressionou em nenhum momento. Infelizmente, parece ser uma filler por completo. A passagem no meio dela mostra isso claramente, deixando a impressão que está ali simplesmente para prolongar a canção.
A baladinha com pouco menos de dois minutos "Warmth of the Sun" é densa e triste ao som do piano. Assim como a faixa-título do primeiro álbum, esta também não faz muito sentido estar ali, embora não comprometa.
"Grey Shapes on Concrete Fields" levanta os ânimos. É daquelas faixas que misturam Coldplay com U2, acrescentando peso. Ainda bem! Melodia extremamente acessível e dedilhados de guitarra que lembram o Arena e Marillion se destacam, além do som dos teclados. Uma combinação excelente.
"Keep The Faith" e "The Silent Fighter Pilot" encerram os trabalhos mais uma vez desacelerando as coisas. Ambas são baladas de qualidade, mas que deixam as coisas levemente cansativas. Eu escolheria apenas uma para encerrar o álbum após "Grey Shapes on Concrete Fields". Como "The Silent Fighter Pilot" é mais densa e soa mais como uma balada de rock progressivo, fico com ela.

"Radio Voltaire" é um companheiro excelente para ouvir com os fones e as luzes apagadas, ou em uma viagem. Todas as canções são legais, embora algumas impressionem mais. Se for considerar que o grupo poderia nunca mais ter retornado, podemos dizer que é um álbum extremamente bem-vindo.

Você pode adquirir a sua cópia de Radio Voltaire no site da InsideOut

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