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Resenha: Richard Wright - Wet Dream (1978)

Por: Tiago Meneses

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Sentimental, melancólico, musicalidade fácil, acessível e bastante cativante
4
16/05/2018

Muitas vezes fãs de longa data de uma banda podem não ser muito familiarizados com os discos solos dos integrantes, desconhecê-los, ou mesmo simplesmente nunca tiveram interesse em se aprofundar nas abordagens pessoais daqueles que sempre que juntos produziram grandes obras. Mas vamos falar do Pink Floyd em específico e o disco, Wet Dream, lançado em 1978 por Richard Wright. Se você é um fã da banda e desconhece este álbum, recomendo não apenas que o conheça, mas que o tenha, afinal, ele soa como um disco perdido do Pink Floyd, mostrando assim, o quão importante Wright sempre foi para a sonoridade do grupo. 

O disco é extremamente rico em texturas de rock progressivo, jazz e sonoridade floydiana do tipo mais antiga, aquela encontrada principalmente em discos antes de Dark Side of the Moon. Bastante sentimental e melancólico, as faixas se desenvolvem bem, musicalidade fácil, acessível e bastante cativante. Os vocais são ótimos e carregados de sentimentos. Além dos pianos e vocais de Wright, os destaques também ficam por conta de Mel Collins em passagens maravilhosas de saxofone e as guitarras de Snowy White, que inclusive viria a “ser” o David Gilmour na carreira solo de Roger Waters em vários momentos, inclusive na última tour em que foi tocado The Wall na íntegra. 

“Mediterranean C” abre o disco serenamente através de uma linha de piano bastante característica de Wright. A banda então é introduzida por completo onde um saxofone muito bem executado é quem lidera tudo por um tempo. Mais na parte final, Snowy White também ganha um espaço pra deixar sua marca em um solo simples de guitarra, mas cheio de sentimento. Uma bela maneira de começar o disco.  

“Against all Odds” é uma excelente música que traz uma emoção profunda por carregar no tema seus relacionamentos e suas rupturas subsequentes. Wright esbanja sentimentalismo através de sua voz e linhas de piano emocionais. O violão também é belíssimo, onde o seu ápice se encontra no seu solo final que apesar de simples, funciona de uma maneira bastante eficaz. 

Em “Cat Cruise” certamente encontramos um tipo de instrumental que mesmo sem conhecer o autor, Richard Wright poderia ser o primeiro nome a se pensar. De certa forma a música tem um pouco da atmosfera encontrada em Obscured by Clouds acrescentada com a emoção do piano sempre belo de Wright. Mel Collins faz um excelente trabalho de saxofone na música. Pouco depois da metade a música ganha mais velocidade. 

“Summer Elegy” já emociona logo nos seus primeiros segundos através do seu piano melódico meio no estilo de “The Great Gig in the Sky”, porém, neste caso também apresentando um toque country. Outra excelente música pop na qual a voz de Wright se encaixa perfeitamente bem. Vale mencionar também que Snowy White com a sua Gibson cria um solo de guitarra maravilhoso.  

“Waves” é uma faixa instrumental simplesmente perfeita principalmente devido ao trabalho sensacional de Mel Collins através de solos jazzísticos. A melodia é repetitiva em acordes menores, fazendo lembrar novamente algo do Pink Floyd, neste caso, “Bridges Burning”. Certamente o momento mais sombrio do disco. 

A primeira vez que ouvi “Holiday” eu levei um susto, pois ela se parecia muito com uma música que eu tocava no teclado (na verdade os primeiros acordes), pra ser mais justo, a minha criação que se parecia com ela, de qualquer forma, achei tudo aquilo bem legal. E são justamente as passagens de piano que mais se destacam na música. Também possui uma bela letra e um solo de guitarra apenas pra finalizá-la em fade out. 

“Mad Yannis Dance” é mais uma instrumental belíssima. Soa como um interlúdio, atmosfera bastante densa e dá novamente um espaço para que Mell Collins desfile mais um bom trabalho de saxofone, mesmo que seja menos marcante que todos feitos até aqui. 

“Drop In From The Top” tem uma linha na veia do blues e do tipo que estava cheio no disco de estreia de David Gilmour, lançado no mesmo ano e mês. Uma faixa para que Snowy White mostre toda a sua destreza na guitarra. Apesar de uma influência gilmouriara, é algo que acontece de maneira distinta, sua personalidade é o que marca a faixa.

“Pink’s Song” não é apenas uma música lenta, mas também bastante triste. Os vocais são novamente muito emotivos e são trabalhados sobre uns arranjos muito ricos. Mel Collins aqui troca o saxofone pela flauta e deixa sua marca. Acho está música  lindíssima.  

“Funky Deux” é a música que fecha o disco. Instrumental impulsionado por uma linha de baixo extremamente rítmica. Suas batidas funk remete o ouvinte um pouco a algo do Alan Parsons Project. A música é boa, mas não vou negar que achei meio perdida no álbum, um tanto “fora do conceito”. Em um disco tão sentimental e emocional, “Funky Deux” é a mais “fria” neste sentido, mas mesmo assim sobrou espaço para mais um grande solo de saxofone de Mel Collins. 

Uma verdadeira jornada introspectiva ao mundo de Richard Wright. Como de costume o tecladista não toca de maneira chamativa ou soa tecnicamente brilhante, porém, faz tudo de uma forma muito bem organizada e criativa. Um disco de sonoridade até mesmo terapêutica. 

Sentimental, melancólico, musicalidade fácil, acessível e bastante cativante
4
16/05/2018

Muitas vezes fãs de longa data de uma banda podem não ser muito familiarizados com os discos solos dos integrantes, desconhecê-los, ou mesmo simplesmente nunca tiveram interesse em se aprofundar nas abordagens pessoais daqueles que sempre que juntos produziram grandes obras. Mas vamos falar do Pink Floyd em específico e o disco, Wet Dream, lançado em 1978 por Richard Wright. Se você é um fã da banda e desconhece este álbum, recomendo não apenas que o conheça, mas que o tenha, afinal, ele soa como um disco perdido do Pink Floyd, mostrando assim, o quão importante Wright sempre foi para a sonoridade do grupo. 

O disco é extremamente rico em texturas de rock progressivo, jazz e sonoridade floydiana do tipo mais antiga, aquela encontrada principalmente em discos antes de Dark Side of the Moon. Bastante sentimental e melancólico, as faixas se desenvolvem bem, musicalidade fácil, acessível e bastante cativante. Os vocais são ótimos e carregados de sentimentos. Além dos pianos e vocais de Wright, os destaques também ficam por conta de Mel Collins em passagens maravilhosas de saxofone e as guitarras de Snowy White, que inclusive viria a “ser” o David Gilmour na carreira solo de Roger Waters em vários momentos, inclusive na última tour em que foi tocado The Wall na íntegra. 

“Mediterranean C” abre o disco serenamente através de uma linha de piano bastante característica de Wright. A banda então é introduzida por completo onde um saxofone muito bem executado é quem lidera tudo por um tempo. Mais na parte final, Snowy White também ganha um espaço pra deixar sua marca em um solo simples de guitarra, mas cheio de sentimento. Uma bela maneira de começar o disco.  

“Against all Odds” é uma excelente música que traz uma emoção profunda por carregar no tema seus relacionamentos e suas rupturas subsequentes. Wright esbanja sentimentalismo através de sua voz e linhas de piano emocionais. O violão também é belíssimo, onde o seu ápice se encontra no seu solo final que apesar de simples, funciona de uma maneira bastante eficaz. 

Em “Cat Cruise” certamente encontramos um tipo de instrumental que mesmo sem conhecer o autor, Richard Wright poderia ser o primeiro nome a se pensar. De certa forma a música tem um pouco da atmosfera encontrada em Obscured by Clouds acrescentada com a emoção do piano sempre belo de Wright. Mel Collins faz um excelente trabalho de saxofone na música. Pouco depois da metade a música ganha mais velocidade. 

“Summer Elegy” já emociona logo nos seus primeiros segundos através do seu piano melódico meio no estilo de “The Great Gig in the Sky”, porém, neste caso também apresentando um toque country. Outra excelente música pop na qual a voz de Wright se encaixa perfeitamente bem. Vale mencionar também que Snowy White com a sua Gibson cria um solo de guitarra maravilhoso.  

“Waves” é uma faixa instrumental simplesmente perfeita principalmente devido ao trabalho sensacional de Mel Collins através de solos jazzísticos. A melodia é repetitiva em acordes menores, fazendo lembrar novamente algo do Pink Floyd, neste caso, “Bridges Burning”. Certamente o momento mais sombrio do disco. 

A primeira vez que ouvi “Holiday” eu levei um susto, pois ela se parecia muito com uma música que eu tocava no teclado (na verdade os primeiros acordes), pra ser mais justo, a minha criação que se parecia com ela, de qualquer forma, achei tudo aquilo bem legal. E são justamente as passagens de piano que mais se destacam na música. Também possui uma bela letra e um solo de guitarra apenas pra finalizá-la em fade out. 

“Mad Yannis Dance” é mais uma instrumental belíssima. Soa como um interlúdio, atmosfera bastante densa e dá novamente um espaço para que Mell Collins desfile mais um bom trabalho de saxofone, mesmo que seja menos marcante que todos feitos até aqui. 

“Drop In From The Top” tem uma linha na veia do blues e do tipo que estava cheio no disco de estreia de David Gilmour, lançado no mesmo ano e mês. Uma faixa para que Snowy White mostre toda a sua destreza na guitarra. Apesar de uma influência gilmouriara, é algo que acontece de maneira distinta, sua personalidade é o que marca a faixa.

“Pink’s Song” não é apenas uma música lenta, mas também bastante triste. Os vocais são novamente muito emotivos e são trabalhados sobre uns arranjos muito ricos. Mel Collins aqui troca o saxofone pela flauta e deixa sua marca. Acho está música  lindíssima.  

“Funky Deux” é a música que fecha o disco. Instrumental impulsionado por uma linha de baixo extremamente rítmica. Suas batidas funk remete o ouvinte um pouco a algo do Alan Parsons Project. A música é boa, mas não vou negar que achei meio perdida no álbum, um tanto “fora do conceito”. Em um disco tão sentimental e emocional, “Funky Deux” é a mais “fria” neste sentido, mas mesmo assim sobrou espaço para mais um grande solo de saxofone de Mel Collins. 

Uma verdadeira jornada introspectiva ao mundo de Richard Wright. Como de costume o tecladista não toca de maneira chamativa ou soa tecnicamente brilhante, porém, faz tudo de uma forma muito bem organizada e criativa. Um disco de sonoridade até mesmo terapêutica. 

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Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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