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Resenha: Genesis - Abacab (1981)

Por: Roberto Rillo Bíscaro

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Phil Collins assume o comando do Genesis
3
16/05/2018

Com Duke , o Genesis sentiu o doce sabor do sucesso de massa. O batera-vocalista Phil Collins escalara o Everest das paradas com sua estreia solo de 1981, Face Value. Mike Rutherford e Tony Banks tinham motivos para seguir com a transformação da banda, senão pela tentação da grana, pelo perigo mesmo, porque bandas prog eram demitidas como moscas pelas gravadoras. Abacab (setembro de 1981) definitivamente marcou a transição do Romantismo prog para uma espécie de Modernismo rock de arena.

O nome meio dadaísta não significa nada. Originalmente, a faixa-título era dividida em seções batizadas com letras. Muda aqui, corta lá; num momento a ordem das seções era a,b,a,c,a,b.

Até a capa fugiu ao padrão progressivo-mitológico de Selling England By The Pound ou Trick of the Tail (links para as resenhas, ao final desta). A arte abstrata dava ar mais moderno ao grupo, que queria competir com seus pares reinantes da New Wave e do pós-punk. E não é que se deram bem? Abacab ficou meses nas paradas e colocou a banda no circuito das turnês em grandes estádios. Collins e Co. – com suas caras de semipapais comuns – rivalizavam a adulação popular com os gatinhos do Duran Duran ou do Spandau Ballet.

Abacab deixa para trás os rococós progressivos, os longos solos de teclado e abraça sonoridade mais agressiva, onde bateria e vocais estão em proeminência. Embora os membros sempre hajam negado, Collins assumia a chefia. A produção abandona meios-tons pantanosos para se tornar representante típica do lustre da época. Redondinha, bem ao gosto dos ascendentes yuppies.

Os sete minutos da faixa-título são desnecessários. A tentativa de soar meio metal até traz bons momentos (não metais), mas a pouca variação no instrumental enjoa após o quarto minuto. No Reply At All é delícia funkeada, com metais do Earth, Wind and Fire, então no auge de seu reinado. Nada a ver com o trabalho prévio do Genesis, enfurecendo fãs antigos, que vaiavam a banda em alguns shows da turnê de Abacab, quando material do álbum era executado. Até o sotaque de Phil está mais americanizado para garantir maior aceitação no mercadão ianque. Note como ele pronuncia can’t nessa faixa e compare com o can’t britânico dos sete minutos prog que valem a pena de Dodo/Lurker.

Confiante e avalizado pelo grande público, Phil bota a alma para fora quando canta. A produção, o sucesso e a experiência desabrocharam vocalista seguro e versátil. Ele abre o berreiro na rutherfordiana balada Like it or Not e faz diversas vozes em Dodo/Lurker e na ótima Me And Sarah Jane, que poderia ser definida como Tony Banks sobrevoa a Jamaica no inverno. Salpicos de reggae num puro clima Tony.

Em Man on the Corner, o Genesis prova que aprendera tanto de produção que pôde assumir a tarefa nesse álbum. O instrumental vai se adensando conforme o pathos aumenta, culminando com a poderosa bateria e os gritos de Collins. A necessidade/vontade de se contemporanizar resulta no maior tropeço, a infantiloide Who Dunnit. Punkosa, tentando ser palhaça, com letra besta. Constrangedora.

O Genesis entrara para vencer no jogo pop oitentista. Perdeu fãs “históricos”, mas ganhou legião de admiradores de última hora, que desconheceriam para sempre a era Gabriel ou mesmo os primeiros álbuns da Collins. Abacab colocou o grupo na linha de frente. Parecia outro, se comparado ao Genesis de cinco anos antes. Era outro universo, se voltássemos sete anos e tomássemos The Lamb Lies Down on Broadway 

Abacab foi o último álbum a merecer algum respeito pela crítica. Os próximos seriam massacrados, mas Banks, Collins e Rutherford imperariam pelos dez anos seguintes.

Phil Collins assume o comando do Genesis
3
16/05/2018

Com Duke , o Genesis sentiu o doce sabor do sucesso de massa. O batera-vocalista Phil Collins escalara o Everest das paradas com sua estreia solo de 1981, Face Value. Mike Rutherford e Tony Banks tinham motivos para seguir com a transformação da banda, senão pela tentação da grana, pelo perigo mesmo, porque bandas prog eram demitidas como moscas pelas gravadoras. Abacab (setembro de 1981) definitivamente marcou a transição do Romantismo prog para uma espécie de Modernismo rock de arena.

O nome meio dadaísta não significa nada. Originalmente, a faixa-título era dividida em seções batizadas com letras. Muda aqui, corta lá; num momento a ordem das seções era a,b,a,c,a,b.

Até a capa fugiu ao padrão progressivo-mitológico de Selling England By The Pound ou Trick of the Tail (links para as resenhas, ao final desta). A arte abstrata dava ar mais moderno ao grupo, que queria competir com seus pares reinantes da New Wave e do pós-punk. E não é que se deram bem? Abacab ficou meses nas paradas e colocou a banda no circuito das turnês em grandes estádios. Collins e Co. – com suas caras de semipapais comuns – rivalizavam a adulação popular com os gatinhos do Duran Duran ou do Spandau Ballet.

Abacab deixa para trás os rococós progressivos, os longos solos de teclado e abraça sonoridade mais agressiva, onde bateria e vocais estão em proeminência. Embora os membros sempre hajam negado, Collins assumia a chefia. A produção abandona meios-tons pantanosos para se tornar representante típica do lustre da época. Redondinha, bem ao gosto dos ascendentes yuppies.

Os sete minutos da faixa-título são desnecessários. A tentativa de soar meio metal até traz bons momentos (não metais), mas a pouca variação no instrumental enjoa após o quarto minuto. No Reply At All é delícia funkeada, com metais do Earth, Wind and Fire, então no auge de seu reinado. Nada a ver com o trabalho prévio do Genesis, enfurecendo fãs antigos, que vaiavam a banda em alguns shows da turnê de Abacab, quando material do álbum era executado. Até o sotaque de Phil está mais americanizado para garantir maior aceitação no mercadão ianque. Note como ele pronuncia can’t nessa faixa e compare com o can’t britânico dos sete minutos prog que valem a pena de Dodo/Lurker.

Confiante e avalizado pelo grande público, Phil bota a alma para fora quando canta. A produção, o sucesso e a experiência desabrocharam vocalista seguro e versátil. Ele abre o berreiro na rutherfordiana balada Like it or Not e faz diversas vozes em Dodo/Lurker e na ótima Me And Sarah Jane, que poderia ser definida como Tony Banks sobrevoa a Jamaica no inverno. Salpicos de reggae num puro clima Tony.

Em Man on the Corner, o Genesis prova que aprendera tanto de produção que pôde assumir a tarefa nesse álbum. O instrumental vai se adensando conforme o pathos aumenta, culminando com a poderosa bateria e os gritos de Collins. A necessidade/vontade de se contemporanizar resulta no maior tropeço, a infantiloide Who Dunnit. Punkosa, tentando ser palhaça, com letra besta. Constrangedora.

O Genesis entrara para vencer no jogo pop oitentista. Perdeu fãs “históricos”, mas ganhou legião de admiradores de última hora, que desconheceriam para sempre a era Gabriel ou mesmo os primeiros álbuns da Collins. Abacab colocou o grupo na linha de frente. Parecia outro, se comparado ao Genesis de cinco anos antes. Era outro universo, se voltássemos sete anos e tomássemos The Lamb Lies Down on Broadway 

Abacab foi o último álbum a merecer algum respeito pela crítica. Os próximos seriam massacrados, mas Banks, Collins e Rutherford imperariam pelos dez anos seguintes.

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