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Resenha: Anekdoten - Vemod (1993)

Por: Tiago Meneses

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Pra quem gosta de um rock progressivo de sonoridade mais triste e melancólica
4.5
14/05/2018

A primeira vez que ouvi este disco eu me lembro que apertei repeat algumas vezes na primeira música antes que deixasse que ele “seguisse viagem”. Creio que com base nesta minha informação, já estou garantindo a vocês que estamos diante de um álbum que impressiona (e muito) logo na sua primeira faixa. A melancolia do disco é a típica exalada por bandas de países escandinavos e que costumam soar de maneira bastante forte. Apesar da banda não esconder a sua clara influência em King Crimson, o grupo já conseguia mostrar também uma cara própria. Sons progressivos robustos executados com grande excelência, atmosfera obscura, bastante uso de mellotron, violoncelo em uma tapeçaria acurada de sons, enfim, peças e mais peças se encaixando de forma maravilhosa e criando um disco fora de série. 

"Karelia" é uma faixa instrumental que dá início ao disco. Começa com um som bastante obscuro e que define a atmosfera que será encontrada em todo o álbum. Quando a música de fato começa com todos os instrumentos juntos é uma coisa linda, guitarras na veia de King Crimson, mellotron, linhas de baixo bastante inventividade e uma bateria vinda da escola de Bill Bruford, mas claro, tudo sendo apenas influência e não somente copia. A maneira como a música flui é suave e forte ao mesmo tempo. Pouco depois da metade ela atinge uma calmaria, o violoncelo vai ditando o caminho enquanto aos poucos a faixa vai se “reconstruindo”, tudo fica mais intenso quando o mellotron se junta à música a dando um verdadeiro clima de tempestade. A música chega ao fim de forma bastante pesada. 

“The Old Man And Sea" possui um forte momento instrumental de cerca de um minuto e meio antes que os vocais apareçam pela primeira vez no álbum. A linha vocal é relativamente plana, violoncelo, piano e linhas pomposas de baixo em um ritmo médio ditado pela bateria criam uma ambientação musical bastante bonita. Conforme a música vai crescendo, ela também vai se tornando mais complexa e este seguimento representa o interlúdio da música, inclusive vale ser mencionado mais uma vez a influência do King Crimson, a guitarra no final deste interlúdio é uma reminiscência de Robert Fripp. Então ela regressa ao ritmo médio do início até chegar ao fim de forma sombria como o figurino do disco pede. 

“Where Solitude Remains” guia o disco para um caminho musical mais rápido (durante a sua abertura), combinando novamente muito bem linhas de baixo pesadas (como eu adoro o baixo deste disco), baterias furiosas e mellotron bem centrado. Após uma breve e poderosa introdução, com a entrada dos vocais tudo fica mais calmo e silencioso, porém, a música vai mesmo é se dividindo entre tempestades e bonanças. Mais próximo do final acontece o que mais surpreende na faixa, um solo de guitarra muito bom e ao estilo jazzístico, enriquecido com o mellotron ao fundo e uma bateria bem acentuada. Mais uma excelente composição. 

"Thoughts in Absence" é uma música bela, descontraída e de vocais frágeis. Começa com umas bonitas notas de guitarra, então que entra uma bateria lenta e o baixo que acompanha a linha vocal. Não lembra em absolutamente nada o que foi mostrado aqui através das faixas anteriores. A qualidade vocal dela sempre me faz lembrar um pouco do Peter Hammill. Apesar da serenidade, sua melodia é matadora. Aquele tipo de composição que serve como um intervalo de complexidade e descansa o ouvinte. Linda canção. 

“The Flow” é uma música incrível na qual eu fiquei viciado por um bom tempo. A banda novamente volta para passagens mais complexas em uma combinação de guitarras crimsonianas, melotron, linhas de baixo sólidas, além de uma bateria pulsante. Na entrada dos vocais novamente as coisas inicialmente fluem de maneira mais calma. Quase entrando nos cinco minutos a música entra uma sonoridade bastante intrincada em uma excelente combinação de violoncelo, mellotron, guitarra, baixo e bateria. Apesar de conter uma atmosfera sombria, também consegue soar de maneira edificante. Sensacional define. 

“Longing” trata-se de uma faixa instrumental belíssima e que combina um exímio trabalho de solos de violão e pinceladas de violoncelo, o mellotron em alguns momentos acentua a música criando uma paisagem sonora ao fundo que a deixa ainda mais charmosa. A combinação acústica entre o violão e o violoncelo e algo simplesmente incrível. Apesar de manter a aura “dark” característica, a banda soa em um estilo que é diferente do seu tradicional.   

Após a bonança, “Wheel” traz de volta o disco para uma sonoridade tempestuosa. A última faixa de Vemod é uma composição baseada em mellotron. A música então fica mais lenta com uns vocais conjuntos masculino/feminino que são maravilhosos. Mais a frente a guitarra traz para a música alguns arranjos mais complexos. Na parte do interlúdio o destaque fica por conta do trabalho de fliscorne.  A banda então retorna para a sonoridade com vocais duplos, mas que dura pouco tempo, a banda entra em uma sonoridade pesada, complexa e sinfônica que vai se mantendo até ir terminando em fade out. 

Excelente do começo ao fim, Vemod é um dos discos que gosto de ouvir nos momentos certos, não é um trabalho do tipo que toda hora é hora. Se você gosta de um rock progressivo feito em uma sonoridade mais triste e melancólica, certamente você vai achar este disco gratificante. Gosto de desfrutar desta música sempre de forma solitária, num quarto escuro e com o volume bem alto nos fones de ouvido, porém, evito fazer isso em dias que não estou bem, que estou meio pensativo ou com ideias meio pessimistas, pois ele pode ser um combustível pra que tudo piore. 

Pra quem gosta de um rock progressivo de sonoridade mais triste e melancólica
4.5
14/05/2018

A primeira vez que ouvi este disco eu me lembro que apertei repeat algumas vezes na primeira música antes que deixasse que ele “seguisse viagem”. Creio que com base nesta minha informação, já estou garantindo a vocês que estamos diante de um álbum que impressiona (e muito) logo na sua primeira faixa. A melancolia do disco é a típica exalada por bandas de países escandinavos e que costumam soar de maneira bastante forte. Apesar da banda não esconder a sua clara influência em King Crimson, o grupo já conseguia mostrar também uma cara própria. Sons progressivos robustos executados com grande excelência, atmosfera obscura, bastante uso de mellotron, violoncelo em uma tapeçaria acurada de sons, enfim, peças e mais peças se encaixando de forma maravilhosa e criando um disco fora de série. 

"Karelia" é uma faixa instrumental que dá início ao disco. Começa com um som bastante obscuro e que define a atmosfera que será encontrada em todo o álbum. Quando a música de fato começa com todos os instrumentos juntos é uma coisa linda, guitarras na veia de King Crimson, mellotron, linhas de baixo bastante inventividade e uma bateria vinda da escola de Bill Bruford, mas claro, tudo sendo apenas influência e não somente copia. A maneira como a música flui é suave e forte ao mesmo tempo. Pouco depois da metade ela atinge uma calmaria, o violoncelo vai ditando o caminho enquanto aos poucos a faixa vai se “reconstruindo”, tudo fica mais intenso quando o mellotron se junta à música a dando um verdadeiro clima de tempestade. A música chega ao fim de forma bastante pesada. 

“The Old Man And Sea" possui um forte momento instrumental de cerca de um minuto e meio antes que os vocais apareçam pela primeira vez no álbum. A linha vocal é relativamente plana, violoncelo, piano e linhas pomposas de baixo em um ritmo médio ditado pela bateria criam uma ambientação musical bastante bonita. Conforme a música vai crescendo, ela também vai se tornando mais complexa e este seguimento representa o interlúdio da música, inclusive vale ser mencionado mais uma vez a influência do King Crimson, a guitarra no final deste interlúdio é uma reminiscência de Robert Fripp. Então ela regressa ao ritmo médio do início até chegar ao fim de forma sombria como o figurino do disco pede. 

“Where Solitude Remains” guia o disco para um caminho musical mais rápido (durante a sua abertura), combinando novamente muito bem linhas de baixo pesadas (como eu adoro o baixo deste disco), baterias furiosas e mellotron bem centrado. Após uma breve e poderosa introdução, com a entrada dos vocais tudo fica mais calmo e silencioso, porém, a música vai mesmo é se dividindo entre tempestades e bonanças. Mais próximo do final acontece o que mais surpreende na faixa, um solo de guitarra muito bom e ao estilo jazzístico, enriquecido com o mellotron ao fundo e uma bateria bem acentuada. Mais uma excelente composição. 

"Thoughts in Absence" é uma música bela, descontraída e de vocais frágeis. Começa com umas bonitas notas de guitarra, então que entra uma bateria lenta e o baixo que acompanha a linha vocal. Não lembra em absolutamente nada o que foi mostrado aqui através das faixas anteriores. A qualidade vocal dela sempre me faz lembrar um pouco do Peter Hammill. Apesar da serenidade, sua melodia é matadora. Aquele tipo de composição que serve como um intervalo de complexidade e descansa o ouvinte. Linda canção. 

“The Flow” é uma música incrível na qual eu fiquei viciado por um bom tempo. A banda novamente volta para passagens mais complexas em uma combinação de guitarras crimsonianas, melotron, linhas de baixo sólidas, além de uma bateria pulsante. Na entrada dos vocais novamente as coisas inicialmente fluem de maneira mais calma. Quase entrando nos cinco minutos a música entra uma sonoridade bastante intrincada em uma excelente combinação de violoncelo, mellotron, guitarra, baixo e bateria. Apesar de conter uma atmosfera sombria, também consegue soar de maneira edificante. Sensacional define. 

“Longing” trata-se de uma faixa instrumental belíssima e que combina um exímio trabalho de solos de violão e pinceladas de violoncelo, o mellotron em alguns momentos acentua a música criando uma paisagem sonora ao fundo que a deixa ainda mais charmosa. A combinação acústica entre o violão e o violoncelo e algo simplesmente incrível. Apesar de manter a aura “dark” característica, a banda soa em um estilo que é diferente do seu tradicional.   

Após a bonança, “Wheel” traz de volta o disco para uma sonoridade tempestuosa. A última faixa de Vemod é uma composição baseada em mellotron. A música então fica mais lenta com uns vocais conjuntos masculino/feminino que são maravilhosos. Mais a frente a guitarra traz para a música alguns arranjos mais complexos. Na parte do interlúdio o destaque fica por conta do trabalho de fliscorne.  A banda então retorna para a sonoridade com vocais duplos, mas que dura pouco tempo, a banda entra em uma sonoridade pesada, complexa e sinfônica que vai se mantendo até ir terminando em fade out. 

Excelente do começo ao fim, Vemod é um dos discos que gosto de ouvir nos momentos certos, não é um trabalho do tipo que toda hora é hora. Se você gosta de um rock progressivo feito em uma sonoridade mais triste e melancólica, certamente você vai achar este disco gratificante. Gosto de desfrutar desta música sempre de forma solitária, num quarto escuro e com o volume bem alto nos fones de ouvido, porém, evito fazer isso em dias que não estou bem, que estou meio pensativo ou com ideias meio pessimistas, pois ele pode ser um combustível pra que tudo piore. 

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Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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